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Arquivo mensal: novembro 2015

Dossiê Herzog

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Diferente da obra de Audalio Dantas, o livro de Fernando Jordão tem a proximidade temporal como atrativo para a sua obra. Jordão foi um grande amigo de Herzog, estiveram juntos em Londres trabalhando para a BBC, foram colegas em outras redações.

Enquanto Audalio foi uma testemunha institucional, principalmente na condição de presidente do sindicatos dos jornalistas de SP quando do assassinato de Vlado, Jordão foi colega, amigo, companheiro. Tão ameaçado quanto Vlado pela forças “revolucionárias democráticas”.

Este livro foi publicado em 1979 e naquele momento foi um ato de coragem e rebeldia. Os livros que li sobre Vlado me fizeram admirar o homem que não cedeu, mas muito mais admiro os sobreviventes, aqueles que lutaram pelo fim da censura, das torturas e dos segredos dos porões militares.

Precisamos nos alimentar de informações, todas elas, pois se não queremos uma ditadura militar, também não queremos uma ditadura de esquerda. Conhecer nossa história e a do mundo, nos fortalece no entendimento da tolerância, dos argumentos, da solidez do debate de ideias e do respeito aos contrários, pois a liberdade deles atestará que continuo firme no propósito de lutar por liberdades para todos.

 
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Publicado por em 08/11/2015 em Uncategorized

 

As duas guerras de Vlado Herzog

As duas guerras de Vlado Herzog

Na semana em que são lembrados os 40 anos da morte de Vladimir Herzog recomendo o livro de Audalio Dantas. Um importantíssimo relato sobre o sindicalismo dos jornalistas e todas as guerras que precisou travar, principalmente quando o maior inimigo era a censura, o aviltamento de salários e a prostituição do profissional em troca de uma carteirinha de jornalista.

Assim como hoje ainda é apregoado, no início do jornalismo no Brasil, Chateaubriand, afamado empresário da comunicação no Brasil, pioneiro também na prática do “trabalhar no meu veículo já deveria lhe bastar”, “vc não já tem sua carteirinha, para que salário?”, comuns ainda hoje entre estagiários e jovens jornalistas.

Muitos foram os anos que se passaram desde a morte de Herzog. Ele foi perseguido por sua ligação com o Partido Comunista, mas sua principal motivação não era o comunismo, mas a resistência ao regime militar. Tudo porque Herzog acreditava e lutava pela liberdade de imprensa, pelo fim da censura prévia e se negava à prática comum (até hoje) da auto-censura.

Apesar das décadas que nos separam daquele contexto histórico, vários itens pontuados por Audalio ainda se repetem atualmente. Um segmento disperso, pouco ligado às lutas sindicais da profissão, desiludidos com os rumos da política e da representação sindical.

Mas a resistência pacífica e organizada como ponto central de união entre os jornalistas resgatou o sindicato do ostracismo e o transformou numa importante ferramenta de oposição política e ideológica.

Como sabemos que a história que não é contada está condenada a ser repetida. Sugiro a leitura. Por todos, mas principalmente pelos colegas jornalistas.

Vem ainda dos tempos do regime militar alimentar a ideia de que a imprensa era perniciosa. À medida que os militares linha-dura ganhavam espaço no regime, setores da própria imprensa eram usados para fomentar a ideia de que por todas as redações havia núcleos comunistas dispostos a se valer do poder de comunicação com as massas para manipular o povo.

A fim de afastar as pessoas da influência até de novelas, em plena década de 70, militares faziam sair em notas de colunas de jornalistas “democráticos”, pois a ditadura dos militares era chamada de democracia por eles, informações alarmantes sobre a capilaridade do Partido Comunista na imprensa.

“Já havia entendimento consensual na diretoria de que todos os jornalistas, registrados ou não, sindicalizados ou não, seriam defendidos pelo sindicato quando atingidos pela violência da repressão”.

 
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Publicado por em 04/11/2015 em Uncategorized