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Feliz 2014, para quem?

Publicado no Portal Cada Minuto

O novo ano começou, com ele, a exemplo do que ocorre sempre às segundas-feiras, novos projetos são postos em prática, promessas são feitas e o “primeiro passo” é dado. Assim como vemos análises sobre o futuro, sobre o passado e até sobre o presente, encontramos pessoas sensatas que alertam para a necessidade de mudança de comportamento, de valores e de postura pessoal para que mudanças mais contundentes alcancem sucesso.

Tudo verdade e tudo muito válido, mas que diferença há de fazer um dia a mais, uma quarta-feira a mais, uma virada de ano? Por mais que o clima geral seja de esperança e otimismo, o que há de diferente realmente?

Nas ruas continuamos com medo, em casa os filhos continuam desrespeitando e afrontando os pais, crianças tratam os mais velhos como coleguinhas, não sabem o que significa um “não” e têm se tornado cada vez mais perigosos. Sem educação de qualidade – nem em casa e nem na escola – os antigos “pitboys” deram lugar aos costumeiros playboys, mas que além de se valerem do dinheiro e da força física, também contam com carros caros e potentes, família rica e pais cúmplices. Quem é você, caro leitor, nessa sociedade?

Caso tenha resolvido parar de ler por aqui, bem, já sei quem é você, mas se resolveu continuar é porque ainda que seja mais desses que só se proliferam, entende que é chegada a hora da mudança de comportamento (passou da hora!).

Quando falhamos no nosso papel de educadores, o Estado exerce seu papel punitivo, não há como evitar – aliás, há sim como evitar, mas, por favor, não me forcem a tecer comentários sobre os bandidos que patrocinam e viabilizam a corrupção no Judiciário. Afinal, há mesmo quem ache que “bandido bom é bandido morto”, mas desde que o bandido seja o preto, pobre, marginalizado e morador de rua ou de grota.

Mas e o que você fez no ano passado e nos demais anos que se passaram para almejar um ano de 2014 melhor? Você respeitou as normas de trânsito, respeitou filas em estabelecimentos comerciais, tratou com urbanidade e cortesia não só os conhecidos, mas também os desconhecidos e, principalmente, os mais humildes? Por falar em humildade, você foi solidário, praticou o nobre exercício de se colocar no lugar dos outros, tentou ter paciência? Tratou as crianças com carinho, respeito e firmeza?

Pois é, caro leitor, difícil imaginar um 2014 realmente novo se você continua “velho”, se você acha que o pobre que rouba para alimentar vícios merece ser linchado na rua, merece ser morto por justiceiros. Pior, se você acha que o político que está no poder agora não presta e acredita piamente que o político “amigo” – aquele do “tapinha nas costas” – será melhor porque lhe prometeu um emprego que você nem precisará comparecer. Se você acha que está tudo bem na Assembleia Legislativa de Alagoas e pretende reeleger um dos que sempre contribuíram para enlameá-la – porque o “moço” é amigo da família – bem, não dá para conversar.

Desejo mesmo um ótimo 2014, melhor que 2013, com pessoas mais críticas, mais dispostas, mais esclarecidas, mais dedicadas ao futuro, às crianças, à formação da sociedade alagoana, prontas a romper com as correntes do passado que só se repete e se perpetua.

 
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Publicado por em 07/01/2014 em CadaMinuto, opinião

 

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Que Copa esperar?

Tem-se falado muito sobre os atrasos nos preparativos do Brasil para receber a Copa do Mundo deste ano, mas talvez as pessoas, em especial os caros leitores do Palavras ao Vento, ainda tenham se dado conta do caos que está o país, em especial o setor aeroviário, o que engloba a Infraero, as companhias aéreas e a inércia da ANAC.

Além do atraso na construção de diversos estádios do país, em especial a área adjacente ao Maracanã (cartão postal do país) e o Itaquerão, podemos citar com tristeza os acidentes fatais que mataram cinco funcionários que trabalhavam nas construções. Um em Brasília, dois em São Paulo e dois em Manaus. Provavelmente, a principal causa para tantos acidentes fatais – ultrapassamos o número de mortes da África do Sul – seja a pressa para finalizar o serviço. Afinal, já somos o país mais atrasado da história.

Como se não bastasse o caos nas obras – todas sob a acusação de passarem por negociatas e superfaturamento -, também estamos com problemas no atendimento ao turista. Sentimos com maior clareza depois das notícias de caos no trânsito e no acesso de turistas aos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro – a capital do turismo brasileiro. Filas quilométricas, desorganizadas e lentas, muito lentas, tudo isso por causa do verão, das férias escolares e do reveillon, imaginemos na Copa.

Virão para o país seleções de 31 países ao redor do mundo. Além dos brasileiros que entupirão as cidades-sede durante os jogos da Copa, ainda receberemos turistas de outros 31 países. Só no ano de 2012, o Brasil recebeu 5,67 milhões de estrangeiros, quase 50% deles vieram para lazer. Em 2013, até o início de dezembro, 6 milhões de estrangeiros já havia chegado ao Brasil.

Estima-se que durante o período da Copa, cerca de 1 milhão de estrangeiros venha ao Brasil e mais 3 milhões de brasileiros visitem as cidades-sede durante o mundial. Será que vai dar.

Hoje, quase 6 meses antes da Copa, temos como saldo: mortes, filas, atrasos e caos…

Vejamos alguns, poucos, só para ilustra:

Uma garotinha argentina caiu de uma altura de 7 metros no aeroporto do Rio, está internada com traumatismo craniano;
Meus pais ficaram presos num elevador do aeroporto de São Paulo;
Uma companhia aérea do Brasil, por livre e espontânea vontade (juro!), resolveu não embarcar a mala de 10 passageiros que iam a Frankfurt (ALE), no último agosto (2013). Uma das malas era de meu pai, e estávamos a caminho do Japão. Ele ficou sem mala (roupa e objetos pessoais. Sorte que levou os remédios diários na mala de mão) por 5 dias;
Duas malas de um visitante dos Estados Unidos, vindo de Nova Iorque, (sim, duas! As únicas duas!) foram extraviadas na última semana de 2013 (29/12) por companhia aérea brasileira (a mesma? Aposto que sim). Uma chegou dois dias depois e a outra só mais 4 dias depois… Feliz 2014!

E aí, o que esperar da Copa do Mundo do Brasil?

Desejo Sorte, muita sorte!!!

 

Sonhos que os militantes esqueceram

Hoje passei um bom tempo conversando com meu pai e ele compartilhou comigo o quão decepcionado está com a histórica esquerda do país “esse pessoal que foi do PCB e PCdoB e que desde que chegou ao poder, não larga por nada”, explicou com alguma tristeza.

Completei que também me entristecem atos que acompanho de afronta à democracia, como a tentativa de abortar a criação do partido novo de Marina Silva, ou as andanças do Cavaleiro “socialista” Fernando Beserra pelo Nordeste, a fim de atordoar os planos do colega de partido Eduardo Campos na corrida presidencial. Se isso não for claramente antecipação de campanha com o intuito de limitar as possibilidades de escolha do povo brasileiro, então, não sei o que seja…

Enfim, aqueles que sempre defenderam que os militantes de esquerda nunca lutaram pela democracia e liberdades individuais o que devem estar pensando do Brasil de hoje? O da corrida presidencial de cartas marcadas, o das leis que privatizam o Brasil, o da economia que se fortalece pela moeda estrangeira, o das alianças internacionais com países liberais, o do patrulhamento virtual, o da perseguição ideológica, o da proteção aos grandes latifundiários, o das leis que obrigam o cidadão a fornecer provas contra si mesmo, o do enfraquecimento do Ministério Público, da educação, saúde e segurança sucateados?…

Registro que acho ótimo que o Brasil procure equilíbrio no capitalismo, mas o Brasil de hoje está longe de ser o mesmo do sonho dos militantes de outrora. Das duas uma: ou os sonhos mudaram, ou nunca sonharam…

Ponto positivo é o aumento do poder aquisitivo dos mais humildes, mas sem educação de qualidade e sem incentivo aos valores e à moral que desenvolvem uma nação com igualdade, liberdade e solidariedade, estamos distribuindo renda para que os mais ricos sejam cada vez mais ricos…

Custa nada ponderar!!

 
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Publicado por em 10/06/2013 em opinião

 

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O inconveniente Suplicy

Quem é Eduardo Suplicy? Bem, muitos de nós só conhecem o Suplicy senador, político pelo Partido dos Trabalhadores – um de seus fundadores – e que em 2014 completará 23 anos de mandato ininterrupto no Senado Federal. Mas Suplicy tem uma história interessante e que merece ser contada.

Descendente de barões do café paulista e neto do riquíssimo empresário conde Francesco Matarazzo, Suplicy é formado em Administração de Empresas pela FGV e em Economia pela Universidade de Michigan (EUA).

Suplicy entrou para as disputas políticas em 1978 e desde então tem uma carreira ascendente nas proporcionais: deputado estadual, deputado federal, vereador e senador. Nunca venceu uma disputa majoritária, tendo sido derrotado por Jânio Quadros, Maluf e Quércia, sempre em São Paulo.

Suplicy possui como características determinantes sua personalidade única, sua coerência com princípios e com suas crenças e valores. Suplicy tem um jeito muito peculiar, fala mansa e baixa, dicção nada clara, mas uma capacidade ímpar de se fazer entender.

Nesses tantos anos de política, sempre com sucesso estampado, Suplicy despertou e desperta inimizades, inveja e controvérsias. Hoje é ele quem mais incomoda o PT. O partido está no comando do governo federal desde 2002 e desde 2003 enfrenta problemas com a ÉTICA por ter optado administrar o Brasil com as mesmas armas que sempre combateu nos governos que o antecederam.

Suplicy nunca admitiu isso, fiel a seus ideais e crente de que o PT que fundou ainda existe – mesmo que esteja escondido em algum lugar –, luta para resgatar os princípios éticos nos quais sempre acreditou. De dentro do partido ele tenta manter a voz ativa e alta no sentido de que no PT ainda há os idealistas românticos fundadores do partido e que não se venderam – talvez porque ele não precise. Continua defendendo a distribuição de renda e a melhoria das condições de vida dos mais humildes.

Em 1985, Suplicy, Sócrates, Marta, Lula e Adílson Monteiro Alves (crédito: Mário Leite)

O que mais chama a atenção é sua espontaneidade, sua capacidade de dizer o que pensa e de fazer pensar aqueles que se acomodaram ao sistema. Em 2003, quando uma crise interna fez com que o PT perdesse importantes “quadros” políticos com mandatos federais – como Heloisa Helena –, Suplicy manteve-se coerente e apoiou os colegas dissidentes, apontando as perseguições e o patrulhamento ideológico dentro do partido.

Os dissidentes saíram e levaram consigo os ideais iniciais do partido, mas o senador Suplicy continuou e com ele ficou a marca do que um dia foi o PT. Afinal, o partido é um antes e outro depois da vitória de 2002.

Suplicy apoiou a CPI que culminou com o caso mensalão, mas chorou. Realmente, não deve ser fácil ser voz dissonante mantendo-se fiel.

Quando seus companheiros desistiram de combater Sarney, Suplicy deu-lhe um “cartão vermelho” simbólico

Apoia a democracia e tem demonstrado isso quando declara apoio à criação de novos partidos ou à discussão político-partidária (como convenções) aberta aos eleitores e não só aos filiados. Não vota porque a bancada decide, não se vende aos joguetes políticos para troca de favores, tende a votar conforme sua consciência, ainda que não seja compreendido por seus pares.

Suplicy é uma figura folclórica e se tornou patrimônio político do paulista e do brasileiro, sua presença no cenário nacional é essencial.

Que ele consiga superar a perda de espaço crescente no partido com o apoio popular nas urnas, que não lhe falte coragem e que o brasileiro reconheça sua importância.

 

Segue a carta que enviou recentemente ao ex-presidente Lula, quem dita as regras no partido e traça as estratégias políticas. Confiram:

“Caro presidente Luiz Inácio Lula da Silva,

Sempre teríamos na transparência de nossos atos e na ética da vida pública os valores fundamentais do PT, foi o que muitas vezes ouvi de você. Nesses 33 anos de militância honrei esses valores e objetivos.

Quero lhe transmitir pessoalmente a minha disposição de ser candidato ao Senado em 2014 e naquela casa continuar a honrar o PT. Tenho procurado marcar um encontro pessoal, há meses, mas por alguma razão tem sido sempre adiado.

Gostaria de relembrar que, em 2011, quando éramos cinco os pré-candidatos a prefeito de São Paulo, você convocou os demais para dialogarem com você no Instituto Lula para que desistissem em favor de Fernando Haddad. Imagino que tenha avaliado que não precisava conversar comigo.

Há cerca de duas semanas, conforme soube pela imprensa, houve reunião no Instituto Lula, em que estiveram presentes os presidentes nacional e estadual, Rui Falcão e Edinho Silva, outros importantes dirigentes e pelo menos oito prefeitos do PT. Não fui convidado, embora ali se tenha discutido a campanha de 2014, os procedimentos para a escolha do nosso candidato ao governo de São Paulo, ao Senado e possíveis coligações. Segundo o divulgado, os presentes teriam solicitado à direção organizar uma pesquisa de opinião para saber qual o candidato a governador mais viável. Ademais, cogitou-se a possibilidade de que eu pudesse ser candidato a deputado federal para fortalecer a legenda do PT, com a informação de que caberia a você convencer-me desta alternativa.

Considero justo que o PT me aponte como candidato ao Senado. Por uma questão de respeito à minha contribuição para o PT desde a sua fundação e também por ter sido eleito por votações cada vez maiores para o Senado, em 1990 com 4.229.706 votos, 30%; em 1998 com 6.718.463, 43,07%; em 2006, com 8.986.803 votos, 47,82%.

Poderemos fazer uma prévia aberta a todos os filiados e eleitores interessados em participar como mais e mais se faz em todos os países democráticos. Lembro que José Dirceu certa vez defendeu que nossas prévias deveriam ser abertas a todos os eleitores.

Há apenas uma hipótese de eu abrir mão de disputar o Senado em 2014: caso você queira disputar. Por respeito aos seus oito anos como Presidente da República, por já ter disputado uma prévia com você em 2002 e você ter ganho por larga margem.

Sempre observei que você acompanhou com grande interesse tudo o que se passa ali, pois sempre comentou conosco que costumava assistir à TV Senado. Acredito que considere algo positivo tornar-se Senador”.

Eduardo Matarazzo Suplicy

 
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Publicado por em 05/06/2013 em Federal, opinião, Política

 

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Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, mas qual liberdade? qual imprensa?

Antes de entrar na faculdade de comunicação social, habilitação em jornalismo, ouvi de tudo. Desde: “você é louca?” até “para quê?”. Pois bem, tanto há os que acham que dinheiro é o que deve motivar as pessoas na escolha de seus caminhos, quanto há os que acham que a decisão de um colegiado de juízes, que muito entendem de leis e pouco de prática, é o suficiente para que as universidades de comunicação se esvaziem e os amantes das notícias se contentem em serem autodidatas sem técnica, nem ética.

Nunca escondi o idealismo que me levou ao jornalismo e é ele quem vem me pautando, continuo querendo fazer diferente e procurando brechas (coisa que advogado adora) para fazer da forma mais coerente com o que acredito que seja a missão maior do jornalismo. O alerta “a prática é muito diferente da teoria” é comum e esperado, vi isso em administração, em Direito e, agora, em jornalismo. Esperar de qualquer atividade profissional um “mar de rosas” não é idealismo, é inocência.

No dia 3 de maio de 1991 foi declarado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa pela Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa de promover essa data partiu da Unesco que, por meio de um artigo publicado em 1990 chamado “Promoção da Liberdade de Imprensa no Mundo”, afirmava que imprensa livre, pluralista e independente é um componente essencial para a sociedade democrática.

Segundo a ONU, hoje coexistem na imprensa e na televisão relatos com pontos de vista distintos em que cada mídia retrata um evento de uma perspectiva diferente. No entanto, em muitos países os jornalistas não têm a liberdade de expressar o que pensam e os que ousam fazer isso sofrem com ameaças, sequestros e até mesmo correm risco de morte.

No ano de 2000, de acordo com a Federação Internacional de Jornalistas, 33 profissionais foram assassinados e outros 87 perderam suas vidas em atividades relacionadas ao trabalho em 1999.

Só no primeiro trimestre deste ano 3 jornalistas foram mortos no país. Mais jornalistas morreram no Brasil em 2012 que no Iraque, Gaza e Afeganistão. Foram 11 profissionais da imprensa assassinados, um recorde. Apenas Síria, Somália e Paquistão viveram cenários mais dramáticos para os jornalistas que o Brasil. No total, foram 139 mortes, em 29 países. O número mundial é 30% superior ao de 2011 e representa cerca de duas vítimas a cada semana. O México, em meio a uma guerra contra o narcotráfico, se iguala aos números do Brasil*.

Como vemos, ser jornalista no Brasil não é das missões mais fáceis, profissionais são mortos por causa do exercício de noticiar, denunciar e revelar. Muitos não têm noção da importância da imprensa numa sociedade livre e democrática, e por mais piegas que pareça “a pior imprensa livre é melhor do que a melhor censurada”, disse Carlos Alberto Pessoa, bem ao estilo de Churchill.

Em Alagoas a morte de jornalista perpassa o campo físico para alcançar a independência jornalística. Os veículos só sobrevivem com o apoio financeiro de agentes políticos, instituições e grupos econômicos, restando ao “mundo virtual” as ações de maior independência – ou não – cabendo ao leitor o consumo indiscriminado e sem preconceitos de informações, a fim de comparativamente tirar suas conclusões, debater temas e ainda mudar conceitos.

Em homenagem a este dia compartilho com vocês, caros leitores, o depoimento a seguir de um querido colega, jovem jornalista alagoano.

*****

A falsa liberdade de imprensa dos jornalistas alagoanos

Por Rafael Maynart – jornalista sonhador

Durante os quatro anos de Jornalismo, ouvi de todos os professores e coordenadores, que os jornalistas têm que ser imparciais e dizer a verdade, ouvir os dois lados e descrever o fato 100% fiel ao que aconteceu. Na teoria, isso é lindo e maravilhoso. Sair pra rua e contar tudo o que acontece na sociedade. Exaltar pontos positivos e questionar os negativos! Cobrar dos gestores públicos mais ações e menos burocracia. Na prática, é que o “bicho pega”!!

Resumir-me-ei a falar da realidade alagoana, pois é a que mais conheço e a que mais vivo. Aqui, o estudante de jornalismo tem que batalhar, ainda na universidade, pelo seu espaço na imprensa. Conseguindo um estágio em sites, assessorias, jornais impressos, emissoras de TV e rádios, submetendo-se a uma jornada de trabalho igual à de um profissional, inclusive, com a mesma pressão.

A maioria dos veículos de comunicação existentes no estado são ligados a políticos ou grandes empresas ou instituições de ensino ou todos ao mesmo tempo. Quando surge algo irregular com esses “apoios”, os veículos são impedidos de noticiar, porque possuem o “rabo preso” e pode ser que cortem a “ajuda de custo” recebida mensalmente. A maioria utilizada para pagar os salários dos jornalistas que ali trabalham.

Em uma determinada eleição anterior a de 2012, estagiava em um portal de notícias – não é o atual – e um dois grandes políticos de Alagoas visitaram uma instituição na qual eu também estagiava na assessoria de comunicação. Eles estavam em campanha eleitoral e não há nada de errado eles irem pedir alguns votos, certo? ERRADO! Pois a visita se dava na véspera da eleição e, por lei, qualquer campanha eleitoral às vésperas do pleito, é considerado crime de boca de urna, onde o candidato está sujeito a ser excluído do processo eleitoral. Um deles ainda soltou a seguinte frase: “Se eu vencer, a situação daqui vai melhorar e muito! Certo pessoal?!”

O que eu fiz?! Nada! Fui impedido de tirar fotos dos tais políticos, e nem sequer escrever um texto sobre o acontecido. Por que fiz isso?! Porque correria o risco de ser demitido dos dois estágios.

O que aconteceu comigo, acontece diariamente na maioria dos veículos de comunicação, onde jornalistas têm que defender os interesses dos patrões, mesmo contra as suas vontades e princípios. Ver algo errado e não poder “botar a boca no trombone” é um dos piores sentimentos para um jornalista. É como ter algo entalado na garganta, sem conseguir colocar para fora!

A liberdade de imprensa só existe no papel ou quando o fato não for de encontro ao interesse particular do jornalista e do veículo de comunicação!

* Esses são dados da Campanha Emblema para a Imprensa.

 
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Publicado por em 03/05/2013 em História, opinião

 

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Janelas Partidas, o início do comportamento reprovável

Discutir comportamento humano é sempre muito interessante porque costuma despertar reações bem acaloradas, tanto para os que se excluem do “normal”, quanto para os que procuram justificar o comportamento das massas, retirando-lhes a responsabilidade pelo que fazem.

Essa semana li um texto publicado no Facebook e achei a análise psicológica fantástica, tanto do ponto de vista do comportamento que assumimos quando outros já assumiram antes, quanto do que consideramos reprovável socialmente, mas não reconhecemos nosso papel de protagonismo.

O texto a seguir foi extraído do Facebook de Luiz Carlos Barbosa de Almeida, em 28/04/2013. Aqui!

 

Não é novidade, mas vale relembrar… (via Tania Prieto)

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TEORIA DAS JANELAS PARTIDAS

Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia. Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

É comum atribuir à pobreza as causas de delito. Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e da esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Por que que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso? Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como o “vale tudo”. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a ‘Teoria das Janelas Partidas’, a mesma que de um ponto de vista criminalístico conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem ‘pequenas faltas’ (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por temor a criminalidade) , estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes.

CHINA-ECONOMY-BUSINESS-RIGHTS

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: graffitis deteriorando o lugar, sujeira das estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de ‘Tolerância Zero’. A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão ‘Tolerância Zero’ soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência da polícia, de fato, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero.

Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja em nosso bairro, na vila ou condomínio onde vivemos, não só em cidades grandes. A tolerância zero colocou Nova York na lista das cidades seguras.

Esta teoria pode também explicar o que acontece aqui no Brasil com corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc. Pense nisso!

 
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Publicado por em 29/04/2013 em opinião, Variedade

 

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Ponderações sobre o caso Bárbara

Obviamente que se as notícias continuarem mudando como mudaram hoje, tão repentinamente, em breve essas minhas ponderações não terão validade alguma, mas como o espaço é meu e eu compartilho aqui o que bem entendo, lá vai.

O caso Bárbara Regina desde o início despertou a atenção do público que acompanhou os noticiários de tv e dos sites dando informações sobre os fatos e as investigações policiais. Vimos, não só eu, mas todo alagoano consumidor de notícias, que Bárbara saiu de uma boate na companhia de um homem desconhecido.

Vimos esse homem ser um ex-namorado complicado, casado com uma mulher ciumenta e depois esse homem se transformar num desconhecido sob o nome de Ótavio.

Mesmo com a entrada de Otávio no rol dos suspeitos, o ex-namorado e sua esposa ciumenta não saíram do foco, pois haveria motivo se o caso pudesse ser – e sempre foi – comparado ao caso da Giovana, garota que teria sido assassinada uma esposa traída, mas que ainda não foi julgada – muito menos condenada –, aí que não poderiam sair das investigações mesmo.

Enfim, vimos um amigo do tal Otávio ser preso sob a acusação de assaltos e outros crimes do gênero e que teria informado à polícia que Otávio teria matado a Bárbara e fugido país. E que ele, assim como o preso, era assaltante e não tinha relação com drogas.

Na pista do tal Otávio, encontraram uma relação homossexual com um homem que teria financiado essa sua fuga para o Paraguai. O que nunca ficou muito claro e nem convenceu ninguém.

Há algum tempo foi publicado num jornal extratos do inquérito que ainda não havia sido concluído. Nessa publicação além de haver todas essas informações levantadas pela polícia também havia a informação de que, junto com a explosão da DEIC, provas extraídas do carro encontrado com o colega de Otávio também teriam explodido antes do exame pericial.

A polícia investigou de tudo – até onde sei (a partir do que foi noticiado) – e não conseguiu ligar Bárbara a drogas ou à prostituição. E se tivessem conseguido não teriam omitido essa informação. Aliás, conseguem afirmar, sim, que a vítima teria tido apenas dois relacionamentos “mais sérios”, sendo o mais recente com o cara casado, acima mencionado.

Agora pergunto:

Como é que a polícia investiga a vida toda de uma garota de programa e não consegue provar que ela é garota de programa? Analisa as ligações de seu telefone móvel e não encontra ligações que apontem para marcação de programas e contato com pessoas suspeitas?

Como é que a garota é envolvida com drogas e nenhum dos amigos mais próximos não sabem, nem desconfiam, muito pelo contrário, asseguram que a garota era “certinha”?

A Vanessa “assassina”, que ganhou as páginas de notícias por ser acusada de matar, esquartejar e queimar mulheres desafetas, só pode ser uma “serial killer”, se as acusações estiverem corretas.

Ninguém se pergunta por que esse primo resolveu delatar a prima “assassina”? Por que só agora? Qual a idoneidade desse rapaz para – sendo a única testemunha – ter suas declarações consideradas suficientes para se encerrar o caso Bárbara?

O que a “assassina” diz sobre essa acusação? O que seu namorado Ninho diz sobre a acusação? Sendo todos, inclusive o primo, ligados ao tráfico de drogas e tão íntimos a ponto de confidenciarem revelações sobre crimes bárbaros, o que assegura que esse primo não seja “assassino” também?

Parece que é ponto pacífico o fato da “assassina” ser pessoa odiada por todo lugar, esse primo pode odiá-la também, até porque pessoas assim, perversas, – como dizem – não colecionam amigos, mas cúmplices – ou delatores. O que realmente motiva o delator a acusar sua prima “assassina”? Vingança? Delação premiada?

Para mim, se não aparecer outro que confirme exatamente o que foi dito pelo primo delator, o caso não pode ser encerrado.

Ninguém aqui é idiota de achar que Bárbara, ou qualquer ser humano no mundo, é ou era perfeita. Jamais! Ninguém é perfeito. Mas daí a transformar a vítima – provável morta – em pessoa vulnerável a essa história cinematográfica é demais. Chega a ser perverso com quem não está mais aqui para se defender e muito mais com a família que sofre e chora todos os dias pela falta de notícias, de certeza e de esperanças.

Ao jugo dos leitores!

 

Obs.: Chamo “assassina” (entre aspas) porque enquanto não for julgada e condenada por autoridade competente, a Vanessa não passa de acusada. E por piores que sejam os crimes que lhe são imputados, seus direitos devem ser assegurados.

Obs.: Todas as informações aqui relacionadas foram relatadas pela imprensa, não me responsabilizo por nada, até porque nunca tive contato com nenhuma das partes, policiais, promotores, acusados, testemunhas, ou quem quer que seja. Admitindo que possa haver exageros.

 
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Publicado por em 25/04/2013 em opinião, Policial

 

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