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Assim são as Alagoas…

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Aqui em Alagoas acontecem fenômenos dignos de estudo: contamos com um dos menores estados da federação, menos gente, menos espaço, deveria ser mais fácil administrar o dinheiro público, né?! Mas não, temos a pior educação, pior saúde, pior segurança, pior tudo!

Este mesmo lugar pequenininho é capaz de exportar políticos de grande influência no cenário nacional. Presidentes da República: dois marechais e um eleito pelo povo e expulso (ou pediu para sair) pelo Congresso (o único); hoje temos um dos mais influentes no xadrez político nacional, e outra penca de senhores que já estão por lá há tantos anos (ou seriam décadas?), que são considerados “perpétuos” em Brasília. Mesmo com tanta influência continuamos recordistas em péssimos índices!

Mas não é só isso. Nesta terra de miseráveis, temos um verão digno de Côte D’azur. “Que galera endinheirada é essa, mermão?!”, parece até que ouço algum cantor baiano dizendo isso… Enfim… São tantos os novos milionários, que Alagoas é o segundo (óh, não é o primeiro!) em crescimento do número de novos milionários no Brasil.

Que estado é este de tantas contradições? Deveríamos ser objeto de estudo detalhado.

Um povo que fala tanto em política, sabe tanto, entende tanto, esculhamba tanto, mas que não se furta ao privilégio da pulseira arranjada para um réveillon “esbanjamento” na beira da praia, todos bêbados de chandon fica difícil identificar os “companheiros de luta” e os “coxinha”, né?!

Enfim… Dias, meses e anos vão passando e o que muda é tão pouco que a gente nem sente. Certeza mesmo, só de que Tiriricas não brotarão de solo alagoano, isso porque, se não ficar como está, “sempre pode piorar”!!!

Chega de hipocrisia!!

 
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Publicado por em 15/01/2014 em Facebook

 

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Recado a Teo Vilela e a Dário César

Sr. Governador Teotônio Vilela e Secretário Dário César,

Espero que este recado chegue aos senhores e a todos os responsáveis pela segurança pública do meu estado, em especial da capital, onde resido.

Hoje, pela milésima vez, mais um carro foi assaltado, mais um aluno foi roubado, na porta da faculdade. Eu e algumas centenas de jovens adultos estudam à noite no Cesmac (Fecom, vizinho à Tv Pajuçara) e nos sentimos amedrontados. O medo é tanto que já não ando até meu carro, corro. Já não espero as aulas terminarem, pois quanto mais tarde, menos gente e mais perigoso.

Recentemente soube de uma garota que foi estuprada na ladeira da catedral, sim, ali, vizinho à ALE, um dos poderes instituídos do estado. Não aguento mais viver com medo, não aguento mais sair e não saber se volto, não aguento mais temer por meus entes queridos.

Óbvio que clamor como este os senhores já ouviram de muitas pessoas, vítimas reais de um crime real, pessoas que perderam bens ou familiares, eu não perdi nem um e nem outro (ainda, tenho consciência disso), mas não quero ser a próxima!!

Cansei! Estou cansada! Não aguento mais viver assim… Brasil mais seguro? Só se for nos castelos onde os senhores moram, com seguranças armados e pagos pelos impostos que eu recolho.

Estou desabafando porque cansei até de ficar engasgada! Tomem uma providência de vergonha, de respeito! São homens e mulheres que constroem esse estado, que justificam seus salários, que alimentam suas famílias….

 

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Publicado por em 15/10/2013 em Facebook

 

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A missão do novo Procurador Parlamentar

Publicado no Portal Cada Minuto

A missão do novo procurador da Assembleia Legislativa do Estado, o sempre querido e atencioso, advogado Fábio Ferrário, não é das mais fáceis e provavelmente das menos compensadoras.

Em meio a mais uma das inúmeras crises institucionais que a ALE vem passando, o advogado Marcos Guerra, ex-procurador da ALE, e reconhecido por sua dedicação e inteligência no trato dos “interesses legislativos”, abandonou o barco. Suposições e teorias acerca das razões que o levaram a retomar a rotina da advocacia privada são muitas. Afinal, tudo o que diz respeito à Casa de Tavares Bastos é tão obscuro que até decisões que poderiam ser encaradas como de foro íntimo ganham contornos de razões escusas, um golpe (?!).

Neste ínterim o Ministério Público apertou o cerco, a imprensa se uniu em defesa do interesse público e a sociedade passou a olhar com mais atenção para os supostos desvios de dinheiro público orquestrados pela Mesa Diretora daquela Casa.

Ontem (01) foi divulgado o nome de Fábio Ferrário como novo procurador da ALE/AL. Enquanto Procurador Parlamentar sua missão é “promover, em colaboração com a Mesa Diretora, a defesa da Assembleia Legislativa, de seus órgãos e membros quando atingidos em sua honra ou imagem perante a sociedade, em razão do exercício do mandato ou das suas funções institucionais”.

Agora o Dr. Ferrário passa a ser um agente público, atuará em defesa do interesse público, e o povo quer uma Casa Legislativa de respeito, transparente e idônea. Com honra e imagem respeitadas perante a sociedade e para tanto precisará operar milagres. Despertar em barões da política alagoana a importância do trato responsável com a coisa pública, e da prestação de contas dos atos em exercício de mandato concedido pelo povo, não há de ser tarefa fácil.

O novo procurador parlamentar assume com problemas já postos e, pelo visto, diante de práticas já consolidadas, remediar será difícil, mas como bem sabemos, para bons oradores e boa retórica não há erro que não se justifique e nem dúvida que não se esclareça.

Dr. Fábio tem sua conduta pautada pela ética, e assim devem se portar homens e mulheres que pleiteiam o respeito da sociedade.

Que sua conduta continue a mesma. Torço para que inspire novos comportamentos e que não seja tocado pelos assombros que contaminam a Casa dos Horrores.

 
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Publicado por em 03/08/2013 em CadaMinuto

 

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Trilha sonora de uma vida: JQuest

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Aos 11 anos passei 1 mês no Rio de Janeiro, morando num apartamento na Av. Princesa Isabel (Leme), quando senti, pela primeira vez, a “alagoanidade” que me acompanharia por toda a vida…

Num elevador senti vergonha por ser da “terra do Collor [na verdade, carioca] e do PC”, na época recém expulsos do poder!

Desde então que tudo “me doi”… Se elegemos Renan, se elegemos Collor, se reelegemos petistas, se perdemos a copa do mundo, se o flamengo perde pro Vasco… Tudo é motivo!

E hoje, mais uma vez… Acabei de chegar do show do JQuest. A banda foi a trilha sonora de toda as fases da minha vida…

Ja fui dormir cantando “vento traz você de novo…” rezando a Deus que me trouxesse a melhor amiga que perdi eternamente ainda no início da adolescência…

Ja mandei por SMS a música “So Hoje” para aquele que acreditei ser o homem da minha vida…

Ja cantei dirigindo e chorando para “encontrar alguém que me dê amor”…

Escrevo, rescrevo, penso, esperneio, grito e passo os dias: “Vivendo e esperando dias melhores, (…) dias em que seremos para sempre…”

Mas o que me emocionou mesmo foi Flausino mencionar o momento histórico em que vamos às ruas para pedir por mudança e ele dizer “eu não poderia deixar de passar por Maceió e por Alagoas sem mencionar isso… Principalmente aqui, não poderia”!

Verdade, Flausino não poderia passar pela terra dos marechais e não mencionar o momento histórico… E eu não poderia deixar de me emocionar com as palavras do cantor que pouco sabe sobre nós e esse pouco é tão suficiente que, realmente, passar por Alagoas e não mencionar a força do povo na resistência contra os feudos modernos, o coronelismo atual e o latifúndio que permanece, seria alienação, seria inapropriado, seria…. Conveniente!

Boa noite, amigos!!

Desejemos “dias melhores”…

 
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Publicado por em 20/07/2013 em Facebook

 

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Não queria investigar? Cadê o MP?

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A imprensa desmonta um novo esquema “Taturana” e o MP mantem-se alheio

Que em Alagoas tudo demora mais a acontecer, a chegar e a mudar, já não é nenhuma surpresa. Nem para alagoanos e nem para brasileiros. Mas o MP outrora tão combativo e atuante parece ter adormecido enquanto o “gigante acordava”.

Tudo começou com o aumento de passagens de ônibus nas principais capitais do Brasil, e de repente as ruas foram tomadas por diversas pessoas, diversas pautas e muita consciência de que o povo é capaz de apontar os rumos que deseja para a nação.

Dentre as reivindicações sociais adotadas pelas manifestações populares espontâneas estava a rejeição à PEC 37. Proposta de Emenda à Constituição Federal que visava delimitar claramente a atuação do Ministério Púbico, deixando à polícia o poder-dever de investigar.

Decerto que o esclarecimento e a luta encampada por promotores e procuradores de justiça em todo o país, às vésperas do marcante junho, contribuíram sobremaneira para que a população encarasse a PEC 37 como inimiga da sociedade e do combate à corrupção. Isto porque a sociedade vê no MP uma instituição idônea, corajosa e capaz de afrontar políticos e empresários que por toda a vida dispuseram da “coisa pública” como se particular fosse.

Em Alagoas a sensação é a mesma. O MP assumiu protagonismo nas principais e mais marcantes operações. Ao lado da 17ª Vara Criminal, o Gecoc (Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público Estadual) chamou para si a responsabilidade e resolveu combater as organizações criminosas, inaugurando, inclusive, uma nova – e muito controversa – situação jurídica no Brasil. Polêmicas à parte, o MP atuava.

Entretanto, este mesmo MP – o estadual – que foi às ruas, contagiou o povo e lutou contra a PEC 37 parece não estar tão disposto assim a investigar.

No início deste mês de julho – no auge das manifestações populares e das mudanças legislativas impetradas pela opinião pública –, o Deputado “pedra no sapato” JHC divulgou à imprensa os extratos das contas da Assembleia Legislativa Alagoana do ano de 2011 – conseguidos através da Caixa Econômica Federal e apenas mediante determinação judicial.

Em análise inicial, estimava-se que os pagamentos suspeitos poderiam alcançar o montante de R$ 4 milhões, mas, depois de mais alguns dias de análise, a própria imprensa, aos poucos, tem demonstrado que os pagamentos suspeitos alcançam cifras muito maiores.

Notem que a investigação provocada por um parlamentar tem sido desenrolada pela própria imprensa e não pelo MP, aquele que foi às ruas pela prerrogativa de investigar.

Vale ressaltar que as atuais denúncias são desdobramentos de outra.

Em dezembro de 2011, o mesmo Deputado “pedra no sapato” apresentou denúncias seriíssimas contra a Mesa Diretora da ALE – a mesma até hoje. João Henrique Caldas informou à imprensa e à sociedade que na ALE havia pagamentos extraordinários, injustificáveis, imorais e não declarados – as famigeradas GDEs (Gratificação por Dedicação Excepcional). Enviou toda a documentação conseguida para o MP, mas este até hoje não se manifestou. Não quer investigar?

Aparentemente os deputados que compõem a Mesa Diretora da ALE não temem o MP, inclusive “se põe à disposição do Ministério Público Estadual – em relação ao qual deposita toda confiança no esclarecimento dos fatos que vêm sendo expostos à opinião pública (…)”.

Aliás, sempre que denúncias contra a Assembleia Legislativa Alagoana surgem, parece natural que o MP esquive-se de sua almejada atribuição. Investigar? Ora, “é necessário que o deputado esclareça as denúncias…”, disse alguém que quer muito investigar, mas parece preferir escolher o alvo.

Que o MP investigue. Faça o que tanto quis fazer. De repente para os Procuradores de Justiça os deputados abrem as contas, porque para o colega foi necessária determinação judicial…

Transparência, onde? Ah, só na nota oficial “A Mesa Diretora reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência”.

 

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Publicado por em 15/07/2013 em CadaMinuto

 

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3 anos depois: novas cidades, velhos problemas.

Publicado no Portal Cada Minuto

Há dois anos um grupo de blogueiros esteve em algumas das cidades atingidas pelas enchentes de 2010. Cerca de 19 municípios foram atingidos pela enxurrada provocada pelas fortes chuvas que elevaram a níveis catastróficos a vazão da água dos rios mundaú e paraíba ocasionando um dos piores desastres naturais que se tem notícia em Alagoas.

Cheias, fortes chuvas e desastres não são novidades no nordeste e em vários outros estados brasileiros, principalmente na época das chuvas, já que inverno por essas bandas não é estação que facilmente se identifique.

Em 2010 a enxurrada arrastou tudo o que viu pela frente: casas, lojas, prédios públicos, bibliotecas, correios, lotéricas, postos de saúde, escolas, tudo. Pessoas foram arrastadas, perderam-se e foram encontradas milhares de quilômetros de distância de casa, outros nunca foram encontrados. Alguns com vida e ao menos 27 mortos.

A mobilização local, regional e nacional foi incrível, doações vieram de todos os lugares do país e do mundo. Barracas holandesas foram doadas aos desabrigados para que pudessem aguardar por suas novas residências prometidas pelo poder público ao abrigo do sol e da chuva.

O tempo passou e, 1 ano depois, um grupo de blogueiros despretensiosamente resolveu visitar alguns acampamentos para ver como viviam os flagelados de um dos maiores desastres que Alagoas já enfrentou.

Os bolsões de miséria que foram identificadas naqueles acampamentos, haviam se transformado em alvos fortes para bandidos e traficantes. Crianças não tinham escola e nem lazer de qualidade, adultos não tinham emprego, qualificação e nem esperança. Nos municípios em que a situação dos acampamentos era pior as necessidades eram básicas: água limpa, comida, banheiro. Já nos municípios onde os acampamentos eram mais bem arrumados e orientados pelo governo municipal, as necessidades eram individuais, de: privacidade, identidade, propriedade, guarda familiar e independência.

Nasceu a campanha virtual #UmAnoEnchentesAL com a única intenção de dar visibilidade e chamar a atenção da sociedade para as condições como viviam homens, mulheres, crianças e idosos naqueles acampamentos tão generosamente montados com o apoio holandês.

A mobilização obteve sucesso, respeitando intervalos regulares, cada um dos blogueiros publicou sua impressão sobre a viagem, as pessoas, a infraestrutura, a surpresa, o caos e o abandono. Por semanas aquelas pessoas não caíram no esquecimento, até que a produção do Fantástico (Rede Globo), alguns meses depois, esteve nos mesmos acampamentos e constataram o que não tivemos coragem de dizer: pareciam viver num campo de refugiados.

O choque provocado pela imprensa profissional e maior meio de comunicação do Brasil fez com que ações mais efetivas fossem adotadas. Um termo de ajustamento de conduta foi firmado entre governo estadual, municípios, Caixa Econômica Federal, Ministério Público e os moradores para que as casas fossem entregues num novo prazo.

A partir de então ações cada vez mais midiáticas foram adotadas. Primeiro para tirar aquelas pessoas das lonas holandesas, onde viviam na sujeira, lama e calor, a depender do clima, mas sem qualquer conforto, individualidade ou decência. Depois o problema foram os cadastrados, listas confusas e erradas eram rebatidas e refeitas, até que mais casas iam sendo entregues.

A cada solenidade de entrega de casas mais e mais políticos apareciam para se vangloriar do momento e parecerem – aos olhos dos humildes eleitores beneficiados – beneméritos generosos e solidários.

Nesta segunda-feira (17) mais um ano se completa desde o desastre. Aqueles que perderam suas vidas, as de familiares e amigos não tiveram o que receber de volta. O desastre foi fatal e impossível de remediar. Os danos materiais sofridos pelos pobres e desvalidos foram – como deviam ser – suplantados pelo estado naquilo que era possível.

Mas três anos depois da tragédia de 2010, muitos alagoanos continuam sem documentos, sem identidade, sem história. Valendo-se de água de péssima qualidade, em meio ao lixo que se acumula. Os anseios por casas estão “quase” completamente satisfeitos, mas muitos ainda não receberam seus imóveis.

Os comerciantes continuam sem seus pontos comerciais, os empregos sumiram, a renda estagnou e os bolsões de miséria só mudaram de lugar – saíram das lonas e estão em planícies metodicamente organizadas, como se ali vivessem “soldadinhos idênticos de chumbo” e não uma sociedade que vivia a seu modo daquilo que produzia.

Se o governo estadual se vangloria hoje de ser o estado com o maior avanço no projeto de reconstrução dos municípios devastados, deveria reservar espaço proporcional em sua propaganda institucional ao tamanho da importância que o Programa Fantástico (Rede Globo) teve ao despertar todo o país para as mazelas que acometiam aqueles flagelados, os mesmos que o Brasil mobilizado ajudou a superar a tragédia.

#TrêsAnosEnchentesAL Se não fosse o Fantástico, quantas casas teriam sido reconstruídas?

 
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Publicado por em 18/06/2013 em CadaMinuto

 

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Luis Vilar por ele mesmo – evitando a zona de conforto

Esta é, com certeza, a mais longa das entrevistas, mas é que o Luis Vilar é alguém que eu conheço e com quem tenho debates diversos com muito entusiasmo. E, justamente por querer que o leitor do Palavras ao Vento tenha um pouco da imagem que tenho, é que resolvi apurar a “conversa” com o blogueiros dessa semana.

Com mais de 10 anos de experiência com o jornalismo, Vilar será o entrevistado de amanhã na rádio CBN Maceió, com o querido Carlos Miranda, a partir das 11h. O blogueiro entrevistado amanhã é um dos pioneiros em Alagoas, com cerca de 6 anos na blogosfera. Blog do Vilar

Confiram porque ele tem chamado a atenção de leitores, jornalistas e autoridades. Vilar procura fugir às regras e ao conforto da estabilidade conquistada. Sua inquietação pode perturbar os mais conformistas, mas inspira novas gerações…

Vilar

Palavras ao Vento: Quem é Vilar?

Luis Vilar: Acho que é a pergunta mais difícil de responder. Tem um quê filosófico aí…risos! Bem, enquanto jornalista o que busco ser é um profissional pautado pela honestidade intelectual na leitura dos fatos, sempre com objetividade extrema. Vejo a imparcialidade como um mito que pode se encontrar a serviço de quem menos se espera. Por esta razão, acabei optando pelo jornalismo opinativo. O blog – no caso – é só uma ferramenta. Poderia ser uma coluna, uma página, enfim… a plataforma é o que menos importa. Meu foco é muito mais no conteúdo que decidi produzir e este lado profissional acabou tomando conta de mim muito mais do que eu imaginaria. Sou um viciado em trabalho, em café e em livros.

Do ponto de vista pessoal, um sujeito de poucos, mas grandes amigos. Que acredita que para abrir a boca é preciso antes escutar e estudar muito. Não é por acaso que estes dois verbos são muito parecidos. Um sujeito que acredita que coragem e ação foram as palavras que formou o vocábulo coração (risos)! Apaixonado pela família. Sou conservador em relação a muitos valores. Não dispenso a ironia na defesa destes e das garantias de liberdade individual e do Estado Democrático de Direito. Seja na profissão de jornalista, seja como cidadão.

Trato meu lar como o templo sagrado, um refúgio. Por vezes, alguém que sempre tenta unir o pessimismo da razão, ao otimismo da vontade. Acho que Gramisc que disse isso. Não lembro agora. O que disse aqui não define muito, mas expõe alguma coisa. No RG sou Luis Alberto Fragoso Vilar e este nome talvez defina menos ainda. Em manias, sou um cara que coleciona relógios e canecas; detesto televisão, mas acabei me apaixonando por futebol e algumas séries americanas. E por falar em futebol, um completo apaixonado pelo Centro Sportivo Alagoano (CSA). E grato pelas forças da natureza terem me encaminhado entre erros e acertos a encontrar a minha mulher e a minha filha nesta jornada. Grato pela família que tive, tanto os que partiram, quanto os que aqui ainda estão.

Por fim, o cara que busca cada vez menos adjetivos e mais argumentos. Que cada vez mais foge do discurso do ódio.

 

PaV: Como vc vê o jornalismo em Alagoas atualmente?

LV: Acredito que o jornalismo alagoano evoluiu bastante desde que entrei no mercado. Nesta lacuna de tempo, no qual faço parte do jornalismo, vi muita coisa da qual me orgulhei por estar no mercado, como tive muitas decepções também. É natural. Ainda temos um jornalismo fortemente influenciado (para não usar um termo pejorativo) por determinados caciques; que sofre com o poderio político e econômico destes grupos. Mas, diante da diversidade que foi imposta pelos sites e pelo poder de contrainformação que alguns blogs ganharam – mesmo em espaço totalmente independente – temos um avanço na discussão que nos permite a pluralidade e o julgamento mais embasado do leitor.

Defendo esta multiplicidade, defendo a plena liberdade, ainda que por conta dela se cometa exagero. Afinal, democracia é processo e jamais produto. Por isso, sou contrário a qualquer tipo de controle de conteúdo. Acho que a pluralidade separa o joio do trigo para quem de fato está em busca do trigo. E hoje, vejo um jornalismo mais liberto de amarras em Alagoas, apesar de ainda precisarmos avançar muito. Uso a terceira pessoal do plural por me incluir também. Eu também preciso avançar muito, sempre ler mais, enfim… o jornalista precisa ter consciência de seu compromisso com os fatos, com a análise intelectualmente honesta (no caso do opinativo).

Temos ainda blogs de aluguel, colunas de aluguel e o jornalismo a serviço. Mas temos muita gente séria já no mercado e entrando no mercado com um sentimento de renovação que trará discussões salutares. Por isto, acredito que o hoje é melhor que ontem. E que o amanhã tem tudo para ser melhor que o hoje. Destaco espaços importantes como as pensatas do CadaMinuto, que é algo bem plural no jornalismo. Destaco o Repórter Alagoas que é uma iniciativa do Odilon Rios pela qual sou apaixonado e que abriu portas para gente que merece e deve expor suas ideias, mesmo que contrárias muitas vezes ao que eu penso, como é o caso do blogueiro Luciano Amorim, que tem trazido discussões importantes, inclusive sobre a própria mídia. Destacou aqui também um garoto do qual sou fã de carteirinha: o Paulo Veras, que tem um dos melhores blogs de jornalismo do Estado e não se encontra em nenhum veículo da chamada “grande mídia”.

Não tínhamos isto. Logo, andamos muito e precisamos – claro! – andar mais.

 

PaV: Como nasceu o blog do Vilar?

LV: Quem me acompanha sabe que eu tenho um mantra que não é feito apenas de palavras, mas de atitude: o tal “fugir da zona de conforto”. Há anos um jornalista chamado Wadson Régis me chamou para compor uma equipe num site de notícias – o Alagoas24Horas. Não existia essa onda de sites e tal. Éramos pioneiros. Lembro que falei com minha esposa e com meu pai sobre o assunto. Vi que olharam desconfiados: largar o impresso para aventurar nessa tal internet? Bem, para mim simbolizava sair da zona de conforto. Eu tinha meu nome posto nos impressos, mas queria mais. Larguei o papel e fui aos sites. Foram apertos, dificuldades financeiras de projeto em início. Mas se consolidou.

Quando estava tudo calmo. Lá vou eu pensar no marasmo e na necessidade do novo. Aí, decidi criar o blog. Ofereci o produto de graça para o Alagoas24Horas e os caras toparam a ideia. Em quatro anos de blog, os acessos justificaram o produto. Chamou a atenção do site CadaMinuto. Resolvi encarar o desafio de não só mudar de casa, passando a valorizar o produto financeiramente, mas também de encarar a salutar concorrência interna com blogueiros de renome e que admiro muito. O Blog do Vilar virou uma realidade. Consegui consolidá-lo no espaço que o CadaMinuto me ofereceu e hoje me sinto em uma família.

Mas, sabe como é? Entrar na zona de conforto? Não! Jamais! Criei o Blog do Vilar Ao Vivo e os malucos da Kuka Estratégia – dois amigos-irmãos, Flavinho Holanda e Laíse Moreira – compraram a ideia e iniciamos um programa ao vivo de uma hora em TV Online. O projeto busca a consolidação. Fechamos o primeiro ano e caminhamos para o segundo. Porém, deixa eu confessar: estou com a sensação de zona de conforto novamente. Então, tem coisa nova vindo por aí…

 

PaV: O que te motivou a desbravar a internet como jornalista?

LV: Como disse anteriormente, sair da zona de conforto que o impresso me fez cair. Mas, quando digo isso, digo por mim. Não quero que fique parecendo que é uma fórmula, nem que estou desconsiderando a importância do impresso. Jamais. Sou apaixonado pela plataforma do impresso. Tanto que aceitei o convite de retornar a ela, quando o A Semana me apareceu como um desafio novo no mercado alagoano.

 

PaV: Como você vê o espaço que inicialmente tinha a conotação de diário particular e que hoje é tomado por profissionais da imprensa? Vê como emancipação do jornalista? Independência, enfim?

É aqui que eu devo decepcionar as pessoas que me escutam ou leem em algumas palestras e entrevistas. Eu sou um analfabeto em relação às plataformas. Talvez nem ligue para elas no sentido de enxergar as técnicas e o mundo das ferramentas. Meu foco é tão grande no conteúdo que vivo quebrando todas as regras impostas para o uso das redes sociais, dos blogs, enfim… não são poucas as vezes que a Kuka Estratégia, com TODA RAZÃO, puxa as minhas orelhas e a bronca é bem dada! Mas, acho sim que o blog deu mais emancipação ao jornalista ao passo que aumentou a responsabilidade porque deu a análise, a afirmação sobre o fato, um rosto. Criou uma identificação maior com o leitor. Independente da plataforma. Há profissionais aí de jornalismo fazendo um trabalho excelente no twitter e no facebook também.

 

PaV: Com uma câmera na mão qualquer um pode ser jornalista?

LV: Bem, eu devolvo com outra pergunta: qualquer pessoa com ovos, manteiga, farinha de trigo e chocolate em pó faz um bom bolo?

 

PaV: Qual a importância do jornalista para a internet? E da internet para o jornalista?

LV: A internet é uma plataforma que permitiu revolucionar o conteúdo de uma forma genial. Ampliou-se a pluralidade. Consequentemente aumentou a responsabilidade de quem quer trabalhar sério e a dificuldade pela busca da credibilidade. A internet para o jornalista abriu mercados e possibilidades. Plataformas novas que proporcionaram uma fuga inevitável da zona de conforto. Mudou a realidade, inclusive, dos impressos, da televisão, enfim… e é um rumo sem volta. O jornalista – atualmente – é obrigado a estudar este novo meio, a lidar minimamente bem com estas plataformas que surgem dentro da internet (e eu peco muito neste quesito, reconheço). A internet também aumentou o desafio da apuração, da busca pela informação precisa, mas é preciso saber lidar com isto. O trabalho do jornalista facilitou pelo excesso de informação, mas dificultou pela necessidade de embasamento para saber separar o joio do trigo. Acho que a internet é muito mais importante para o jornalista, do que o jornalista para ela.

 

PaV: Como o blog influencia os leitores? Acha que influencia?

LV: Não sei avaliar como um blog influencia os leitores. Procuro não me preocupar com isto. Quero que o leitor entenda que o meu maior sinal de respeito para com ele é não pensar nele, nem na quantidade de acessos, ou das vertentes e desdobramentos que uma notícia pode ter. Claro que temos uma noção disto quando escrevemos, mas a minha preocupação principal é de manter a honestidade intelectual, a objetividade e avaliar a relevância do assunto escolhido. E não escrever para outros jornalistas, mas sim para o LEITOR. Tem jornalista que comete este pecado de querer escrever pelo PRÊMIO, pelo MERCADO, pela visão elogiosa de outros JORNALISTAS. Eu tento fugir disso. Não quero aqui avaliar se é o correto ou o errado. Estou dizendo que é o que eu faço. O meu diálogo é com o leitor. Há esta relação de influência, claro. Há leitores que acabam também me influenciando, me desafiando a ser melhor do que eu mesmo, me corrigindo, me ajudando a crescer… enfim! Eu preciso ter sempre um processo de auto-avaliação muito crítico neste sentido. Há comentários no blog sobre o qual passo refletindo uma semana. Enfim, vejo como natural do processo. Mas, não sei avaliar como um blog influencia leitores. Acho até – posso estar enganado – que seria arrogante de minha parte. Acho que me fiz entender.

 

PaV: O que o inspira a escrever?

LV: Saber que o amanhã pode ter um céu mais azul e que podemos enxergar melhor sempre. Às vezes escrever é tirar o céu nublado de dentro de si.

 

 

PaV: Como classifica um assunto em relevante ou não para ser publicado no blog?

LV: São muitos os critérios que busco ter. A interferência do tema na realidade local, o que ele afetaria de fato na vida das pessoas, se é uma discussão que merece ser ‘coletivizada’, o momento em que o tema está inserido por outros veículos também, os interesses já existentes em entrelinhas nos temas tratados, a não personalização de uma questão, a necessidade de revelar bastidores para esclarecer decisões equivocadas ou aparentemente acertadas, a necessidade de se afastar cortinas de fumaça de questões relevantes, e por aí vai… são muitos os critérios. Creio que é necessário que o jornalista sempre faça avaliações sobre o que escreve ou o que busca escrever. O acesso também é um critério, mas no meu caso não é o mais relevante.

Vilar2

PaV: Há um projeto paralelo, um blog chamado Conversas de Quinta, como nasceu e por quê?

LV: Veio justamente desta necessidade de sair da zona de conforto. O Conversas de Quinta nasceu porque às quintas-feiras eram os dias que eu não dava aula. Tinha a noite livre. Casou de resultar em um trocadilho “Conversas de Quinta” (quintas-feiras e quinta categoria). Mas, depois, com as mudanças de horário das aulas e outros compromissos, acabou que as atualizações ocorrem em qualquer dia da semana. O objetivo eram textos que são frutos das leituras filosóficas, literárias, teológicas, das ciências sociais que eu faço. Estas leituras estão presentes sempre de forma indireta nas análises políticas do Blog do Vilar. Mas, eu sentia que eu precisava expor melhor isto para o leitor. Ser mais honesto com ele do ponto de vista dele conhecer mais para dialogar – sobre todo e qualquer texto – comigo em pé de igualdade. Ofertar estas leituras é mostrar outra face deste jornalista que vos fala que completa a face mais aberta ao público. Assim, quem quiser ir ao Conversas de Quinta acaba entendendo melhor como enxergo algumas questões de valores, filosóficas e políticas e sabe porque nascem determinadas visões dentro do Blog do Vilar.

Vejo o Conversas de Quinta e o Blog do Vilar como almas gêmeas que se encontram para um café no fim de tarde. Possuem suas diferenças em função dos objetivos, mas semelhanças em função da complementação. Espero que o leitor enxergue isto. Ao mesmo tempo, quero que sejam completamente independentes. Do tipo: não é preciso conhecer um para entender o que está posto no outro. Ando relapso com o Conversas de Quinta; talvez porque tenho formatado um outro projeto para a internet que chama-se Café Com Pauta (outro trocadilho horrível de café com pão), como foi trocadilho um projeto que não vingou chamado Pauta Livre (trocadilho com Pau tá Livre). Enfim… eu amo trocadilhos inúteis e sem graça… risos. Mas, o Conversas de Quinta é um projeto pelo qual tenho grande paixão apesar de seus poucos acessos.

 
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Publicado por em 03/06/2013 em Blogs na CBN Maceió

 

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