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Adeus a Silvio Sarmento

Faleceu de infarte o querido Silvio Sarmento, diretor da Rádio Comunitária Zumbi, em União dos Palmares, zona da mata alagoana.

Silvio Sarmento – Rádio Zumbi

Para quem não conhece, “seu” Silvio era um homem doce, de voz grave, como de locutor de rádio. Locução, aliás, era coisa que fazia com maestria. Era capaz de narrar notícias como se fossem obras de arte literária e encantava pelo tom da voz, pelas pausas, pelos recomeços.

Além de generoso com todos que o rodeavam, “seu” Silvio era um grande incentivador das novas gerações, dizia que o tempo havia mudado e que os jovens faziam comunicação com muita criatividade. Um entusiasta das novas mídias, nunca teve medo de a rádio perder campo para a internet e abria seu espaço e cedia seus horários para que jovens tomassem conta dos microfones e em volta de uma mesa transmitissem aos palmarinos as notícias e alertassem sobre as injustiças.

Nasceu na Rádio Zumbi um dos programas que mais me orgulho de ter participado como convidada, o Mesa Z, hoje já nem espero convite, todo dia é dia de ir visitar os amigos queridos que fiz por aquelas bandas palmarinas.

Sílvio Sarmento era de ligar num dia qualquer só para parabenizar por uma postagem e pedir para que mais como aquela fossem feitas, era de pedir permissão para ler no ar e ainda enviar o áudio para que eu ouvisse sua narrativa e me orgulhasse de ter escrito algo tão bonito.

“seu” Silvio era assim, capaz de transformar em diamante um texto bruto.

Retornar a União já não será tarefa só feliz, só querida e para matar todas as saudades, encontrar os amigos do programa será, como sempre, muito empolgante, mas terá agora o gosto da saudade que não se mata…

“Seu” Silvio incentivou a mocidade de União e também outros jovens que sonham com a comunicação independente e democrática, como eu, Paulo Veras, José Marques e tantos outros.

À família Mesa Z meus sentimentos em meu nome e em nome de todos que sonham por um tempo em que pessoas como Silvio Sarmento sejam maioria, que tenha a generosidade de reconhecer o talento de um jovem, sem a mesquinhez de ver num iniciante o concorrente de amanhã.

Um abraço à família Sarmento.

‘Seu’ Silvio se vai, mas o legado que deixa é imensurável.

 
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Publicado por em 07/03/2013 em Variedade

 

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A verdade sobre as casas entregues em União dos Palmares, em 21/12/2011

Conjunto Newton Pereira - União dos Palmares

São muitas as informações dando conta de que as casas que foram entregues nesta última semana não estavam em condições de habitação. Antes de iniciar este texto esclareço que “sem condições de habitação” era como estavam, desumanizados em fornos humanos.

Depois das primeiras confusões já no primeiro dia de entrega, nas cidades de São José da Laje e União dos Palmares, não me furtei ao reconhecimento in loco da situação e fui até União, no dia seguinte (21, quarta-feira).

Para minha satisfação e felicidade dos agraciados com as primeiras 120 casas (nos dias 20 e 21), aquelas que visitei, aleatoriamente, estavam em condições perfeitas de moradia. Principalmente comparando-se às lonas de que se serviam. Soube, também, que as casas adaptadas para deficientes físicos estavam perfeitas.

É verdade que em algumas faltavam torneiras ou chuveiros e a água tinha sido prometida para aquele mesmo dia (21). No entanto, nada disso é considerado óbice à felicidade de quem enfim conseguiu a casa própria, ainda que aguardando o desembaraço junto à Caixa Econômica Federal.

 

Em relação às casas de União dos Palmares algumas ponderações devem ser registradas.

A solenidade de entrega, no dia 20 de dezembro, contou com a presença de ilustres políticos do estado e da região. Na oportunidade diversos discursos foram feitos e registro a informação de que o Sr. Vice-Governador, José Thomaz Nonô, assegurou a entrega de 365 casas em União dos Palmares, fazendo alusão, inclusive, aos 365 dias do ano, como se só tivessem passado 1 ano em condições de miserabilidade. Enfim, isto não vem ao caso.

No entanto, em conversa com um funcionário da CEF que estava fazendo a entrega das casas no dia 21, este informou que a entrega seria feita em três dias. No primeiro dia haviam sido beneficiadas 60 famílias, no segundo dia mais 60, e no terceiro 53, perfazendo assim o total de 173 casas.

No mesmo sentido foi o caso do financiamento das casas. Na solenidade, e em todos os meios de comunicação oficial do Estado, foi assegurado que nenhum dos flagelados sobreviventes das enchentes de 2010 precisaria arcar com sua parte junto à Caixa.

Todavia, em análise minuciosa dos termos do contrato assinado, pudemos constatar claramente que o contrato celebrado entre o beneficiário e o Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), representado pela Caixa, apenas onera-os, não comprometendo o Estado, o Governo Federal, ou qualquer outro ente federativo quanto às suas expensas.

Pelo contrato, o beneficiário confessa-se devedor do valor total do imóvel (cláusula Segunda), ou seja, em caso de descumprimento de quaisquer das obrigações estipuladas, poderá a CEF executar o contrato que tem como garantia o próprio imóvel.

Diante do descompasso das informações, inquiri, por meio do Twitter, o ilustre Vice-Governador, José Thomaz Nonô, que se eximiu de quaisquer explicações. Como não é mesmo um forte do nobre político responder aos meus questionamentos, solicito que outros cidadãos, com um pouco mais de prestígio solicitem-no informações. De repente, assim teremos dados convincentes e seguros para toda sociedade.

Vale ressaltar que a entrega das casas tem sido feita sem o acompanhamento de qualquer instituição de proteção ao cidadão, nem a OAB, nem o MP, nem a Defensoria Pública. Muitos dos beneficiários não sabem ler, e todos, sem exceção, não entendem o que está escrito no contrato, isso quando leem ou encontram alguém para ler para eles.

Ainda, a celebração contratual e entrega das chaves estava sendo realizada, ao menos em União dos Palmares, no próprio assentamento das barracas de lona, distante alguns quilômetros do conjunto Newton Pereira, onde as casa se localizam. Ou seja, praticamente nenhuma casa estava sendo vistoriada antes do seu recebimento.

 

No mais, mantenho a postura de agradecimento pela entrega das casas, constatei a inenarrável felicidade dos beneficiários.

Informo que em breve visitarei os municípios que tinham cidades de lona para saber se estas tiveram o fim esperado. E aproveitarei para saber a condição dos moradores dos novos conjuntos.

Reafirmo, ainda, a necessidade das lombadas na rodovia que dá acesso ao conjunto.

Trecho do contrato celebrado - Casa da Reconstrução

 
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Publicado por em 26/12/2011 em Estadual, Federal, Política

 

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Breves esclarecimentos sobre as obras de reconstrução, por Fireman

Aproveito o ensejo para informar aos leitores do “Palavras ao Vento”, e que vêm acompanhando toda a atuação dos blogueiros envolvidos com #UmAnoEnchentesAL, que nesta terça-feira, último dia 5 de julho, entrei em contato com o Sr. Marco Fireman, secretário de infraestrutura do estado de Alagoas e pessoa, a meu ver, mais capacitada para responder a alguns questionamentos sobre o tema.

Questionado sobre a informação de que neste mês de chuvas (junho e julho são meses de muita chuva em Alagoas, mas neste ano não tem chovido torrencialmente) as obras de reconstrução estariam paralisadas até que o período passasse, o Sr. Secretário esclareceu que esta informação não procede e assegurou que as obras continuam, mas oscila na velocidade em face das esparsas chuvas.

Acerca da informação de que a construção das caixas d’água de Murici, bem como da ponte de Branquinha, estavam paralisadas porque os trabalhadores (cidadãos muricienses e branquinhenses) não estavam sendo pagos pelas empreiteiras, a autoridade da infraestrutura estadual disse que não tinha conhecimento sobre tais fatos, que até poderia ser possível, já que a relação com tais trabalhadores é diretamente com a firma, sem passar pelo Estado, mas que procuraria informações a respeito e, se fosse o caso, cobraria soluções.

Disse ainda que a expectativa é que onze mil casas sejam construídas por ano, mas que espera entregar vinte mil casas nos próximos doze meses. Trouxe ainda a informação de que a tecnologia de construção usada nas obras de União dos Palmares, onde se constrói por blocos e não por partes – agilizando a obra -, será disseminada para outros canteiros de reconstrução, ressalvando que tudo depende da adequação das empreiteiras a esta nova técnica.

Em tempo, reafirmo a urgência nas obras de construção destas novas residências, relembro a todos os envolvidos que são seres vivos que estão à espera de uma nova oportunidade de dignidade.

Agradeço ao Sr. Secretário Marco Fireman o tempo e a atenção a mim dispensados e continuo mantendo a postura de tentar dar voz àqueles marginalizados pela tragédia de 2010.

 
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Publicado por em 06/07/2011 em Estadual, Política

 

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