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Arquivo da categoria: Política

O Outro Lado do Paraíso – a Maceió do Brasil mais Seguro

Lágrimas. Foram elas que traduziram a catarse de sentimentos despertados ontem (11), no auditório da Faculdade de Comunicação do Cesmac. O que deveria ser apenas uma apresentação de um trabalho de conclusão de curso acabou se revelando num tocante documentário capaz de explicitar da forma mais clara e contundente as dores que mais têm incomodado maceioenses e todo alagoano.

12 anos de crescimento constante do número de mortes por causas violentas levou Maceió à primeira colocação entre as cidades mais violentas do Brasil, com destaque inclusive no “ranking” internacional.

Há um ano o governo estadual lançou em Alagoas o programa federal “Brasil mais Seguro”, surgido como “tábua de salvação” para a situação de criminalidade descontrolada e bárbara na qual o estado se encontra. A ideia, desde o início, era a redução dos números através da força policial e de inibição da ação criminosa com a “sensação de segurança” nas ruas.

O ano passou e uma dupla de graduandos em jornalismo do Cesmac resolveu abordar o tema em seu TCC por meio de um “documentário televisivo”, fazendo referência máxima à postura governamental de adotar uma campanha publicitária onde se comemora a “redução” do número de mortos por causas violentas acendendo a luz de velas.

Redução esta contestada veementemente por suspeitas de maquiagem de números. Afinal, quantos potenciais homicídios foram realmente abortados? Impossível saber. O que se sabe é que os potenciais assassinos continuam se multiplicando pelas ruas diante da ausência de políticas públicas que deem aos jovens expectativas.

A campanha institucional pegou tão mal em todas as esferas sociais que a vela assumiu papel de protagonismo no debate sobre a criminalidade. Um dos entrevistados no documentário, André Palmeira, filho do médico José Alfredo Vasco, foi claríssimo ao afirmar que muitas velas foram acesas pelos parentes de vítimas fatais da violência, e que velas continuam sendo acesas por essas mesmas famílias. Comemorar redução de mortes acendendo velas é desrespeitar quem continua acendendo velas por seus mortos e aqueles que acendem diariamente velas por seus novos mortos.

Depoimentos de pais, mães e filhos são naturalmente fortes e comoventes. Tenha sido a vítima assassinada pela razão que for, seja a vítima pessoa de bem ou não, para os entes queridos a dor da morte não tem cura, a dor da violência não tem remédio, a dor da impunidade rasga o coração diariamente.

O pai que perdeu dois filhos assassinados em menos de um ano, a mãe que perdeu o filho da forma mais vil e ainda foi acusada de corresponsável por aqueles que deveriam ter protegido a vida de seu filho e toda a sociedade, o filho que perdeu o pai por uma bicicleta velha que “servia para nada”…

Enquanto isso o documentário é cortado por argumentos, defesas, ataques de representantes do poder público, de entidades da sociedade civil organizada e estudiosos. Editado de forma que parece ao espectador que um debate foi levantado, o roteiro está límpido. O Brasil Mais Seguro foi uma boa ideia que de nada resultará se não for acompanhada de medidas mais efetivas de prevenção.

As lágrimas que fatalmente acometerá aos mais sensíveis que assistirem ao documentário “O Outro Lado do Paraíso – a Maceió do Brasil mais Seguro” são as mesmas que me tomam quando lembro de frases impactantes como “em Alagoas não tem cidadão” ou “não, o alagoano não é violento”. Frases como essas me tomam de dor e lamento, procuro a Maceió da minha infância, dos meus passeios de bicicleta, das brincadeiras no “areião” em frente de casa, das idas à escola de carroça e só o que encontro é a Maceió do Brasil mais Seguro cada vez mais insegura.

Segue o link para o documentário de Fernando Nunes e Nathália Conrado.

 
 

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O inconveniente Suplicy

Quem é Eduardo Suplicy? Bem, muitos de nós só conhecem o Suplicy senador, político pelo Partido dos Trabalhadores – um de seus fundadores – e que em 2014 completará 23 anos de mandato ininterrupto no Senado Federal. Mas Suplicy tem uma história interessante e que merece ser contada.

Descendente de barões do café paulista e neto do riquíssimo empresário conde Francesco Matarazzo, Suplicy é formado em Administração de Empresas pela FGV e em Economia pela Universidade de Michigan (EUA).

Suplicy entrou para as disputas políticas em 1978 e desde então tem uma carreira ascendente nas proporcionais: deputado estadual, deputado federal, vereador e senador. Nunca venceu uma disputa majoritária, tendo sido derrotado por Jânio Quadros, Maluf e Quércia, sempre em São Paulo.

Suplicy possui como características determinantes sua personalidade única, sua coerência com princípios e com suas crenças e valores. Suplicy tem um jeito muito peculiar, fala mansa e baixa, dicção nada clara, mas uma capacidade ímpar de se fazer entender.

Nesses tantos anos de política, sempre com sucesso estampado, Suplicy despertou e desperta inimizades, inveja e controvérsias. Hoje é ele quem mais incomoda o PT. O partido está no comando do governo federal desde 2002 e desde 2003 enfrenta problemas com a ÉTICA por ter optado administrar o Brasil com as mesmas armas que sempre combateu nos governos que o antecederam.

Suplicy nunca admitiu isso, fiel a seus ideais e crente de que o PT que fundou ainda existe – mesmo que esteja escondido em algum lugar –, luta para resgatar os princípios éticos nos quais sempre acreditou. De dentro do partido ele tenta manter a voz ativa e alta no sentido de que no PT ainda há os idealistas românticos fundadores do partido e que não se venderam – talvez porque ele não precise. Continua defendendo a distribuição de renda e a melhoria das condições de vida dos mais humildes.

Em 1985, Suplicy, Sócrates, Marta, Lula e Adílson Monteiro Alves (crédito: Mário Leite)

O que mais chama a atenção é sua espontaneidade, sua capacidade de dizer o que pensa e de fazer pensar aqueles que se acomodaram ao sistema. Em 2003, quando uma crise interna fez com que o PT perdesse importantes “quadros” políticos com mandatos federais – como Heloisa Helena –, Suplicy manteve-se coerente e apoiou os colegas dissidentes, apontando as perseguições e o patrulhamento ideológico dentro do partido.

Os dissidentes saíram e levaram consigo os ideais iniciais do partido, mas o senador Suplicy continuou e com ele ficou a marca do que um dia foi o PT. Afinal, o partido é um antes e outro depois da vitória de 2002.

Suplicy apoiou a CPI que culminou com o caso mensalão, mas chorou. Realmente, não deve ser fácil ser voz dissonante mantendo-se fiel.

Quando seus companheiros desistiram de combater Sarney, Suplicy deu-lhe um “cartão vermelho” simbólico

Apoia a democracia e tem demonstrado isso quando declara apoio à criação de novos partidos ou à discussão político-partidária (como convenções) aberta aos eleitores e não só aos filiados. Não vota porque a bancada decide, não se vende aos joguetes políticos para troca de favores, tende a votar conforme sua consciência, ainda que não seja compreendido por seus pares.

Suplicy é uma figura folclórica e se tornou patrimônio político do paulista e do brasileiro, sua presença no cenário nacional é essencial.

Que ele consiga superar a perda de espaço crescente no partido com o apoio popular nas urnas, que não lhe falte coragem e que o brasileiro reconheça sua importância.

 

Segue a carta que enviou recentemente ao ex-presidente Lula, quem dita as regras no partido e traça as estratégias políticas. Confiram:

“Caro presidente Luiz Inácio Lula da Silva,

Sempre teríamos na transparência de nossos atos e na ética da vida pública os valores fundamentais do PT, foi o que muitas vezes ouvi de você. Nesses 33 anos de militância honrei esses valores e objetivos.

Quero lhe transmitir pessoalmente a minha disposição de ser candidato ao Senado em 2014 e naquela casa continuar a honrar o PT. Tenho procurado marcar um encontro pessoal, há meses, mas por alguma razão tem sido sempre adiado.

Gostaria de relembrar que, em 2011, quando éramos cinco os pré-candidatos a prefeito de São Paulo, você convocou os demais para dialogarem com você no Instituto Lula para que desistissem em favor de Fernando Haddad. Imagino que tenha avaliado que não precisava conversar comigo.

Há cerca de duas semanas, conforme soube pela imprensa, houve reunião no Instituto Lula, em que estiveram presentes os presidentes nacional e estadual, Rui Falcão e Edinho Silva, outros importantes dirigentes e pelo menos oito prefeitos do PT. Não fui convidado, embora ali se tenha discutido a campanha de 2014, os procedimentos para a escolha do nosso candidato ao governo de São Paulo, ao Senado e possíveis coligações. Segundo o divulgado, os presentes teriam solicitado à direção organizar uma pesquisa de opinião para saber qual o candidato a governador mais viável. Ademais, cogitou-se a possibilidade de que eu pudesse ser candidato a deputado federal para fortalecer a legenda do PT, com a informação de que caberia a você convencer-me desta alternativa.

Considero justo que o PT me aponte como candidato ao Senado. Por uma questão de respeito à minha contribuição para o PT desde a sua fundação e também por ter sido eleito por votações cada vez maiores para o Senado, em 1990 com 4.229.706 votos, 30%; em 1998 com 6.718.463, 43,07%; em 2006, com 8.986.803 votos, 47,82%.

Poderemos fazer uma prévia aberta a todos os filiados e eleitores interessados em participar como mais e mais se faz em todos os países democráticos. Lembro que José Dirceu certa vez defendeu que nossas prévias deveriam ser abertas a todos os eleitores.

Há apenas uma hipótese de eu abrir mão de disputar o Senado em 2014: caso você queira disputar. Por respeito aos seus oito anos como Presidente da República, por já ter disputado uma prévia com você em 2002 e você ter ganho por larga margem.

Sempre observei que você acompanhou com grande interesse tudo o que se passa ali, pois sempre comentou conosco que costumava assistir à TV Senado. Acredito que considere algo positivo tornar-se Senador”.

Eduardo Matarazzo Suplicy

 
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Publicado por em 05/06/2013 em Federal, opinião, Política

 

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Comentários de Biu de Lira

“Zapeando” pelos canais da tevê, eis que me deparo com uma entrevista do senador Benedito de Lira, do Partido Populista de Alagoas, parei para saber quais as novas, e eis que me deparo com os seguintes comentários:

  1. O senador já conseguiu a verba de 10 milhões de reais, isso mesmo, 10 milhões de reais para a climatização do Centro de Convenções, isso mesmo, para ar condicionado. Incrível como é caro, né?!
  2. Afirmou, ainda, que os recursos para a tão esperada reforma do Alagoinhas – aquele monte de pedra no meio do mar da Ponta Verde – já estão com o governo do estado. Só não explicou o porque da demora, será que estão esperando o prazo expirar e precisar devolver a verba? Vai saber, né?!
  3. “sobrou para nós a comissão da agricultura”, pois é o Senador trata a si próprio no plural e parece que a comissão de agricultura não tem muito prestígio, né?! Será que ele preferiria a de Direitos Humanos da Câmara? (piadinha Feliciana)
  4. Bem, já que o senador agora está na comissão da agricultura que tal olhar mais para o sertanejo e encampar a luta pela renegociação da dívida, principalmente, dos pronafianos junto aos bancos federais? Afinal, conceder crédito e não amenizar os efeitos da seca só faz tirar do pequeno produtor seu único patrimônio, a pequena propriedade que é justamente a garantia para os empréstimos, hoje em valores milionários.
  5. Sobre o Canal do Sertão o senador disse o óbvio “tem que fazer a água gerar riqueza”, só não disse para quem. Será que a riqueza será de quem for “regular” a água do sertão? Já sei que não será coisa da Casal, pois bem, quem vai cobrar pela água do sertão?
  6. Sobre o sertão, o senador se referiu à bacia leiteira alagoana. Só não frisou que esta simplesmente mal existe mais. A última seca acabou com o gado e com o leite. O povo só não morre por causa do bolsa família, mas essa conta será cobrada e com juros, em 2014.
  7. O senador mostrou bastante preocupação com a exportação da soja, a falta de portos e a quebra de contratos atrasados por clientes internacionais. Registre-se! E como tudo no Brasil se resolve com uma lei, o senador anunciou uma MP para resolver a celeuma.
  8. Perguntado sobre a importância de cooperativas, o senador mostrou intimidade com a Pindorama. Bem, sobre cana a gente não comenta, né?!
  9. A conversa chegou no problema dos matadouros, falta de higiene e regulação, ele só esqueceu que falar que sem gado não tem matadouro, que ele é senador por Alagoas e o gado alagoano tá morrendo de sede.
  10. Analisando 2014: “o estado está se desenvolvendo”. Sei, falar da educação parada ele não fala, né?! (Dizem que a pasta é indicação dele.) “O governo pagou as contas e ajustou os gastos…” E fez mais empréstimos, mas acho que isso não o preocupa.
  11. Perguntado diretamente se será candidato a governador em 2014, “meu partido tem SIM interesse em participar do processo eleitoral de 2014” e, por fim, o senador confessou seu interesse no governo em 2014.
  12. “Você é profundamente inteligente”, concluiu o entrevistador.

 

Reconheço que o assunto é sério, mas a ideia aqui é apenas divulgar os comentários feitos pelo senador que cogita realmente a possibilidade de se candidatar ao governo do estado e suceder Teotônio Vilela, como só não ganha de certeza eleição que não se disputa, há sim a possibilidade de Lira ser nosso próximo governador.

Preparem-se, amigos, Biu de Lira virá preparado e disposto para o desafio!

Olho aberto!! Acompanhemos!!

 

 
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Publicado por em 29/03/2013 em Estadual, opinião, Política

 

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Wyllys, Calheiros e as Redes Sociais

O Deputado Federal pelo Rio de Janeiro Jean Wyllys encontrou-se, no Programa Altas Horas (Globo), com a estudante catarinense Isadora Feber que ficou conhecida por ter chamado a atenção dos brasileiros com o blog “Diário de Classe”, onde relatava o dia-a-dia de sua escola, os problemas estruturais e ganhou destaque por despertar nos colegas e na direção da escola o uso consciente das redes sociais.

Wyllys, baiano e deputado pelo Rio de Janeiro, vencedor do Big Brother Brasil, parabenizou a garota por sua iniciativa e ainda alertou aos jovens para o compromisso com a cidadania. Só esqueceu de avisar que quando ele é confrontado pelas mesmas redes sociais por qualquer cidadão brasileiro prefere furtar-se a manter o nível do debate e a troca de ideias para partir para o ataque gratuito e preconceituoso.

Maior defensor da causa gay, Wyllys quando é confrontado sobre qualquer ideia que apresente em seus perfis sociais, opta por fugir ao debate e apresentar-se como vítima de preconceito sexual, sendo incapaz de manter a imagem intelectual que tanto tenta sustentar.

Wyllys não admite ser confrontado por nenhum brasileiro senão o carioca, uma vez que apenas os representa. Mas não admite que só entrou pelo coeficiente eleitoral e nem que viu sua popularidade mudar depois que venceu o programa que hoje afirma não ser capaz de mudar a vida de ninguém… Na certa a vida dele é a mesma… professor universitário da Bahia.

Essa discussão me remeteu às cobranças que brasileiros de todo o país têm feito ao senador Renan Calheiros, com propriedade brasileiros têm cobrado mudanças e moralidade, só estão esquecendo de cobrar também os políticos que elegeram e que, por sua vez, colocaram Calheiros na cadeira mais alta do Congresso Nacional.

O uso das redes sociais é mesmo muito importante, e por meio delas é possível que realidades sejam mudadas, que cobranças por políticas públicas sejam eficazes e alcancem resultado, mas para isso é necessário que o político entenda que ele deve satisfação à sociedade, não só a quem lhe elegeu, mas a quem paga seu salário.

 
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Publicado por em 03/03/2013 em Federal, Política

 

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Direita e Esquerda bipolares

As discussões acerca de direita e esquerda há muito perderam completamente o sentido. Afinal, ambos os conceitos nasceram pouco antes da Revolução Francesa, quando os revolucionários – contrários à monarquia – sentavam à esquerda na Assembleia, e os partidários do Rei (clero e nobreza) sentavam à direita.

Google Images

Entretanto, esse pensamento raso e bipolar já não faz sentido numa sociedade acostumada às liberdades e à pluralidade de pensamento, sendo natural que em determinadas situações o comportamento seja mais conservador ou mais revolucionário, onde se pretenda o continuísmo ou a mudança. Ora, já diz o ditado popular “quem tem ideia fixa é louco”.

Já não vivemos numa monarquia absolutista e, em princípio, não corremos tamanho risco. As desavenças políticas, assim como o pluripartidarismo, são essenciais a uma sociedade democrática, lastreada nas discussões e no debate de ideias, onde o que se prioriza não são personalidades, mas fatos, pontos e contrapontos, verdades e versões.

E, indubitavelmente, a maior das conquistas do mundo moderno é a liberdade.

Liberdade de pensamento, de religião, de culto, de expressão, de comunicação, de informação, de profissão, de sexo, de miscigenação, de amor… Uma vez conquistados não é possível que se admita seu retrocesso.

As lutas e a, eventual, conivência de nossos antepassados nos trouxeram a esta realidade. Se hoje não está tudo perfeito, cabe a nós entendermos o passado e escolhermos o futuro que pretendemos.

Parar o mundo e dividi-lo em direita e esquerda é esquizofrênico, é acreditar que todos pensam igual ou em oposição direta, não é assim, todos são diferentes, e tentar massificar pensamentos e posições é de um radicalismo insustentável.

As pessoas estão sempre abertas as suas experiências e às de outros, e normalmente procuram praticar o que aprenderam em suas próprias vidas, porque não fazer isso com os sistemas políticos e econômicos, com as posições partidárias? A ideia não é que o interesse público seja protegido e amparado? Pois que bandeiras deem lugar a ideias e à troca de opiniões, debates e não acusações são realmente relevantes para a sociedade.

 
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Publicado por em 22/02/2013 em Política

 

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Prefeitura quer dar publicidade, mas deve?

Acabo de ler a notícia de que a Prefeitura de Maceió pretende divulgar através de sua página no facebook a remuneração de seus servidores (Veja Aqui!). A ideia é por em prática o plano de Portal da Transparência, enquanto o site oficial não fica pronto, e assim cumprir, o mais rápido possível, uma das promessas de campanha.

A Prefeitura de Maceió tem encarado problemas bem maiores do que os esperados, ao menos é o que faz crer o Prefeito Rui Palmeira, que tem divulgado informações sobre as contas da prefeitura, inclusive denunciando formalmente a gestão anterior – Cícero Almeida – ao Ministério Público, a fim de que este tome as providências que entender cabíveis.

Palmeira, nessas primeiras semanas de mandato, tem demonstrado que está disposto e tem boa vontade na gestão municipal. Pelo menos, tem contribuído bastante para a segurança dos munícipes ao manter a cidade bem iluminada.

Entretanto, partir para a divulgação da remuneração dos servidores municipais de forma arbitrária, sem qualquer controle e numa rede social é, no mínimo, temerário. Ora, as redes sociais hoje são usadas com frequência por meliantes a fim de descobrirem quem são os melhores alvos e quais as fraquezas dessas pessoas.

Há alguns anos a polícia pedia que as pessoas evitassem adesivos de academias ou do local de trabalho/estudo no carro para dificultar a identificação por bandidos; hoje o alerta é em relação à exposição da vida particular das pessoas nas redes sociais, uma vez que isso é mais que chamariz, é uma verdadeira porta de acesso para o bandido chegar ao inocente.

Os servidores públicos, principalmente os que gozam de algum poder político, são alvo de populares que buscam determinadas melhorias ou contato por quaisquer outras razões, e meio normalmente usado é o Facebook ou o Twitter, e já é bem difícil identificar o popular bem intencionado, daquele que possa oferecer risco.

A ideia de Rui, ou de quem quer que tenha sido, é ótima. Dar transparência aos valores pagos pela prefeitura e identificar as áreas que mais gastam. Entretanto, há meios mais seguros e eficazes para tanto. Ainda que o acesso a essas informações se dê de forma objetiva num site governamental, só de obrigar o interessado a “ir” até o determinado site já é uma dificuldade, coisa que não existe no facebook, onde basta uma “curtida” para que todos vejam o que um vê.

Além da questão da segurança, há também o constrangimento, que inclusive foi citado num dos comentários à matéria que mencionei acima, uma vez que é mais que sabida a luta de muitos por melhores condições salariais e que nem sempre é atendida, será que estes insatisfeitos com seus salários estão felizes em verem suas contas assim expostas? E aqueles que precisam se sujeitar a salários baixos por falta de opção?

Enfim, são ponderações que não custam serem feitas. A boa intenção do Prefeito é clara, mas será que tal exposição não é desmedida demais? Será que não é melhor uma publicação, em princípio, no Diário Oficial, enquanto o site apropriado não fica pronto? Ou a divulgação de matrículas em vez de nomes?

Meras ponderações…

 
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Publicado por em 14/02/2013 em Municipal, opinião, Política

 

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‘Fazer política em Alagoas é diferente’

Li a entrevista a seguir e achei muito interessante a forma como a cientista política Luciana Santana, mineira, analisa a política entre os alagoanos.

Em tempos de alagoano na “boca do povo”, em face da recente eleição do Senador Renan Calheiros para a Presidência daquela Casa Legislativa, mesmo com toda a mídia e muitas opiniões em contrário, vale à pena analisar uma visão “de fora” e, quem sabe, um “exame de consciência” para uma mudança de atitude.

 

Publicado originalmente no Jornal Tribuna Independente de 03/02/2013 e republicado no Portal Tribuna Hoje

Ela é mineira, está em Alagoas há pouco mais de dez anos; passou por São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, e no estado vizinho atuou na área de avaliação de pesquisas políticas para o Diário de Pernambuco – assim como, na terra da Inconfidência, escreveu para o Diário de Minas. A professora Luciana Santana hoje coordena o Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a ela questionamos sobre o porquê de se fazer política em Alagoas ser tão diferente daquela que se pratica em outros estados da federação.Em dezembro de 2012, em conversa informal com o vice-governador do Estado, José Thomaz Nonô (DEM), a editoria de Política da Tribuna Independente ficou sabendo que uma pesquisa do Vox Poppuli, feita em 2012 para mapear os grupos e preferências eleitorais no Brasil, destacou que Alagoas tem a menor identificação partidária do país. O povo não vota em partido, e sim na pessoa. Ao contrário do que ocorre no Rio Grande do Sul, onde esse índice ultrapassa fácil os 90%.A professora Luciana Santana foi além e disse que aqui, na Terra dos Marechais, assim como no país como um todo, a prática da corrupção não impede que o candidato receba voto. “É indiferente para a população”. Nisso, o alagoano se iguala aos demais currais eleitorais brasileiros.

Tribuna Independente – Por que Alagoas é essa ilha política, onde tudo aqui é feito de forma diferente?

Luciana Santana – Em pesquisas recentes feitas por nossos colegas na universidade, começamos a perceber que se pegarmos apenas o Nordeste, comparando Alagoas com os demais estados, o Estado de fato é outside. É fora da realidade. O Estado não criou uma identidade política própria. Isso vem se reproduzindo ao longo dos anos. Tanto é que você não tem uma esquerda de verdade, um centro, uma direita, ao contrário de Pernambuco, onde há grupos bem distintos. Mas até o desmembramento entre Alagoas e Pernambuco era para o Estado também ter criado isso, mas não. Isso tem a ver com a própria concentração de renda do Estado, onde o dinheiro e o poder estão nas mãos de poucos. Poucas famílias detêm o poder. Quem domina hoje a mídia, a economia, as atividades do Estado são as elites e elites politicas; elas não são simpáticas a essa cultura democrática. E isso vem se reproduzindo através dos tempos. A maior parte da população tem índices sociais baixíssimos e isso contribui. É muito mais fácil convencer uma população assim, do que uma mais esclarecida. Elas dão o voto, independentemente de onde o candidato seja e do que ele tenha feito, sem sigla partidária. Isso não importa ou difere para eles.

T.I. – Mas a miséria, os índices sociais baixos, também existem em outros estados, mas só aqui é diferente. O Maranhão, por exemplo, também sofre com um índice de desenvolvimento humano baixo, mas ali cresce uma consciência política, por que aqui não?

Luciana Santana – Até no Maranhão, grupos antagônicos se desenvolveram no decorrer dos anos, aqui não. Um grupo se sobressaiu, e outro que vinha de um partido que era forte – o antigo MDB – se subdividiu. Em Alagoas, não! Mas levamos em consideração que apesar do Sul e do Sudeste do país terem essas fronteiras partidárias bem definidas, existe uma quantidade de gente que também não se identifica e se insere nessa característica do alagoano. De 30% a 40% se filiam a um partido, num universo de 30 partidos no país. Isso é significativo e muito pouco. O problema de Alagoas neste sentido é que em Alagoas não existe uma identificação mínima. Dificilmente você ouve alguém dizendo que tem simpatia por PSDB, PT, PMDB, você pode até ouvir uns 5% para o PSDB, em virtude da vitrine da última eleição. Mas é pouco.

T.I. – Essa falta de identificação partidária é a raiz do problema socioeconômico do Estado?

Luciana Santana – Na verdade, a relação é outra. É um ciclo. O nível de educação é que influi, pois não se cria identidade partidária. As pessoas não sabem a quem cobrar, elas fiscalizam menos, a impunidade é maior, o índice de corrupção cresce, se torna maior. Isso só acontece porque as pessoas não tomam as melhores decisões, como também elas não sabem as medidas de controle. Vejo pouco essa relação da identidade política desaguar na questão social. Pois o que afeta na verdade é a corrupção, pois é ela que impede o desenvolvimento social. No Sudeste e no Sul, isso é bem mais delimitado, seja na capital ou no interior. E vemos isso mais presente na esquerda. Como é o exemplo do Rio Grande do Sul, onde a esquerda é muito forte. Em Minas também, onde eles dominam há anos a prefeitura de Belo Horizonte. Desde a instituição da Constituinte de 1988, partidos de esquerda se revezam no poder lá. Em São Paulo, tem uma alternância, mas há uma clareza maior entre as bandeiras partidárias.

T.I. – E a reforma política, pode influenciar esse processo. Quais pontos que você acha que pode ajudar a mudar a política?

Luciana Santana – O financiamento público de campanha, o que eu acho mais importante, principalmente para prevenir essa questão da corrupção. O voto em lista, que tem de ser uma lista fechada. A própria América Latina já utiliza, só não o Brasil. E o voto distrital ou misto, pela representação. O misto seria o mais indicado, pois não desprivilegia nenhuma região. Metade desses candidatos é votada num distrito só.

T.I. – O que você vê de diferente na política alagoana?

Luciana Santana – O poder da política aqui é muito evidente nas pessoas. Aqui onde pouco se pode falar. Principalmente no ano eleitoral, quando se percebe como eles se articulam nas instituições e sociedade. As pessoas são controladas pelos políticos, e pela política. Quem poderia fazer diferente, a classe média, não o faz. As pessoas têm medo, elas ficam muito dependentes dos grupos políticos, dos grupos econômicos. O ideal seria é que houvesse uma alternância de partidos, uma renovação. Até com perfil ideológico diferente para mudar isso, mas não há.

T.I. – O povo vota em político ladrão?

Luciana Santana – O povo não vê isso. Por exemplo, muitos falam que Lula roubou, roubou, roubou, mas sua popularidade não baixa. O mesmo é com Fernando Henrique Cardoso, dá no mesmo. Não importa se a população é mais carente ou mais alta. O que interfere mesmo são medidas impopulares, por parte do governo, aquelas que mexem no bolso. Vai mexer na conta de energia, inflação, no Bolsa Família. Segundo o professor Alberto Almeida, ex-Fundação Getúlio Vargas, o fator econômico é que define o voto. É preciso se criar um nível melhor de informação política.

 
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Publicado por em 06/02/2013 em Política