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“Ninfomaníaca”, minhas impressões

Assisti, na última semana, “Ninfomaníaca”, do dinamarquês Lars Von Trier. Andei lendo umas críticas a respeito e, com todo respeito do mundo e reconhecendo meu lugar de leiga no mundo cinematográfico, discordo completamente. Para mim o filme é fantástico, consegue unir drama, sentimento e humor, tudo na dose certa.

Ninfomaniaca1_poucas_palavrasA capacidade de fazer ligações entre o submundo do sexo e situações do nosso cotidiano mais banal ou até requintado é incrível e surpreendente. Por vezes a ficção chega a berrar, mas quando nos livramos de estigmas e preconceitos, somos capazes de pensar: “pior que faz sentido”.

Do meu ponto de vista, Trier se superou. Manteve a linha chocante, cortante e perturbadora, mas sem excessos, o incômodo causado foi na medida certa. No ponto exato para não se entregar ao “mais do mesmo” e não cair no estereótipo do horror desmedido e trash.

Lars Von Trier

O cineasta é conhecido mundialmente por sua capacidade de perturbar e provocar o espectador. A cena mais conhecida e mais comentada é do filme “Anticristo”. E sobre as cenas explícitas que chocaram o mundo, Trier disse: “Simplesmente achei que seria errado não mostrar. Sou um cineasta que acredita que devemos colocar na tela tudo o que pensamos. Sei que é doloroso ver, mas esse filme tem muito a ver com essas dores“.

Eu entendo Hitler, embora saiba que fez coisas erradas. Sei disso. Só estou dizendo que entendo o homem, não é o que chamaríamos de um bom homem, mas simpatizo um pouco com ele“. Frases como essas fazem de Trier uma lenda também fora das telonas.

Recomendo!

Cine Arte Pajuçara: 16h40; 21h (exceto segunda) (legendado)

 
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Publicado por em 13/01/2014 em Cinema

 

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Um filme imperdível

Ainda está em cartaz o filme “A Caça”, de Thomas Vinterberg. O cineasta dinamarquês conseguiu transferir para as telonas o drama de um professor de escolinha infantil que precisou enfrentar o ódio de toda uma cidadezinha do interior da Dinamarca que o pré-julgou e pré-condenou por abuso infantil.

O filme tem um ritmo muito bom, mas o que há de melhor é sua capacidade de despertar nas pessoas a importância da busca pela verdade real, a verdade dos fatos e não se satisfazer com as similitudes das versões.

A Caça é um grande alerta para a sociedade moderna que tem se bastado e se alimentado cada vez mais com o que há de pior e vil nas relações humanas, que precisa escarafunchar a intimidade alheia e revelar segredos sórdidos de terceiros com o único e raso objetivo de ser entretida. Além de alertar também à imprensa, os jornalistas e formadores de opinião de uma forma geral, por mais que o filme não tenha esse enfoque, mas a lição que fica é bem clara nesse sentido: a responsabilidade com a apuração, com a informação, com a notícia deve nortear os passos daqueles que informam as pessoas.

A responsabilidade sobre a reputação de alguém é igual à responsabilidade sobre a vida desta pessoa. A depender do caso e da repercussão, as consequências podem ser devastadores e INVARIAVELMENTE são irreversíveis. O filme é capaz de mostrar até onde a rejeição social pode levar um inocente e, pior, ele nunca voltará a ter a “fama” de antes.

Sobre o tema vale pesquisar o “caso da Escola Base de São Paulo”, ocorrido em 1994, e que, mesmo depois de 20 anos, os seis acusados de abuso infantil continuam no ostracismo, jamais conseguiram se recuperar, e a indenização, que o estado de São Paulo lhe deve, nunca foi paga.

Acusados injustamente e expostos à mídia irresponsavelmente, os vilões revelaram-se os verdadeiros mocinhos, mas a sociedade jamais os recebeu novamente e, hoje, ainda marginalizados, os seis tentam sobreviver e superar o trauma do passado.

Confira mais Aqui!

 

A Caça


Arte Pajuçara: 21h (exceto segunda) (legendado)

Lucas (Mads Mikkelsen) trabalha em uma creche. Boa praça e amigo de todos, ele tenta reconstruir a vida após um divórcio complicado, no qual perdeu a guarda do filho. Tudo corre bem até que, um dia, a pequena Klara (Annika Wedderkopp), de apenas cinco anos, diz à diretora da creche que Lucas lhe mostrou suas partes íntimas. Klara na verdade não tem noção do que está dizendo, apenas quer se vingar por se sentir rejeitada em uma paixão infantil que nutre por Lucas. A acusação logo faz com que ele seja afastado do trabalho e, mesmo sem que haja algum tipo de comprovação, seja perseguido pelos habitantes da cidade em que vive.

Elenco: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika

Direção: Thomas Vinterberg

Gênero: Drama

 
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Publicado por em 03/01/2014 em Cinema, Variedade

 

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Corações Sujos: os japoneses do Brasil chegam aos cinemas

 

Há alguns bons anos li “Corações Sujos”, de Fernando Morais. Desde que conheci “Olga”, aos doze anos de idade que Morais se tornou um dos meus biógrafos preferidos, talvez com ele eu tenha conhecido esse gênero literário que hoje é dos meus preferidos, duelando com os romances épicos .

Enfim, quando soube que Corações Sujos, a exemplo de Olga, seria lançado nos telões do cinema fiquei curiosa. Esclareço. O livro é bem peculiar, nele o autor explica as nuances de cada descoberta, as dificuldades na tomada das entrevistas e a algum custo consegue revelar todo o emaranhado de intrigas que o povo nipônico enfrentou nos anos que se seguiram ao fim da II Guerra Mundial.

Os japoneses são orgulhosos de sua história, de suas batalhas e da fama de invencíveis que sempre ostentaram. Muitos vieram ao Brasil no início do século XX incentivados pelos governos de ambos os países em face de acordo firmado para tentar amenizar a situação populacional do Japão.

Durante a Guerra Mundial, os japoneses mantiveram-se fieis aos seus preceitos, sua moral e honra. Acreditavam piamente na vitória dos conterrâneos (Eixo) contra os Aliados. Quando a guerra acabou e as notícias sobre a derrota do Japão chegaram ao Brasil, a comunidade não acreditou e aqueles que acreditaram eram chamados Corações Sujos, daí o nome que inspirou o livro e o filme.

Mas o filme não consegue aprofundar os dramas que são retratados no livro. Durante sua pesquisa, Morais conseguiu apurar diversas histórias paralelas que se cruzaram no embate que se deu entre japoneses que acreditavam na vitória do Japão e os que acreditavam em sua derrota.

Importante contextualizarmos que os tempos eram bem diferentes. O Brasil de mais de meio século atrás não contava com a liberdade de imprensa e os meios de comunicação eram os oficiais. A imprensa noticiava o que a censura permitia.

Gostei muito do filme, denso, mas, como sempre, quem leu o livro pode não se contentar com o enredo.

Pontos extras para a pequena notável, Celine Miyuki, no papel de Akemi. A garota de 10 anos rouba as cenas.

 

Cine Sesi – Terça a Domingo – 21h

 

 

 
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Publicado por em 16/10/2012 em Cultura

 

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Noite e Neblina, o holocausto além do imaginário

Na última quarta-feira, dia 17, em aula ministrada pelo professor Cláudio Jorge, na disciplina de Teoria da Comunicação assisti ao documentário Noite e Neblina, de 1955, dirigido pelo famoso cineasta francês Alain Resnais.

A película foi produzida em comemoração ao 10º aniversário do fim da II Grande Guerra, por encomenda do Comitê de História da Segunda Guerra Mundial para lembrar a libertação dos prisioneiros dos campos de concentração.

As imagens apresentadas são mesmo chocantes, como previamente alertados pelo cauteloso professor, que além de nos preparar para as fortes cenas que se seguiriam, ainda esclareceu que os mais sensíveis poderiam ausentar-se da sala de aula.

Magicamente ninguém se eximiu das imagens, com exceção daqueles que preferiram desviar o olhar em momentos mais angustiantes, mas em sua totalidade todos se deixaram envolver pelos 30 minutos em que pudemos reviver momentos jamais vividos. Impossível isto? Assista ao documentário e sinta o que é impossível sentir por meio de meras palavras e leituras.

O cinema tem o condão de despertar no espectador sentimentos que poucas mídias conseguem, além da vivência real, do momento de dor e sofrimento, é impossível sentir “na pele” o que só se conhece pela história contada, mas o documentário “noite e neblina” possui esse poder.

O filme possui uma finalidade que vai além da retratação pura e simples dos fatos. Alerto que é exatamente isso o que faz, com uma narrativa perfeita, sonorização adequada e as imagens mais simples do mero cotidiano de um campo nazi, consegue transmitir o que talvez só um testemunho vivo poderia.

Confesso meu total entorpecimento com as imagens, confesso meu sofrimento interno, exteriorizado por lágrimas, não por exagero ou por excesso de feminilidade. O que senti foi provocado pelas imagens, com certeza, mas os sentimentos são inerentes a cada ser humano, advêm de suas experiências, suas vivências, seus estudos, seu conhecimento, somado a sua sensibilidade.

Aproveito o espaço para disponibilizar o vídeo e assim compartilhar com os amantes da história, da verdade e do futuro as sensações que só ele provoca. A humanidade precisa se conscientizar de que só se redimindo do passado é que poderemos desfrutar de um futuro mais justo.

Vale ainda a reflexão de que foram mais de 20 milhões de vítimas dos nazistas, sendo que destes, cerca de 6 milhões eram judeus, e os demais? Destes ninguém fala, mas as vítimas de perseguição eram todos os que não se encaixavam nos parâmetros arianos.

Evitemos que a história se repita! Pois perseguições e preconceitos podem ser demonstrados com os menores gestos, nos mais ínfimos detalhes, não deixemos que estes se tornem maiores que os seres humanos e tomem conta de nosso cotidiano.

Apressemo-nos em conscientizar as novas gerações quanto à importância do livre pensamento, da liberdade de expressão e comportamento, do respeito ao direito do próximo e ao convívio social.

 
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Publicado por em 19/08/2011 em Cultura

 

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