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A Presidenta Longe, o Papa Pobre e ambos Pop

Publicado no Portal Cada Minuto

A semana foi marcada por dois acontecimentos muito importantes. O primeiro, para nós alagoanos, a inauguração oficial do Canal do Sertão; o segundo, para a população mundial, a escolha do novo Papa.

Em princípio dificilmente o leitor encontrará algum ponto de convergência entre os eventos, mas como estive no evento do sertão alagoano e fiquei chocada com o que vi, acho que posso explicar onde encontrei um viés interessante para ser abordado.

Inicialmente é interessante enaltecer a chegada da água no deserto alagoano. Para quem não sabe, Alagoas convive com a mais severa estiagem que se tem notícia. Desde 2010 que as chuvas rarearam e não cai água suficiente para a plantação e criação de animais. Com isso o trabalho de muitos já não existe e a sobrevivência só é possível por conta dos programas sociais do governo federal.

A chegada da água ao canal do sertão é mesmo razão para comemoração, só não se sabe ainda para quem. Se para os sertanejos vítimas da estiagem, se para os políticos que se acusam “pais” da obra ou se para os funcionários da construtora que realizaram seu trabalho a contento.

[Falo dos construtores porque sei que, após o evento oficial, se refestelaram numa festinha particular ao lado do lugar da inauguração]

O Papa eleito, Francisco, o primeiro da América Latina, chegou ao Vaticano causando impressões e expectativas contraditórias. Se por um lado é caridoso, humilde e temente aos dogmas católicos, por outro convive com o estigma que muitos lhe imputam, de ter sido conivente com a ditadura portenha.

Francisco tem sido notícia recorrente nos meios de comunicação por seu perfil pouco solene. Dado às quebras de protocolo, tem chamado atenção por procurar manter-se leal a seus preceitos franciscanos e buscando despertar nos fieis a importância do perdão e da caridade, celebrando os pobres quando estes são mais esquecidos.

Quanto às acusações que insistem em lhe imputar, não há comprovações, não há nada além de declarações do casal Kirchner que o desabone, o que talvez seja até bom. Ainda assim, o Papa tem rompido com mais que paradigmas seculares, tem dado exemplo a líderes religiosos e políticos de todo o mundo.

Enquanto o Papa tem se esforçado para conseguir driblar a guarda suíça (os anjos da guarda do papa) para chegar perto dos fiéis e cumprimentá-los pessoalmente, a Presidente vem ao sertão, depois de ter sido eleita explorando politicamente o fato de ter sido vítima da ditadura no Brasil, e apenas de longe acena para a multidão de sertanejos vindos de diversos estados nordestinos que gritam seu nome e lhe festejam.

O sertão foi tomado por militares do exército. O mesmo exército que na época da ditadura foi o algoz da Presidenta, hoje é usado por ela para afastar manifestantes e a população em geral. Sob o manto da segurança nacional, afinal a segurança da presidenta é questão de segurança nacional, Dilma mantem-se longe do povo, longe de quem a elegeu, longe daqueles que só querem dizer àquela que os representa o quanto a admiram.

Se por um lado o mundo ganhou um Papa generoso, simpático e popular; os sertanejos ganharam uma Presidenta apressada, objetiva e popular.

Chavez morreu semana passada e sob seus ombros a pecha de ditador e intolerante – o  que realmente era. Mas são uníssonas as manifestações no sentido de que o ditador Venezuelano era incapaz de falar ao povo e depois não ir até ele para ouvir de perto suas súplicas.

Qual a lição?

 
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Publicado por em 18/03/2013 em CadaMinuto

 

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Qual o valor de um Ministério? e do sexto?

Confesso que a minha intenção era escrever sobre o caso dos estudantes baderneiros e vândalos que destruíram as dependências da reitoria da USP, descumpriram ordem judicial e foram tratados como quaisquer outros seres humanos que transgridem a lei – bandidos.

No entanto deparo-me com a seguinte manchete: “Carlos Lupi: `Para me tirar só abatido à bala´”, e não resisti, preciso comentar essa afronta à Administração Pública e aos cargos políticos que são ocupados.

Sobre o assunto esclareço: Lupi é o ministro que hoje responde a denúncias de corrupção e tem seu cargo posto em risco diante das crescentes denúncias de locupletamento. Depois da “queda” de cinco ministros, chega a vez do Ministro do Trabalho ser bombardeado.

Analisando a matéria que me chamou atenção deparo-me com: “Carlos Lupi, afirmou que lutará até o fim para provar sua inocência e que conta com apoio “total” da presidente Dilma Rousseff e do PDT para continuar no cargo”. Bem, até aí tudo certo. Ele diz sentir-se injustiçado e quer provar sua inocência, louvável, compreensível e justo.

No entanto, afirmar que não “largará o osso” é apego demais pelo cargo que é público, não acham?! Dizer que só sai “abatido à bala” passa muito dos limites do aceitável. O cargo de ministro é mesmo uma honra, mas é espaço a ser ocupado por aquele que melhor corresponda aos anseios da sociedade. É a capacidade em gerir e corresponder ao interesse público que deve pautar a escolha de alguém a ocupar este posto.

Que o senhor ministro queira se defender e refutar as acusações acho imprescindível, inclusive prestando as devidas informações ao povo, maior interessado, mas daí a inadmitir sua saída e afirmar que da cadeira não levanta, chega a ser cômico, se não fosse suspeito.

Deve ser muito bom mesmo ocupar o cargo de Ministro de Estado, se assim não fosse não seriam tantos a cair e tantos a disputar o posto.

Aguardemos as próximas cenas, quanto tempo resistirá o intrépido ministro? Quem se beneficiará com sua possível queda? Qual a postura a ser adotada pelo partido com o aperto da imprensa? E a presidente? Tão fiel a seu escudeiro, resistirá tanto quanto resistiu nos casos anteriores (ou seja, nada)?

 
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Publicado por em 08/11/2011 em Federal, Política

 

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