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O Outro Lado do Paraíso – a Maceió do Brasil mais Seguro

Lágrimas. Foram elas que traduziram a catarse de sentimentos despertados ontem (11), no auditório da Faculdade de Comunicação do Cesmac. O que deveria ser apenas uma apresentação de um trabalho de conclusão de curso acabou se revelando num tocante documentário capaz de explicitar da forma mais clara e contundente as dores que mais têm incomodado maceioenses e todo alagoano.

12 anos de crescimento constante do número de mortes por causas violentas levou Maceió à primeira colocação entre as cidades mais violentas do Brasil, com destaque inclusive no “ranking” internacional.

Há um ano o governo estadual lançou em Alagoas o programa federal “Brasil mais Seguro”, surgido como “tábua de salvação” para a situação de criminalidade descontrolada e bárbara na qual o estado se encontra. A ideia, desde o início, era a redução dos números através da força policial e de inibição da ação criminosa com a “sensação de segurança” nas ruas.

O ano passou e uma dupla de graduandos em jornalismo do Cesmac resolveu abordar o tema em seu TCC por meio de um “documentário televisivo”, fazendo referência máxima à postura governamental de adotar uma campanha publicitária onde se comemora a “redução” do número de mortos por causas violentas acendendo a luz de velas.

Redução esta contestada veementemente por suspeitas de maquiagem de números. Afinal, quantos potenciais homicídios foram realmente abortados? Impossível saber. O que se sabe é que os potenciais assassinos continuam se multiplicando pelas ruas diante da ausência de políticas públicas que deem aos jovens expectativas.

A campanha institucional pegou tão mal em todas as esferas sociais que a vela assumiu papel de protagonismo no debate sobre a criminalidade. Um dos entrevistados no documentário, André Palmeira, filho do médico José Alfredo Vasco, foi claríssimo ao afirmar que muitas velas foram acesas pelos parentes de vítimas fatais da violência, e que velas continuam sendo acesas por essas mesmas famílias. Comemorar redução de mortes acendendo velas é desrespeitar quem continua acendendo velas por seus mortos e aqueles que acendem diariamente velas por seus novos mortos.

Depoimentos de pais, mães e filhos são naturalmente fortes e comoventes. Tenha sido a vítima assassinada pela razão que for, seja a vítima pessoa de bem ou não, para os entes queridos a dor da morte não tem cura, a dor da violência não tem remédio, a dor da impunidade rasga o coração diariamente.

O pai que perdeu dois filhos assassinados em menos de um ano, a mãe que perdeu o filho da forma mais vil e ainda foi acusada de corresponsável por aqueles que deveriam ter protegido a vida de seu filho e toda a sociedade, o filho que perdeu o pai por uma bicicleta velha que “servia para nada”…

Enquanto isso o documentário é cortado por argumentos, defesas, ataques de representantes do poder público, de entidades da sociedade civil organizada e estudiosos. Editado de forma que parece ao espectador que um debate foi levantado, o roteiro está límpido. O Brasil Mais Seguro foi uma boa ideia que de nada resultará se não for acompanhada de medidas mais efetivas de prevenção.

As lágrimas que fatalmente acometerá aos mais sensíveis que assistirem ao documentário “O Outro Lado do Paraíso – a Maceió do Brasil mais Seguro” são as mesmas que me tomam quando lembro de frases impactantes como “em Alagoas não tem cidadão” ou “não, o alagoano não é violento”. Frases como essas me tomam de dor e lamento, procuro a Maceió da minha infância, dos meus passeios de bicicleta, das brincadeiras no “areião” em frente de casa, das idas à escola de carroça e só o que encontro é a Maceió do Brasil mais Seguro cada vez mais insegura.

Segue o link para o documentário de Fernando Nunes e Nathália Conrado.

 
 

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Comentários de Biu de Lira

“Zapeando” pelos canais da tevê, eis que me deparo com uma entrevista do senador Benedito de Lira, do Partido Populista de Alagoas, parei para saber quais as novas, e eis que me deparo com os seguintes comentários:

  1. O senador já conseguiu a verba de 10 milhões de reais, isso mesmo, 10 milhões de reais para a climatização do Centro de Convenções, isso mesmo, para ar condicionado. Incrível como é caro, né?!
  2. Afirmou, ainda, que os recursos para a tão esperada reforma do Alagoinhas – aquele monte de pedra no meio do mar da Ponta Verde – já estão com o governo do estado. Só não explicou o porque da demora, será que estão esperando o prazo expirar e precisar devolver a verba? Vai saber, né?!
  3. “sobrou para nós a comissão da agricultura”, pois é o Senador trata a si próprio no plural e parece que a comissão de agricultura não tem muito prestígio, né?! Será que ele preferiria a de Direitos Humanos da Câmara? (piadinha Feliciana)
  4. Bem, já que o senador agora está na comissão da agricultura que tal olhar mais para o sertanejo e encampar a luta pela renegociação da dívida, principalmente, dos pronafianos junto aos bancos federais? Afinal, conceder crédito e não amenizar os efeitos da seca só faz tirar do pequeno produtor seu único patrimônio, a pequena propriedade que é justamente a garantia para os empréstimos, hoje em valores milionários.
  5. Sobre o Canal do Sertão o senador disse o óbvio “tem que fazer a água gerar riqueza”, só não disse para quem. Será que a riqueza será de quem for “regular” a água do sertão? Já sei que não será coisa da Casal, pois bem, quem vai cobrar pela água do sertão?
  6. Sobre o sertão, o senador se referiu à bacia leiteira alagoana. Só não frisou que esta simplesmente mal existe mais. A última seca acabou com o gado e com o leite. O povo só não morre por causa do bolsa família, mas essa conta será cobrada e com juros, em 2014.
  7. O senador mostrou bastante preocupação com a exportação da soja, a falta de portos e a quebra de contratos atrasados por clientes internacionais. Registre-se! E como tudo no Brasil se resolve com uma lei, o senador anunciou uma MP para resolver a celeuma.
  8. Perguntado sobre a importância de cooperativas, o senador mostrou intimidade com a Pindorama. Bem, sobre cana a gente não comenta, né?!
  9. A conversa chegou no problema dos matadouros, falta de higiene e regulação, ele só esqueceu que falar que sem gado não tem matadouro, que ele é senador por Alagoas e o gado alagoano tá morrendo de sede.
  10. Analisando 2014: “o estado está se desenvolvendo”. Sei, falar da educação parada ele não fala, né?! (Dizem que a pasta é indicação dele.) “O governo pagou as contas e ajustou os gastos…” E fez mais empréstimos, mas acho que isso não o preocupa.
  11. Perguntado diretamente se será candidato a governador em 2014, “meu partido tem SIM interesse em participar do processo eleitoral de 2014” e, por fim, o senador confessou seu interesse no governo em 2014.
  12. “Você é profundamente inteligente”, concluiu o entrevistador.

 

Reconheço que o assunto é sério, mas a ideia aqui é apenas divulgar os comentários feitos pelo senador que cogita realmente a possibilidade de se candidatar ao governo do estado e suceder Teotônio Vilela, como só não ganha de certeza eleição que não se disputa, há sim a possibilidade de Lira ser nosso próximo governador.

Preparem-se, amigos, Biu de Lira virá preparado e disposto para o desafio!

Olho aberto!! Acompanhemos!!

 

 
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Publicado por em 29/03/2013 em Estadual, opinião, Política

 

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Opinião particular sobre TRE e JHC

O Deputado JHC pode ser cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral, mesmo com opinião contrária do próprio titular da ação – Ministério Público Federal.

Texto publicado no Facebook

Confesso que quando João Henrique Caldas chegou à Assembléia Legislativa pensei logo que havia chegado lá pela força política do pai e sua história pública.

Assim como julguei que seu mandato seria pífio ou, pior, seria mais um a sugar do estado, a se intitular coronel no interior alagoano, abrindo seu próprio caminho para se perpetuar na política como se pudesse ser considerada profissão.

João Henrique assumiu seu mandato, convidou Obama e pronto, caiu na “boca” da mídia. Hoje há quem diga que foi uma estratégia de marketing para se tornar conhecido, hoje, eu acredito que ele credenciou a AL importância tamanha que realmente acreditou na possibilidade do primeiro presidente negro dos EUA vir prestigiar a nossa história de resistência negra.

Enfim, o jovem deputado pareceu não se importar com as críticas e seguiu em frente.

Eu ainda julgava que o mandato seria uma porcaria, mas eis que o “garoto” começa a atrair para si todas as atenções e o faz de forma, para mim, inédita. Chamou para si a responsabilidade na apresentação à sociedade do “submundo” da ALE, recebeu o “apelido” de JHC e logo foi elevado ao patamar de poucos políticos que conseguem ser conhecidos por uma sigla.

JHC enfrentou sozinho os colegas titulares da Casa mais enlameada de nosso estado. Denunciou a gratificação da vergonha, cobrou as casas da reconstrução, apoiou o MP de Contas na luta pela cadeira do TCE, apoiou os servidores da Casa em sua luta pelo plano de cargos e carreiras e assumiu a oposição (muitas vezes solitária) à mesa diretora (tudo saiu na imprensa e é o que me lembro, não sei se não “aprontou” ainda mais). Com ações como essas caiu nas graças da população, mas sua vida ali não deve ser das mais fáceis.

Hoje, dia 9/10, o TRE julgará um processo que visa tirar de JHC seu mandato, a acusação atribuiu-lhe desequilíbrio no uso do poder econômico na campanha de 2010. Justamente por não ser possível atribuir ao Deputado responsabilidade sobre o evento que contava com vários políticos, de diversos partidos, e com muito maior projeção nacional e econômica, o MP (atual titular da ação) já disse que JHC deve permanecer no cargo.

Pois é, meus amigos. Tudo que aqui disse é baseado em notícias veiculadas pela imprensa. Acredito que JHC, assim como HH na CMM, são personalidades que precisam estar exatamente onde estão, para manter acesa nossa indignação com aqueles que se valem de cargos públicos em benefício próprio.

Óbvio que JHC começou o caminho político há pouco tempo, talvez desista, como o jovem Gaia, talvez sucumba, como a maioria dos que vemos hoje, mas talvez persevere, como HH, e esta a minha torcida.

Estou atenta ao que o TRE fará hoje, não porque eu realmente ache que ele fará falta na Casa, mas principalmente porque ele não pode ser vítima de perseguição por ter agido em defesa dos nossos interesses – sociedade.

Coerência é indignar-se com quaisquer injustiças e não só com aquelas que nos atinge diretamente.

 
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Publicado por em 09/10/2012 em Estadual, opinião, Política

 

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Médicos-legistas e o poder sobre os mortos

Desde as primeiras horas da manhã de sexta-feira (21) que os médicos-legistas voltaram à greve que foi deflagrada inicialmente no mês de junho e que resultou na depredação do IML por populares revoltados com o descaso no tratamento dos corpos de seus parentes.

A medida encontrada foi a liberação de todos os corpos, mesmo sem perícia, sob a condição de que em momento posterior, se necessário, seriam providenciadas as exumações.

Com o retorno da greve, novas vítimas da violência no estado mais violento do país – Alagoas – ficaram sem previsão para necropsia e consequente liberação para as famílias. O caos novamente se instalou, aliás, o caos que já é de dimensões inimagináveis tornou-se ainda pior. Corpos se amontoaram e famílias se desesperaram.

As razões que permeiam o pleito dos médicos-legistas é legítimo, incontroverso, mas a legislação prevê que ao menos 30% dos serviços indispensáveis à população sejam mantidos, sob pena de ilegalidade do movimento grevista.

No entanto, a questão ultrapassa os limites da Lei ou de sua imposição para alcançar os princípios éticos, morais e de solidariedade. Os profissionais das mais diversas áreas, entre elas os essenciais à administração da Justiça, devem ter em mente que mais que exercício profissional eles detêm o poder sobre vidas (e mortos), e nessa condição não podem agir ao arbítrio de suas consciências em detrimento das necessidades, muitas vezes básicas, da população.

Apoio o movimento e suas reivindicações, mas rechaço seu recrudescimento que mais ataca a população do que o Governo. Este, por sua vez, mantém-se dando mostras de que suas prioridades estão aquém das elencadas pela sociedade.

A maior causa da criminalidade que não diminui em nosso estado é nossa histórica tendência e capacidade em operar impunidade. E para que se dê a punição dos criminosos só com a investigação apropriada e o devido processo legal, e jamais – como bem alerta Dr. Odilon – por meio do “pau de arara”. Até quando ofertaremos impunidade a quem nos vitimiza? E aqui refiro-me, não só ao criminoso “comum”, mas principalmente, à negligência do poder público.

 

Segue Carta Aberta ao Governador Teotônio Vilela Filho, de autoria do médico-legista Gerson Odilon, recebida por email.

Excelentíssimo Senhor,

Governador do Estado,

Ouça o grito de protesto

De um servidor revoltado

Excelência, isso é incrível,

É inteiramente impossível

Suportar tudo calado

Um pobre médico legista

Tem mesmo que ser artista

Pra não morrer engasgado

Como é que se admite

Que um profissional

Graduado em medicina

Tenha um salário tão mal!

Ganhar nem três mil reais

Já não se aguenta mais

Tamanha decepção

Deixe desse tra-la-lá

Que Alagoas está

Envergonhando a Nação

Como é que pode um doutor

Que atua honestamente

Não ter nem três mil reais

No seu salário indecente

Trabalhar sem condição

Viver a humilhação

Desonrando o próprio nome

Sem matar e sem roubar

Tendo contas pra pagar

Vai se acabar de fome

Quando o Tenente Bezerra

Acabou com Lampião

A autópsia não foi feita

Por falta de condição

Há 81 anos atrás

Ninguém suportava mais

Tantos corpos mutilados

Sem haver necropsia

Levaram para a Bahia

Pra serem necropsiados.

Hoje, tanto tempo depois,

A história se repete

Por ordem judicial,

Da doutora Elizabete,

Numa decisão louvável

Torna o IML inviável

À prática pericial

Por não ter laboratório

Raios-X, nem consultório

Para exames em geral

A digna desembargadora

Tomou sua decisão

De fechar o IML

Por falta de condição

De funcionar direito

E mesmo assim desse jeito

Ninguém deu mínimo valor

Esperava toda classe

Que o senhor se pronunciasse

E aí Governador?

Na Medicina Legal,

Seu Doutor me dê licença!

O laudo pericial

É o “prefácio da sentença”

É quando o médico legista

Expõe seu ponto de vista

Legalmente amparado

É legítimo e legal

Pois o laudo pericial

É a lente do Magistrado

 

Quando a justiça tem dúvidas

Na clareza do processo

Pede logo uma autopsia

Pra decidir com sucesso

E pra ajudar na decisão

Existe a exumação

Pra que a dúvida não persista

E pra não ficar indeciso

Neste momento preciso

Atua o médico legista

Assim o profissional

Propõe a sociedade

A promoção da justiça

Ao garimpar a verdade

Não sendo tarefa fácil

Faz do seu laudo um prefácio

De uma sentença eficaz

Com talentos soberanos

Brinda os direitos humanos

Com o trabalho que faz.

Meu Nobre Governador,

Estamos decepcionados

Pois no item “violência”

Nós ganhamos disparados

Nós lhe pedimos clemência,

Combata essa violência,

Tomara, meu Deus, tomara

Se não dermos passos certos

Os crimes vão ser descobertos

Na base do “pau de arara”

Governador, se oriente,

Tome as rédeas do Estado

Eu como Médico Legista,

Já estou decepcionado

Salve nosso IML

Cuide dele, limpe e zele

Nosso Instituto está mal

Mudemos esse conceito

Peço em nome do Direito

E da Medicina Legal

Governador, por favor

A outros não atribua

Para acabar esse impasse

A última palavra é sua

Assuma esse compromisso

Acabe logo com isso

Cumpra o que prometeu

Ao invés de imposições

Ofereça as condições

Respeite quem já morreu

Tenho que reconhecer

Que já me sinto vencido

Vejo-me de mãos atadas

Sem coragem e sem sentido

Mesmo assim ainda lhe peço

Dê início ao processo

Aja de outra maneira

Esse é o protesto forense

Do conterrâneo viçosense

Gerson Odilon Pereira

 

 
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Publicado por em 24/09/2012 em Estadual, Política, Utilidade Pública

 

Plano de Segurança, só uma operação midiática?

Comemoram anúncios, o que farão diante dos resultados?

Estive resistindo a falar sobre a festa de lançamento do plano de segurança realizada em Maceió na última quarta-feira, dia 27 de junho. No entanto, depois das informações de hoje senti-me impelida a tecer alguns comentários.

Na ocasião estiveram presentes não só as autoridades competentes (leia-se aqueles que devem gerir) da Segurança Pública no país, em Alagoas e em Maceió, mas também muitos artistas. Que, a exemplo do que ocorria na época dos comícios pelas “Diretas Já”, vieram acompanhando a comitiva brasiliense a fim de emprestar sua credibilidade ao plano – penso eu!

O mestre de cerimônias escolhido foi o ator e artista circense Marcos Frota. Inegavelmente sua interpretação e desenvoltura contribuíram para o espetáculo, só não se sabe se a razão de sua escolha foram tais atributos ou outros ligados a sua veia artística.

Enfim, o que se viu foi a “espetacularização” de um plano que não se sabe se dará certo, que não passa de uma esperança, que sequer há experiência na qual se basear. Mais ou menos como um estudante comemorar porque vai começar a estudar para o vestibular ou para um concurso. A meu ver o espetáculo, a comemoração deveria se dar com os resultados, se positivos, óbvio – e olhe lá!.

Mas não é assim que a Administração Pública tem pensado. Espetacularizar ações que acabam frustrando as expectativas, como foi o caso da “ronda cidadã” ou do programa “Crack é possível vencer”, tem sido uma constante.

Hoje são as ações midiáticas que sustentam governos e assim segue a relação governo e povo, este cada vez mais acomodado às informações mastigadas pelos gestores de marketing, afinal, não aprenderam e nem aprendem a pensar/criticar/cobrar por estarem reféns dessa educação cada vez mais quantitativa e menos qualitativa.

Ressalte-se todo o dinheiro gasto a título de propaganda institucional. Será que se juntassem tudo o que é gasto nas três esferas de poder, como foi o caso do recente plano de segurança, não daria para construir delegacias, presídios ou comprar equipamentos para o IML? Ou, indo mais além, creches, escolas, postos de saúde, hospitais?

Apesar de toda crítica que teço à forma como o plano foi anunciado, permaneço com a mesma esperança de que as medidas anunciadas saiam do papel e alcancem resultados efetivos, ainda que levem mais tempo do que a urgência que as necessidades exigem.

Entretanto, hoje cedo recebi informações – não-oficiais, registre-se! – de que interceptações telefônicas já dão conta de que quadrilhas estão migrando, ao menos da capital.

Apesar de não termos notícias oficiais sobre os resultados, ainda que preliminares, da operação ostensiva implantada com o anúncio do plano de segurança, parece que tem surtido efeito, o que muito deve alegrar aos maceioenses, e aos alagoanos, desde que essa migração não esteja se dando em nível municipal, o que só o tempo revelará.

Resta saber se, assim como no anúncio da implantação das medidas, a divulgação dos primeiros resultados também merecerão espetáculo em Centro de Convenções – ou seria no Teatro Gustavo Leite?!

Enfim, ironias à parte, louvo a atitude, ainda que tardia, de recorrer ao governo federal para implementar as ações de segurança pública no nosso estado.

Lamento que tenha sido tão tarde, lamento que o governo federal tenha adiado as ações emergenciais em face de evento ecológico na cidade do Rio de Janeiro, enquanto alagoanos seguiam e seguem morrendo, lamento que o prefeito tenha se atido a picuinhas políticas e não tenha apoiado  o plano desde o primeiro momento. E lamento, ainda mais, que mesmo depois de seis anos de governo e de crescimento constante da criminalidade em nosso estado, nossos governantes tenham conseguido justificar um estado de emergência o que os ampara a não observar a legislação fundamental da Administração Pública.

Continuo na torcida pelo sucesso do plano de segurança do governo federal em nosso estado e em todo país, assim como torci por aqueles que não conseguiram surtir efeitos positivos.

Aqueles que amam Alagoas, que têm orgulho de sua terra e que sonham com um estado mais justo têm a obrigação de torcer pelo fim da criminalidade e não se agarrar em futricas políticas de situação versus oposição para agourar seus resultados.

Torçamos e façamos nossa parte, contribuindo com as operações policiais, agindo com gentileza no trânsito e tendo paciência, muita paciência, mais do que tivemos durante toda a existência de Alagoas – e não só nos últimos seis anos -, mas nem por isso deixemos de cobrar resultados efetivos.

 

 
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Publicado por em 02/07/2012 em Estadual, Federal, Municipal, opinião, Política

 

Deixe que digam, que pensem, que falem…

Já foram muitos os textos produzidos sobre os comentários depreciativos de parte da população que utiliza as redes sociais para criticar as razões que hoje motivam a sociedade a tomar as ruas e exigir diminuição da violência que assola nosso estado.

Os textos têm sido ótimos, de uma carga emotiva e conceitual fantástica, mas parece que não têm surtido grande efeito, provavelmente porque os críticos rasos não se interessam por ler verdades.

Os descontentes e ressentidos com a manifestação que é popular, nada político-partidária, atribuem-lhe conotação classista, infelizmente.

Convém perguntar: a quem interessa a desestabilização da parcela da população que enfim resolveu tomar as ruas e agir como cidadãos exigindo uma postura efetiva dos governantes? Incutir nas redes sociais, ou em quaisquer outros espaços, ideias contrárias ou depreciativas a atitudes tão nobres e generosas de manifestação pública de indignação à violência generalizada em nosso estado é um desserviço à sociedade, à cidadania e à democracia.

Que haja ideias divergentes é compreensível, mas que estas venham apenas para desestimular atos de preservação da paz e de congregação social para a diminuição da violência e da liberdade de ir e vir, (e de ficar e voltar, claro!) é mais um crime contra a sociedade alagoana e um incentivo à barbárie que se vê.

Aos que defendem atos de barbárie contra os criminosos, até acredito ser compreensível, afinal a indignação é enorme. Mas não há como incentivarmos isso, até os menos esclarecidos já se convenceram de quer a calamidade na segurança pública é fruto da ausência de políticas públicas, e por isso mesmo muitos dos bandidos de hoje foram crianças sem esperanças, criadas em ambientes hostis e que não tiveram alternativa senão o crime, simplesmente porque nunca souberam que outras vias existiam.

Os que sempre se mobilizaram, tenha sido contra a corrupção, por melhores salários, contra o aumento da passagem de ônibus, ou por quaisquer outras razões, e que sempre buscaram o apoio popular e se chatearam por se verem tão poucos, não podem neste momento de união levantar as mãos. Esses, mais que quaisquer outros, têm a obrigação de unir forças e incentivar o movimento.

Aqueles de boa-fé, os indignados com a banalização do crime, com o roubo para financiamento de drogas, com a morte pelas razões mais fúteis, não esmoreçam, não cedam e não se desgastem com quem só quer confundi-los e tirá-los do foco principal da luta.

Proponho que deixem os pessimistas e críticos infundados falarem para as paredes, afinal, se não irão acrescer, as paredes serão ótimas ouvintes, ao menos não serão desestimulados.

 
 

Só há duas opções: se resignar ou se indignar

A indignação tardia ou não é melhor que o silêncio.

Pode até haver controvérsia quando alguém se insurge a dizer que alagoano é povo pacífico. Tudo bem, né?! Diante de tantas barbaridades, criminalidade em alta e mortes cada vez mais banais, não dá mesmo para defender a passividade do alagoano.

Entretanto, outro ponto, menos controverso, é o que aponta para um povo acomodado, aliás egoísta. Mesmo discordando de generalidades, infelizmente, de um modo geral o alagoano está habituado a levar vantagem de alguma forma e se sua vantagem for em cima dos percalços alheios, melhor ainda – melhor ganhar sozinho, não é mesmo?!

Somos o único estado brasileiro a ter participado da formação política de um Presidente da República que sofreu um impeachment. E por que ele “caiu”? Palavras dele mesmo: “falta de base política”. Isso porque não soube ser exatamente o que se propôs a ser POLÍTICO.

Enfim, discordo mesmo das generalidades, inclusive quando atesta algo que grita aos nossos ouvidos, como é o caso da tendência alagoana em olhar para seu próprio umbigo. Explico: recentemente participei de uma campanha de doações e qual não foi minha surpresa: as doações foram muitas, intermináveis, até hoje há quem queira saber notícias do beneficiário, se ainda está precisando de algo e se há como ajudar/contribuir.

Ora, concluo que o alagoano não é, em sua generalidade, egoísta. Há muitos que são solidários, que querem ajudar, só não sabem como. Essa é a verdade!

Bem, então chegamos aos dias atuais, tempos de criminalidade reinante, momentos em que bandidos mandam nas ruas e pessoas de bem, trabalhadoras, pais de família, crianças e adolescentes devem manter-se aprisionados em suas casas, apartamentos (cada vez mais apertados), longe das ameaças que rondam TODOS os cantos do estado.

Esses dias não chegaram de uma hora para outra, pura verdade!, e foi preciso que alguém da classe média fosse vítima para que enfim todos se indignassem a uma só voz. Não quer dizer que antes não estivessem indignados, só não sabiam como se mobilizar. Com o advento das redes sociais e a primeira idéia ganhando corpo, os “reclamões” de plantão encontraram o caminho para a demonstração mais efetiva de seu descontentamento frente às inexistentes políticas públicas de segurança.

Ora, caros leitores, vocês sabiam que durante o Regime Militar, precisamente em 1968, ocorreu a Passeata dos Cem Mil? E sabem por que ela foi tão importante? Simplesmente porque pela primeira vez desde o golpe de 1964 a classe média resolveu apoiar a resistência que se insurgia contra os militares. Até então, em sua maioria, eram apenas estudantes ou os políticos de esquerda que eram perseguidos diretamente.

A briga que já tinha sido comprada desde o início do regime militar pelos estudantes, intelectuais e comunistas (não que um anule o outro, muitos eram tudo ao mesmo tempo), só quatro anos após é que foi manifestamente reprovada pela classe média.

E os descontentes de antes o que fizeram? Reclamaram do apoio tardio? Acusaram-nos de omissos enquanto o problema não lhes tirava seus filhos? Não. Todos se uniram, afinal a causa era a mesma: o fim da repressão. Aqueles que lutavam “só” passaram a lutar “junto”, e o que era descontentamento de alguns, passou a ser de toda sociedade.

Talvez, diletos leitores, alguns achem que tal exemplo não cabe, mas será que não mesmo? No momento em que, enfim, a classe média resolve se mobilizar, ir às ruas, e exigir políticas públicas efetivas de segurança aparecem os que preferem censurá-los, reclamar de sua ausência até o presente momento, e até culpá-los pela situação caótica em que a segurança pública se encontra hoje.

Lamentável, muito mesmo. Devemos incentivar a mobilização!

Quem realmente pode fazer algo são os gestores públicos, sim, aqueles que foram eleitos para tal. Aqueles que são pagos pelo erário para realizarem a tarefa para a qual se candidataram: gerir esse estado e dar fim aos problemas. Se não seriam capazes de tamanha proeza por que se candidataram prometendo fazê-lo? Ainda que estas sejam perguntas retóricas, custa nada perguntar.

Enfim, amigos, em vez de se desgastarem apontando seu arsenal de indignação para os indignados de última hora que tal voltar suas forças para a causa comum: a cobrança, por qualquer meio legítimo, de soluções efetivas para a segurança pública?!

Unamo-nos, usemos a indignação que é de todos – o estopim para uns ou para outros não importa, a finalidade é a mesma – para alcançarmos a garantia constitucional de ir e vir com segurança.

Se você treme de indignação perante uma injustiça, então somos companheiros”. Che Guevara