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Custe o que Custar aos maceioenses, o que importa é a audiência

Texto publicado no Portal Cada Minuto

A passagem do humorístico Custe o Que Custar por Maceió criou uma série de expectativas na população. A capital estava em polvorosa desde que, na semana passada, espalhou-se a notícia de que um repórter “engravatado” estaria a perturbar a paz dos parlamentares.

Primeiro estiveram na Câmara Municipal de Maceió e depois na Assembleia Legislativa Alagoana. Segundo conversas de bastidores a dupla de jornalistas – repórter e produtor – não estava muito “antenada” aos escândalos locais, razão pela qual acabaram recebendo auxílio dos jornalistas que, costumeiramente, cobrem ambas as casas legislativas.

Como os alagoanos já sabem – e se não sabem vejam aqui  – o resultado foi uma cobertura exclusiva da ALE, com direito a confissões estapafúrdias e reações “trogloditas” de respeitáveis senhores deputados.

Entretanto, o quadro do humorístico nasceu em razão da proximidade com as eleições municipais, o que não se entende é por que o polêmico aumento do número de vereadores, seu impacto na folha, o salário dos edis, suas atribuições, o duodécimo da Casa, o espaço físico dos gabinetes e a construção de um novo prédio para o “parlamento-mirim” não foram relevantes para o programa televisivo.

Sabe-se que o humorístico fez tais questionamentos, inclusive motivou alguns vereadores a ocuparem o púlpito com discursos vorazes em defesa da Casa e sobre a vergonha de inspirar programas nacionais por razões tão vis.

Por honestidade intelectual, se a idéia, como anunciado, era mostrar ao Brasil e aos eleitores problemas regionais municipais, indo a diversos rincões espalhados pelo país para apontar irregularidades e casos de repercussão, Maceió saiu perdendo. Afinal, os edis, em sua maioria, candidatos à reeleição saíram incólumes.

Se a idéia era contribuir para o eleitorado maceioense “abrir os olhos” quanto a seus representantes, o programa quedou-se frustrado em seu objetivo primário e anunciado pelo apresentador. Todavia, se o que custa (importa) ao Custe o Que Custar são os gracejos, as piadas e o impacto de revelações como a compra de votos, bem, neste caso alcançaram sucesso estrondoso.

Do meu ponto de vista, a edição deixou a desejar, mas serviu para o alagoano mais uma vez sentir vergonha em âmbito nacional e prometer votar melhor nas próximas eleições. Não se sabe se já nas eleições municipais, ou se esperará o esquecimento natural para as eleições estaduais.

 
1 comentário

Publicado por em 28/03/2012 em CadaMinuto, opinião

 

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O que custa ao Custe o Que Custar?

Como não é mais novidade, ontem (26), Alagoas, em especial Maceió, foi alvo do programa CQC (Band) com o cunho de mostrar nossa realidade política, e, por conseguinte, nosso pendor pelo voto sem consciência.

A situação foi péssima, mas poderia ter sido bem pior, admitamos.

Se um dos deputados foi “eleito” o POLÍTICO DO ANO e o outro O BOXEADOR, devemos agradecer pela superficialidade de ambas as denominações.

Em contrapartida, é sabido que a edição poderia ter sido bem pior.

Poderia ter mostrado deputado engolidor de orelha, deputado estrela com contrato de exclusividade, deputado do ano suplicando por considerações mais amenas na edição, deputado mandando assessor dizer que não falaria, assim como deputados bem humorados “tirando de letra” intervenções contundentes, rasteiras, agressivas, mas que, infelizmente, não refletem outra senão a nossa realidade.

No mesmo sentido, registre-se, o programa, por meio de seus apresentadores, disse que sua equipe estaria viajando pelo país em face das eleições municipais que se avizinham. No entanto, inexplicavelmente, ou pela irrelevância do material colhido, não veiculou a Câmara Municipal, aquela que será alvo de renovação, ou perpetuação, no próximo pleito.

Se por um lado os apresentadores agiram coerentemente e em consonância com as boas normas de respeito entre os brasileiros, e de repúdio à discriminação regional, explicando que não eram os alagoanos, ou os maceioenses, que eram corruptos, mas parcela de seus representantes. Também tentaram deixar claro que não era possível atribuir a Alagoas a pecha de estado de político ladrão, pois há, sim, político decente, que, se não consegue fazer muito para mudar é pela impossibilidade da minoria numa democracia.

O programa foi bom? Sim, foi!

Serviu para algo? Não faço idéia, espero que sim.

Algum político entrevistado foi beneficiado com a edição? Não!

Prejudicado? Pelas informações de bastidores, muitos teriam se saído bem melhor, e outros muito pior.

No entanto, há que se frisar que o Custe o que Custar deixou muito a desejar, tenha sido pela falta de tempo ou por outras razões desconhecidas, tem-se é que a edição que foi ao ar esteve muito aquém da função social do jornalismo.

Faltou coerência entre perguntas e respostas, o que fez com que os entrevistados fossem retratados como quase retardados e/ou alienados, coisa que todos sabemos não ser verdade, afinal, não lhes falta esperteza.

Por honestidade intelectual, se a idéia, como anunciado, era mostrar ao Brasil e aos eleitores problemas regionais municipais, indo a diversos rincões espalhados pelo país para apontar irregularidades e casos de repercussão, Maceió saiu perdendo. Afinal, os edis, em sua maioria, candidatos à reeleição saíram incólumes.

Se a idéia era contribuir para o eleitorado maceioense abrir os olhos quanto a seus representantes, o programa quedou-se frustrado em seu objetivo primário e anunciado pelo apresentador. Todavia, se o que custa (importa) ao Custe o que Custar são os gracejos, as piadas e o impacto de revelações como a compra de votos, bem, neste caso alcançaram sucesso estrondoso.

Do meu ponto de vista, a edição deixou a desejar, mas serviu para o alagoano mais uma vez sentir vergonha em âmbito nacional e prometer votar melhor nas próximas eleições. Não se sabe se já nas eleições municipais, ou se esperará o esquecimento natural para as eleições estaduais.

 
 

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