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O crime que nasce em berço esplêndido

Publicado no Portal Cada Minuto

As conversas em ambientes de trabalho, sociais e nos sites de relacionamentos têm girado em torno do assunto do momento: os acusados, confessos, de terem agredido os irmãos Rodrigues na orla de Maceió um dia antes da noite mais esperada do ano na “Capital do Reveillon”.

A cidade, tomada por turistas de todos os estados brasileiros e de muitos países, foi sacudida pelas notícias que circularam, primeiro, pelas redes sociais e, depois, nos sites de notícias, sobre o espancamento de dois irmãos, em princípio, gratuitamente.

As fotos provavam que houve a agressão. O tom indignado do desabafo dos irmãos e o pedido de apoio popular para que os culpados não saíssem impunes contagiou a todos que tomaram conhecimento dos fatos através das vítimas.

As discussões que se seguiram foram inúmeras, a descrição dos veículos e do perfil dos agressores dava conta de que se tratava de pessoas endinheiradas. Talvez de fora do estado, considerando-se a placa de um dos veículos e a alta temporada turística na região.

Dez dias após o crime, dois acusados se apresentaram à polícia e o nome de cinco agressores já era conhecido, deverão responder por lesão corporal e formação de quadrilha. Um dos rapazes, segundo a imprensa, já teria respondido por agressão a um menor quando também era menor.

Tomar conhecimento da identidade dos agressores causou certo desconforto à sociedade alagoana.

Afinal, é tão mais conveniente quando o criminoso é morador das grotas maceioenses ou de bairros periféricos aos centros urbanos do estado, e não seu vizinho. É tão mais conveniente quando o criminoso faz parte de uma família desestruturada, sem oportunidades, pouco estudo e sem referências morais e de bom comportamento, e não um colega de turma do seu filho. É tão mais conveniente quando o criminoso não é figura certa nas boates, nos shoppings, nas praias, nos passeios na lagoa, nos bares nobres da capital.

Pois é, caros leitores, entretanto não é de hoje que jovens ricos, com alta escolaridade, inseridos em famílias bem estruturadas e cheios de dinheiro de envolvem em atos criminosos. Seja no tráfico para manter os altos gastos ou o próprio vício; seja em atos de vandalismo e de transgressões sociais diversas como se donos do mundo e alheios a quaisquer julgamentos – judiciais, sociais ou dos próprios pais.

Mas o que está havendo com esses jovens que até pouco tempo eram apenas meninos mimados agarrados à barra da saia da mãe? Ora, jovens de todas as idades (mais ou menos) sempre estiveram envolvidos em atos criminosos. A diferença é que antes não eram alvo da imprensa – hoje há as redes sociais a pautarem os veículos – e nem da polícia – hoje a cobertura jornalística faz com que a população cobre punições.

De todos os casos recentes de atrocidades cometidas por jovens ricos, como a Suzane Richthofen, depreende-se que muitas crianças – cada vez mais – têm sido criadas para valorizar o TER em detrimento do SER. Acreditam poderem tudo, afinal têm tudo.

Consideração, respeito e hombridade não sabem o que são e sequer sabem que devem saber o que são.

A própria sociedade os valoriza. Valoriza aquele que não é educado, pois o educado é “mulherzinha”; valoriza aquele que destrata as mulheres, pois os homens devem “pegar” várias mulheres, devem ser “raparigueiros”. Valoriza aquele que nasce em “berço esplêndido” e não o trabalhador que madruga para “ganhar o pão de cada dia”.

Enfim…

Com certeza não é a classe social que define quem será criminoso, mas também não é a falta de estudo, mas em muitos casos é a falta de educação – educação doméstica, educação social.

Muitos jovens hoje não reconhecem nos pais suas referências, estes já não têm tempo e nem disposição para educar e transmitir exemplos aos filhos. Todos cada vez mais egoístas e individualistas.

E a sociedade achando tudo muito bonito e conveniente.

Dizem que os jovens ricos agressores de irmãos indefesos na orla monitorada 24h por câmeras de vigilância não tiveram motivos para as agressões, mas também não tiveram medo de punições.

Será que os pais vão puni-los? Antes mesmo do Estado agir, os pais agirão? Os pais reprovam esse comportamento? Ou acham que isso é “coisa de jovem”?

Que casos como esses sirvam de exemplo aos pais e educadores de uma forma geral, criar crianças é educar com atenção, com carinho, mas com pulso. Filhos erram e precisam dos pais para orientá-los, não para justificá-los.

 
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Publicado por em 11/01/2013 em CadaMinuto

 

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Panorama Semanal

Trigésima Semana: 23 a 29 de julho
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MundoAmy Winehouse morreu no sábado, dia 23, aos 27 anos de idade. Não se pode afirmar que tenha chocado o mundo, afinal, esta era uma morte anunciada. A consagrada cantora britânica, dependente química e alcoólica, não fugiu à tríade: sucesso, pouca idade e drogas, culminando em sua prematura morte.

Dizem que os gênios são assim, descompromissados com a saúde e inconsequentes com a vida, talvez por terem muito para viver em tão pouco tempo. Se há justificativa que ampare o definhamento físico, moral e social de uma estrela da música mundial, eu desconheço, mas é incontroverso que ela entrou para a história e lá permanecerá pela eternidade.

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Caso Carminha – “Mulher é tirada de casa, assassinada e tem cabeça colocada em estaca” – foi com esta manchete que o domingo, 24, foi recebido pelos internautas. A mulher, Maria de Lourdes, era mãe de duas crianças, casada e morreu espancada e esquartejada por bandidos do Benedito Bentes, mais especificamente, de sua comunidade, o Carminha. Aparentemente sua morte foi causada por ter denunciado o tráfico na região; há a possibilidade de ter tido seu nome “entregue” por policial aos seus algozes. Caso até o momento não elucidado pela polícia.

Crime – No mesmo dia, o corpo do professor de teatro, o ator Denilson Leite da Silva, foi encontrado em Fernão Velho. Suspeito preso.

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Presidente da República – O dia 25, segunda-feira, foi marcado pela visita da Presidente Dilma à Arapiraca. O Estado ficou em polvorosa, e Maceió esteve às moscas. Todos, políticos, cidadãos, fãs, bajuladores e asseclas, se dirigiram à segunda maior cidade de Alagoas para ver de perto aquela que representa os interesses do povo. Apesar de louvável a razão que à trouxe às nossas terras caetés, o lançamento do programa “água para todos”, ela foi recepcionada, e não muito bem, pelos históricos aliados de partido, representantes de movimentos pela reforma agrária.

Rede Nacional – Alagoas esteve nos noticiários do Brasil desde bem cedo, não pela visita acima mencionada, mas porque o “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo, apresentou matéria sobre o altíssimo índice de criminalidade em nosso estado, tratando-o como “faroeste nordestino”. Mostrou, além das inúmeras ocorrências em pouquíssimas horas, também o total caos em que se encontra a segurança pública e suas instituições, tanto policiais quanto periciais.

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Conversa de Botequim – No “Conversa de Botequim” desta terça-feira, o entrevistado de Plínio Lins foi o ex-governador Ronaldo Lessa, que com a espontaneidade que lhe é peculiar e marcou sua relação com a mídia e os desafetos políticos e institucionais, promoveu animado bate-papo com o entrevistador e com os espectadores presentes.

Deste contato o ex-governador se disponibilizou a um encontro com blogueiros, a fim de debater diversos temas políticos, sociais e do ciberespaço, e assim contribuir com o fortalecimento da blogosfera alagoana.

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Governo do Estado – Depois de denúncias envolvendo dois de seus secretários mais fortes, o governador Teotônio Vilela veio a público, nesta quarta (27), para se manifestar no sentido de apoiá-los. Apesar de se tratar de escândalos bem distintos, aparentemente a ideia é que nada alaba a estrutura. O tempo dirá!

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Caso Carminha II – O dia 28 foi marcado pela repercussão do assassinato por desmembramento da senhora Maria de Lourdes, no conjunto Carminha, no bairro do Benedito Bentes. A cúpula da segurança pública do estado divulgou que sete conjuntos do bairro, inclusive o palco fatídico, seriam ocupados pela PM.

Sabe-se que o choque inicial não surtiu o efeito esperado, pois ocorrências de alta criminalidade foram registradas, mas o que mais chamou atenção foi a declaração oficial do Comandante do Policiamento da Capital, Coronel Gilmar Batinga, que disse “se os bandidos não deixarem o Carminha, teremos confronto”. Ora, há de se perguntar: para onde irão os bandidos que deixarem o Carminha para evitarem o confronto?

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Caso Ceci Cunha – Nesta sexta-feira, Talvane Albuquerque, denunciado como mandante do crime, conhecido como “chacina da gruta”, que vitimou a Deputada Federal Ceci Cunha, seu marido e mais dois parentes, concedeu entrevista exclusiva e se manifestou sobre a aproximação de seu julgamento pelo Tribunal do Júri. Além de tentar desviar as atenções para outros possíveis interessados na morte da Deputada, revelou sua ansiedade para que o dia do julgamento chegasse logo. Só não explicou as razões que o levaram a protelar tanto este julgamento, hoje inevitável, já que o que deseja é que a justiça resolva logo sua situação (?!).

Caso Giovanna – O delegado responsável pelas investigações pediu a prorrogação da prisão temporária dos principais suspeitos do assassinato da jovem estudante. Ressalte-se que as investigações ainda não se findaram, e que sequer há confirmação oficial do que levou à decretação da prisão.

Ronda Cidadã – no último dia 18 foi apresentado oficialmente pela Secretaria de Segurança Pública um programa de proteção patrimonial a beneficiar determinadas regiões que vinham sendo alvo de recorrentes ocorrências policiais. Após 12 dias de sua implantação os comerciantes beneciados com as constantes rondas se manifestaram pela satisfação com o resultado destas. Importante agora que o mesmo questionamento seja feito aos moradores das adjacências às rotas policiais, afinal, se a região beneficiada com a ronda está satisfeita é porque os errantes mudaram de local, para onde teriam eles ido?

 
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Publicado por em 30/07/2011 em Semanal

 

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Proteção para bandidos ou para mocinhos?

Comum nos filmes de Hollywood e nos seriados americanos, o instituto da proteção policial e da assistência às vítimas e testemunhas ameaçadas por bandidos não é muito difundido no dia a dia do noticiário brasileiro.

O programa de proteção especial a vítimas e a testemunhas despertou minha atenção recentemente, após leitura do blog do Delegado da Polícia Civil de Alagoas, Flávio Saraiva, que ao dispor sobre a criminalidade entre os pequenos delinquentes, menores de idade – que de pequenos só têm a estatura –, retratou o caso de menino de quatorze anos de idade, apreendido por assalto, portando arma de fogo, foi identificado como protegido do dito programa federal.

Acrescenta ainda que em festejos carnavalescos posteriores, o garoto foi novamente citado como envolvido em crime, desta vez por ter atirado no meio da folia e acertado seis pessoas, por este crime ele foi apresentado à delegacia pela mãe, acompanhados por forte aparato policial, que os amparava em decorrência do programa. Isto tudo, esclarecendo que o garoto é proveniente do norte do país e veio para Maceió através do programa.

O mérito aqui não é discutir a adequação do garoto ao programa e nem a vinda deste para nosso estado, mas a eficiência do plano de proteção.

Compulsando a lei que trata do tema posso concluir que esta é muito boa, além de amparar vítimas e testemunhas, também protege os criminosos que prestaram informações privilegiadas à polícia, resultando em descobertas úteis e vantajosas.

Todavia, a lei não discorre sobre os procedimentos a serem adotados pela autoridade coatora quando os protegidos incorrem em crimes, seja da mesma natureza daqueles que os levaram à proteção, ou de diferente.

A norma legal trata da exclusão do protegido do programa, mas apenas nos casos de solicitação do próprio interessado ou após decisão do conselho deliberativo, considerando o término das causas que o levaram à condição de amparado, ou quando este tem atuação incompatível com a condição de protegido.

Relevante ressaltar que não há esclarecimento sobre o que seria esta “atuação incompatível”, uma vez que o regulamento específico do tema elucida apenas que esta ocorre quando a pessoa do protegido age em desacordo com os termos do acordo firmado entre este e o Estado. Mas os termos que são aventados em tal acordo não são sabidos.

Lamentável a situação do garoto, que em tenra idade já ostenta tão vasto rol de incriminações penais, mas muito mais lamentável é o engessamento estatal, o caos sistêmico, pois o que se vê é uma, a priori, inversão de valores.

Clarividente, que não possuo as informações específicas sobre o caso do garoto, mas é óbvio que a proteção tem tido conotação distinta daquela que se visa de início, uma vez que parece amparar fora da lei, enquanto professores são ameaçados por alunos em plena sala de aula; mães e filhos por maridos, pais e padrastos em seus lares, e; a própria população é diariamente ameaçada genericamente pela insegurança que assola cada espaço público.

A partir do caso relatado extrai-se que falta amparo policial e proteção estatal para aqueles que procuram a vida em sociedade prezando pela harmonia, enquanto que para os que patrocinam com delações a atuação coatora do Estado, o aparato policial é disponibilizado em sua plenitude.

Caso a se pensar!

 
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Publicado por em 20/07/2011 em Policial

 

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Enfim a prisão de Tony e Mirela, ainda que temporária…

Aparentemente a sociedade, assim como a família de Giovanna, está se sentindo mais confortável com a prisão dos jovens Tony e Mirela. O jovem casal, principais investigados pelo assassinato brutal e frio da universitária Giovanna, foi preso ontem, sob a égide de mandado de prisão temporária emitido pela 17ª Vara Criminal.

Volto a este tema, não só por seu clamor midiático, que, confesso, muito me incomoda, mas principalmente, para, mais um vez, tentar trazer uma visão diferenciada para que os leitores não percam nenhum viés das informações apresentadas.

Interessante se faz frisar a participação da 17ª Vara Criminal neste caso. Para aqueles que não sabem, esta circunscrição tem “competência exclusiva para processar e julgar delitos praticados por organizações criminosas”.

Compulsando-se os mais diversos rincões da informação virtual (afinal, sobre o caso, minha fonte de informação, assim como de toda a sociedade, é o que vem sendo publicado nos meios de comunicação), encontrei algo sobre o fato de inicialmente o caso ter sido considerado “sequestro”, o que, a julgar pelo que o jornalista disse, tem sido usado como justificativa para o presente caso estar sendo “tutelado” por esta vara de existência questionável, mas de resultado rápido, estrondoso e incontroverso.

Bem, mas o que todos querem não é exatamente isto? Uma justiça célere, eficaz e prestacional? Acredito que sim, ao menos é o que eu também desejo. Mas ainda não entendo como o caso Giovanna foi parar na 17ª Vara. Não acredito que as diligências policiais fundamentadas em autorizações judiciais oriundas desta vara sejam questionadas no futuro, não, mas muito me preocupa esta adaptação de uma vara especializada em organizações criminosas na elucidação deste caso (aparentemente passional).

Até o momento não encontrei nenhuma informação sobre o que motivou a expedição do mandado de prisão temporária dos investigados. Sabemos que o inquérito ainda não findou, o que significa que a polícia ainda não concluiu por indiciá-los, portanto, continuam na condição de investigados.

Talvez estas sejam apenas divagações de uma mera operadora do direito, que nada tem de relevante para o presente texto.

Mais uma vez não venho aqui defender Tony, Mirela, sua família, ou a família da vítima Giovanna. Não, minha intenção é mais uma vez alertar os indignados com tamanha atrocidade, que este caso ainda está envolto em obscuridades, embora todos os elementos apontem para o casal.

Vale repisar que, incrivelmente, não se encontra ninguém que tenha vindo à mídia dizer-lhes palavras de apoio ou de bons antecedentes, contrariamente, só aparece gente a falar-lhes impropérios sobre suas personalidades transviadas, e contar histórias factíveis ou factoides, mas que, aos olhos de uma sociedade indignada e ansiosa por justiça, ganha todos os contornos de verdade dos fatos.

Não estou aqui disposta a levantar e nem mediar discussão alguma sobre culpabilidade ou não dos “acusados”. Não tenho nada com isso, mas também nenhum dos leitores tem. Todos estamos interessados nas informações, na verdade, na justiça e na punição dos culpados. A minha preocupação continua a mesma, a de ver um jovem casal ser apedrejado socialmente sem sequer um julgamento condigno com a Constituição (leia-se contraditório e ampla defesa).

Não posso pedir que as pessoas não façam juízo de valor, até porque eu mesma tenho minha opinião já formada sobre o caso. A diferença é que não venho a público externá-la e nem inflar as pessoas a acreditarem no que eu acredito. Rogo apenas que sejam sensatos, equilibrados, antes de apontar a indignação em sentido tão certeiro.

Continuo achando-os muito capazes de ter assassinado a Giovanna, menina jovem, acredito que cheia de planos, de sonhos, que muito ainda tinha a oferecer a seus amigos, familiares e às pessoas que ainda cruzariam sua vida. Infelizmente sua existência foi ceifada, assim como a alegria de viver daqueles que a rodeavam. Nós, meros espectadores, sentimos na pele a possibilidade de termos um ente querido tão vítima quanto ela, e isto nos motiva a querer justiça, o mais rapidamente possível. Só espero que dentro dos limites legais e constitucionais.

 
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Publicado por em 30/06/2011 em Policial

 

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