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Um filme imperdível

Ainda está em cartaz o filme “A Caça”, de Thomas Vinterberg. O cineasta dinamarquês conseguiu transferir para as telonas o drama de um professor de escolinha infantil que precisou enfrentar o ódio de toda uma cidadezinha do interior da Dinamarca que o pré-julgou e pré-condenou por abuso infantil.

O filme tem um ritmo muito bom, mas o que há de melhor é sua capacidade de despertar nas pessoas a importância da busca pela verdade real, a verdade dos fatos e não se satisfazer com as similitudes das versões.

A Caça é um grande alerta para a sociedade moderna que tem se bastado e se alimentado cada vez mais com o que há de pior e vil nas relações humanas, que precisa escarafunchar a intimidade alheia e revelar segredos sórdidos de terceiros com o único e raso objetivo de ser entretida. Além de alertar também à imprensa, os jornalistas e formadores de opinião de uma forma geral, por mais que o filme não tenha esse enfoque, mas a lição que fica é bem clara nesse sentido: a responsabilidade com a apuração, com a informação, com a notícia deve nortear os passos daqueles que informam as pessoas.

A responsabilidade sobre a reputação de alguém é igual à responsabilidade sobre a vida desta pessoa. A depender do caso e da repercussão, as consequências podem ser devastadores e INVARIAVELMENTE são irreversíveis. O filme é capaz de mostrar até onde a rejeição social pode levar um inocente e, pior, ele nunca voltará a ter a “fama” de antes.

Sobre o tema vale pesquisar o “caso da Escola Base de São Paulo”, ocorrido em 1994, e que, mesmo depois de 20 anos, os seis acusados de abuso infantil continuam no ostracismo, jamais conseguiram se recuperar, e a indenização, que o estado de São Paulo lhe deve, nunca foi paga.

Acusados injustamente e expostos à mídia irresponsavelmente, os vilões revelaram-se os verdadeiros mocinhos, mas a sociedade jamais os recebeu novamente e, hoje, ainda marginalizados, os seis tentam sobreviver e superar o trauma do passado.

Confira mais Aqui!

 

A Caça


Arte Pajuçara: 21h (exceto segunda) (legendado)

Lucas (Mads Mikkelsen) trabalha em uma creche. Boa praça e amigo de todos, ele tenta reconstruir a vida após um divórcio complicado, no qual perdeu a guarda do filho. Tudo corre bem até que, um dia, a pequena Klara (Annika Wedderkopp), de apenas cinco anos, diz à diretora da creche que Lucas lhe mostrou suas partes íntimas. Klara na verdade não tem noção do que está dizendo, apenas quer se vingar por se sentir rejeitada em uma paixão infantil que nutre por Lucas. A acusação logo faz com que ele seja afastado do trabalho e, mesmo sem que haja algum tipo de comprovação, seja perseguido pelos habitantes da cidade em que vive.

Elenco: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika

Direção: Thomas Vinterberg

Gênero: Drama

 
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Publicado por em 03/01/2014 em Cinema, Variedade

 

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Luis Vilar por ele mesmo – evitando a zona de conforto

Esta é, com certeza, a mais longa das entrevistas, mas é que o Luis Vilar é alguém que eu conheço e com quem tenho debates diversos com muito entusiasmo. E, justamente por querer que o leitor do Palavras ao Vento tenha um pouco da imagem que tenho, é que resolvi apurar a “conversa” com o blogueiros dessa semana.

Com mais de 10 anos de experiência com o jornalismo, Vilar será o entrevistado de amanhã na rádio CBN Maceió, com o querido Carlos Miranda, a partir das 11h. O blogueiro entrevistado amanhã é um dos pioneiros em Alagoas, com cerca de 6 anos na blogosfera. Blog do Vilar

Confiram porque ele tem chamado a atenção de leitores, jornalistas e autoridades. Vilar procura fugir às regras e ao conforto da estabilidade conquistada. Sua inquietação pode perturbar os mais conformistas, mas inspira novas gerações…

Vilar

Palavras ao Vento: Quem é Vilar?

Luis Vilar: Acho que é a pergunta mais difícil de responder. Tem um quê filosófico aí…risos! Bem, enquanto jornalista o que busco ser é um profissional pautado pela honestidade intelectual na leitura dos fatos, sempre com objetividade extrema. Vejo a imparcialidade como um mito que pode se encontrar a serviço de quem menos se espera. Por esta razão, acabei optando pelo jornalismo opinativo. O blog – no caso – é só uma ferramenta. Poderia ser uma coluna, uma página, enfim… a plataforma é o que menos importa. Meu foco é muito mais no conteúdo que decidi produzir e este lado profissional acabou tomando conta de mim muito mais do que eu imaginaria. Sou um viciado em trabalho, em café e em livros.

Do ponto de vista pessoal, um sujeito de poucos, mas grandes amigos. Que acredita que para abrir a boca é preciso antes escutar e estudar muito. Não é por acaso que estes dois verbos são muito parecidos. Um sujeito que acredita que coragem e ação foram as palavras que formou o vocábulo coração (risos)! Apaixonado pela família. Sou conservador em relação a muitos valores. Não dispenso a ironia na defesa destes e das garantias de liberdade individual e do Estado Democrático de Direito. Seja na profissão de jornalista, seja como cidadão.

Trato meu lar como o templo sagrado, um refúgio. Por vezes, alguém que sempre tenta unir o pessimismo da razão, ao otimismo da vontade. Acho que Gramisc que disse isso. Não lembro agora. O que disse aqui não define muito, mas expõe alguma coisa. No RG sou Luis Alberto Fragoso Vilar e este nome talvez defina menos ainda. Em manias, sou um cara que coleciona relógios e canecas; detesto televisão, mas acabei me apaixonando por futebol e algumas séries americanas. E por falar em futebol, um completo apaixonado pelo Centro Sportivo Alagoano (CSA). E grato pelas forças da natureza terem me encaminhado entre erros e acertos a encontrar a minha mulher e a minha filha nesta jornada. Grato pela família que tive, tanto os que partiram, quanto os que aqui ainda estão.

Por fim, o cara que busca cada vez menos adjetivos e mais argumentos. Que cada vez mais foge do discurso do ódio.

 

PaV: Como vc vê o jornalismo em Alagoas atualmente?

LV: Acredito que o jornalismo alagoano evoluiu bastante desde que entrei no mercado. Nesta lacuna de tempo, no qual faço parte do jornalismo, vi muita coisa da qual me orgulhei por estar no mercado, como tive muitas decepções também. É natural. Ainda temos um jornalismo fortemente influenciado (para não usar um termo pejorativo) por determinados caciques; que sofre com o poderio político e econômico destes grupos. Mas, diante da diversidade que foi imposta pelos sites e pelo poder de contrainformação que alguns blogs ganharam – mesmo em espaço totalmente independente – temos um avanço na discussão que nos permite a pluralidade e o julgamento mais embasado do leitor.

Defendo esta multiplicidade, defendo a plena liberdade, ainda que por conta dela se cometa exagero. Afinal, democracia é processo e jamais produto. Por isso, sou contrário a qualquer tipo de controle de conteúdo. Acho que a pluralidade separa o joio do trigo para quem de fato está em busca do trigo. E hoje, vejo um jornalismo mais liberto de amarras em Alagoas, apesar de ainda precisarmos avançar muito. Uso a terceira pessoal do plural por me incluir também. Eu também preciso avançar muito, sempre ler mais, enfim… o jornalista precisa ter consciência de seu compromisso com os fatos, com a análise intelectualmente honesta (no caso do opinativo).

Temos ainda blogs de aluguel, colunas de aluguel e o jornalismo a serviço. Mas temos muita gente séria já no mercado e entrando no mercado com um sentimento de renovação que trará discussões salutares. Por isto, acredito que o hoje é melhor que ontem. E que o amanhã tem tudo para ser melhor que o hoje. Destaco espaços importantes como as pensatas do CadaMinuto, que é algo bem plural no jornalismo. Destaco o Repórter Alagoas que é uma iniciativa do Odilon Rios pela qual sou apaixonado e que abriu portas para gente que merece e deve expor suas ideias, mesmo que contrárias muitas vezes ao que eu penso, como é o caso do blogueiro Luciano Amorim, que tem trazido discussões importantes, inclusive sobre a própria mídia. Destacou aqui também um garoto do qual sou fã de carteirinha: o Paulo Veras, que tem um dos melhores blogs de jornalismo do Estado e não se encontra em nenhum veículo da chamada “grande mídia”.

Não tínhamos isto. Logo, andamos muito e precisamos – claro! – andar mais.

 

PaV: Como nasceu o blog do Vilar?

LV: Quem me acompanha sabe que eu tenho um mantra que não é feito apenas de palavras, mas de atitude: o tal “fugir da zona de conforto”. Há anos um jornalista chamado Wadson Régis me chamou para compor uma equipe num site de notícias – o Alagoas24Horas. Não existia essa onda de sites e tal. Éramos pioneiros. Lembro que falei com minha esposa e com meu pai sobre o assunto. Vi que olharam desconfiados: largar o impresso para aventurar nessa tal internet? Bem, para mim simbolizava sair da zona de conforto. Eu tinha meu nome posto nos impressos, mas queria mais. Larguei o papel e fui aos sites. Foram apertos, dificuldades financeiras de projeto em início. Mas se consolidou.

Quando estava tudo calmo. Lá vou eu pensar no marasmo e na necessidade do novo. Aí, decidi criar o blog. Ofereci o produto de graça para o Alagoas24Horas e os caras toparam a ideia. Em quatro anos de blog, os acessos justificaram o produto. Chamou a atenção do site CadaMinuto. Resolvi encarar o desafio de não só mudar de casa, passando a valorizar o produto financeiramente, mas também de encarar a salutar concorrência interna com blogueiros de renome e que admiro muito. O Blog do Vilar virou uma realidade. Consegui consolidá-lo no espaço que o CadaMinuto me ofereceu e hoje me sinto em uma família.

Mas, sabe como é? Entrar na zona de conforto? Não! Jamais! Criei o Blog do Vilar Ao Vivo e os malucos da Kuka Estratégia – dois amigos-irmãos, Flavinho Holanda e Laíse Moreira – compraram a ideia e iniciamos um programa ao vivo de uma hora em TV Online. O projeto busca a consolidação. Fechamos o primeiro ano e caminhamos para o segundo. Porém, deixa eu confessar: estou com a sensação de zona de conforto novamente. Então, tem coisa nova vindo por aí…

 

PaV: O que te motivou a desbravar a internet como jornalista?

LV: Como disse anteriormente, sair da zona de conforto que o impresso me fez cair. Mas, quando digo isso, digo por mim. Não quero que fique parecendo que é uma fórmula, nem que estou desconsiderando a importância do impresso. Jamais. Sou apaixonado pela plataforma do impresso. Tanto que aceitei o convite de retornar a ela, quando o A Semana me apareceu como um desafio novo no mercado alagoano.

 

PaV: Como você vê o espaço que inicialmente tinha a conotação de diário particular e que hoje é tomado por profissionais da imprensa? Vê como emancipação do jornalista? Independência, enfim?

É aqui que eu devo decepcionar as pessoas que me escutam ou leem em algumas palestras e entrevistas. Eu sou um analfabeto em relação às plataformas. Talvez nem ligue para elas no sentido de enxergar as técnicas e o mundo das ferramentas. Meu foco é tão grande no conteúdo que vivo quebrando todas as regras impostas para o uso das redes sociais, dos blogs, enfim… não são poucas as vezes que a Kuka Estratégia, com TODA RAZÃO, puxa as minhas orelhas e a bronca é bem dada! Mas, acho sim que o blog deu mais emancipação ao jornalista ao passo que aumentou a responsabilidade porque deu a análise, a afirmação sobre o fato, um rosto. Criou uma identificação maior com o leitor. Independente da plataforma. Há profissionais aí de jornalismo fazendo um trabalho excelente no twitter e no facebook também.

 

PaV: Com uma câmera na mão qualquer um pode ser jornalista?

LV: Bem, eu devolvo com outra pergunta: qualquer pessoa com ovos, manteiga, farinha de trigo e chocolate em pó faz um bom bolo?

 

PaV: Qual a importância do jornalista para a internet? E da internet para o jornalista?

LV: A internet é uma plataforma que permitiu revolucionar o conteúdo de uma forma genial. Ampliou-se a pluralidade. Consequentemente aumentou a responsabilidade de quem quer trabalhar sério e a dificuldade pela busca da credibilidade. A internet para o jornalista abriu mercados e possibilidades. Plataformas novas que proporcionaram uma fuga inevitável da zona de conforto. Mudou a realidade, inclusive, dos impressos, da televisão, enfim… e é um rumo sem volta. O jornalista – atualmente – é obrigado a estudar este novo meio, a lidar minimamente bem com estas plataformas que surgem dentro da internet (e eu peco muito neste quesito, reconheço). A internet também aumentou o desafio da apuração, da busca pela informação precisa, mas é preciso saber lidar com isto. O trabalho do jornalista facilitou pelo excesso de informação, mas dificultou pela necessidade de embasamento para saber separar o joio do trigo. Acho que a internet é muito mais importante para o jornalista, do que o jornalista para ela.

 

PaV: Como o blog influencia os leitores? Acha que influencia?

LV: Não sei avaliar como um blog influencia os leitores. Procuro não me preocupar com isto. Quero que o leitor entenda que o meu maior sinal de respeito para com ele é não pensar nele, nem na quantidade de acessos, ou das vertentes e desdobramentos que uma notícia pode ter. Claro que temos uma noção disto quando escrevemos, mas a minha preocupação principal é de manter a honestidade intelectual, a objetividade e avaliar a relevância do assunto escolhido. E não escrever para outros jornalistas, mas sim para o LEITOR. Tem jornalista que comete este pecado de querer escrever pelo PRÊMIO, pelo MERCADO, pela visão elogiosa de outros JORNALISTAS. Eu tento fugir disso. Não quero aqui avaliar se é o correto ou o errado. Estou dizendo que é o que eu faço. O meu diálogo é com o leitor. Há esta relação de influência, claro. Há leitores que acabam também me influenciando, me desafiando a ser melhor do que eu mesmo, me corrigindo, me ajudando a crescer… enfim! Eu preciso ter sempre um processo de auto-avaliação muito crítico neste sentido. Há comentários no blog sobre o qual passo refletindo uma semana. Enfim, vejo como natural do processo. Mas, não sei avaliar como um blog influencia leitores. Acho até – posso estar enganado – que seria arrogante de minha parte. Acho que me fiz entender.

 

PaV: O que o inspira a escrever?

LV: Saber que o amanhã pode ter um céu mais azul e que podemos enxergar melhor sempre. Às vezes escrever é tirar o céu nublado de dentro de si.

 

 

PaV: Como classifica um assunto em relevante ou não para ser publicado no blog?

LV: São muitos os critérios que busco ter. A interferência do tema na realidade local, o que ele afetaria de fato na vida das pessoas, se é uma discussão que merece ser ‘coletivizada’, o momento em que o tema está inserido por outros veículos também, os interesses já existentes em entrelinhas nos temas tratados, a não personalização de uma questão, a necessidade de revelar bastidores para esclarecer decisões equivocadas ou aparentemente acertadas, a necessidade de se afastar cortinas de fumaça de questões relevantes, e por aí vai… são muitos os critérios. Creio que é necessário que o jornalista sempre faça avaliações sobre o que escreve ou o que busca escrever. O acesso também é um critério, mas no meu caso não é o mais relevante.

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PaV: Há um projeto paralelo, um blog chamado Conversas de Quinta, como nasceu e por quê?

LV: Veio justamente desta necessidade de sair da zona de conforto. O Conversas de Quinta nasceu porque às quintas-feiras eram os dias que eu não dava aula. Tinha a noite livre. Casou de resultar em um trocadilho “Conversas de Quinta” (quintas-feiras e quinta categoria). Mas, depois, com as mudanças de horário das aulas e outros compromissos, acabou que as atualizações ocorrem em qualquer dia da semana. O objetivo eram textos que são frutos das leituras filosóficas, literárias, teológicas, das ciências sociais que eu faço. Estas leituras estão presentes sempre de forma indireta nas análises políticas do Blog do Vilar. Mas, eu sentia que eu precisava expor melhor isto para o leitor. Ser mais honesto com ele do ponto de vista dele conhecer mais para dialogar – sobre todo e qualquer texto – comigo em pé de igualdade. Ofertar estas leituras é mostrar outra face deste jornalista que vos fala que completa a face mais aberta ao público. Assim, quem quiser ir ao Conversas de Quinta acaba entendendo melhor como enxergo algumas questões de valores, filosóficas e políticas e sabe porque nascem determinadas visões dentro do Blog do Vilar.

Vejo o Conversas de Quinta e o Blog do Vilar como almas gêmeas que se encontram para um café no fim de tarde. Possuem suas diferenças em função dos objetivos, mas semelhanças em função da complementação. Espero que o leitor enxergue isto. Ao mesmo tempo, quero que sejam completamente independentes. Do tipo: não é preciso conhecer um para entender o que está posto no outro. Ando relapso com o Conversas de Quinta; talvez porque tenho formatado um outro projeto para a internet que chama-se Café Com Pauta (outro trocadilho horrível de café com pão), como foi trocadilho um projeto que não vingou chamado Pauta Livre (trocadilho com Pau tá Livre). Enfim… eu amo trocadilhos inúteis e sem graça… risos. Mas, o Conversas de Quinta é um projeto pelo qual tenho grande paixão apesar de seus poucos acessos.

 
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Publicado por em 03/06/2013 em Blogs na CBN Maceió

 

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Abaixando a máquina – ética e dor no fotojornalismo carioca

Recentemente, em aula de fotojornalismo, foi-nos apresentado o documentário “Abaixando a máquina – ética e dor no fotojornalismo carioca”, que tem por finalidade precípua desmistificar a realidade dos profissionais da imagem no jornalismo, aqueles que levam imagem para a narração dos fatos.

O documentário produzido pelo fotógrafo Guilhermo Planel e pelo jornalista Renato de Paula, tem como cenário o cotidiano do jornalismo no Rio de Janeiro, mostrando um pouco da realidade em que os fotojornalistas cariocas vivem.

A realidade é mesmo perturbadora, o jornalismo que se sobressai é o policial e com ele todo o perigo, o sangue, a dor e a controvérsia ética, do que é possível ou não noticiar, assim como o que deve ou não fazer virar notícia.

O fotógrafo tem como mote registrar a realidade, independentemente do quão dolorosa e perversa ela seja, seu papel é retratar a realidade. O bom profissional pode e deve ser pautado pelo bem que ele faz levando ao conhecimento público as mazelas sociais, despertando a população para os problemas que a rodeia.

O documentário foi produzido de forma dinâmica e tem o poder de prender a atenção de quem o assiste, seja ou não do mundo da comunicação. As imagens chocantes dão lugar a histórias emocionantes e mostram que o jornalismo sem a imagem não existe.

O documentário já é de uma contribuição imensa para a formação de jornalistas e fotojornalistas, mas ontem (06) o professor da disciplina – Beto Macário – nos proporcionou uma experiência incrível. Alunos de teatro da UFAL/Reitoria encenaram num realismo indescritível uma situação de incêndio numa boate – inspirados pelo acidente na Boate Kiss – e pudemos ter a real (ou aproximada) noção do quão difícil é a tomada de decisão diante do perigo com a máquina na mão e um dever – registrar.

Em breve escreverei mais a respeito e publicarei algumas de minhas fotografias.

Eis uma…

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Publicado por em 07/05/2013 em Documentário, Variedade

 

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Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, mas qual liberdade? qual imprensa?

Antes de entrar na faculdade de comunicação social, habilitação em jornalismo, ouvi de tudo. Desde: “você é louca?” até “para quê?”. Pois bem, tanto há os que acham que dinheiro é o que deve motivar as pessoas na escolha de seus caminhos, quanto há os que acham que a decisão de um colegiado de juízes, que muito entendem de leis e pouco de prática, é o suficiente para que as universidades de comunicação se esvaziem e os amantes das notícias se contentem em serem autodidatas sem técnica, nem ética.

Nunca escondi o idealismo que me levou ao jornalismo e é ele quem vem me pautando, continuo querendo fazer diferente e procurando brechas (coisa que advogado adora) para fazer da forma mais coerente com o que acredito que seja a missão maior do jornalismo. O alerta “a prática é muito diferente da teoria” é comum e esperado, vi isso em administração, em Direito e, agora, em jornalismo. Esperar de qualquer atividade profissional um “mar de rosas” não é idealismo, é inocência.

No dia 3 de maio de 1991 foi declarado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa pela Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa de promover essa data partiu da Unesco que, por meio de um artigo publicado em 1990 chamado “Promoção da Liberdade de Imprensa no Mundo”, afirmava que imprensa livre, pluralista e independente é um componente essencial para a sociedade democrática.

Segundo a ONU, hoje coexistem na imprensa e na televisão relatos com pontos de vista distintos em que cada mídia retrata um evento de uma perspectiva diferente. No entanto, em muitos países os jornalistas não têm a liberdade de expressar o que pensam e os que ousam fazer isso sofrem com ameaças, sequestros e até mesmo correm risco de morte.

No ano de 2000, de acordo com a Federação Internacional de Jornalistas, 33 profissionais foram assassinados e outros 87 perderam suas vidas em atividades relacionadas ao trabalho em 1999.

Só no primeiro trimestre deste ano 3 jornalistas foram mortos no país. Mais jornalistas morreram no Brasil em 2012 que no Iraque, Gaza e Afeganistão. Foram 11 profissionais da imprensa assassinados, um recorde. Apenas Síria, Somália e Paquistão viveram cenários mais dramáticos para os jornalistas que o Brasil. No total, foram 139 mortes, em 29 países. O número mundial é 30% superior ao de 2011 e representa cerca de duas vítimas a cada semana. O México, em meio a uma guerra contra o narcotráfico, se iguala aos números do Brasil*.

Como vemos, ser jornalista no Brasil não é das missões mais fáceis, profissionais são mortos por causa do exercício de noticiar, denunciar e revelar. Muitos não têm noção da importância da imprensa numa sociedade livre e democrática, e por mais piegas que pareça “a pior imprensa livre é melhor do que a melhor censurada”, disse Carlos Alberto Pessoa, bem ao estilo de Churchill.

Em Alagoas a morte de jornalista perpassa o campo físico para alcançar a independência jornalística. Os veículos só sobrevivem com o apoio financeiro de agentes políticos, instituições e grupos econômicos, restando ao “mundo virtual” as ações de maior independência – ou não – cabendo ao leitor o consumo indiscriminado e sem preconceitos de informações, a fim de comparativamente tirar suas conclusões, debater temas e ainda mudar conceitos.

Em homenagem a este dia compartilho com vocês, caros leitores, o depoimento a seguir de um querido colega, jovem jornalista alagoano.

*****

A falsa liberdade de imprensa dos jornalistas alagoanos

Por Rafael Maynart – jornalista sonhador

Durante os quatro anos de Jornalismo, ouvi de todos os professores e coordenadores, que os jornalistas têm que ser imparciais e dizer a verdade, ouvir os dois lados e descrever o fato 100% fiel ao que aconteceu. Na teoria, isso é lindo e maravilhoso. Sair pra rua e contar tudo o que acontece na sociedade. Exaltar pontos positivos e questionar os negativos! Cobrar dos gestores públicos mais ações e menos burocracia. Na prática, é que o “bicho pega”!!

Resumir-me-ei a falar da realidade alagoana, pois é a que mais conheço e a que mais vivo. Aqui, o estudante de jornalismo tem que batalhar, ainda na universidade, pelo seu espaço na imprensa. Conseguindo um estágio em sites, assessorias, jornais impressos, emissoras de TV e rádios, submetendo-se a uma jornada de trabalho igual à de um profissional, inclusive, com a mesma pressão.

A maioria dos veículos de comunicação existentes no estado são ligados a políticos ou grandes empresas ou instituições de ensino ou todos ao mesmo tempo. Quando surge algo irregular com esses “apoios”, os veículos são impedidos de noticiar, porque possuem o “rabo preso” e pode ser que cortem a “ajuda de custo” recebida mensalmente. A maioria utilizada para pagar os salários dos jornalistas que ali trabalham.

Em uma determinada eleição anterior a de 2012, estagiava em um portal de notícias – não é o atual – e um dois grandes políticos de Alagoas visitaram uma instituição na qual eu também estagiava na assessoria de comunicação. Eles estavam em campanha eleitoral e não há nada de errado eles irem pedir alguns votos, certo? ERRADO! Pois a visita se dava na véspera da eleição e, por lei, qualquer campanha eleitoral às vésperas do pleito, é considerado crime de boca de urna, onde o candidato está sujeito a ser excluído do processo eleitoral. Um deles ainda soltou a seguinte frase: “Se eu vencer, a situação daqui vai melhorar e muito! Certo pessoal?!”

O que eu fiz?! Nada! Fui impedido de tirar fotos dos tais políticos, e nem sequer escrever um texto sobre o acontecido. Por que fiz isso?! Porque correria o risco de ser demitido dos dois estágios.

O que aconteceu comigo, acontece diariamente na maioria dos veículos de comunicação, onde jornalistas têm que defender os interesses dos patrões, mesmo contra as suas vontades e princípios. Ver algo errado e não poder “botar a boca no trombone” é um dos piores sentimentos para um jornalista. É como ter algo entalado na garganta, sem conseguir colocar para fora!

A liberdade de imprensa só existe no papel ou quando o fato não for de encontro ao interesse particular do jornalista e do veículo de comunicação!

* Esses são dados da Campanha Emblema para a Imprensa.

 
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Publicado por em 03/05/2013 em História, opinião

 

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O Desafio da Notícia e a Crise da Modernidade

Desde que iniciei o curso de jornalismo tenho sido bombardeada pelas mais variadas informações acerca do cerne principal da comunicação. As mais importantes e impactantes têm girado em torno do confronto ao comodismo noticioso e da função social do jornalismo.

O livro O Desafio da Notícia e a Crise da Modernidade, publicado em 2007, pela editora Cataventos, tem como autores as jornalistas Elida Miranda e Kelma Silene, juntamente com o historiador e professor de Teoria da Comunicação do curso de Comunicação Social do Cesmac, Cláudio Jorge.

O texto tem como finalidade precípua o despertar do leitor para os caminhos que são percorridos pelos meios de comunicação nessa nova geração de veículos noticiosos, em especial os impressos de maior circulação no estado de Alagoas – O Jornal e Gazeta de Alagoas.

A pesquisa se estendeu pelo período de 2001 a 2002 e abordou a teoria da comunicação e sua função social, assim como o reflexo de sua linha editorial no material produzido, tudo em consonância com os interesses políticos e econômicos de seus proprietários.

A abordagem às inúmeras informações que são ofertadas pelos meios de comunicação, assim como sua disseminação numa perspectiva globalizada, faz com os dados sejam cada vez mais superficiais, e suas conclusões minimalistas. Os leitores, espectadores, têm se apoiado na escassez de tempo para justificar sua falta de critério e questionamentos às notícias recebidas.

Além da superficialidade atacada no texto, têm-se ainda toda explicação sobre a alienação que pode ser promovida através dos meios de comunicação, de forma clara, ou subliminar. Num mero jogo de palavras, ou em associações de termos que leva o leitor a entender exatamente como convém aos interesses escondidos.

Neste diapasão o texto desmonta o mito da neutralidade, objetividade e credibilidade, esclarecendo que estas são criadas no inconsciente geral pela forma como as notícias são repassadas e/ou montadas, seja pela qualidade técnica do interlocutor ou do texto apresentada, ou, simplesmente, pela comodidade que a aceitação primária do grande volume de informações gera, mas que não passam de fantasia, pois as notícias, principalmente as do caderno de política, têm direcionamento certo e se destinam a contemplar os interesses privados dos proprietários.

Analisando-se o periódico “Gazeta de Alagoas”, constatou-se a nítida defesa dos interesses da família historicamente ligada ao poderio econômico e político na região, em especial, esforçando-se por resgatar a imagem lesionada de seu principal representante, o ex-presidente Fernando Collor.

Da mesma forma o “O Jornal”, que tem como proprietário um dos maiores usineiros do estado de Alagoas, e ícone do poderio sucroalcooleiro. Além de agir de forma similar, buscando redesenhar sua figura frente aos movimentos ecológicos e desacreditar movimentos sociais contrários aos grandes latifúndios, se utiliza de seu periódico para tanto.

Tais conclusões são extraídas do livro estudado, mas desde os idos do início do milênio que muitos exemplos são invariavelmente apresentados. Politicamente é fácil enxergar a linha editorial de qualquer jornal que seja analisado superficialmente em sua capa.

O que se depreende de todo o exposto pelos autores de “O Desafio da Notícia e a Crise da Modernidade” é que não é mais aceitável a acomodação frente às notícias apresentadas e nem os conceitos predeterminados. A sociedade, como se apresenta hoje, deve prezar pelo criticismo e pelo questionamento constante, buscando a verdade dos fatos confrontando não só as diferentes versões, mas os interesses motrizes das informações ostentadas.

 
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Publicado por em 27/09/2011 em Literatura

 

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