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Arquivo da categoria: Documentário

O Outro Lado do Paraíso – a Maceió do Brasil mais Seguro

Lágrimas. Foram elas que traduziram a catarse de sentimentos despertados ontem (11), no auditório da Faculdade de Comunicação do Cesmac. O que deveria ser apenas uma apresentação de um trabalho de conclusão de curso acabou se revelando num tocante documentário capaz de explicitar da forma mais clara e contundente as dores que mais têm incomodado maceioenses e todo alagoano.

12 anos de crescimento constante do número de mortes por causas violentas levou Maceió à primeira colocação entre as cidades mais violentas do Brasil, com destaque inclusive no “ranking” internacional.

Há um ano o governo estadual lançou em Alagoas o programa federal “Brasil mais Seguro”, surgido como “tábua de salvação” para a situação de criminalidade descontrolada e bárbara na qual o estado se encontra. A ideia, desde o início, era a redução dos números através da força policial e de inibição da ação criminosa com a “sensação de segurança” nas ruas.

O ano passou e uma dupla de graduandos em jornalismo do Cesmac resolveu abordar o tema em seu TCC por meio de um “documentário televisivo”, fazendo referência máxima à postura governamental de adotar uma campanha publicitária onde se comemora a “redução” do número de mortos por causas violentas acendendo a luz de velas.

Redução esta contestada veementemente por suspeitas de maquiagem de números. Afinal, quantos potenciais homicídios foram realmente abortados? Impossível saber. O que se sabe é que os potenciais assassinos continuam se multiplicando pelas ruas diante da ausência de políticas públicas que deem aos jovens expectativas.

A campanha institucional pegou tão mal em todas as esferas sociais que a vela assumiu papel de protagonismo no debate sobre a criminalidade. Um dos entrevistados no documentário, André Palmeira, filho do médico José Alfredo Vasco, foi claríssimo ao afirmar que muitas velas foram acesas pelos parentes de vítimas fatais da violência, e que velas continuam sendo acesas por essas mesmas famílias. Comemorar redução de mortes acendendo velas é desrespeitar quem continua acendendo velas por seus mortos e aqueles que acendem diariamente velas por seus novos mortos.

Depoimentos de pais, mães e filhos são naturalmente fortes e comoventes. Tenha sido a vítima assassinada pela razão que for, seja a vítima pessoa de bem ou não, para os entes queridos a dor da morte não tem cura, a dor da violência não tem remédio, a dor da impunidade rasga o coração diariamente.

O pai que perdeu dois filhos assassinados em menos de um ano, a mãe que perdeu o filho da forma mais vil e ainda foi acusada de corresponsável por aqueles que deveriam ter protegido a vida de seu filho e toda a sociedade, o filho que perdeu o pai por uma bicicleta velha que “servia para nada”…

Enquanto isso o documentário é cortado por argumentos, defesas, ataques de representantes do poder público, de entidades da sociedade civil organizada e estudiosos. Editado de forma que parece ao espectador que um debate foi levantado, o roteiro está límpido. O Brasil Mais Seguro foi uma boa ideia que de nada resultará se não for acompanhada de medidas mais efetivas de prevenção.

As lágrimas que fatalmente acometerá aos mais sensíveis que assistirem ao documentário “O Outro Lado do Paraíso – a Maceió do Brasil mais Seguro” são as mesmas que me tomam quando lembro de frases impactantes como “em Alagoas não tem cidadão” ou “não, o alagoano não é violento”. Frases como essas me tomam de dor e lamento, procuro a Maceió da minha infância, dos meus passeios de bicicleta, das brincadeiras no “areião” em frente de casa, das idas à escola de carroça e só o que encontro é a Maceió do Brasil mais Seguro cada vez mais insegura.

Segue o link para o documentário de Fernando Nunes e Nathália Conrado.

 
 

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E se você tivesse a chance de se despedir?

E você?

O que você faria se fosse diagnosticado com uma doença gravíssima?

E se fosse você a se despedir da vida, da família, dos amigos, do mundo?

O que faria com o tempo que lhe resta?

Zachary Sobiech resolveu compor, cantar, gravar, divulgar e incentivar pesquisas para a cura do câncer.

Zach foi diagnosticado com o osteosarcoma aos 14 anos, e começou a compor nessa época. “Clouds” foi a primeira música composta por Zach. Ele escreveu muitas outras depois. Ele foi o personagem central do documentário “My last days: meet Zach Sobiech”.

Confira aqui!

Como será que é viver os últimos dias e não perder a fé no amanhã? Fazer planos para o futuro, desejar casar, ter filhos e um bom emprego?

Não, não é possível imaginar, mas Zach nos deixou uma valorosa lição: “Você não precisa saber quando vai morrer para começar a viver”.

Zach Sobiech morreu, aos 18 anos, na manhã do último dia 20.

E nas nuvens a vista deve ser bem melhor mesmo…

Letra e tradução de “Clouds” Aqui!

 
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Publicado por em 30/05/2013 em Documentário, Variedade

 

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Abaixando a máquina – ética e dor no fotojornalismo carioca

Recentemente, em aula de fotojornalismo, foi-nos apresentado o documentário “Abaixando a máquina – ética e dor no fotojornalismo carioca”, que tem por finalidade precípua desmistificar a realidade dos profissionais da imagem no jornalismo, aqueles que levam imagem para a narração dos fatos.

O documentário produzido pelo fotógrafo Guilhermo Planel e pelo jornalista Renato de Paula, tem como cenário o cotidiano do jornalismo no Rio de Janeiro, mostrando um pouco da realidade em que os fotojornalistas cariocas vivem.

A realidade é mesmo perturbadora, o jornalismo que se sobressai é o policial e com ele todo o perigo, o sangue, a dor e a controvérsia ética, do que é possível ou não noticiar, assim como o que deve ou não fazer virar notícia.

O fotógrafo tem como mote registrar a realidade, independentemente do quão dolorosa e perversa ela seja, seu papel é retratar a realidade. O bom profissional pode e deve ser pautado pelo bem que ele faz levando ao conhecimento público as mazelas sociais, despertando a população para os problemas que a rodeia.

O documentário foi produzido de forma dinâmica e tem o poder de prender a atenção de quem o assiste, seja ou não do mundo da comunicação. As imagens chocantes dão lugar a histórias emocionantes e mostram que o jornalismo sem a imagem não existe.

O documentário já é de uma contribuição imensa para a formação de jornalistas e fotojornalistas, mas ontem (06) o professor da disciplina – Beto Macário – nos proporcionou uma experiência incrível. Alunos de teatro da UFAL/Reitoria encenaram num realismo indescritível uma situação de incêndio numa boate – inspirados pelo acidente na Boate Kiss – e pudemos ter a real (ou aproximada) noção do quão difícil é a tomada de decisão diante do perigo com a máquina na mão e um dever – registrar.

Em breve escreverei mais a respeito e publicarei algumas de minhas fotografias.

Eis uma…

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Publicado por em 07/05/2013 em Documentário, Variedade

 

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A Rede Globo em 1993

Em recente aula sobre a mídia no Brasil no período do Regime Militar, foi sugerido o filme “Muito Além do Cidadão Kane”, documentário britânico, dirigido por Simon Hartog, transmitido a primeira vez pela “Channel 4”, emissora pública do Reino Unido.

O documentário retrata a ascensão e o sucesso inegável e imbatível da Rede Globo de Televisão. Para tanto foi abordado historicamente o surgimento do conglomerado comandado por Roberto Marinho, e como ele se manteve intocável em seus mais variados seguimentos e acima de quaisquer concorrentes quando se fala em rede de televisão.

As Organizações Globo surgiram com o Jornal O Globo e a Rádio Globo, posteriormente, em 1957, é que a transmissão via televisão é concedida pelo Presidente da República, Juscelino Kubitschek, aquele que planejou desenvolver o Brasil em cinco anos o equivalente a cinquenta anos de tecnologia e estrutura.

Além de mergulhar o Brasil numa dívida estarrecedora, e numa inflação enorme, JK também levou para o centro-oeste brasileiro, local inabitado e longe dos grandes núcleos populacionais, o centro administrativo e a capital da República do Brasil. Este feito arquitetonicamente grandioso, do ponto de vista político e econômico audacioso, mostrou-se um “golpe de mestre”, levando para longe dos ataques oposicionistas do povo insatisfeito o local físico a que se dirigiam os movimentos sociais.

Enfim, não foi nesse contexto que a Rede Globo nasceu, só anos após, em 1965, em meio ao Regime Militar. Sendo pautada pelo interesse governamental, a Rede Globo cresceu sob a égide da integração nacional, ambição militar de unir todos os rincões brasileiros, minimizando as diferenças e as pretensões individuais. Proveniente de um histórico de revoltas e tentativas de separações regionais, os militares queriam um país mais homogêneo e menos regionalizado.

Por meio de programas padronizados e veiculados no mesmo horário para todo o país, como o Jornal Nacional, o Brasil começou a ser moldado. A primazia da Globo, através de programas com editorial alienante, conseguiu e consegue manipular a opinião e o comportamento de seu público.

Por muitos anos, os mais cruciais, apenas ela era assistida em todo país, e a dinâmica com que trazia as notícias ao público acomodou-os, afinal era muito mais conveniente simplesmente tomar para si as verdades expostas.

O documentário citado revela justamente esta faceta do conglomerado liderado pela família Marinho. Toda sua atuação nos mais diversos contextos histórico, político e econômico. Sua capacidade ímpar de se amoldar às mais diferentes situações, com o fito de manter-se hegemônico no campo das telecomunicações, viabilizou o império que é hoje na América Latina, alcançando o posto de terceira maior emissora comercial do mundo.

O uso cinematográfico do espaço informativo é propício para o esclarecimento da massa, e é com este claro objetivo que “Muito Além do Cidadão Kane” é produzido. Abordando com especial atenção quatro momentos históricos e políticos é capaz de ilustrar o que a Rede Globo de Televisão representa em nosso país.

Os momentos retratados são: a GREVE DOS METALÚRGICOS nos idos de 1980, quando a rede Globo apenas transmitia as notícias convenientes aos industriais, e nada a respeito dos interesses dos grevistas; a eleição para o GOVERNO DO RIO, em 1982, quando atuou contra BRIZOLA, em favor do candidato apoiado pelo Regime Militar; o movimento das “DIRETAS JÁ”, que em 1984 crescia e abarcava as mais diversas camadas sociais das maiores cidades do país, a emissora, enquanto pôde se absteve de noticiá-la, e quando se viu impossibilitada de manter-se omissa, resolve dissimulá-la, retratando-a como mera comemoração pelo aniversário da cidade de São Paulo; outro caso emblemático e mais recente foi a manipulação escrachada e toda a programação propagandista em favor do candidato à PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, EM 1989, Fernando Collor de Melo.

A partir de todo o exposto, o documentário, de forma simplista e objetiva, consegue mostrar o nível de alienação e acomodação que o povo brasileiro vivia (e ainda vive) em 1993. O baixíssimo nível educacional e crítico de uma massa foi capaz de abrir os caminhos para a consolidação desta que se tornou referência quando o assunto é televisão comercial e manipulação de massa.

 

O interessante do vídeo é muito mais que o despertar que provoca, é o incentivo à racionalização por si e o constante questionamento às verdades impostas por todos os meios de comunicação.

Hoje, com o advento da internet, e a crescente democratização dos veículos (ainda que em nosso Estado isso não pareça ocorrer), não se justifica mais a acomodação, sendo relevante não só a busca constante por mais informações e pelo confronto entre as que se impõem, mas também a atuação direta da massa, passando esta a, enfim, pautar os meios de comunicação.

 
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Publicado por em 21/09/2011 em Cinema, Documentário

 

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