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Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, mas qual liberdade? qual imprensa?

Antes de entrar na faculdade de comunicação social, habilitação em jornalismo, ouvi de tudo. Desde: “você é louca?” até “para quê?”. Pois bem, tanto há os que acham que dinheiro é o que deve motivar as pessoas na escolha de seus caminhos, quanto há os que acham que a decisão de um colegiado de juízes, que muito entendem de leis e pouco de prática, é o suficiente para que as universidades de comunicação se esvaziem e os amantes das notícias se contentem em serem autodidatas sem técnica, nem ética.

Nunca escondi o idealismo que me levou ao jornalismo e é ele quem vem me pautando, continuo querendo fazer diferente e procurando brechas (coisa que advogado adora) para fazer da forma mais coerente com o que acredito que seja a missão maior do jornalismo. O alerta “a prática é muito diferente da teoria” é comum e esperado, vi isso em administração, em Direito e, agora, em jornalismo. Esperar de qualquer atividade profissional um “mar de rosas” não é idealismo, é inocência.

No dia 3 de maio de 1991 foi declarado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa pela Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa de promover essa data partiu da Unesco que, por meio de um artigo publicado em 1990 chamado “Promoção da Liberdade de Imprensa no Mundo”, afirmava que imprensa livre, pluralista e independente é um componente essencial para a sociedade democrática.

Segundo a ONU, hoje coexistem na imprensa e na televisão relatos com pontos de vista distintos em que cada mídia retrata um evento de uma perspectiva diferente. No entanto, em muitos países os jornalistas não têm a liberdade de expressar o que pensam e os que ousam fazer isso sofrem com ameaças, sequestros e até mesmo correm risco de morte.

No ano de 2000, de acordo com a Federação Internacional de Jornalistas, 33 profissionais foram assassinados e outros 87 perderam suas vidas em atividades relacionadas ao trabalho em 1999.

Só no primeiro trimestre deste ano 3 jornalistas foram mortos no país. Mais jornalistas morreram no Brasil em 2012 que no Iraque, Gaza e Afeganistão. Foram 11 profissionais da imprensa assassinados, um recorde. Apenas Síria, Somália e Paquistão viveram cenários mais dramáticos para os jornalistas que o Brasil. No total, foram 139 mortes, em 29 países. O número mundial é 30% superior ao de 2011 e representa cerca de duas vítimas a cada semana. O México, em meio a uma guerra contra o narcotráfico, se iguala aos números do Brasil*.

Como vemos, ser jornalista no Brasil não é das missões mais fáceis, profissionais são mortos por causa do exercício de noticiar, denunciar e revelar. Muitos não têm noção da importância da imprensa numa sociedade livre e democrática, e por mais piegas que pareça “a pior imprensa livre é melhor do que a melhor censurada”, disse Carlos Alberto Pessoa, bem ao estilo de Churchill.

Em Alagoas a morte de jornalista perpassa o campo físico para alcançar a independência jornalística. Os veículos só sobrevivem com o apoio financeiro de agentes políticos, instituições e grupos econômicos, restando ao “mundo virtual” as ações de maior independência – ou não – cabendo ao leitor o consumo indiscriminado e sem preconceitos de informações, a fim de comparativamente tirar suas conclusões, debater temas e ainda mudar conceitos.

Em homenagem a este dia compartilho com vocês, caros leitores, o depoimento a seguir de um querido colega, jovem jornalista alagoano.

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A falsa liberdade de imprensa dos jornalistas alagoanos

Por Rafael Maynart – jornalista sonhador

Durante os quatro anos de Jornalismo, ouvi de todos os professores e coordenadores, que os jornalistas têm que ser imparciais e dizer a verdade, ouvir os dois lados e descrever o fato 100% fiel ao que aconteceu. Na teoria, isso é lindo e maravilhoso. Sair pra rua e contar tudo o que acontece na sociedade. Exaltar pontos positivos e questionar os negativos! Cobrar dos gestores públicos mais ações e menos burocracia. Na prática, é que o “bicho pega”!!

Resumir-me-ei a falar da realidade alagoana, pois é a que mais conheço e a que mais vivo. Aqui, o estudante de jornalismo tem que batalhar, ainda na universidade, pelo seu espaço na imprensa. Conseguindo um estágio em sites, assessorias, jornais impressos, emissoras de TV e rádios, submetendo-se a uma jornada de trabalho igual à de um profissional, inclusive, com a mesma pressão.

A maioria dos veículos de comunicação existentes no estado são ligados a políticos ou grandes empresas ou instituições de ensino ou todos ao mesmo tempo. Quando surge algo irregular com esses “apoios”, os veículos são impedidos de noticiar, porque possuem o “rabo preso” e pode ser que cortem a “ajuda de custo” recebida mensalmente. A maioria utilizada para pagar os salários dos jornalistas que ali trabalham.

Em uma determinada eleição anterior a de 2012, estagiava em um portal de notícias – não é o atual – e um dois grandes políticos de Alagoas visitaram uma instituição na qual eu também estagiava na assessoria de comunicação. Eles estavam em campanha eleitoral e não há nada de errado eles irem pedir alguns votos, certo? ERRADO! Pois a visita se dava na véspera da eleição e, por lei, qualquer campanha eleitoral às vésperas do pleito, é considerado crime de boca de urna, onde o candidato está sujeito a ser excluído do processo eleitoral. Um deles ainda soltou a seguinte frase: “Se eu vencer, a situação daqui vai melhorar e muito! Certo pessoal?!”

O que eu fiz?! Nada! Fui impedido de tirar fotos dos tais políticos, e nem sequer escrever um texto sobre o acontecido. Por que fiz isso?! Porque correria o risco de ser demitido dos dois estágios.

O que aconteceu comigo, acontece diariamente na maioria dos veículos de comunicação, onde jornalistas têm que defender os interesses dos patrões, mesmo contra as suas vontades e princípios. Ver algo errado e não poder “botar a boca no trombone” é um dos piores sentimentos para um jornalista. É como ter algo entalado na garganta, sem conseguir colocar para fora!

A liberdade de imprensa só existe no papel ou quando o fato não for de encontro ao interesse particular do jornalista e do veículo de comunicação!

* Esses são dados da Campanha Emblema para a Imprensa.

 
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Publicado por em 03/05/2013 em História, opinião

 

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Qual o valor de um Ministério? e do sexto?

Confesso que a minha intenção era escrever sobre o caso dos estudantes baderneiros e vândalos que destruíram as dependências da reitoria da USP, descumpriram ordem judicial e foram tratados como quaisquer outros seres humanos que transgridem a lei – bandidos.

No entanto deparo-me com a seguinte manchete: “Carlos Lupi: `Para me tirar só abatido à bala´”, e não resisti, preciso comentar essa afronta à Administração Pública e aos cargos políticos que são ocupados.

Sobre o assunto esclareço: Lupi é o ministro que hoje responde a denúncias de corrupção e tem seu cargo posto em risco diante das crescentes denúncias de locupletamento. Depois da “queda” de cinco ministros, chega a vez do Ministro do Trabalho ser bombardeado.

Analisando a matéria que me chamou atenção deparo-me com: “Carlos Lupi, afirmou que lutará até o fim para provar sua inocência e que conta com apoio “total” da presidente Dilma Rousseff e do PDT para continuar no cargo”. Bem, até aí tudo certo. Ele diz sentir-se injustiçado e quer provar sua inocência, louvável, compreensível e justo.

No entanto, afirmar que não “largará o osso” é apego demais pelo cargo que é público, não acham?! Dizer que só sai “abatido à bala” passa muito dos limites do aceitável. O cargo de ministro é mesmo uma honra, mas é espaço a ser ocupado por aquele que melhor corresponda aos anseios da sociedade. É a capacidade em gerir e corresponder ao interesse público que deve pautar a escolha de alguém a ocupar este posto.

Que o senhor ministro queira se defender e refutar as acusações acho imprescindível, inclusive prestando as devidas informações ao povo, maior interessado, mas daí a inadmitir sua saída e afirmar que da cadeira não levanta, chega a ser cômico, se não fosse suspeito.

Deve ser muito bom mesmo ocupar o cargo de Ministro de Estado, se assim não fosse não seriam tantos a cair e tantos a disputar o posto.

Aguardemos as próximas cenas, quanto tempo resistirá o intrépido ministro? Quem se beneficiará com sua possível queda? Qual a postura a ser adotada pelo partido com o aperto da imprensa? E a presidente? Tão fiel a seu escudeiro, resistirá tanto quanto resistiu nos casos anteriores (ou seja, nada)?

 
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Publicado por em 08/11/2011 em Federal, Política

 

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