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O Papa pós-fim do mundo

Há alguns meses escrevi sobre as expectativas pela chegada do fim do mundo, pois é o fim chegou? Aos que não lembram, relembro. Calendários antigos, profecias e estudos astrológicos indicavam que o fim do mundo seria no dia 21 de dezembro de 2012.

Apesar de impressionada com tantas coincidências numerológicas, nunca acreditei que o mundo realmente viesse a acabar num cataclismo hollywoodiano. Àquele tempo, a exemplo de hoje, acredito que o período que vivíamos, e que ainda vivemos, seja de transição.

Estamos aprendendo a conviver e superar as drogas, as famílias estão tentando se reerguer e implantar valores mais sólidos. Jovens – pobres e ricos – são, cada vez mais, flagrados em atos ilícitos e são punidos por isso. Talvez os mais descrentes achem que só os pobres têm sido punidos, mas vejo que jovens ricos também o têm, ainda que em número bem menor, mas são mais apontados do que eram num passado recente.

Famílias que se degradam e chegam ao fundo do poço com crianças agredindo os mais velhos, jovens matando e esquartejando pais, causam cada vez mais repulsa e horror numa sociedade que se barbarizou ao perder seus valores morais para o império do consumismo e da moral invertida, a tal ponto que uma bermuda da moda vale mais que o pão de cada dia.

Continuo achando que o fim do mundo pregado há milênios não se referia a um fim físico – hecatombe – mas de energias, de forças… Estamos vendo impérios econômicos encarando estagnação – ou crescimentos irrelevantes –, ao passo em que assistimos ações sociais de solidariedade e filantropia cada vez mais em voga.

Está na moda ser solidário, doar brinquedos, roupas, remédios, órgãos e sangue. Adotar crianças de outras etnias, viajar pelo mundo para ajudar nações carentes e trazer nas malas experiências únicas e capazes de transformar empreendedores em empresários sustentáveis, ambiental e socialmente.

No esteio da sociedade atual, jovem e inovadora, a Igreja Católica resolveu dar uma chance ao Papa Bergoglio. Argentino e pautado pela caridade e pelo apoio aos mais pobres e humildes, a missão do Papa Francisco é levar seus valores para a administração do Vaticano a partir de suas ações e discursos generosos, políticos e de renovação carismática.

Evangelizar nunca foi tão prazeroso e pouco resistente. O carisma do mais improvável dos carismáticos – um argentino – impressiona até os mais cautelosos. Os incrédulos de plantão, assim como os “do contra” de carteirinha, se perdem no exagero das críticas à mídia que envolve as ações papais. Esqueceram-se que vira notícia aqueles que possuem relevância, carismas e altruísmo. Atos de benevolência, amor ao próximo, atenção e inspiração para comportamentos mais sociais, amistosos, compreensivos e de paciência não podem ser menosprezados, ainda que sua intenção fosse a pior possível – o que obviamente não é o caso.

A exemplo dos jovens – e os nem tão jovens – que tomaram as ruas recentemente, o Papa fez mais do que os críticos contumazes jamais conseguiram. O hoje e o futuro, assim como o passado, serão sempre daqueles que melhor se adaptarem a ele. Portanto, miremo-nos nos exemplos recentes, os exemplos pós-fim do mundo, pois eles nos indicam o mundo que está nascendo, eles nos oportunizam escolher o agente social que queremos ser.

 
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Publicado por em 29/07/2013 em CadaMinuto

 

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A Presidenta Longe, o Papa Pobre e ambos Pop

Publicado no Portal Cada Minuto

A semana foi marcada por dois acontecimentos muito importantes. O primeiro, para nós alagoanos, a inauguração oficial do Canal do Sertão; o segundo, para a população mundial, a escolha do novo Papa.

Em princípio dificilmente o leitor encontrará algum ponto de convergência entre os eventos, mas como estive no evento do sertão alagoano e fiquei chocada com o que vi, acho que posso explicar onde encontrei um viés interessante para ser abordado.

Inicialmente é interessante enaltecer a chegada da água no deserto alagoano. Para quem não sabe, Alagoas convive com a mais severa estiagem que se tem notícia. Desde 2010 que as chuvas rarearam e não cai água suficiente para a plantação e criação de animais. Com isso o trabalho de muitos já não existe e a sobrevivência só é possível por conta dos programas sociais do governo federal.

A chegada da água ao canal do sertão é mesmo razão para comemoração, só não se sabe ainda para quem. Se para os sertanejos vítimas da estiagem, se para os políticos que se acusam “pais” da obra ou se para os funcionários da construtora que realizaram seu trabalho a contento.

[Falo dos construtores porque sei que, após o evento oficial, se refestelaram numa festinha particular ao lado do lugar da inauguração]

O Papa eleito, Francisco, o primeiro da América Latina, chegou ao Vaticano causando impressões e expectativas contraditórias. Se por um lado é caridoso, humilde e temente aos dogmas católicos, por outro convive com o estigma que muitos lhe imputam, de ter sido conivente com a ditadura portenha.

Francisco tem sido notícia recorrente nos meios de comunicação por seu perfil pouco solene. Dado às quebras de protocolo, tem chamado atenção por procurar manter-se leal a seus preceitos franciscanos e buscando despertar nos fieis a importância do perdão e da caridade, celebrando os pobres quando estes são mais esquecidos.

Quanto às acusações que insistem em lhe imputar, não há comprovações, não há nada além de declarações do casal Kirchner que o desabone, o que talvez seja até bom. Ainda assim, o Papa tem rompido com mais que paradigmas seculares, tem dado exemplo a líderes religiosos e políticos de todo o mundo.

Enquanto o Papa tem se esforçado para conseguir driblar a guarda suíça (os anjos da guarda do papa) para chegar perto dos fiéis e cumprimentá-los pessoalmente, a Presidente vem ao sertão, depois de ter sido eleita explorando politicamente o fato de ter sido vítima da ditadura no Brasil, e apenas de longe acena para a multidão de sertanejos vindos de diversos estados nordestinos que gritam seu nome e lhe festejam.

O sertão foi tomado por militares do exército. O mesmo exército que na época da ditadura foi o algoz da Presidenta, hoje é usado por ela para afastar manifestantes e a população em geral. Sob o manto da segurança nacional, afinal a segurança da presidenta é questão de segurança nacional, Dilma mantem-se longe do povo, longe de quem a elegeu, longe daqueles que só querem dizer àquela que os representa o quanto a admiram.

Se por um lado o mundo ganhou um Papa generoso, simpático e popular; os sertanejos ganharam uma Presidenta apressada, objetiva e popular.

Chavez morreu semana passada e sob seus ombros a pecha de ditador e intolerante – o  que realmente era. Mas são uníssonas as manifestações no sentido de que o ditador Venezuelano era incapaz de falar ao povo e depois não ir até ele para ouvir de perto suas súplicas.

Qual a lição?

 
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Publicado por em 18/03/2013 em CadaMinuto

 

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