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Um filme imperdível

Ainda está em cartaz o filme “A Caça”, de Thomas Vinterberg. O cineasta dinamarquês conseguiu transferir para as telonas o drama de um professor de escolinha infantil que precisou enfrentar o ódio de toda uma cidadezinha do interior da Dinamarca que o pré-julgou e pré-condenou por abuso infantil.

O filme tem um ritmo muito bom, mas o que há de melhor é sua capacidade de despertar nas pessoas a importância da busca pela verdade real, a verdade dos fatos e não se satisfazer com as similitudes das versões.

A Caça é um grande alerta para a sociedade moderna que tem se bastado e se alimentado cada vez mais com o que há de pior e vil nas relações humanas, que precisa escarafunchar a intimidade alheia e revelar segredos sórdidos de terceiros com o único e raso objetivo de ser entretida. Além de alertar também à imprensa, os jornalistas e formadores de opinião de uma forma geral, por mais que o filme não tenha esse enfoque, mas a lição que fica é bem clara nesse sentido: a responsabilidade com a apuração, com a informação, com a notícia deve nortear os passos daqueles que informam as pessoas.

A responsabilidade sobre a reputação de alguém é igual à responsabilidade sobre a vida desta pessoa. A depender do caso e da repercussão, as consequências podem ser devastadores e INVARIAVELMENTE são irreversíveis. O filme é capaz de mostrar até onde a rejeição social pode levar um inocente e, pior, ele nunca voltará a ter a “fama” de antes.

Sobre o tema vale pesquisar o “caso da Escola Base de São Paulo”, ocorrido em 1994, e que, mesmo depois de 20 anos, os seis acusados de abuso infantil continuam no ostracismo, jamais conseguiram se recuperar, e a indenização, que o estado de São Paulo lhe deve, nunca foi paga.

Acusados injustamente e expostos à mídia irresponsavelmente, os vilões revelaram-se os verdadeiros mocinhos, mas a sociedade jamais os recebeu novamente e, hoje, ainda marginalizados, os seis tentam sobreviver e superar o trauma do passado.

Confira mais Aqui!

 

A Caça


Arte Pajuçara: 21h (exceto segunda) (legendado)

Lucas (Mads Mikkelsen) trabalha em uma creche. Boa praça e amigo de todos, ele tenta reconstruir a vida após um divórcio complicado, no qual perdeu a guarda do filho. Tudo corre bem até que, um dia, a pequena Klara (Annika Wedderkopp), de apenas cinco anos, diz à diretora da creche que Lucas lhe mostrou suas partes íntimas. Klara na verdade não tem noção do que está dizendo, apenas quer se vingar por se sentir rejeitada em uma paixão infantil que nutre por Lucas. A acusação logo faz com que ele seja afastado do trabalho e, mesmo sem que haja algum tipo de comprovação, seja perseguido pelos habitantes da cidade em que vive.

Elenco: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika

Direção: Thomas Vinterberg

Gênero: Drama

 
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Publicado por em 03/01/2014 em Cinema, Variedade

 

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Caso Giovanna

Caso Daniella Perez: em 1992 o Brasil ficou chocado com a morte prematura e brutal da atriz Daniella Perez, casada com o também ator Raul Gazolla e filha da novelista Glória Perez. Posteriormente ficou provado que a jovem atriz foi morta pelo colega de trabalho, que fazia com ela par romântico, numa novela de autoria da própria mãe, o ator Guilherme de Pádua. Este, por sua vez, casado com Paula Tomaz, que patologicamente sentia ciúmes de suas cenas românticas e pediu como prova de amor a eliminação daquela que seria o empecilho para o seu amor.

Caso Escola Base: no ano de 1994 é fechada a Escola Base de São Paulo, instituição particular de ensino infantil que teve seus donos, professores e até um casal de pais de aluno acusados de estupro e aliciamento de crianças. Alicerçado em depoimentos iniciais e análises preliminares, o delegado responsável deu informações ainda não comprovadas à imprensa, que, por sua vez, apressou-se em condenar todos os envolvidos, levando à indignação a população e a sociedade civil organizada. Ocorre que dez anos depois as informações não foram comprovadas, o caso foi arquivado por total ausência de provas e todos os acusados inocentados. No entanto, os donos da escola base foram linchados moralmente, tiveram que fechar as portas de sua escola depois de ter sido apedrejada, pichada e escamoteada pela população revoltada. Não se tem mais notícia de terem conseguido se restabelecer.

Vocês devem estar se perguntando o porquê deste espaço tratar destes assuntos há muito esquecidos e superados, mas acredito que ambos nos deixaram lições que hoje devem ser relembradas.

O primeiro caso nos alerta para a frieza de um casal que se diz apaixonado e capaz de tudo para manterem seu amor incólume e protegido; o segundo caso nos mostra que nem tudo o que é veiculado na imprensa policial é verdade e muito menos digna de despertar na população a indignação que não se coaduna com a verdade dos fatos até então demonstrados. Às vezes o que parece não é, às vezes o que se aventa não é tão perverso nem tão cruel quanto se faz e se quer acreditar.

Sobre o caso da jovem Giovanna, também sinto a mesma indignação de todos os alagoanos, de todos os pais, de todos os estudantes, mas também tento manter meu equilíbrio e minha racionalidade, a ponto de fazer aplicar agora ensinamentos passados.

Acredito, sim, que o casal acusado seja capaz, assim como qualquer outro casal – aparentemente o assassinato foi passional (tortura, enforcamento, ausência de crime sexual) -, mas apenas aparentemente, e se não for possível provar, ou pior, e se for possível provar a inocência? Pois é, neste caso, não só a vida da Giovanna terá sido ceifada e de seus familiares destroçada, mas também deste casal e de seus familiares.

Esclareço que este texto não tem por finalidade defender e nem acusar ninguém, apenas despertar nos leitores a sensatez de se aguardar maiores e melhores informações antes de apontar para alguém como condenado.

 
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Publicado por em 09/06/2011 em Policial

 

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