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Discussão de Pauta na Rua.

Quando se fala em Jornal da Rua, nada mais coerente que se pense na rua como ambiente mais propício para sua produção.

Pois é, foi com este pensamento que seu idealizador, e editor-chefe, José Bispo reuniu na rua do Comércio, no centro da capital alagoana, um grupo de estudantes de comunicação, jornalistas profissionais e colaboradores do projeto para a primeira reunião de pauta na rua.

A falta de paredes e limites incutiu nos participantes a falta de amarras que deve pautar o jornalismo, o encontro se mostrou produtivo com a participação de todos e a demonstração de interesse no sucesso do projeto.

Como já ressaltado anteriormente, o Jornal da Rua é um projeto que visa “a inclusão social dos moradores de rua, mas também o despertar da sociedade para a existência e a valoração deles, por outro lado, com a diminuição do preconceito, despertar nos próprios errantes o respeito por si próprios, por suas histórias e pelo futuro que desejam”.

Após breve discussão aventou-se a possibilidade de trazer o CRACK, enquanto calamidade pública em Maceió, para o foco do projeto. A ideia era aproveitar o espaço e tentar arguir as pessoas que passavam pelo local sobre suas opiniões acerca da droga, se eles achavam que é situação de calamidade pública e o porquê de sua resposta.

Muitos se esquivaram em responder, o que também despertou nos entrevistadores questionamentos sociais e sobre a politização dos cidadãos, maiores interessados num ambiente pacífico e saudável longe das drogas.

Ao abrir o espaço para a discussão e para a oitiva de opiniões diversas e incentivadoras de medidas de combate à exclusão social, está-se dando a oportunidade de participação efetiva, pois o confronto ou a agregação de ideias é ponto de partida para a realização de mudanças estruturais na sociedade.

Em contraposição, outro tanto considerável de pessoas dispostas à participação social se manifestaram sobre as indagações, afinal, a droga é, sim, um problema generalizado, que não escolhe raça, credo, sexualidade ou nível social. Com certeza todos conhecem uma história ou alguém que foi devastado pelas drogas e teve sua família destroçada por seus efeitos.

O resultado desta ação você poderá conferir na próxima edição do Jornal da Rua.

 
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Publicado por em 17/08/2011 em Utilidade Pública

 

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Uma história e tanto…

Esta semana fomos sensibilizados com a notícia de um mendigo que se acomoda num dos bancos da orla de Maceió e vive da ajuda dos transeuntes, com os quais, às vezes, conversa e chama atenção por suas histórias e bom trato com as palavras.

Tomei conhecimento deste personagem real por meio do Blog da Laíse Moreira, até o momento em dois capítulos.

A narrativa despertou-me para outra vertente da nossa realidade, mais uma que choca os leitores, mas, principalmente, choca os que têm a oportunidade de se aproximar destas pessoas e de dar-lhes a chance de contarem sua história.

Marginal Lives 139 by Ari A. Alves (alvesari) Copyright © 2004

A sociedade se habituou a ver pessoas marginalizadas e não as enxergar. É mais fácil fingir que não as vê, a assumir que se trata de um problema social e de dificílima resolução, que sequer as estatísticas são capazes de refletir sua realidade, frieza e crueldade.

É comum, e muito conveniente pensar que se trata de um problema pessoal do marginalizado, que certamente se trata de dependente químico, de pessoa sem moral, que não respeita os bons costumes e que, provavelmente, procurou a situação na qual vive.

Talvez este pensamento seja condizente com a verdade, retrate exatamente a realidade dos fatos. Mas, talvez não. Talvez se trate de alguém que não teve oportunidades quando jovem; talvez seja alguém que teve oportunidades, mas que por falta de orientação não tenha sabido aproveitá-las; talvez seja alguém que teve oportunidades, que soube aproveitá-las, que construiu uma história, mas que, no meio do caminho se perdeu, foi atraído pelo “glamour” das drogas/álcool, e não conseguiu se livrar da escravidão.

São tantas as possibilidades, são tantos os “talvez”… mas o que se pode extrair disso tudo é que por trás de cada uma destas pessoas que vivem nas ruas, nos becos, nos bancos, nas calçadas, há seres humanos, sujeitos ativos, capazes de ações de construção, de amizade, de carinho, de cumplicidade e até solidariedade. São pessoas que construíram no mínimo uma coisa: sua própria história, e esta pode ser uma bela narrativa.

 
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Publicado por em 03/07/2011 em Municipal, Política

 

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E quantos Eunápios há pelas ruas?

Pensando na minha família, e nas notícias que Laíse Moreira vem trazendo, sinto-me impelida a escrever com mais afinco sobre o tema passado.

Aos que não sabem, nasci e fui criada numa família que me inundou de muito amor e carinho, mas principalmente de princípios. Estes que são voltados não só para o convívio social, mas também para o seio familiar.

Não consigo compreender os desígnios que determinadas vidas assumem. Difícil entender como famílias inteiras simplesmente optam por negarem a seus idosos uma velhice digna e repleta de amor. Negar a um pai o convívio com o filho, a um avô o convívio com um neto, enfim, negar a um ser familiar o convívio com seus pares não me parece digno, não me parece justo.

Lamento que o desenrolar da história do senhor Eunápio esteja se encaminhando para a pior das possibilidades. Àqueles que não tiveram a oportunidade de ler a narrativa no Blog da Laíse Moreira, tentarei, sucintamente, descrever os fatos.

Sr. Eunápio (imagem extraída do Blog da Laise Moreira)

O Sr. Eunápio é um mendigo que vive na orla da Jatiúca, apesar da aparência mal tratada, é pessoa de traços finos e de idade avançada, tem boa articulação com as palavras e conta histórias fantásticas sobre sua vida e como chegou em Maceió.

Enfim, ele é alcoólatra, e diz que precisa de ajuda, quer voltar para a família, que mora em Sorocaba e que não tem notícias suas há alguns meses. A Laíse e o Flavinho, seu namorado, sensibilizaram-se com sua história e iniciaram uma odisseia para tentar localizar os familiares de “seu” Eunápio no interior de São Paulo.

Após muitas investidas e ajuda de jornalistas da cidade, nosso esperançoso casal conseguiu a informação de que a família “cansou” dele e das diversas tentativas de tentar curá-lo de seu vício em álcool. A esposa, que até então era a esperança mais palpável de que as coisas poderiam melhorar para nosso amigo morador de rua, deixou claro que não o quer mais e que este era o mesmo pensamento de seu filho e dos irmãos do Sr. Eunápio.

Bem, parece que agora nosso amigo errante encontra-se numa encruzilhada, assim como aqueles que querem ajudá-lo, o que é indignante, não acham?!

Entendo que a esposa não o queira mais como marido, e nem o queira mais em seu convívio, mas e os irmãos e o filho? Será que estes têm o direito de simplesmente virarem-lhe as costas? Negar-lhe a memória, a própria existência e até a dignidade?

Vejo que saídas existem. Judicialmente estes familiares podem ser impelidos a darem-lhe proteção, mas a Justiça não pode impeli-los a darem-lhe amor e carinho. A solidariedade e cumplicidade familiar não podem ser impingidas por lei ou por força. Nada e nem ninguém poderá devolver ao Sr. Eunápio este amor, senão os próprios familiares.

Este post tem como intenção não só contar o lamentável e parcial desenlace dessa história, mas também de mostrar aos leitores as nuances que podem encobrir a verdade sobre os moradores de rua.

 
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Publicado por em 02/07/2011 em Municipal, Política

 

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