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1992, ano que ensinou o “faz-me rir”

Publicado no Portal Cada Minuto

Fazer política não é só para políticos, mas só é político quem faz política. Acredito que não haja discussão quanto a isso. Cidadãos devem fazer política porque esta é meio no processo de contribuição social e de mudança, e só poder ser considerado político (agente) aquele que faz política, óbvio.

Mas, finalmente, o que é política? Bem, o conceito pode ser extremamente abrangente e diz respeito à administração pública e tudo o que envolve o interesse público, o convívio em sociedade e os meios para influenciar tudo o que diz respeito à coletividade.

O Brasil, assim como inúmeros outros países do mundo – senão todos –, convive com críticas trágicas e contundentes contra sua classe política, aqueles que possuem mandatos eletivos ou que almejam, muitas vezes a qualquer custo, “taí” um grande problema.

Recentemente a imprensa noticiou a saga hercúlea percorrida pelo governo federal para conseguir a aprovação da Medida Provisória que prevê a privatização (ou concessão) dos portos brasileiros. A ideia é a modernização e ampliação através de investimentos privados.

Para muitos brasileiros a MP é mais que uma boa ideia, mas a única forma viável de tornar o país mais competitivo no mercado internacional e mais atraente ao turismo de cruzeiros marítimos.

Elias Murad, um político mineiro, costumava dizer que “o Brasil progride à noite, enquanto os políticos estão dormindo”.

Talvez um dia Murad tenha tido razão, mas eis que os políticos resolveram não dormir. Iniciada a semana passada sob a pressão de ver aprovada a MP dos Portos, o governo federal pôs em campo todo seu arsenal de “argumentos” para que a MP não perdesse sua validade. Deputados passaram noites em claro, no plenário, para viabilizar a votação.

Vimos 48 horas de muita tensão na Câmara dos Deputados, a oposição preferiu abster-se a fazer “quórum” para viabilizar a votação, visando claramente ganhar tempo para as negociações. Em jogo, interesses, mas não os nacionais.

Sem a menor cerimônia, Deputados transacionavam apoio por emendas parlamentares (por meio das quais eles podem acrescentar novas programações orçamentárias com o objetivo de atender às demandas das comunidades que representam – deveria servir para isso).

No final das contas a MP foi aprovada às 9h45 da manhã da quinta-feira (16), depois de dois dias de muitas discussões, apreciação de mudanças no texto e muitas idas e vindas de deputados. O Senado em seguida votou e aprovou o texto, enviando-o para a sanção presidencial, tudo dentro do prazo limite, mas não sem muita emoção.

Enquanto assistíamos à transmissão ao vivo da sessão insone, pudemos constatar o enorme balcão de negócios que o Congresso Nacional se transformou. A força do Poder Legislativo é essencial a uma democracia e as discussões fazem parte do processo – discussões públicas, frise-se.

Lamentável mesmo foi ver matéria tão sensível ao futuro da nação, à geração de emprego, renda e investimentos ser tratada como moeda de troca. Ver oposição e situação valerem-se de momento delicado não para assumir papel de liderança e de destaque em face das motivações que deveriam ser coletivas e não de jogo político, para se imiscuírem no promiscuidade do “toma lá, dá cá” tão apontado e condenado.

Vê-se com muito mais clareza que ideologia não faz parte das relações político-partidárias, orientações de bancadas eram ignoradas em nome de emendas e trocas convenientes. A situação da MP dos Portos foi vista com muita clareza por aqueles que se preocuparam em acompanhar, mas quantas vezes “chantagens” como essas não ocorrem?

Há quanto tempo isso não ocorre? Resquício da “república café-com-leite”, do regime militar ou simples natureza política dos brasileiros? Difícil de responder sem perder a fé no futuro.

Collor até hoje argumenta que seu “impeachment” foi fruto da insatisfação dos congressistas por não ter sido tão complacente com as negociatas. Teria sido o ano de 1992 a lição que o Congresso Nacional deu aos Presidentes da República sobre a obrigatoriedade do “faz-me rir” legislativo?

 
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Publicado por em 21/05/2013 em CadaMinuto

 

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Apagando a história…

Lembro como se tivesse acontecido hoje…

Eu cursava a 5ª série do ensino fundamental (que eu não faço ideia de seu equivalente nos dias atuais) quando a professora, após o “recreio”, informou a toda turma que estaríamos liberados do segundo tempo de aula, para, ordeiramente, participarmos do ato público que acontecia naquele momento em nossa cidade.

Todos os alunos explodiram em alegria, inclusive eu, afinal, qual criança de 10 anos não fica feliz em não ter que assistir aula? ainda mais se não precisa inventar uma dor de barriga ou outro problema qualquer.

Não sabíamos ao certo do que se tratava, mas o ano era de 1992, e diariamente ouvíamos e víamos no Jornal Nacional notícias sobre desvios, dinheiro, caixa dois, carro Elba (era o carro que a mãe da minha amiga tinha), alagoanos e a casa da madrinha de alguém (afinal era “da dinda”).

Bem… eu vivi isso, eu lembro desses dias… lembro que ao sermos liberados da aula, foram distribuídas tintas guache em tons de verde e amarelo, pintamos nossos rostos (como índios), formamos fila indiana (que só muito tempo depois eu soube que tinha esse nome) e seguimos, em ordem, para a rua, fomos incitados a gritar palavras de ordem e a desfilar pelas ruas próximas ao colégio.

Vi depois, pela TV, ao vivo, vários homens vestidos como meu pai (engravatados), indo ao microfone e dizendo, um após o outro, “sim”. Meu pai explicava que queriam o “impeachment” do presidente (este que tem uma história em minha formação a ser contada em outra oportunidade). Eu não entendia o que significava aquilo, mas sabia que era causa de vergonha.

O final dessa história foi-me repetido diversas vezes, em várias oportunidades: em aulas de história, em conversas com familiares, na rua com os amigos, ou em qualquer viagem ao me identificar como alagoana a quem quer que fosse.

Bem, esse capítulo da história do Brasil eu vi, lembro, vivi, revivi de várias formas e em várias situações. Sabemos que a história é contada pelos vitoriosos, mas também pelas testemunhas. Hoje soube que o Senado excluiu este capítulo de sua história, quando unidos disseram “sim” ao “impeachment”. Acredito que a causa para esta exclusão seja vergonha do que fizeram, afinal, hoje já estão todos juntos, unidos pelos mesmos interesses escusos, mas não é agindo como ditadores ao “apagar” fatos e pessoas da história que mudarão o passado.

Lamento pela atitude do Senado! Acredito que o futuro promissor se faz conhecendo o passado, seja para repetir o que deu certo, ou para consertar o que deu errado!

 

 

 
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Publicado por em 31/05/2011 em Federal, Política

 

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