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Arquivo da tag: Caso Giovanna

Panorama Semanal

Trigésima Semana: 23 a 29 de julho
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MundoAmy Winehouse morreu no sábado, dia 23, aos 27 anos de idade. Não se pode afirmar que tenha chocado o mundo, afinal, esta era uma morte anunciada. A consagrada cantora britânica, dependente química e alcoólica, não fugiu à tríade: sucesso, pouca idade e drogas, culminando em sua prematura morte.

Dizem que os gênios são assim, descompromissados com a saúde e inconsequentes com a vida, talvez por terem muito para viver em tão pouco tempo. Se há justificativa que ampare o definhamento físico, moral e social de uma estrela da música mundial, eu desconheço, mas é incontroverso que ela entrou para a história e lá permanecerá pela eternidade.

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Caso Carminha – “Mulher é tirada de casa, assassinada e tem cabeça colocada em estaca” – foi com esta manchete que o domingo, 24, foi recebido pelos internautas. A mulher, Maria de Lourdes, era mãe de duas crianças, casada e morreu espancada e esquartejada por bandidos do Benedito Bentes, mais especificamente, de sua comunidade, o Carminha. Aparentemente sua morte foi causada por ter denunciado o tráfico na região; há a possibilidade de ter tido seu nome “entregue” por policial aos seus algozes. Caso até o momento não elucidado pela polícia.

Crime – No mesmo dia, o corpo do professor de teatro, o ator Denilson Leite da Silva, foi encontrado em Fernão Velho. Suspeito preso.

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Presidente da República – O dia 25, segunda-feira, foi marcado pela visita da Presidente Dilma à Arapiraca. O Estado ficou em polvorosa, e Maceió esteve às moscas. Todos, políticos, cidadãos, fãs, bajuladores e asseclas, se dirigiram à segunda maior cidade de Alagoas para ver de perto aquela que representa os interesses do povo. Apesar de louvável a razão que à trouxe às nossas terras caetés, o lançamento do programa “água para todos”, ela foi recepcionada, e não muito bem, pelos históricos aliados de partido, representantes de movimentos pela reforma agrária.

Rede Nacional – Alagoas esteve nos noticiários do Brasil desde bem cedo, não pela visita acima mencionada, mas porque o “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo, apresentou matéria sobre o altíssimo índice de criminalidade em nosso estado, tratando-o como “faroeste nordestino”. Mostrou, além das inúmeras ocorrências em pouquíssimas horas, também o total caos em que se encontra a segurança pública e suas instituições, tanto policiais quanto periciais.

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Conversa de Botequim – No “Conversa de Botequim” desta terça-feira, o entrevistado de Plínio Lins foi o ex-governador Ronaldo Lessa, que com a espontaneidade que lhe é peculiar e marcou sua relação com a mídia e os desafetos políticos e institucionais, promoveu animado bate-papo com o entrevistador e com os espectadores presentes.

Deste contato o ex-governador se disponibilizou a um encontro com blogueiros, a fim de debater diversos temas políticos, sociais e do ciberespaço, e assim contribuir com o fortalecimento da blogosfera alagoana.

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Governo do Estado – Depois de denúncias envolvendo dois de seus secretários mais fortes, o governador Teotônio Vilela veio a público, nesta quarta (27), para se manifestar no sentido de apoiá-los. Apesar de se tratar de escândalos bem distintos, aparentemente a ideia é que nada alaba a estrutura. O tempo dirá!

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Caso Carminha II – O dia 28 foi marcado pela repercussão do assassinato por desmembramento da senhora Maria de Lourdes, no conjunto Carminha, no bairro do Benedito Bentes. A cúpula da segurança pública do estado divulgou que sete conjuntos do bairro, inclusive o palco fatídico, seriam ocupados pela PM.

Sabe-se que o choque inicial não surtiu o efeito esperado, pois ocorrências de alta criminalidade foram registradas, mas o que mais chamou atenção foi a declaração oficial do Comandante do Policiamento da Capital, Coronel Gilmar Batinga, que disse “se os bandidos não deixarem o Carminha, teremos confronto”. Ora, há de se perguntar: para onde irão os bandidos que deixarem o Carminha para evitarem o confronto?

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Caso Ceci Cunha – Nesta sexta-feira, Talvane Albuquerque, denunciado como mandante do crime, conhecido como “chacina da gruta”, que vitimou a Deputada Federal Ceci Cunha, seu marido e mais dois parentes, concedeu entrevista exclusiva e se manifestou sobre a aproximação de seu julgamento pelo Tribunal do Júri. Além de tentar desviar as atenções para outros possíveis interessados na morte da Deputada, revelou sua ansiedade para que o dia do julgamento chegasse logo. Só não explicou as razões que o levaram a protelar tanto este julgamento, hoje inevitável, já que o que deseja é que a justiça resolva logo sua situação (?!).

Caso Giovanna – O delegado responsável pelas investigações pediu a prorrogação da prisão temporária dos principais suspeitos do assassinato da jovem estudante. Ressalte-se que as investigações ainda não se findaram, e que sequer há confirmação oficial do que levou à decretação da prisão.

Ronda Cidadã – no último dia 18 foi apresentado oficialmente pela Secretaria de Segurança Pública um programa de proteção patrimonial a beneficiar determinadas regiões que vinham sendo alvo de recorrentes ocorrências policiais. Após 12 dias de sua implantação os comerciantes beneciados com as constantes rondas se manifestaram pela satisfação com o resultado destas. Importante agora que o mesmo questionamento seja feito aos moradores das adjacências às rotas policiais, afinal, se a região beneficiada com a ronda está satisfeita é porque os errantes mudaram de local, para onde teriam eles ido?

 
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Publicado por em 30/07/2011 em Semanal

 

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Enfim a prisão de Tony e Mirela, ainda que temporária…

Aparentemente a sociedade, assim como a família de Giovanna, está se sentindo mais confortável com a prisão dos jovens Tony e Mirela. O jovem casal, principais investigados pelo assassinato brutal e frio da universitária Giovanna, foi preso ontem, sob a égide de mandado de prisão temporária emitido pela 17ª Vara Criminal.

Volto a este tema, não só por seu clamor midiático, que, confesso, muito me incomoda, mas principalmente, para, mais um vez, tentar trazer uma visão diferenciada para que os leitores não percam nenhum viés das informações apresentadas.

Interessante se faz frisar a participação da 17ª Vara Criminal neste caso. Para aqueles que não sabem, esta circunscrição tem “competência exclusiva para processar e julgar delitos praticados por organizações criminosas”.

Compulsando-se os mais diversos rincões da informação virtual (afinal, sobre o caso, minha fonte de informação, assim como de toda a sociedade, é o que vem sendo publicado nos meios de comunicação), encontrei algo sobre o fato de inicialmente o caso ter sido considerado “sequestro”, o que, a julgar pelo que o jornalista disse, tem sido usado como justificativa para o presente caso estar sendo “tutelado” por esta vara de existência questionável, mas de resultado rápido, estrondoso e incontroverso.

Bem, mas o que todos querem não é exatamente isto? Uma justiça célere, eficaz e prestacional? Acredito que sim, ao menos é o que eu também desejo. Mas ainda não entendo como o caso Giovanna foi parar na 17ª Vara. Não acredito que as diligências policiais fundamentadas em autorizações judiciais oriundas desta vara sejam questionadas no futuro, não, mas muito me preocupa esta adaptação de uma vara especializada em organizações criminosas na elucidação deste caso (aparentemente passional).

Até o momento não encontrei nenhuma informação sobre o que motivou a expedição do mandado de prisão temporária dos investigados. Sabemos que o inquérito ainda não findou, o que significa que a polícia ainda não concluiu por indiciá-los, portanto, continuam na condição de investigados.

Talvez estas sejam apenas divagações de uma mera operadora do direito, que nada tem de relevante para o presente texto.

Mais uma vez não venho aqui defender Tony, Mirela, sua família, ou a família da vítima Giovanna. Não, minha intenção é mais uma vez alertar os indignados com tamanha atrocidade, que este caso ainda está envolto em obscuridades, embora todos os elementos apontem para o casal.

Vale repisar que, incrivelmente, não se encontra ninguém que tenha vindo à mídia dizer-lhes palavras de apoio ou de bons antecedentes, contrariamente, só aparece gente a falar-lhes impropérios sobre suas personalidades transviadas, e contar histórias factíveis ou factoides, mas que, aos olhos de uma sociedade indignada e ansiosa por justiça, ganha todos os contornos de verdade dos fatos.

Não estou aqui disposta a levantar e nem mediar discussão alguma sobre culpabilidade ou não dos “acusados”. Não tenho nada com isso, mas também nenhum dos leitores tem. Todos estamos interessados nas informações, na verdade, na justiça e na punição dos culpados. A minha preocupação continua a mesma, a de ver um jovem casal ser apedrejado socialmente sem sequer um julgamento condigno com a Constituição (leia-se contraditório e ampla defesa).

Não posso pedir que as pessoas não façam juízo de valor, até porque eu mesma tenho minha opinião já formada sobre o caso. A diferença é que não venho a público externá-la e nem inflar as pessoas a acreditarem no que eu acredito. Rogo apenas que sejam sensatos, equilibrados, antes de apontar a indignação em sentido tão certeiro.

Continuo achando-os muito capazes de ter assassinado a Giovanna, menina jovem, acredito que cheia de planos, de sonhos, que muito ainda tinha a oferecer a seus amigos, familiares e às pessoas que ainda cruzariam sua vida. Infelizmente sua existência foi ceifada, assim como a alegria de viver daqueles que a rodeavam. Nós, meros espectadores, sentimos na pele a possibilidade de termos um ente querido tão vítima quanto ela, e isto nos motiva a querer justiça, o mais rapidamente possível. Só espero que dentro dos limites legais e constitucionais.

 
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Publicado por em 30/06/2011 em Policial

 

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Agradecimento…

Caríssimos, inicialmente, gostaria de agradecer-lhes as diversas formas de retorno que recebi a partir do post anterior, “Caso Giovanna”. Confesso que quando estava elaborando-o senti receio quanto à forma como aquele ponto de vista seria recebido pelos leitores.

Até então, o que se extraía da opinião pública, nos mais diversos níveis sociais e intelectuais, era total parcialidade, no sentido de que os suspeitos já estavam condenados. Senti-me extremamente satisfeita e realizada ao perceber uma mudança no tom das indignações pessoais, sem que se perdesse o interesse geral sobre o crime e sua elucidação.

Este espaço possui o objetivo claro, para mim, não só de trazer temas sob uma óptica diferenciada, mas principalmente o de fazer meus leitores terminarem a leitura com o tema ainda pungindo em suas mentes. Espero que continuem acompanhando e exprimindo suas opiniões.

 
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Publicado por em 14/06/2011 em Policial

 

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Caso Giovanna

Caso Daniella Perez: em 1992 o Brasil ficou chocado com a morte prematura e brutal da atriz Daniella Perez, casada com o também ator Raul Gazolla e filha da novelista Glória Perez. Posteriormente ficou provado que a jovem atriz foi morta pelo colega de trabalho, que fazia com ela par romântico, numa novela de autoria da própria mãe, o ator Guilherme de Pádua. Este, por sua vez, casado com Paula Tomaz, que patologicamente sentia ciúmes de suas cenas românticas e pediu como prova de amor a eliminação daquela que seria o empecilho para o seu amor.

Caso Escola Base: no ano de 1994 é fechada a Escola Base de São Paulo, instituição particular de ensino infantil que teve seus donos, professores e até um casal de pais de aluno acusados de estupro e aliciamento de crianças. Alicerçado em depoimentos iniciais e análises preliminares, o delegado responsável deu informações ainda não comprovadas à imprensa, que, por sua vez, apressou-se em condenar todos os envolvidos, levando à indignação a população e a sociedade civil organizada. Ocorre que dez anos depois as informações não foram comprovadas, o caso foi arquivado por total ausência de provas e todos os acusados inocentados. No entanto, os donos da escola base foram linchados moralmente, tiveram que fechar as portas de sua escola depois de ter sido apedrejada, pichada e escamoteada pela população revoltada. Não se tem mais notícia de terem conseguido se restabelecer.

Vocês devem estar se perguntando o porquê deste espaço tratar destes assuntos há muito esquecidos e superados, mas acredito que ambos nos deixaram lições que hoje devem ser relembradas.

O primeiro caso nos alerta para a frieza de um casal que se diz apaixonado e capaz de tudo para manterem seu amor incólume e protegido; o segundo caso nos mostra que nem tudo o que é veiculado na imprensa policial é verdade e muito menos digna de despertar na população a indignação que não se coaduna com a verdade dos fatos até então demonstrados. Às vezes o que parece não é, às vezes o que se aventa não é tão perverso nem tão cruel quanto se faz e se quer acreditar.

Sobre o caso da jovem Giovanna, também sinto a mesma indignação de todos os alagoanos, de todos os pais, de todos os estudantes, mas também tento manter meu equilíbrio e minha racionalidade, a ponto de fazer aplicar agora ensinamentos passados.

Acredito, sim, que o casal acusado seja capaz, assim como qualquer outro casal – aparentemente o assassinato foi passional (tortura, enforcamento, ausência de crime sexual) -, mas apenas aparentemente, e se não for possível provar, ou pior, e se for possível provar a inocência? Pois é, neste caso, não só a vida da Giovanna terá sido ceifada e de seus familiares destroçada, mas também deste casal e de seus familiares.

Esclareço que este texto não tem por finalidade defender e nem acusar ninguém, apenas despertar nos leitores a sensatez de se aguardar maiores e melhores informações antes de apontar para alguém como condenado.

 
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Publicado por em 09/06/2011 em Policial

 

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