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Arquivo da categoria: Policial

Ponderações sobre o caso Bárbara

Obviamente que se as notícias continuarem mudando como mudaram hoje, tão repentinamente, em breve essas minhas ponderações não terão validade alguma, mas como o espaço é meu e eu compartilho aqui o que bem entendo, lá vai.

O caso Bárbara Regina desde o início despertou a atenção do público que acompanhou os noticiários de tv e dos sites dando informações sobre os fatos e as investigações policiais. Vimos, não só eu, mas todo alagoano consumidor de notícias, que Bárbara saiu de uma boate na companhia de um homem desconhecido.

Vimos esse homem ser um ex-namorado complicado, casado com uma mulher ciumenta e depois esse homem se transformar num desconhecido sob o nome de Ótavio.

Mesmo com a entrada de Otávio no rol dos suspeitos, o ex-namorado e sua esposa ciumenta não saíram do foco, pois haveria motivo se o caso pudesse ser – e sempre foi – comparado ao caso da Giovana, garota que teria sido assassinada uma esposa traída, mas que ainda não foi julgada – muito menos condenada –, aí que não poderiam sair das investigações mesmo.

Enfim, vimos um amigo do tal Otávio ser preso sob a acusação de assaltos e outros crimes do gênero e que teria informado à polícia que Otávio teria matado a Bárbara e fugido país. E que ele, assim como o preso, era assaltante e não tinha relação com drogas.

Na pista do tal Otávio, encontraram uma relação homossexual com um homem que teria financiado essa sua fuga para o Paraguai. O que nunca ficou muito claro e nem convenceu ninguém.

Há algum tempo foi publicado num jornal extratos do inquérito que ainda não havia sido concluído. Nessa publicação além de haver todas essas informações levantadas pela polícia também havia a informação de que, junto com a explosão da DEIC, provas extraídas do carro encontrado com o colega de Otávio também teriam explodido antes do exame pericial.

A polícia investigou de tudo – até onde sei (a partir do que foi noticiado) – e não conseguiu ligar Bárbara a drogas ou à prostituição. E se tivessem conseguido não teriam omitido essa informação. Aliás, conseguem afirmar, sim, que a vítima teria tido apenas dois relacionamentos “mais sérios”, sendo o mais recente com o cara casado, acima mencionado.

Agora pergunto:

Como é que a polícia investiga a vida toda de uma garota de programa e não consegue provar que ela é garota de programa? Analisa as ligações de seu telefone móvel e não encontra ligações que apontem para marcação de programas e contato com pessoas suspeitas?

Como é que a garota é envolvida com drogas e nenhum dos amigos mais próximos não sabem, nem desconfiam, muito pelo contrário, asseguram que a garota era “certinha”?

A Vanessa “assassina”, que ganhou as páginas de notícias por ser acusada de matar, esquartejar e queimar mulheres desafetas, só pode ser uma “serial killer”, se as acusações estiverem corretas.

Ninguém se pergunta por que esse primo resolveu delatar a prima “assassina”? Por que só agora? Qual a idoneidade desse rapaz para – sendo a única testemunha – ter suas declarações consideradas suficientes para se encerrar o caso Bárbara?

O que a “assassina” diz sobre essa acusação? O que seu namorado Ninho diz sobre a acusação? Sendo todos, inclusive o primo, ligados ao tráfico de drogas e tão íntimos a ponto de confidenciarem revelações sobre crimes bárbaros, o que assegura que esse primo não seja “assassino” também?

Parece que é ponto pacífico o fato da “assassina” ser pessoa odiada por todo lugar, esse primo pode odiá-la também, até porque pessoas assim, perversas, – como dizem – não colecionam amigos, mas cúmplices – ou delatores. O que realmente motiva o delator a acusar sua prima “assassina”? Vingança? Delação premiada?

Para mim, se não aparecer outro que confirme exatamente o que foi dito pelo primo delator, o caso não pode ser encerrado.

Ninguém aqui é idiota de achar que Bárbara, ou qualquer ser humano no mundo, é ou era perfeita. Jamais! Ninguém é perfeito. Mas daí a transformar a vítima – provável morta – em pessoa vulnerável a essa história cinematográfica é demais. Chega a ser perverso com quem não está mais aqui para se defender e muito mais com a família que sofre e chora todos os dias pela falta de notícias, de certeza e de esperanças.

Ao jugo dos leitores!

 

Obs.: Chamo “assassina” (entre aspas) porque enquanto não for julgada e condenada por autoridade competente, a Vanessa não passa de acusada. E por piores que sejam os crimes que lhe são imputados, seus direitos devem ser assegurados.

Obs.: Todas as informações aqui relacionadas foram relatadas pela imprensa, não me responsabilizo por nada, até porque nunca tive contato com nenhuma das partes, policiais, promotores, acusados, testemunhas, ou quem quer que seja. Admitindo que possa haver exageros.

 
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Publicado por em 25/04/2013 em opinião, Policial

 

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“João Painho” volta à cadeia

Atropelador do gari Pedro Bernardo voltou a ser preso nesse sábado

Os amigos leitores do Palavras ao Vento devem lembrar que em abril passado foi feita uma campanha nas redes sociais para arrecadação de fraldas e material para higiene pessoal, troca de curativos, bem como alimentos não perecíveis em prol do Pedro Bernardo, gari que em 26 de março foi atropelado por um motorista bêbado que foi filmado lamentando o ocorrido, mas pelo prejuízo sofrido pela batida em seu veículo e não por ter mutilado um trabalhador em sua rotina de limpeza urbana.

Nesse último sábado (14), João Paulo foi preso sob a acusação de ter agredido fisicamente seu sobrinho. Em se tratando de matéria doméstica a irmã não titubeou e resolveu denunciar o irmão, ora chamando-o de louco, ora de dissimulado, defendeu seu filho e mostrou não só o rosto da criança, como também seus óculos quebrados.

Trago a cobertura feita pela equipe do Emergência 190 para que os amigos acompanhem o ocorrido. Aqui!

 

Relembre o caso.

O atropelador se chama João Paulo, conhecido nas redes sociais como “João Painho”, pois o vídeo gravado minutos após o atropelamento mostra uma pessoa descompensada e desesperada pelo prejuízo material e suplicando a seu “painho” que o salvasse da prisão em flagrante.

João Paulo passou cerca de 12 dias preso, enquanto a família levantava o valor de sua fiança, que, uma vez paga, resultou na soltura do acusado. Tudo conforme a lei.

Deu sucessivas entrevistas dizendo-se arrependido e constrangido, bem como alegando que estaria sofrendo ameaças e que seu sobrinho amado estaria sendo vítima de perseguição na escola – sobrinho esse que foi vítima de agressão desse mesmo tio. Chorou e disse que estava ajudando a vítima, na época ainda hospitalizado. Inclusive apresentava a nota referente à compra de um colchão “casca de ovo”.

Pois bem, caros leitores, esse colchão foi mesmo dado pela prima do atropelador, assim como uma capa para o mencionado colchão, e com ele o recado de que não pedisse mais nada, pois ninguém na família teria dinheiro para dar.

Hoje, Pedro recupera-se bem, depois de três meses na casa de parentes, enfim voltou para seu lar em União dos Palmares, tem ido à Adefal onde faz fisioterapia, tem assistência médica e recebe tratamento preparatório para a prótese da perna que foi mutilada, enquanto aguarda que a outra perna cicatrize e ele possa apoiá-la no chão.

Pedro já não tem precisado das doações que muito generosamente foram arrecadadas no início de seu suplício. Semana passada a Previdência, enfim, liberou três meses do benefício que aguardava, e ontem ele recebeu sua cartinha de aposentação. Ainda aguarda a liberação do valor referente ao DPVAT, o que ainda está pendente porque o laudo de seu exame de corpo de delito, feito no IML, sumiu.

Antes de voltar para União dos Palmares pediu que buscássemos as fraldas que já não usará mais e pediu que levássemos para doar a outros necessitados. Ele agradece muito toda ajuda que recebeu e não guarda mágoas, muito pelo contrário, continua contagiando a todos com sua serenidade e alegria.

Enquanto isso, nós alagoanos temos que evitar cruzar o caminho de “João Painho”, pois o atropelador bêbado, se é capaz da covardia de agredir seu sobrinho, uma criança indefesa, imaginem o que não seria capaz de fazer com quaisquer desconhecidos.

Sigamos fazendo o bem, porque gente fazendo o mal já tem demais!!

 
 

Só há duas opções: se resignar ou se indignar

A indignação tardia ou não é melhor que o silêncio.

Pode até haver controvérsia quando alguém se insurge a dizer que alagoano é povo pacífico. Tudo bem, né?! Diante de tantas barbaridades, criminalidade em alta e mortes cada vez mais banais, não dá mesmo para defender a passividade do alagoano.

Entretanto, outro ponto, menos controverso, é o que aponta para um povo acomodado, aliás egoísta. Mesmo discordando de generalidades, infelizmente, de um modo geral o alagoano está habituado a levar vantagem de alguma forma e se sua vantagem for em cima dos percalços alheios, melhor ainda – melhor ganhar sozinho, não é mesmo?!

Somos o único estado brasileiro a ter participado da formação política de um Presidente da República que sofreu um impeachment. E por que ele “caiu”? Palavras dele mesmo: “falta de base política”. Isso porque não soube ser exatamente o que se propôs a ser POLÍTICO.

Enfim, discordo mesmo das generalidades, inclusive quando atesta algo que grita aos nossos ouvidos, como é o caso da tendência alagoana em olhar para seu próprio umbigo. Explico: recentemente participei de uma campanha de doações e qual não foi minha surpresa: as doações foram muitas, intermináveis, até hoje há quem queira saber notícias do beneficiário, se ainda está precisando de algo e se há como ajudar/contribuir.

Ora, concluo que o alagoano não é, em sua generalidade, egoísta. Há muitos que são solidários, que querem ajudar, só não sabem como. Essa é a verdade!

Bem, então chegamos aos dias atuais, tempos de criminalidade reinante, momentos em que bandidos mandam nas ruas e pessoas de bem, trabalhadoras, pais de família, crianças e adolescentes devem manter-se aprisionados em suas casas, apartamentos (cada vez mais apertados), longe das ameaças que rondam TODOS os cantos do estado.

Esses dias não chegaram de uma hora para outra, pura verdade!, e foi preciso que alguém da classe média fosse vítima para que enfim todos se indignassem a uma só voz. Não quer dizer que antes não estivessem indignados, só não sabiam como se mobilizar. Com o advento das redes sociais e a primeira idéia ganhando corpo, os “reclamões” de plantão encontraram o caminho para a demonstração mais efetiva de seu descontentamento frente às inexistentes políticas públicas de segurança.

Ora, caros leitores, vocês sabiam que durante o Regime Militar, precisamente em 1968, ocorreu a Passeata dos Cem Mil? E sabem por que ela foi tão importante? Simplesmente porque pela primeira vez desde o golpe de 1964 a classe média resolveu apoiar a resistência que se insurgia contra os militares. Até então, em sua maioria, eram apenas estudantes ou os políticos de esquerda que eram perseguidos diretamente.

A briga que já tinha sido comprada desde o início do regime militar pelos estudantes, intelectuais e comunistas (não que um anule o outro, muitos eram tudo ao mesmo tempo), só quatro anos após é que foi manifestamente reprovada pela classe média.

E os descontentes de antes o que fizeram? Reclamaram do apoio tardio? Acusaram-nos de omissos enquanto o problema não lhes tirava seus filhos? Não. Todos se uniram, afinal a causa era a mesma: o fim da repressão. Aqueles que lutavam “só” passaram a lutar “junto”, e o que era descontentamento de alguns, passou a ser de toda sociedade.

Talvez, diletos leitores, alguns achem que tal exemplo não cabe, mas será que não mesmo? No momento em que, enfim, a classe média resolve se mobilizar, ir às ruas, e exigir políticas públicas efetivas de segurança aparecem os que preferem censurá-los, reclamar de sua ausência até o presente momento, e até culpá-los pela situação caótica em que a segurança pública se encontra hoje.

Lamentável, muito mesmo. Devemos incentivar a mobilização!

Quem realmente pode fazer algo são os gestores públicos, sim, aqueles que foram eleitos para tal. Aqueles que são pagos pelo erário para realizarem a tarefa para a qual se candidataram: gerir esse estado e dar fim aos problemas. Se não seriam capazes de tamanha proeza por que se candidataram prometendo fazê-lo? Ainda que estas sejam perguntas retóricas, custa nada perguntar.

Enfim, amigos, em vez de se desgastarem apontando seu arsenal de indignação para os indignados de última hora que tal voltar suas forças para a causa comum: a cobrança, por qualquer meio legítimo, de soluções efetivas para a segurança pública?!

Unamo-nos, usemos a indignação que é de todos – o estopim para uns ou para outros não importa, a finalidade é a mesma – para alcançarmos a garantia constitucional de ir e vir com segurança.

Se você treme de indignação perante uma injustiça, então somos companheiros”. Che Guevara

 

Mulher, 20 anos, dois filhos e desempregada

Na mesma semana em que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou os números sobre o crescente desemprego entre os jovens no mundo, uma moça de 20 anos de idade, moradora do bairro do Vergel do Lago, é presa por tráfico de drogas.

Em sua defesa, justificando-se para os policiais, a jovem confessou que passou a vender drogas para não precisar pedir dinheiro a sua mãe, avó das crianças. Com dois filhos para criar, a mãe “quase adolescente” optou pelo caminho do tráfico.

Mas seria essa a via mais fácil? Talvez a moça assim entendesse; talvez a falta de maturidade tenha contribuído para sua escolha; talvez a falta de opções no mercado de trabalho tenha lhe impelido a abraçar a bandidagem; são muitos os “talvez”, mas uma certeza é latente: em Alagoas o desemprego não é problema, a bandidagem está disposta a investir no primeiro emprego dos jovens.

Lamentável que seja usada a ironia para tratar de assunto tão delicado e triste não só para a moça, mas para toda a família. Quantas mães mais terão que ser encarceradas? Quantos filhos mais crescerão com o exemplo de pais criminosos, presos ou traficando? Quantas famílias mais terão que se render ao tráfico para que possam sobreviver?

No final da história a moça que queria a independência financeira da mãe terá que rogar-lhe que crie seus filhos.

 
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Publicado por em 26/05/2012 em Policial

 

Quatro vidas por quatro anos de mandato

Quatro vidas por quatro anos de mandato”, estes eram os dizeres nas camisas de familiares e amigos das vítimas que hoje (16) se reuniram no auditório da Justiça Federal para acompanhar o Julgamento mais importante da história de Alagoas.

16 de janeiro de 2012, exatos 13 anos e 1 mês depois da Chacina da Gruta, aquela que vitimou a Deputada Federal Ceci Cunha, seu esposo, Juvenal Cunha, seu cunhado Iran Maranhão e a mãe deste, dona Ítala Maranhão, os principais acusados pela execução e planejamento do crime de maior repercussão no estado sentaram, enfim, no banco dos réus e estão encarando, uma a uma, as diversas testemunhas, primeiro de acusação e agora de defesa.

No entanto, o que se extrai de hoje, e dos últimos treze anos, é que foi, indubitavelmente, a luta incessante da família e dos amigos das vítimas que levaram ao julgamento, ainda que tardio.

Rodrigo e Adriana, os filhos, nunca esmoreceram, viveram por si e por seus pais, diariamente, pensando em Justiça, não só pela memória de seus heróis, mas pela imagem, o orgulho e o brio do alagoano.

Vivemos várias gerações à mercê da pistolagem em nosso estado, talvez ainda hoje convivamos com ela, mas a família foi guerreira, não se rendeu aos perigos e às ameaças que sua luta lhes trouxe durante todos esses anos. Lutar contra figurões da política e das polícias em nosso estado, e em todo Brasil, não é pouca coisa, é para grandes, para lutadores, verdadeiros heróis.

Antigamente, os heróis eram os que combatiam o mal, hoje os bons são os que combatem a corrupção, a morosidade e a impunidade. Bandidos e mocinhos se confundem pelo poder do dinheiro e da ambição, encontrarmos pessoas que não se conformam e nem se rendem à força do tempo é depararmo-nos com os verdadeiros heróis da modernidade.

Em tempo, o julgamento ainda está ocorrendo.

 
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Publicado por em 16/01/2012 em opinião, Política, Policial

 

Caso Ceci depois do CNJ – Justiça Plena

Publicado no Portal 7 Segundos

Desde que o Conselho Nacional de Justiça incluiu o Caso Ceci Cunha no seu projeto “Justiça Plena” que, enfim, o processo resolveu ter um deslinde aceitável.

Até então o que se via eram sucessivos recursos com a finalidade única de morosidade e impunidade. Mas com o acompanhamento e as cobranças feitas pelo CNJ, com o intuito de derrubar os atravanques provocados, o Julgamento foi marcado e acontecerá amanhã, dia 16, às 9h, no Tribunal da Justiça Federal, Serraria, Maceió.

O Programa Justiça Plena foi criado pela Corregedoria Nacional de Justiça, e tem como objetivo monitorar e acelerar a tramitação de processos de grande repercussão social, mediante apoio administrativo aos tribunais.

Assistiremos, enfim, ao julgamento mais esperado pelos alagoanos. A chacina da Gruta foi mais que um crime bárbaro contra toda uma família, foi uma apunhalada no coração de toda a sociedade.

 

O Julgamento

A Justiça Federal disponibilizará, amanhã, em seu site o link para quem quiser acompanhar o julgamento em tempo real, paralelo a isso, montou estrutura necessária e suficiente para o conforto dos alagoanos e brasileiros que quiserem presenciar as discussões no Tribunal do Júri.

 

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Um olhar sobre o Caso Giovanna

Publicado no Portal 7 Segundos

Para a sociedade o julgamento do Caso Ceci Cunha é mais que o fechamento de um ciclo, é um grito de satisfação no combate à impunidade.

No entanto, para quem consegue antever um pouco mais, sabe que as coisas não são bem assim. Ainda que admitamos que os acusados sejam condenados na próxima segunda-feira, o fato de até hoje estarem respondendo em liberdade, significa que poderão recorrer da sentença longe das grades.

A lei é esta e, ainda que pareça injusta, deve ser observada e respeitada. No entanto, o julgamento, por si, fecha o ciclo de espera, de incerteza e de impunidade rasteira.

Quando trazemos os anseios sociais de justiça, resposta, prestação, para os dias atuais, não podemos apartar do Caso Giovanna.

O episódio da garota morta em meados do ano passado e que teve a trama logo deslindada pela polícia, culminou com a acusação do casal Tony e Mirella Granconato de autoria do crime.

Já com a pecha de culpados, ambos estão presos. A polícia, o MP e o Juiz vêm indícios de autoria e assim preservam as circunstâncias. Entretanto, o que a sociedade tem é muito menos que isso, mas o suficiente para cobrar Justiça e punição.

Não esqueçamos que a lei existe para todos: vítimas e agressores. O devido processo legal deve ser observado mesmo que este não possua um apelo muito favorável junto à opinião pública.

As razões que levaram o Juiz do caso á decretação da prisão da Granconato não se sabe, ninguém sabe, não ao certo, a não ser de que há indícios suficientes de autoria do crime. Afirmam que ela teria sido a autora intelectual, mas sequer conseguem vincular o caso a um suposto autor material do crime.

Nuances que não me parecem claras, há mesmo que investigar mais, investigar tudo. Teriam mesmo, os policiais, esgotado todas as linhas de investigação? E a ligação da vítima às drogas? Ainda que sustentem e provem que pertencia a movimentos religiosos, não há óbice ao contato recente às drogas.

E mais, ainda que ela não fosse usuária, e se tiver sido morta por engano?

Tony, por sua vez, o pivô da trama descoberta pela polícia, não é ligado ao crime por provas robustas, o que lhe rendeu uns dias em casa, mas seu descuido com a tornozeleira eletrônica, coisa de menino mimado acostumado a burlas, acabou levando-o de volta ao cárcere.

Uma certeza há: a de que elementos de prova foram descartados pela própria perícia. Há informações no sentido de que certo material que envolvia a vítima foi destruído, mas como encontrar outro possível objeto que possa ser ligado ao material descartado se este já não existe mais?

Sucessivos equívocos podem ser encontrados, inclusive aquele que levou ao adiamento da oitiva das testemunhas pela ausência daqueles que parecem de maior importância para o momento.

Enfim, mais uma vez escrevo sobre o tema por preocupar-me a mácula social que parece estar incutida irreversivelmente na família dos acusados. Para a família da vítima a dor é absurda e irreparável, ainda que os culpados sejam estes ou outros, a menina Giovanna não voltará aos braços dos pais e amigos.

Só espero que não estejam esgotando suas forças no caminho mais fácil e perecível do processo, deixando impunes aqueles que podem ser os verdadeiros culpados.

 
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Publicado por em 10/01/2012 em opinião, Policial