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Graciliano Ramos nos palcos

O espetáculo “Pedaços de nós mesmos”, da Companhia Teatral Mestres da Graça, resgata o interesse pelas obras de Graciliano Ramos.

imagem de divulgação

A peça tem como mote a costura de fragmentos da biografia e de obras literárias de Graciliano Ramos, como “Angústia” e “Memórias do Cárcere”, sem passar despercebido por “A Terra dos Meninos Pelados”.

A cia conta com jovens integrantes, dedicação e alguma teimosia. Não é novidade que em Alagoas é muito difícil fazer e viver de arte. Os atores são de Palmeira dos Índios, cidade em que Graciliano Ramos viveu por muito tempo até ser preso e enviado para o Rio de Janeiro (1936), onde morreu já na década de 50.

Sobrevivente dos anos de chumbo do Estado Novo, na Era Vargas, e da fúria do insaciável chefe da Polícia Política, Filinto Muller, um verdadeiro caçador de comunistas, Graciliano sofreu, aprendeu e escreveu.

Um verdadeiro amante e entusiasta do regionalismo mais puro do agreste nordestino, em suas obras não faltam elementos sertanejos e alguma fantasia.

Hoje podemos contemplar com grande satisfação a imortalidade das obras do Mestre Graça sendo divulgada e disseminada por meio das artes cênicas. O grupo teatral consegue fazer uma releitura simples e objetiva da importância literária de nosso conterrâneo na formação social e política de muitas gerações.

A temporada no teatro Deodoro terminou, os jovens atores devem retornar para Palmeira e espero que na mala levem mais entusiasmo e ânimo para continuar a difícil missão de fazer teatro em Alagoas.

Com este texto espero despertar no leitor o interesse por montagens alagoanas, que ainda que estejam longe da perfeição das peças do eixo Rio-São Paulo, fazem parte de nossa cultura, e é muito competente, principalmente quando reconhecemos a ausência de incentivo público, privado e de espectador.

 

Ficha Técnica*:

Dramaturgia e encenação: Lael Correa

Elenco: Arenilton Lima, Bruna Fernandes, Bruno Felinto, Cosme Rogério, David Pereira, Gilene Ives, Joana Torres, Luciano José, Marcone Correa, Neury Cavalcante.

Produção: Marcone Correia; Iluminação: Eduardo Junior; Sonoplastia: Alex Ricardo.

 

*Fonte: http://ascomteatro.blogspot.com/2011/11/pedacos-de-nos-mesmos-se-despede-do.html

 
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Publicado por em 17/11/2011 em Cultura

 

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A Sensibilidade em Chuteiras Palmeirenses

Em visita recente à agradável cidade de Palmeira dos Índios, tive a honra de conhecer o time de futebol feminino do CSE.

O Clube Sociedade Esportiva, contando com mais de sessenta anos de história, tem tradição no futebol alagoano, sendo seu maior rival o ASA, de Arapiraca. No entanto o time feminino é recente, e ainda não profissionalizado.

Encontrei as meninas no intervalo do treino de campo e pude bater um bom papo com Myria de Sá Ribeiro, atualmente gestante, mas que nem por isso se afasta dos treinamentos, ainda que de fora das quatro linhas. Ligada ao futebol desde os idos de 1997, assume uma postura de irmã mais velha.

O time do CSE é formado por meninas de várias gerações, mas todas com o mesmo sonho, o de se profissionalizarem e viverem do amor pelo futebol. Elas disseram que o esporte feminino tem melhorado no estado, haja vista que vêm despontando times com qualidade técnica, que têm alcançado projeção nacional, através de competições como a Copa do Brasil de Futebol Feminino. Como foi o caso do União.

Na condição de amadoras no esporte, a maioria estuda e trabalha, não podendo se dedicar unicamente aos treinamentos, por isso se encontram apenas uma vez por semana no clube, normalmente aos sábados. Marcando alguns amistosos. Há ainda três encontros semanais em quadras de futsal para treinamento tático e um maior entrosamento entre as meninas.

Elas reconhecem que essa maior visibilidade ao futebol feminino tem acontecido em todo o estado. Frise-se que este é o primeiro ano em que o CSE participa do alagoano, assim como outros times tão recentes quanto.

É certo que ainda falta muito em incentivo, tanto de órgãos públicos, de empresários, quanto da sociedade civil como um todo. O apoio poderia vir de diversas formas, e a citada foi o fornecimento de material básico, com uniforme esportivo e material para treinamento.

As meninas fizeram questão de salientar que a prefeitura palmeirense tem ajudado com o transporte, para que no alagoano, nos jogos fora de casa, ao menos o transporte esteja garantido.

Foi muito emocionante ver a emoção daquelas meninas com a entrevista improvisada que fizemos, ficou clara a ausência de atenção com a qual elas lidam quando o assunto é o esporte. Tocante foi a reclamação generalizada quanto ao preconceito que sofrem por serem meninas metidas num esporte historicamente masculino.

E, com toda sensibilidade peculiar ao universo feminino, elas pediram nada mais que respeito das torcidas, pois o esporte é muito maior que qualquer xingamento, o esporte é esperança de um futuro melhor, seja para homens ou para mulheres.

 
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Publicado por em 09/09/2011 em Variedade

 

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