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Eu vivi um momento histórico

Muitos de vocês talvez não saibam do que se trata, muitos não têm e nem conhecem o Twitter. Bem, tentarei explicar…

por João Paulo de Farias

O Twitter é mais uma ferramenta dentre as redes sociais, tem por finalidade o compartilhamento de notícias e a comunicação direta e rápida entre os usuários. As mensagens não ultrapassam os cento e quarenta caracteres (que são toques no teclado, engloba letras, espaços e pontuações).

Alagoas é um estado com muitos tuiteiros (como são chamados os usuários do Twitter), que se organizam em encontros a fim de fortalecer o grupo e de fomentar a participação social destes, pois, por meio da ferramenta, é possível a aglutinação de pessoas com os mesmos interesses em prol de campanhas sociais de benefício à comunidade.

Ontem, dia 06, mais um encontro foi promovido, desta vez em União dos Palmares, o TwittAO (Twitter + União), os presentes tuitavam comentando e divulgando o evento diretamente de lá, postando textos curtos com a expressão #NoTwittAO (este “jogo da velha” que precede o termo é chamado de “hashtag” e visa a facilitação das buscas em toda rede, unindo as postagens que mencionam o mesmo tema num ambiente único).

No início da tarde a expressão já era uma das mais comentadas do Brasil, despertando em brasileiros e estrangeiros a curiosidade sobre o termo. Por meio de perguntas relacionadas foi possível que os alagoanos reunidos no evento, e/ou acompanhando pela internet, pudessem interagir com estes brasileiros curiosos e assim os chamasse atenção para o que ocorria em União dos Palmares, a saber: um encontro de tuiteiros alagoanos, dispostos à produção intelectual, cultural e social de conhecimento.

Alagoas, União e os tuiteiros foram promovidos pelo encontro e pelo movimento. Enfim, foi possível dar um salto por meio da rede social de amplo alcance no sentido de resgatar a imagem destas terras caetés, que ao longo de tantos anos, e de tantas matérias jornalísticas de desgaste social, tem sido legada ao preconceito nacional.

O encontro, além de confraternizar, também é feito de palestras, eventos culturais e debates. Foi transmitido ao vivo pela rede. E assim, real e virtual, ao se confundirem proporcionaram ao país a visão de nosso Estado como nós realmente somos: participativos, unidos e engajados. Inclusive, inspirando outros estados a fazerem os mesmos encontros em suas regiões.

Talvez pareça exagero, mas acreditem, o que houve ontem foi, sim, um momento histórico, pois partiu de um grupo pequeno de pessoas, praticamente apenas os participantes, a ação de divulgação do evento.

Afinal, ainda que unamos tanto os que participaram diretamente do evento, quanto os que acompanhavam de casa, este é um número pequeno se considerarmos os alagoanos como um todo. Os termos que são considerados os mais comentados, ainda que de enfoque distinto da região sudeste, só alcançam esse patamar quando paulistas e fluminenses entram na ação de divulgação, o que não ocorreu no TwittAO.

Vocês, meus leitores, talvez ainda assim não entendam plenamente a importância do que ocorreu ontem, mas os participantes compreenderam que puderam atuar como protagonistas na tentativa de mudança da visão que o país tem de nosso pequeno e humilhado estado. Este foi apenas o terceiro encontro em interior com esta finalidade, acredito que muitos se seguirão a este e que, da mesma forma, terão sucesso no mundo virtual.

Mas mais que isto o sucesso se deu com o orgulho inflado em cada um dos participantes, dos palmarinos, dos alagoanos e, até, dos nordestinos. Pudemos mostrar que Alagoas também é produção e disseminação de conhecimento e que unidos podemos começar a construir uma Alagoas melhor!

Mais sobre o tema: Caderno B, CiberEstudos, Primeira Edição, Cada Minuto, Vips Acessos, Mundaú Notícias, VibeFesta

 
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Publicado por em 07/08/2011 em Variedade

 

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Seleção Brasileira, onde?

Sou uma privilegiada, pois pertenço a uma geração que viu a Seleção Brasileira de futebol ser Campeã do Mundo duas vezes, em 1994 e em 2002; fui brindada com jogadas lindas, dribles perfeitos e gols emblemáticos.

Desde a Copa de 94 que acompanho a Seleção, afinal, fui hipnotizada pelas jogadas e arrancadas do baixinho; vi Romário conduzir a bola com maestria, como se a chamasse pelo nome e ela simplesmente obedecesse; vi tabelas encantadoras com Bebeto compartilhando generosamente os holofotes; Vi Taffarel brilhar, o Branco marca gol no ângulo, de falta, de uma distância incrível, numa época em que não havia a tecnologia que há hoje a comprovar a genialidade do cobrador.

Eu sei o que é um time entrosado, sei o que é futebol arte, sei o que é proporcionar ao companheiro coadjuvante a possibilidade de decidir um jogo, sem se desmerecer por atuar como “garçom”. Aliás… sei o que é uma Seleção sem coadjuvantes.

Vi Ronaldo, aquele que hoje é conhecido por “Fenômeno”, bem novinho, com dezessete anos, magricela, e com dentões à la Ronaldinho Gaúcho, estrear em copas do mundo, é certo que ele não entrou em campo, mas ele tinha consciência que muitos brasileiros tinham a esperança de ver seu show nos gramados – mesmo com todos os apelos da mãe de nosso conterrâneo Zagallo, não foi em 94 que o vimos jogar.

Sim. Vi também Zagallo, como auxiliar técnico, com todas suas crenças e superstições, mas também com toda sua experiência e sorte; depois, ele técnico, mas, de uma forma ou de outra, ele era sempre um professor para os jogadores.

Técnicos? Estes foram muitos, desde Parreira, passando por Felipão e Dunga. Dunga? Bem, sou de uma geração que achava que Dunga não passava de um dos anões da Branca de Neve, mas que o viu muito zangado quando era para defender a Seleção, vestindo e ostentando a braçadeira de capitão.

Vi cenas lindas, inesquecíveis; vi Bebeto comemorar um gol embalando um bebê; vi comemorações contagiantes, com a participação de todos os jogadores, como um time deve ser, e não apenas entre aqueles que participam diretamente da jogada.

Por falar em time, sou de uma geração em que time era sinônimo de equipe, na real acepção da palavra. O time parecia engrenagens que se encaixavam e funcionavam em harmonia, dando cor e bailado a cada apresentação.

Isso mesmo. Sou de uma geração que viu os jogadores dando o coração, a alma, a vida por um time, por uma condição de vida, por uma nação inteira. A Copa do Mundo de 94, nos Estados Unidos, foi desenhada a mão, cada partida foi pintada com esmero, cada gol merecia uma placa, cada comemoração era sinônimo de explosão de alegria e de celebração pela unidade.

Ali, resgatamos nosso amor pela Seleção, não que ele não existisse, mas ele estava adormecido, depois de tantos anos (desde 1970) sem a consagração, o país do futebol assistia, enfim, à taça do mundo nas mãos do maior do mundo – ao menos no futebol.

Gerações antes da minha passaram anos até poderem gritar em plenos pulmões “é tetra, é tetra”. Sim, ouvi gritos histéricos e emocionados de um Galvão Bueno que ainda transmitia sentimento, ele foi capaz disso, e como foi.

Durante muitos anos, carregamos (eu não, mas o povo brasileiro, afinal, sou de uma geração acostumada a vitórias “verde-louro”) o estigma e a lembrança da derrota em pleno Maracanã de uma final de Copa do Mundo. Ouvi histórias e relatos da tristeza que tomou o maior estádio, e que calou uma multidão de entusiastas ufanistas que viram sua Seleção de ouro cair diante de um adversário que não lhe tomou conhecimento.

Hoje vejo com muita tristeza a possibilidade real da história se repetir, lamentavelmente, imagino que a seleção que se apresenta sequer chegará à final. Vejo escândalos e maracutaias serem relacionadas às obras da Copa, vejo atrasos intransponíveis e uma esperança inabalável do povo de que no final tudo dará certo.

Só não sei se esta esperança se estenderá ao sucesso desta Seleção. Sucesso este que não se traduz em cifras, sabemos que estas são astronômicas, mas em resultados, em gols. Entretanto, para tal, falta brio, orgulho, raça, vontade de vencer, de dar exemplo, de inspirar. Falta criatividade, falta amor pela camisa, pelo país e pelos brasileiros!

 
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Publicado por em 17/07/2011 em Variedade

 

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