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Diário de Férias: Torres Gêmeas (World Trade Center)

WTC fevereiro 2001A última vez que estive em NYC, e nos próprios Estados Unidos, foi em fevereiro de 2001. Naquela oportunidade, num inverno ainda mais rigoroso, pude contemplar uma cidade muito diferente da atual.

Sob a administração de Rudolph Giuliani pude ver, enfim, a política de “tolerância zero”, implantada pela Polícia Nova-Iorquina, começar a dar resultados. À época fiquei hospedada em East Village, downtown de Manhattan, e conhecida por sua considerável periculosidade, principalmente durante a noite.

Naquela oportunidade, enfrentando um frio rigoroso, abaixo de zero, vi a mesma cidade cinza, mas incapaz de congelar. A cidade é quente, ferve, as pessoas não param e parecem incansáveis. Todos estão nas ruas – antes e hoje – fazem todas as refeições caminhando, estão sempre apressados, sem tempo nem para ver o tempo.

Aliás, o tempo aqui é visto na televisão, enquanto tomam banho e se arrumam para o dia de trabalho puxado, ouvem as notícias climáticas na TV e podem confiar, sabem exatamente com que roupa encarar o dia. Por essas bandas, a(o) garota(o) do tempo nunca erra.

Em 2001 não subi nas Torres Gêmeas (WTC), assim como também não subi no Empire State Building, ou no Chrysler Building, quem viaja entende o problema que é encarar o frio e o vento no chão, imagine no céu. Bem como o transtorno de se enfrentar filas quilométricas que podem lhe tomar um dia inteiro de passeios, coisa que dificilmente dispomos em viagens de férias.

No entanto, todos esses prédios são contemplados com a mesma atenção de baixo, vendo-os comporem ofevereiro 2012 cenário e aprendendo a distinguir suas nuanças dentre os vários arranha-céus ao redor.

Tenho lembranças únicas e impossíveis de serem retratadas em palavras, coisas que só quem vive a experiência é capaz de sentir. Mas lhe digo que a ausência de quaisquer desses prédios faria falta à cidade.

Poderíamos imaginar o Rio de Janeiro sem o Cristo Redentor? Ou sem os bondinhos do Pão de Açucar? E olhe que ambos são monumentos que não abrigam pessoas, essas apenas estão de passagem por lá, com exceção dos funcionários.

Em Maceió perdemos nosso famoso coqueiro Gogó da Ema, e ele faz falta ao nosso cenário, aprendemos a conviver sem ele, e hoje as novas gerações sequer sabem que o coqueiro existiu.

É óbvio que nenhuma das comparações é razoável, servem apenas para ilustrar que a cidade sente a ausência de qualquer elemento integrador. Lá não é diferente e, obviamente, é bem pior. Além da perda física dos prédios, dos investimentos, do capital, é inenarrável o sentimento relacionado às perdas humanas.

Eu lembro com exatidão o lugar em que estava quando as torres gêmeas caíram. Lembro o turbilhão de sentimentos. A insegurança em relação ao meu primo que mora lá.

Eu estava em casa, a televisão transmitia ao vivo o que estava acontecendo no centro financeiro de NYC, cerca de 9h da manhã do dia 11 de setembro de 2001. Ninguém sabia ao certo do que se tratava, acreditava-se em acidente. Lembro que o tempo foi longo entre o primeiro “acidente”, o segundo “acidente”, e a trágica quedas dos prédios. Houve tempo para evacuação de muitos, tempo para desespero de outros tantos – a se jogarem pelas janelas. Mas o mais lamentável é que houve tempo suficiente para a entrada de mais gente nos prédios.

À margem do espaço onde, hoje, são construídos novos prédios, há um memorial às vítimas, em especial aos “mártires”. As faixas que ornam os prédios que hoje são construídos em seus lugares, o clima, a rotina, tudo parece sempre lembrar aquele dia.

A sensação é terrível, talvez não a todos, mas aos mais sensíveis, ou aos que melhor conseguem sentir a dor alheia. Nomeio muitos dos homens e mulheres que morreram no fatídico 11 de setembro de mártires assumindo toda responsabilidade.

Pondo de lado todas as teorias conspiratórias, bem como as razões que levaram ao ataque. É incontroverso que o atentado foi uma insanidade, não há justificativas para tirar a vida de inocentes. Se pela nossa lei (brasileira) sequer é dado ao homem o direito de tirar a vida de assassino, que dirá a vida de milhares de incautos cidadãos que apenas vivem mais um dia de rotina?!

O certo é que é doloroso ler as mensagens de saudades em homenagem aos bombeiros e bombeiras, que no exercício de sua profissão, optaram por arriscar suas vidas para salvar desconhecidos.

E não foi difícil fazer a conexão entre aquela triste realidade à nossa. Se com todos os recursos e aparelhamento de proteção individual a tragédia foi a que houve, imaginemos se tivesse ocorrido no Brasil, mais especificamente em nosso Estado. Muitos quedar-se-ão impassíveis, afinal, dificilmente um atentado terrorista ocorrerá em terras tão pacíficas, mas as tragédias podem ser muitas, como as enchentes ou incêndios, e para salvar vidas desconhecidas o heroismo será o mesmo.

Que nossos heróis sejam melhor aparelhados e recompensados, pois é o mínimo que a sociedade pode fazer em reconhecimento à abnegação própria de suas atividades.

 
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Publicado por em 15/02/2012 em Diário de Viagem

 

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Teorias Conspiratórias: 11 de setembro e nosso cotidiano

O aniversário de dez anos do atentado terrorista com maiores proporções no mundo ocidental trouxe à tona novamente discussões conspiratórias sobre o papel do governo americano em toda aquela tragédia.

A tragédia vitimou quase três mil pessoas, americanos ou não, trabalhadores, agentes públicos e privados, e que pouco ou nada tinham a ver com as políticas de administração pública norte-americana, interna ou internacional.

As imagens veiculadas ao vivo por todo o mundo foram chocantes, pessoas se jogavam dos prédios, sobreviventes corriam atordoados pelas ruas à procura de ajuda e de explicação. Os aparelhos de comunicação, móvel e fixo, durante horas ficaram sem conexão. A insanidade era generalizada, o desespero por notícias seguras era enorme e o que se via era ainda mais desencontro nas informações.

Não eram só os residentes das cidades atingidas pelos atentados, mas também de todos os lugares do mundo onde havia familiares de domiciliados ou de turistas de passagem por Nova York ou por Washington, que batalhavam por notícias mais específicas sobre a segurança de seus entes.

Os questionamentos que surgem tão naturalmente quando se fala em atuação beligerante ou economicamente influente dos Estados Unidos são sempre no sentido de revelar sua face imperialista e dominadora. Acho extremamente interessante e salutar tais questionamentos, mas também acho que seria de bom alvitre questionar a fonte de tais suspeitas conspiratórias.

Até porque me parece muito conveniente e pouco coerente que brasileiros tão acomodados com a indústria cultural que nos é impingida pelos meios de comunicação de massa passem a debater teses conspiratórias internacionais, e tramas econômicas tão bem elaboradas quanto amedrontadoras, enquanto assistem placidamente às alienantes novelas, os telejornais tendenciosos e pouco questionadores, entre muitos outros programas televisivos e de rádio com pouco conteúdo construtivo ou pendor educacional.

Os sucessivos 11 de setembro serão sempre momentos a se rememorar as vítimas da tragédia norte americana, assim como todas as datas em que morreram inocentes nos mais diversos rincões do mundo. É certo que o que houve nos Estados Unidos modificou tudo o que se entendia por sistema de segurança antiterrorista, intensificando o cuidado e as suspeitas ao redor do mundo.

No entanto, não são só os americanos vítimas de terrorismo, seja o islâmico, ou o próprio americano o autor do atentado; o que se sabe é que a indústria armamentista patrocina não só as guerras internacionais ou civis, mas também o tráfico de drogas, as guerrilhas latino-americanas e africanas.

Acostumemo-nos a questionar tudo o que possa haver por trás de notícias, mas não somente as advindas de notas oficiais internacionais, mas também todas as que influenciam, direta ou indiretamente, nosso cotidiano. Hoje temos muitas ferramentas, principalmente a internet, para coletar ainda mais informações, confrontá-las e concluir por nós mesmos.

 
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Publicado por em 12/09/2011 em Variedade

 

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