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A polêmica Internação Compulsória

Só quem já viu de perto o terror que é a CRACOLÂNDIA no Centro de São Paulo é capaz de entender as medidas que são tomadas por aquele governo a fim de acabar de uma vez com ela.

Hoje o governo de São Paulo dá início a mais um programa de internações compulsórias de dependentes do crack que vivem na região do Centro de São Paulo. Aparentemente esta é a tentativa mais estruturada, contanto com o apoio do Judiciário, de organismos não governamentais e da OAB para conseguir identificar os casos que mais precisam da internação.

Muitas críticas têm surgido ao governo de SP e às suas práticas. Algumas o acusam de oportunista e de estar se valendo da proximidade à Copa das Confederações e do Mundo para “higienizar” a cidade, outros afirmam que práticas coercitivas não têm resultado, sendo indispensável que o adicto tenha a intenção de se recuperar.

Entretanto, há que se ponderar que, num primeiro momento não importa qual seja a real intenção do governo de São Paulo na adoção de tal medida, uma vez que o que importa é que o bem desses doentes acaba sendo perseguido ainda que por via transversa.

Os dependentes químicos do crack e de outras drogas, em especial aqueles que “subvivem” nas ruas do centro de São Paulo, não possuem suas faculdades mentais em condições de fazer escolhas, não se alimentam por escolherem se alimentarem, mas pela necessidade que os impele a isso, daí porque se contentam com restos no chão e em latões de lixo. Da mesma forma, não usam as drogas porque querem, mas porque o organismo em grau elevado de vício os leva a usá-las indiscriminadamente, sendo capazes de tudo para conseguir qualquer mísera quantidade da droga.

As internações compulsórias podem não alcançar a finalidade proposta, mas com certeza poderá manter o dependente longe das drogas por um período razoável, tempo, talvez, suficiente para que recobre suas faculdades mentais, seu domínio sobre vontades, sua capacidade de ponderação e de escolha sobre sua própria vida.

Aí sim poderá ser analisado se manter esse dependente em “cárcere” não é uma violação em lugar de uma possibilidade de salvação. Afinal, só então haverá alguma vontade a ser considerada e violada. Enquanto a pessoa não for capaz de escolher, de agir racionalmente, não pode ser tratada como civilmente capaz, e pensar assim não é legislar ou violar leis, mas agir com humanismo, visando oportunidades para “doentes marginalizados”.

 

 

 
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Publicado por em 21/01/2013 em Utilidade Pública

 

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Cracolândia

A rotina diária é sempre a mesma, acordar à noite, passá-la toda consumindo drogas, e quando o sol raiar, voltar a dormir. Dia após dia o script é o mesmo.

De passagem por São Paulo pude conferir de perto a região que chamam de cracolândia.

Para aqueles que não sabem o que significa, cracolândia foi o nome dado à região, no centro da capital paulista, onde pessoas de todas as idades se reúnem para consumir drogas, principalmente o crack, que hoje é a de maior espectro na sociedade brasileira, em todos os níveis sociais.

A região onde se aglomeram é bem central, próximo à estação Julio Prestes, à estação da Luz, à Igreja Santa Cecília, e outros pontos turístico e de circulação.

A região, durante o dia, é bem movimentada, muitos transeuntes, policiamento regular e dificilmente apercebe-se da presença maciça dos viciados. No entanto, com o passar das horas e a aproximação do período noturno todo o cenário vai se modificando.

Aqueles que estavam espalhados por todos os rincões da região, adormecidos em estado inerte, completamente entorpecidos, começam a acordar, e a se dirigir a uma rua específica.

Desde 2005, quando a prefeitura resolveu tomar atitudes de revitalização do bairro e higienização, os dependentes químicos procuram se reunir numa única rua. A finalidade é iniciar mais uma rotina de abuso de drogas. À noite já alta, por volta das dez horas, aquelas pessoas estão recém despertas, é o momento em que se encontram mais ativas e dispostas.

No entanto, esta definição está muito distante daquilo que entendemos por elas. Em contato direto podemos constatar que há muito a alma parece não habitar aqueles corpos. Seus rostos são idênticos, seus olhos semicerrados iguais, a imundície é a mesma. Sejam homens, mulheres, crianças, não importa, só podemos diferenciá-los pelas demais características humanas, pois não seria exagero compará-los a mortos-vivos.

Seus olhos não brilham, seus rostos não têm feições e nem expressões. Mal podem falar, parecem apenas balbuciar, mal se sustentam sobre as pernas, se perderem seu ponto de apoio não têm reflexo para se manterem de pé, simplesmente caem. Rastejam…

Presenciar isso é chocante, dói, fere, incomoda. São pessoas que subvivem, põem no mundo crianças que já nascem dependentes químicas, vivem no mesmo ambiente, não se surpreendem com a sujeira e nem com a falta de pudores, não sabem o que é isso. Esperam apenas que mais uma noite se vá e que sua ânsia seja satisfeita. Não têm ambições, não sabem como seria viver diferente, não têm exemplos e nem esperam por eles. Seus pais? Alguns ainda têm mãe, outros já são órfãos, até de mãe viva, mas todos, invariavelmente, não sabem o que é o sentimento materno.

Esta realidade não é própria da cracolândia e da sociedade paulistana. A região é enorme, agrega centenas de pessoas, isso a deixa afamada, mas é a mesma realidade de todo país.

Nosso estado não fica pra trás, o crack, depois de todas as outras drogas, chegou à nossa sociedade, devastou e devasta os mais carentes, mas já vitima jovens e adultos de classes sociais mais altas e de nível de escolaridade maior.

Não fechemos os olhos para essa situação. Políticas públicas são essenciais, mas o engajamento social de prevenção junto a seus filhos e amigos é de primordial importância.

 
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Publicado por em 07/11/2011 em Utilidade Pública

 

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