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Recado a Teo Vilela e a Dário César

Sr. Governador Teotônio Vilela e Secretário Dário César,

Espero que este recado chegue aos senhores e a todos os responsáveis pela segurança pública do meu estado, em especial da capital, onde resido.

Hoje, pela milésima vez, mais um carro foi assaltado, mais um aluno foi roubado, na porta da faculdade. Eu e algumas centenas de jovens adultos estudam à noite no Cesmac (Fecom, vizinho à Tv Pajuçara) e nos sentimos amedrontados. O medo é tanto que já não ando até meu carro, corro. Já não espero as aulas terminarem, pois quanto mais tarde, menos gente e mais perigoso.

Recentemente soube de uma garota que foi estuprada na ladeira da catedral, sim, ali, vizinho à ALE, um dos poderes instituídos do estado. Não aguento mais viver com medo, não aguento mais sair e não saber se volto, não aguento mais temer por meus entes queridos.

Óbvio que clamor como este os senhores já ouviram de muitas pessoas, vítimas reais de um crime real, pessoas que perderam bens ou familiares, eu não perdi nem um e nem outro (ainda, tenho consciência disso), mas não quero ser a próxima!!

Cansei! Estou cansada! Não aguento mais viver assim… Brasil mais seguro? Só se for nos castelos onde os senhores moram, com seguranças armados e pagos pelos impostos que eu recolho.

Estou desabafando porque cansei até de ficar engasgada! Tomem uma providência de vergonha, de respeito! São homens e mulheres que constroem esse estado, que justificam seus salários, que alimentam suas famílias….

 

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Publicado por em 15/10/2013 em Facebook

 

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Crianças e Adolescentes entre Segurança Pública e Presídios Privados

Publicado no Portal Cada Minuto

Atualmente falar sobre a criminalidade em Alagoa é “chover no molhado”, são números apresentados oficialmente, são pessoas que os contesta simplesmente porque o dia a dia mostra outra coisa, por um lado o estado acusa jornalistas e população de serem alarmantes e provocar a sensação de terror, enquanto são acusados de manipuladores de números, mentirosos e incapazes.

O Programa Brasil Mais Seguro tem se mostrado uma fantástica fonte de renda a ser usada no combate à criminalidade, e tem-se visto o investimento na área, a gente só não vê homens e viaturas em número suficiente nas ruas. Inclusive com a sensação de que basta a polícia passar que o ponto já ficou desguarnecido e desprotegido novamente. É, realmente, incrível o momento de insegurança que o alagoano vive.

Conversando com dois taxistas, nesta semana, ambos me relataram diversos casos de assaltos a colegas, confirmaram que só vão a bairros em que se sintam seguros e que nas ruas não pegam qualquer um, para eles todos são suspeitos em potencial. Em tempos de lei seca e incentivo ao uso de taxis, eis um grande problema para a população.

Doutra banda, todos confirmam, aceitam e até se resignam em reconhecer que o maior problema para a criminalidade é o abuso do uso de drogas – todas as drogas. O crack é o de maior repercussão por seu maior poder de dependência, de destruição e rapidamente seus efeitos passam, provocando a busca desenfreada pela droga – a qualquer preço.

Reconhecendo esse poder de destruição, o governo federal disponibilizou o Programa “Crack, é Possível Vencer!” que também veio a Alagoas como projeto piloto, mas, diferentemente do “Brasil mais Seguro”, ninguém cobra os resultados desse programa que foi implantado três meses antes numa apresentação cheia de pirotecnia no centro de convenções alagoano, com convidados “globais” e famosos.

Hoje temos visto a perversidade das ações criminais, de todos os bandidos, maiores ou menores de idade. É como se estivéssemos vivendo um momento em que todos os criminosos se tornaram psicopatas de alta periculosidade. Não têm mais noção da gravidade de seus atos, da perversidade das atrocidades que cometem, as mortes são bárbaras, é o barbarismo voltando – ou se revelando!

Continuo com a mesma visão aberta de que se tivéssemos proporcionado escola de qualidade para as crianças, com professores satisfeitos em sala de aula; se tivéssemos proporcionado profissionalização para adolescentes, com primeiro emprego à vista; se tivéssemos investido em programa de trabalho e renda para adultos, não estaríamos hoje matando a fome do miserável com “bolsas” e talvez nosso país fosse mais justo e menos desigual. Agora a coisa está feia, muito feia.

A maldade e perversidade que não é punida e nem combatida tende a piorar mesmo. Hoje crianças e adolescentes são flagrados em atos covardes de pura crueldade e têm despertado nas pessoas tamanha indignação com a forma como são tratados pelo sistema penal que hoje clamam por punição como a de criminosos maiores de idade.

Sobre o tema lamento profundamente que a discussão se apequene à esfera de idade, e não, enfim, despertem as pessoas para o problema da ausência de educação, saúde e lazer na vida de crianças e adolescente de periferias. Vemos “bandidinhos” também de classe média, e o problema é o mesmo – as drogas –, mas os “riquinhos” só ficam presos o tempo que a família leva para pagar uma fiança ou um bom advogado.

Com a diminuição da maioridade penal vai ocorrer o mesmo que ocorrer com depois da lei de crimes hediondos. A população carcerária vai aumentar exponencialmente, mas a criminalidade não vai diminuir, vai aumentar sobremaneira, como vemos hoje, simplesmente porque punir por punir não dá resultados. São bolsões de maldade se misturando e se especializando, veremos menores pretos e pobres empilhados em celas – bestializando-se.

A imprensa nacional comprou essa discussão. Tem inflamado o público a crer que o problema da criminalidade são os menores, mas o problema são as drogas e a falta de educação. Mas, facilmente, encontraram um culpado aceito pelo povo, afinal, realmente, a maldade e a perversidade dessas pessoas – maiores ou menores bandidos – é indiscutível.

Mas sempre que vejo uma bandeira sendo facilmente empunhada procuro questionar, e acho que é isso o que todos nós devemos fazer sempre. A discussão sobre a população carcerária tem surgido nos debates sobre a redução da maioridade penal, e diante da ineficiência estatal em tratar seus presos, a solução mágica já se apresentou. A privatização dos presídios, e aqui não me ponho a favor ou contra, apenas em alerta.

Se a privatização se der em modelo de terceirização, pode ser que dê certo, mas dificilmente dará se for no modelo Parceria Público Privado. Políticos já têm declarado seu apoio à privatização, e caso essa discussão passe a ser legiferante é bom que a sociedade participe.

Não podemos perder o foco de que o preso é um ser humano e não uma mercadoria, de que a ideia é que a população carcerária diminua, não por impunidade, mas porque a população saiba viver em sociedade e não cometa delitos.

Não devemos esquecer a indústria das multas que tanto foi combatida em Maceió em tempos passados, seria certa a indústria dos presos?

E mais, é importante que não nos satisfaçamos com argumentos de comparações com modelos que deram certo em países estrangeiros, pois a realidade social de cada país é diferente. Quando tivermos a educação dos estados unidos, a igualdade social da Suécia e a saúde da Inglaterra, poderemos discutir em “pé de igualdade”.

Enfim, acredito que as ponderações, o debate e toda discussão sobre criminalidade se dê de forma integrada e abrangente, com disposição em investimentos, atividades e trabalhos em todas as frentes.

A segurança pública será sempre um problema, se políticas públicas nas diversas áreas não forem adotadas. Se a população continuar conivente com os desvios de dinheiro público e não buscar punição primeiro para os criminosos de colarinho branco, a sensação de impunidade será sempre a mesma.

E aqueles que financiam o crime e são financiados pelo tráfico continuarão investindo (aparentemente) em remediação e não em prevenção.

Afinal, o Programa Brasil Mais Seguro precisa dar certo, há uma fila de estados querendo implantá-lo e um país querendo exportá-lo.

Números, números, fatos, versões, até quando seremos reféns de pensamentos superficiais?

 
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Publicado por em 13/05/2013 em CadaMinuto

 

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As cidades um ano depois…

Ainda sobre as visitas que fizemos no último dia 18 às cidades inundadas pelo Rio Mundaú, venho trazer o presente texto. Este se atém às questões mais objetivas das necessidades daquelas cidades, não só de sua população, mas também do município enquanto ente federativo, dotado de condições estruturais mínimas para assim serem reconhecidos.

Visitamos as cidades de Murici, Branquinha, União dos Palmares e São José da Laje. Todas cortadas pelo rio, o que proporciona a muitas famílias sua subsistência e também algum incremento na economia local.

Diversas foram as necessidades que foram apontadas pelos próprios moradores, mas também por nós. No texto anterior (“A verdade sobre as vítimas das enchentes de 2010 em Alagoas”) procurei deixar claro que o problema não era a comida, não era sua baixa qualidade ou sua falta. Não, este, definitivamente, não era o problema. A comida que vimos era de boa qualidade e quantidade.

No entanto, gostaria de explicar melhor esta situação. Os desabrigados, assentados em acampamentos de lona, têm “direito” à alimentação três vezes ao dia, para isso apresentam seu “marmitex” e uma “senha”, tudo fornecido pela autoridade pública. No entanto, é importante frisar que, diante da ausência de outros itens de necessidade básica, como produtos de higiene pessoal, ou de utensílios de limpeza doméstica, assim como assistência médica mais específica e urgente, dentre outras necessidades básicas, algumas famílias venderam seus “marmitex” e “senha” e hoje perderam seu “direito” às três refeições diárias.

Estas pessoas estão se virando com o que podem e como podem, seja “filando” a comida do vizinho ou de um parente, ou empregando o pouco que ganham em subempregos (ou com a venda do que lhes restou da enchente) na alimentação diária, faltando, obviamente, para todas as outras necessidades.

A falta de emprego nas cidades visitadas, bem como em todo nosso estado, é situação que merece registro. O ócio que pode ser constatado em todos os acampamentos é flagrante, não só dos adultos em idade laboral, mas também das crianças, que, como já aventado no texto anterior, não têm distração lúdica e nem construtiva, enquanto são assistidas, ou não, pelos adultos e idosos, que não empregam suas horas em nada produtivo, não têm emprego, seja pela total ausência de oferta, de qualificação, ou qualquer outra razão, mas também não investem em artesanato ou outra forma de subsistência ou de melhora pessoal.

Como não poderia ser diferente, em localidades em que a educação e o emprego não são encontrados impera o banditismo, o caos social. As pessoas (dentre elas as crianças) são facilmente atraídas para a criminalidade, para o uso de drogas, para o consumo desmedido de bebida alcoólica, junto com estas escaras aumenta o número de conflitos domésticos e gradualmente comunitários.

O aumento da criminalidade nos assentamentos tem refletido em todas as cidades, é comum ouvir munícipes admitindo que evitam determinada zona da cidade (a dos assentamentos) para não serem vítimas desta criminalidade. Estes resolveram diminuir os limites territoriais de seus municípios, conscientemente fechando os olhos para um problema que só se avoluma, e que, cedo ou tarde, baterá a sua porta, ultrapassando, inadvertidamente, aqueles “limites” impostos pelos “cidadãos de bem”.

Tivemos a oportunidade de conversar com uma guarnição da Polícia Militar que fazia sua ronda matinal num dos assentamentos. Com eles descobrimos que a cada turno há quatro militares e um civil, que desde a quinta anterior, ou seja dia 16/06, que estavam fazendo três rondas diárias, uma por período. Dispunham de uma viatura, um Fiat uno. Enquanto estavam os quatro patrulhando a área, o único agente civil de serviço estava sozinho “guardando” o posto policial. Eles disseram que esta situação se estende por seis cidades da região. Ressalvaram ainda que, “vivemos num meio muito pacífico, porque se essas pessoas quisessem fariam qualquer coisa com a gente e com a cidade, não podemos controlar um grupo grande de pessoas”. Sim, é este o policiamento que tem “guardado” as cidades, os assentados, os favelados e todo o resto.

O presente texto visa esmiuçar um pouco mais o cotidiano nas cidades atingidas pelas enchentes do ano passado. Falta água encanada, falta estrutura mínima de banheiro (sanitário e chuveiro), falta limpeza, falta urbanidade, falta educação, falta emprego, falta renda lícita, falta tudo o que é necessário numa sociedade, num aglomerado de pessoas, numa comunidade, num município.

Por fim, gostaria de deixar registrado que a situação na cidade de São José da Laje é a mais diferente, nela é possível vislumbrar o respeito à dignidade daquelas pessoas. Foi o único lugar onde a necessidade deixou de ser básica, de sobrevivência, de dignidade, e passou a ser de cunho pessoal, individual, de reconhecimento em si próprios, de individualidade.

ERRATA: Obs: Gostaria de agradecer ao amigo @opoetaepalhaco (jornalista Railton Teixeira); ele esclareceu que a cidade de São José da Laje é cortada pelo Rio Canhotinho e não pelo Rio Mundaú.

 
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Publicado por em 25/06/2011 em Estadual, Política

 

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