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Justiça por Ceci – uma homenagem

Recém terminadas as aulas do terceiro ano científico, em alguns dias teríamos nossa festa de formatura. Eu andava mais estressada que nunca. O ano todo havia sido de estudos nos três períodos do dia. Aulas no colégio e mais uma penca de matérias isoladas com professores particulares.

O momento havia sido de muita dedicação. No entanto, nos idos de setembro, todos nós havíamos nos dispersado um pouco de toda aquela disciplina para acompanhar as campanhas eleitorais. Não votávamos, em nossa maioria, mas o convívio com filhos de candidatos à época nos despertou o interesse pela disputa eleitoral.

O ano era de 1998, as eleições eram estaduais e federais, o brasileiro se mobilizava para escolher seus representantes no Executivo e no Legislativo. Alagoas também esquentava com o clima político que se adensava com a aproximação de outubro.

Alagoas sempre esteve submersa em escândalos sangrentos, envolvendo políticos, empresários e militares. A gangue fardada há pouco havia sido desmantelada com a prisão de seu mentor. E aos poucos as pessoas pareciam se sentir reinseridas numa sociedade mais politizada e menos refém da bandidagem.

Entretanto, aquilo que parecia, enfim, estar se ajustando e caminhando para a liberdade política do estado, acabou sendo frustrada pelo brutal assassinato da deputada federal recém empossada Ceci Cunha.

Ceci era mãe de um amigo nosso, o Rodrigo, nosso companheiro de estudos e de brincadeiras, com ele íamos jogar vôlei na praia, passear de “motoca” e estudar uns na casa dos outros.

Rodrigo, nosso Peri, estava sempre só com a irmã. Seus pais, dedicados à campanha, pouco ficavam na capital do estado, precisando viajar sempre para Arapiraca e outras cidades do interior.

Nós, por nossa vez, fazíamos o que podíamos. Além de tentar influenciar o voto de nossos pais e parentes, nos vestíamos com as camisetas e os bonés de campanha. Estávamos sempre com um adesivo e santinho por onde quer que andássemos.

Já naquela época era proibida a boca de urna, mas como éramos “danados” fomos à praia distribuir uns santinhos bem no dia das eleições. Éramos uns três loucos, mas estávamos lá. Levando bronca de uns e recebendo o apoio de outros.

Éramos jovens, acreditávamos na “tia” Ceci e na campanha do corpo-a-corpo. Na verdade, em nossas pacatas vidas, achávamos que apenas assim se conquistava votos.

Ao final daquela campanha conseguimos o que tanto desejamos, agora poderíamos retomar nossos estudos e nos dedicar a entrar numa boa universidade. O ano se aproximava do fim, o período era de férias, mas todos nós só nos divertíamos em curtos períodos de descanso.

A chegada do dia 16 de dezembro era marcante para nós. Acompanhávamos, cada um num lugar diferente, a posse dos eleitos pelo povo para a próxima legislatura. Eu estava no meu quarto… Envolta a apostilas e esquemas de estudo… O rádio estava ligado e por ele eu acompanhava a solenidade.

Uma vez terminada resolvi assistir televisão. Algum tempo depois, não sei quanto, minha casa foi tomada por muito barulho, vozes exaltadas, logo depois silêncio… total silêncio… estranhei… chamei por minha mãe, mas ela não respondeu… neste momento, na TV, o plantão de notícias informava – o que meus pais há pouco haviam sabido por telefone – o assassinato brutal da Deputada Federal Ceci Cunha, seu marido e mais dois parentes.

Aquela que logo seria conhecida como a chacina da gruta (bairro onde se deu o crime) marcou a nossa vida, a minha, a de meus amigos, mas principalmente a de Rodrigo.

O menino amigo e brincalhão se viu perdido, de repente só lhe restava a irmã, a namorada e alguns parentes mais próximos. Rodrigo precisou amadurecer. Nutriu períodos de ódio, de rancor e de revolta, mas o tempo passou, presenteou-o com a paz de espírito, uma esposa maravilhosa, filhos lindos e a certeza de que sua família não havia sucumbido em vão.

Rodrigo, a irmã e todos os parentes lutam até hoje pela condenação dos culpados. Não desejam nada além de justiça. O julgamento está marcado para 16 de janeiro de 2012, exatamente treze anos e um mês após o crime mais emblemático que marca a história recente de Alagoas e do Brasil.

Alagoas e o Judiciário têm a chance de mostrar ao país e ao mundo que não compactuam com a impunidade. Atendo-se às provas carreadas aos autos a Justiça virá!

CONVITE

A Família de Ceci Cunha convida os alagoanos a comparecerem à Catedral Metropolitana de Maceió, às 8h30, desta sexta-feira (16), para a celebração de uma missa em memória da deputada e de seus familiares assassinados há 13 anos. Após a missa haverá um ato público contra a impunidade.

 
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Publicado por em 14/12/2011 em Política, Variedade

 

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Panorama Semanal

Trigésima Semana: 23 a 29 de julho
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MundoAmy Winehouse morreu no sábado, dia 23, aos 27 anos de idade. Não se pode afirmar que tenha chocado o mundo, afinal, esta era uma morte anunciada. A consagrada cantora britânica, dependente química e alcoólica, não fugiu à tríade: sucesso, pouca idade e drogas, culminando em sua prematura morte.

Dizem que os gênios são assim, descompromissados com a saúde e inconsequentes com a vida, talvez por terem muito para viver em tão pouco tempo. Se há justificativa que ampare o definhamento físico, moral e social de uma estrela da música mundial, eu desconheço, mas é incontroverso que ela entrou para a história e lá permanecerá pela eternidade.

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Caso Carminha – “Mulher é tirada de casa, assassinada e tem cabeça colocada em estaca” – foi com esta manchete que o domingo, 24, foi recebido pelos internautas. A mulher, Maria de Lourdes, era mãe de duas crianças, casada e morreu espancada e esquartejada por bandidos do Benedito Bentes, mais especificamente, de sua comunidade, o Carminha. Aparentemente sua morte foi causada por ter denunciado o tráfico na região; há a possibilidade de ter tido seu nome “entregue” por policial aos seus algozes. Caso até o momento não elucidado pela polícia.

Crime – No mesmo dia, o corpo do professor de teatro, o ator Denilson Leite da Silva, foi encontrado em Fernão Velho. Suspeito preso.

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Presidente da República – O dia 25, segunda-feira, foi marcado pela visita da Presidente Dilma à Arapiraca. O Estado ficou em polvorosa, e Maceió esteve às moscas. Todos, políticos, cidadãos, fãs, bajuladores e asseclas, se dirigiram à segunda maior cidade de Alagoas para ver de perto aquela que representa os interesses do povo. Apesar de louvável a razão que à trouxe às nossas terras caetés, o lançamento do programa “água para todos”, ela foi recepcionada, e não muito bem, pelos históricos aliados de partido, representantes de movimentos pela reforma agrária.

Rede Nacional – Alagoas esteve nos noticiários do Brasil desde bem cedo, não pela visita acima mencionada, mas porque o “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo, apresentou matéria sobre o altíssimo índice de criminalidade em nosso estado, tratando-o como “faroeste nordestino”. Mostrou, além das inúmeras ocorrências em pouquíssimas horas, também o total caos em que se encontra a segurança pública e suas instituições, tanto policiais quanto periciais.

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Conversa de Botequim – No “Conversa de Botequim” desta terça-feira, o entrevistado de Plínio Lins foi o ex-governador Ronaldo Lessa, que com a espontaneidade que lhe é peculiar e marcou sua relação com a mídia e os desafetos políticos e institucionais, promoveu animado bate-papo com o entrevistador e com os espectadores presentes.

Deste contato o ex-governador se disponibilizou a um encontro com blogueiros, a fim de debater diversos temas políticos, sociais e do ciberespaço, e assim contribuir com o fortalecimento da blogosfera alagoana.

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Governo do Estado – Depois de denúncias envolvendo dois de seus secretários mais fortes, o governador Teotônio Vilela veio a público, nesta quarta (27), para se manifestar no sentido de apoiá-los. Apesar de se tratar de escândalos bem distintos, aparentemente a ideia é que nada alaba a estrutura. O tempo dirá!

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Caso Carminha II – O dia 28 foi marcado pela repercussão do assassinato por desmembramento da senhora Maria de Lourdes, no conjunto Carminha, no bairro do Benedito Bentes. A cúpula da segurança pública do estado divulgou que sete conjuntos do bairro, inclusive o palco fatídico, seriam ocupados pela PM.

Sabe-se que o choque inicial não surtiu o efeito esperado, pois ocorrências de alta criminalidade foram registradas, mas o que mais chamou atenção foi a declaração oficial do Comandante do Policiamento da Capital, Coronel Gilmar Batinga, que disse “se os bandidos não deixarem o Carminha, teremos confronto”. Ora, há de se perguntar: para onde irão os bandidos que deixarem o Carminha para evitarem o confronto?

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Caso Ceci Cunha – Nesta sexta-feira, Talvane Albuquerque, denunciado como mandante do crime, conhecido como “chacina da gruta”, que vitimou a Deputada Federal Ceci Cunha, seu marido e mais dois parentes, concedeu entrevista exclusiva e se manifestou sobre a aproximação de seu julgamento pelo Tribunal do Júri. Além de tentar desviar as atenções para outros possíveis interessados na morte da Deputada, revelou sua ansiedade para que o dia do julgamento chegasse logo. Só não explicou as razões que o levaram a protelar tanto este julgamento, hoje inevitável, já que o que deseja é que a justiça resolva logo sua situação (?!).

Caso Giovanna – O delegado responsável pelas investigações pediu a prorrogação da prisão temporária dos principais suspeitos do assassinato da jovem estudante. Ressalte-se que as investigações ainda não se findaram, e que sequer há confirmação oficial do que levou à decretação da prisão.

Ronda Cidadã – no último dia 18 foi apresentado oficialmente pela Secretaria de Segurança Pública um programa de proteção patrimonial a beneficiar determinadas regiões que vinham sendo alvo de recorrentes ocorrências policiais. Após 12 dias de sua implantação os comerciantes beneciados com as constantes rondas se manifestaram pela satisfação com o resultado destas. Importante agora que o mesmo questionamento seja feito aos moradores das adjacências às rotas policiais, afinal, se a região beneficiada com a ronda está satisfeita é porque os errantes mudaram de local, para onde teriam eles ido?

 
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Publicado por em 30/07/2011 em Semanal

 

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