RSS

Arquivo mensal: janeiro 2014

Haja idiotização

Publicado no Portal Cada Minuto

A “idiotização dos adultos” não é expressão nova, na verdade todos os filósofos e pensadores da atualidade já diagnosticaram o que nossa sociedade tem mais fulgente: que sua perspicácia, seu poder de indignação e sua capacidade de pensar por si mesma já não têm a mesma intensidade de outrora.

Que não sejam os mesmos ideais, é até importante, mas que tenha algum ideal, que seja capaz de sonhar, que encontre a necessidade de mudança, que mantenha o cunho crítico de outros tempos.

Não que outros tempos tenham sido melhores, mas é lamentável que o passado não seja revisitado com alguma constância, que já não haja curiosidade sobre a própria história e que a resignação seja a nova moda.

A moda virtual, que se consolidou com as redes sociais, de criação de “memes” parece mais um artifício daqueles que querem escravizar as poucas mentes pensantes que ainda restam (não que estejam apenas na internet), dando-lhes o que de mais fácil há para assimilar.

A língua portuguesa não é das mais fáceis – não é novidade – mas a novidade é que em vez de incentivar a leitura e busca criativa pelas construções lexicais, o que temos visto é uma enxurrada de expressões incorretas e que facilmente “caem no gosto da galera”.

#taserto #comofas #ryca Inclusive é possível encontrar a definição de tais expressões (e outras) na própria internet. “É derivada de um idioma fictício também criado na net (tiopês), que consiste simplesmente em escrever o português totalmente errado”.

Pois é, simplesmente escrever o português totalmente errado, como se isso fosse besteira, como se a internet não estivesse repleta de jovens em formação, como se nós já não nos revoltássemos com a falta de educação (de qualidade) em todos os níveis e agora nós, a geração que ia mudar o mundo – parafraseando Cazuza –, tivéssemos simplesmente jogado a toalha.

Teríamos desistido? Chegamos à tamanha acefalia que já não desejamos um amanhã melhor, já não queremos uma educação melhor, já desistimos de fazer a nossa parte?

Muito interessante ver essa mesma geração que há meses foi às ruas pedir mais #educação #saúde #segurançapública #transparência tenha esquecido da lição mais simples, a mais clara, a mais óbvia – o exemplo.

Sob o manto da simplicidade e da democratização do acesso à informação, não é possível que aceitemos que “memes” cretinas, os quais só servem para “idiotizar” o leitor, sejam incentivadas.

“Deixa a onda me levar” parece que todos cantam em uníssono. Acordam e vão se deitar esperando que o próximo dia surja e com ele os novos passos que naturalmente deverão ser dados. Ora, mas por que os novos passos devem ser dados conforme a música? Por que já não é aceito o pensamento crítico e divergente? Não qualquer pensamento imposto, mas aquele cujo argumento o alicerça e é capaz de conquistar/convencer, ou não, mas que insta a pensar.

Resolvi me rebelar, resolvi acordar!

 
2 Comentários

Publicado por em 17/01/2014 em CadaMinuto

 

Tags: , , , , , , , , ,

Assim são as Alagoas…

Publicado no Perfil do Facebook

Aqui em Alagoas acontecem fenômenos dignos de estudo: contamos com um dos menores estados da federação, menos gente, menos espaço, deveria ser mais fácil administrar o dinheiro público, né?! Mas não, temos a pior educação, pior saúde, pior segurança, pior tudo!

Este mesmo lugar pequenininho é capaz de exportar políticos de grande influência no cenário nacional. Presidentes da República: dois marechais e um eleito pelo povo e expulso (ou pediu para sair) pelo Congresso (o único); hoje temos um dos mais influentes no xadrez político nacional, e outra penca de senhores que já estão por lá há tantos anos (ou seriam décadas?), que são considerados “perpétuos” em Brasília. Mesmo com tanta influência continuamos recordistas em péssimos índices!

Mas não é só isso. Nesta terra de miseráveis, temos um verão digno de Côte D’azur. “Que galera endinheirada é essa, mermão?!”, parece até que ouço algum cantor baiano dizendo isso… Enfim… São tantos os novos milionários, que Alagoas é o segundo (óh, não é o primeiro!) em crescimento do número de novos milionários no Brasil.

Que estado é este de tantas contradições? Deveríamos ser objeto de estudo detalhado.

Um povo que fala tanto em política, sabe tanto, entende tanto, esculhamba tanto, mas que não se furta ao privilégio da pulseira arranjada para um réveillon “esbanjamento” na beira da praia, todos bêbados de chandon fica difícil identificar os “companheiros de luta” e os “coxinha”, né?!

Enfim… Dias, meses e anos vão passando e o que muda é tão pouco que a gente nem sente. Certeza mesmo, só de que Tiriricas não brotarão de solo alagoano, isso porque, se não ficar como está, “sempre pode piorar”!!!

Chega de hipocrisia!!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 15/01/2014 em Facebook

 

Tags: , , , , , , , , , , , ,

“Ninfomaníaca”, minhas impressões

Assisti, na última semana, “Ninfomaníaca”, do dinamarquês Lars Von Trier. Andei lendo umas críticas a respeito e, com todo respeito do mundo e reconhecendo meu lugar de leiga no mundo cinematográfico, discordo completamente. Para mim o filme é fantástico, consegue unir drama, sentimento e humor, tudo na dose certa.

Ninfomaniaca1_poucas_palavrasA capacidade de fazer ligações entre o submundo do sexo e situações do nosso cotidiano mais banal ou até requintado é incrível e surpreendente. Por vezes a ficção chega a berrar, mas quando nos livramos de estigmas e preconceitos, somos capazes de pensar: “pior que faz sentido”.

Do meu ponto de vista, Trier se superou. Manteve a linha chocante, cortante e perturbadora, mas sem excessos, o incômodo causado foi na medida certa. No ponto exato para não se entregar ao “mais do mesmo” e não cair no estereótipo do horror desmedido e trash.

Lars Von Trier

O cineasta é conhecido mundialmente por sua capacidade de perturbar e provocar o espectador. A cena mais conhecida e mais comentada é do filme “Anticristo”. E sobre as cenas explícitas que chocaram o mundo, Trier disse: “Simplesmente achei que seria errado não mostrar. Sou um cineasta que acredita que devemos colocar na tela tudo o que pensamos. Sei que é doloroso ver, mas esse filme tem muito a ver com essas dores“.

Eu entendo Hitler, embora saiba que fez coisas erradas. Sei disso. Só estou dizendo que entendo o homem, não é o que chamaríamos de um bom homem, mas simpatizo um pouco com ele“. Frases como essas fazem de Trier uma lenda também fora das telonas.

Recomendo!

Cine Arte Pajuçara: 16h40; 21h (exceto segunda) (legendado)

 
1 comentário

Publicado por em 13/01/2014 em Cinema

 

Tags: , , , , ,

Comodismo democrático

Publicado no Portal Cada Minuto

Interessante como as pessoas de um modo geral têm muito mais facilidade para criticar do que para elogiar. Não que não devam criticar. A crítica deve ser encarada como contribuição para a mudança e para um futuro melhor, não deve ser vista como algo pessoal, mas como um alerta para que ações reprováveis não se repitam.

A democracia, assim como a liberdade de imprensa e a livre manifestação do pensamento, são institutos que viabilizam o ativismo social, a participação popular e incentivam a prestação de contas do agente público e político. Entretanto, a mesma democracia tem gerado um comodismo social. É muito mais fácil unir-se ao coro que desqualifica políticos e Instituições Públicas, a levantar do sofá e procurar um meio de estimular ações diferentes.

Houve um tempo em que a vida particular de políticos não interessava a ninguém, bastando ao interesse público a vida pública do agente público. Hoje não, as pessoas têm demonstrado cada vez mais interesse por traições conjugais, relações homossexuais, filhos fora do casamento, briga de família e toda sorte de escândalo digno de tabloides. A imprensa marrom tem se encarregado de “matar” essa curiosidade saciando-a e alimentando-a sem maiores escrúpulos.

O pensamento coletivo tem sido tão raso e de uma frivolidade tão assustadora que o comodismo foi incorporado ao comportamento social com naturalidade. Fala-se mal da classe dos políticos, generaliza-se a administração pública depreciativamente e assim vão se eximindo do processo democrático. Audiências públicas têm se tornado piada. Muito por culpa da própria população, mas também pela total falta de consciência política.

A situação que sempre foi buscada por regimes totalitários, paradoxalmente, tem sido conseguida justamente pela democracia. Não sendo estimulada – a consciência política – facilita a perpetuação no poder dos políticos carreiristas – aqueles que merecem mesmo todas as críticas, e que pouco se importam, repetindo constantemente os mesmos atos reprováveis.

Recentemente, lendo “A civilização do espetáculo”, de Vargas Llosa, achei interessante e concordei sobremaneira com as análises do mestre. Llosa apontou o comportamento da sociedade – ávida por notícias ruins, por vidas tristes e por mazelas, para que suas próprias moléstias não lhe pareçam tão incômodas – como propulsora para o comportamento do jornalismo, que se alimenta e alimenta os consumidores de notícias com as piores informações, evitando análises mais profundas e a apresentação de sugestões, correspondendo, assim, às expectativas do público cada vez mais superficial, preocupado com quantidade e velocidade da informação e não com a qualidade e a apuração.

De quem é a culpa não é fácil dizer. Quem alimenta quem? A sociedade, a mídia, o poder, o dinheiro? O que se tem por certo (certo porque a história mostra diariamente que é o certo) é que a democracia e as liberdades individuais, por mais criticadas que sejam, não podem ser violadas, não podem ser suprimidas. A pior democracia será sempre muito melhor que qualquer regime autoritário e censor.

Mas a melhor democracia tem que ser estimulada com ações mais participativas, dentro ou fora do cenário político partidário, mas estimulando comportamento probo, verdadeiro, legal e altruísta. De nada adiantará a democracia formal, aquela na qual vivemos, mas não usufruímos. Possuímos todos os mecanismos legais – ainda que deficitários – para fazê-la funcionar com perfeição, inclusive com a possibilidade de mudança das leis e do próprio sistema.

O comportamento cidadão não pode perder espaço para o entretenimento superficial. Ainda que seja natural a busca por “paraísos artificiais” (aqueles que entorpecem e aliviam as dores diárias), o cidadão não pode perder seu poder de indignação, sua disposição em contribuir, agir hoje pensando no amanhã e dar exemplos, deixar lições.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 10/01/2014 em CadaMinuto

 

Tags: , , ,

Mais informação, menos conhecimento (Llosa)

O texto a seguir foi escrito por Mário Vargas Llosa, publicado em sua coluna mensal no jornal espanhol El País em julho de 2011. Republicado em seu livro A civilização do espetáculo – uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura, trad. Ivone Benedetti. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

Ao ler o texto a seguir lembrei-me de uma orientação médica que diz que devemos exercitar o cérebro como devemos exercitar qualquer outro músculo do corpo, pois, caso contrário, ele atrofia, acomoda e fica flácido. Parece que o Llosa entende da mesma forma. Estaríamos mesmo indispostos a nos divertir por meio de esforço intelectual e mental?

 

Mais informação, menos conhecimento

Por Mário Vargas Llosa

Nicholas Carr estudou Literatura no Dartmouth College e na Universidade de Harvard, e tudo indica que na juventude foi um leitor voraz de bons livros. Depois, tal como ocorreu com toda a sua geração, descobriu o computador, a internet, os prodígios da grande revolução informática de nosso tempo, e não só dedicou boa parte da vida a usar todos os serviços on-line e a navegar o dia inteiro pela rede, como também se tornou um profissional e especialista nas novas tecnologias da comunicação, sobre as quais escreveu extensamente em prestigiosas publicações dos Estados Unidos e da Inglaterra.

Um belo dia ele descobriu que tinha deixado de ser bom leitor e, quase quase, leitor. Sua concentração se dissipava depois de uma ou duas páginas de um livro; e, sobretudo se o que lia era complexo e demandava muita atenção e reflexão, surgia em sua mente algo como uma recôndita rejeição a continuar com aquele esforço intelectual. É assim que ele conta: “Perco a calma e o fio da meada, começo a pensar em outra coisa para fazer. Sinto-me como se estivesse sempre arrastando meu cérebro desconcentrado de volta para o texto. A leitura profunda, que costumava vir naturalmente, transformou-se em esforço.”

Preocupado, tomou uma decisão radical. No final de 2007, ele e a esposa abandonaram suas ultramodernas instalações em Boston e foram morar numa cabana das montanhas do Colorado, onde não havia telefonia móvel, e a internet era melhor que não aparecesse. Ali, ao longo de dois anos, escreveu o polêmico livro que o tornou famoso. Intitula-se em inglês The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains e em espanhol: Superficiales: ¿Qué está haciendo Internet con nuetras mentes? (Taurus, 2011). Acabo de lê-lo de uma tacada só e fiquei fascinado, assustado e entristecido. (No Brasil: A geração superficial – o que a internet está fazendo com nossos cérebros, trad. Mônica Gagliotti Fortunato Friaça. Rio de Janeiro: Agir, 2011.)

Carr não é um renegado da informática, não se tornou um ludista contemporâneo que gostaria de acabar com todos os computadores, de modo algum. Em seu livro reconhece a extraordinária contribuição que serviços como Google, Twitter, Facebook ou Skype dão à informação e à comunicação, o tempo que poupam, a facilidade com que uma imensa quantidade de seres humanos podem compartilhar experiências, os benefícios que tudo isso acarreta às empresas, à investigação científica e ao desenvolvimento econômico das nações.

Mas tudo isso tem um preço e, em última análise, significará uma transformação tão grande em nossa vida cultural e no modo de funcionamento do cérebro humano quanto foi a descoberta da imprensa por Johannes Gutenberg no século XV, que generalizou a leitura de livros, até então confinada a uma minoria insignificante de clérigos, intelectuais e aristocratas. O livro de Carr é uma reivindicação das teorias do agora esquecido Marshall McLuhan, de quem ninguém fez muito caso quando, há mais de meio século, ele afirmou que os meios não são nunca meros veículos de um conteúdo, que eles exercem uma influência subliminar sobre este, e que, no longo prazo, modificam nossa maneira de pensar e agir. McLuhan referia-se sobretudo à televisão, mas a argumentação do livro de Carr e os abundantes experimentos e testemunhos citados para apoiá-la indicam que semelhante tese tem extraordinária atualidade no que se refere ao mundo da internet.

Os defensores recalcitrantes do software alegam que se trata de uma ferramenta que está a serviço de quem a usa e, evidentemente, há abundantes experimentos que parecem corroborar essa afirmação, desde que essas provas sejam feitas no campo da ação, em que os benefícios dessa tecnologia são indiscutíveis: quem poderia negar que representa um avanço quase milagroso o fato de, agora, em poucos segundos e com um pequeno clique do mouse, um internauta conseguir uma informação que há poucos anos exigia semanas ou meses de consultas em biblioteca e a especialistas? Mas também há provas concludentes de que, ao deixar de se exercitar por contar com o arquivo infinito posto ao seu alcance por um computador, a memória de uma pessoa se entorpece e debilita tal como os músculos que deixam de ser usados.

Não é verdade que a internet é apenas uma ferramenta. É um utensílio que passa a ser um prolongamento de nosso próprio corpo, de nosso próprio cérebro, que, também de maneira discreta, vai se adaptando pouco a pouco a esse sistema de informa-se e de pensar, renunciando devagar às funções que esse sistema desempenha por ele e, às vezes, melhor que ele. Não é uma metáfora poética dizer que a “inteligência artificial” que está a seu serviço suborna e sensualiza nossos órgãos pensantes, que, de maneira paulatina, vão se tornando dependentes dessas ferramentas e, por fim, seus escravos. Para que manter fresca e ativa a memória se toda ela está armazenada em algo que um programador de sistemas chamou de “a melhor e maior biblioteca do mundo”? E para que aguçar a atenção se, apertando as teclas adequadas, as lembranças de que necessito vêm até mim, ressuscitadas por essas diligentes máquinas?

Não é estranho, por isso, que alguns fanáticos da web, como o professor Joe O’Shea, filósofo da Universidade da Flórida, afirmem: “Sentar-se e ler um livro de cabo a rabo não tem sentido. Não é um bom uso de meu tempo, já que posso ter toda a informação que quiser com maior rapidez através da web. Quando alguém se torna caçador experiente na internet, os livros são supérfluos.” O que há de atroz nessa frase não é a afirmação final, mas o fato de o filósofo em questão acreditar que as pessoas leem livros só para “informar-se”. Esse é um dos estragos que vício frenético na telinha pode causar. Daí a patética confissão da doutora Katherine Hayles, professora de Literatura da Universidade de Duke: “Já não consigo fazer meus alunos lerem livros inteiros.”

Esses alunos não tem culpa de serem agora incapazes de ler Guerra e paz ou Dom Quixote. Acostumados a pescar informações nos computadores, sem precisarem fazer esforços prolongados de concentração, foram perdendo o hábito e até a faculdade de se concentrar e se condicionaram a contentar-se com esse borboleteio cognitivo a que a rede os acostuma, com suas infinitas conexões e saltos para acréscimos e complementos, de modo que ficaram de certa forma vacinados contra o tipo de atenção, reflexão, paciência e prolongada dedicação àquilo que lê, que é a única maneira de ler, com prazer, a grande literatura. Mas não acredito que seja só a literatura que a internet tornou supérflua: toda obra de criação gratuita, não subordinada a utilização pragmática, fica fora do tipo de conhecimento e cultura que a web propicia. Sem dúvida esta armazenará com facilidade Proust, Homero, Popper e Platão, mas dificilmente suas obras terão muitos leitores. Para que ter o trabalho de lê-las se no Google posso encontrar sínteses simplificadas, claras e amenas daquilo que foi inventado naqueles livrinhos arrevesados que os leitores pré-históricos liam?

A revolução da informação está longe de terminar. Ao contrário, nesse campo surgem a cada dia novas possibilidades e novos sucessos, e o impossível vai retrocedendo velozmente. Devemos ficar alegres? Se o tipo de cultura que está substituindo a antiga nos parecer um progresso, sem dúvida sim. Mas devemos nos preocupar se esse progresso significar aquilo que um erudito estudioso dos efeitos da internet em nossos cérebros e em nossos costumes, Van Nimwegen, deduziu depois de um de seus experimentos: que deixar por conta dos computadores a solução de todos os problemas cognitivos reduz “a capacidade do cérebro de construir estruturas estáveis de conhecimentos.” Em outras palavras: quanto mais inteligente nosso computador, mais burros seremos.

Talvez haja exageros no livro de Nicholas Carr, como sempre ocorre com os argumentos que defendem teses controvertidas. Careço de conhecimentos neurológicos e de informática para julgar até que ponto são confiáveis as provas e as experiências científicas descritas em seu livro. Mas este me dá a impressão de ser rigoroso e sensato, uma advertência que – não nos enganemos – não será ouvida. Isso significa, se ele tiver razão, que a robotização de uma humanidade organizada em função da “inteligência artificial” é irrefreável. A menos, claro, que um cataclismo nuclear, por obra de uma acidente ou uma ação terrorista, nos faça regredir às cavernas. Então, seria preciso começar de novo, para ver se dessa segunda vez fazemos as coisas melhor.

Fonte: El País

 
Deixe um comentário

Publicado por em 09/01/2014 em Literatura, Variedade

 

Tags: , , , , , ,

Feliz 2014, para quem?

Publicado no Portal Cada Minuto

O novo ano começou, com ele, a exemplo do que ocorre sempre às segundas-feiras, novos projetos são postos em prática, promessas são feitas e o “primeiro passo” é dado. Assim como vemos análises sobre o futuro, sobre o passado e até sobre o presente, encontramos pessoas sensatas que alertam para a necessidade de mudança de comportamento, de valores e de postura pessoal para que mudanças mais contundentes alcancem sucesso.

Tudo verdade e tudo muito válido, mas que diferença há de fazer um dia a mais, uma quarta-feira a mais, uma virada de ano? Por mais que o clima geral seja de esperança e otimismo, o que há de diferente realmente?

Nas ruas continuamos com medo, em casa os filhos continuam desrespeitando e afrontando os pais, crianças tratam os mais velhos como coleguinhas, não sabem o que significa um “não” e têm se tornado cada vez mais perigosos. Sem educação de qualidade – nem em casa e nem na escola – os antigos “pitboys” deram lugar aos costumeiros playboys, mas que além de se valerem do dinheiro e da força física, também contam com carros caros e potentes, família rica e pais cúmplices. Quem é você, caro leitor, nessa sociedade?

Caso tenha resolvido parar de ler por aqui, bem, já sei quem é você, mas se resolveu continuar é porque ainda que seja mais desses que só se proliferam, entende que é chegada a hora da mudança de comportamento (passou da hora!).

Quando falhamos no nosso papel de educadores, o Estado exerce seu papel punitivo, não há como evitar – aliás, há sim como evitar, mas, por favor, não me forcem a tecer comentários sobre os bandidos que patrocinam e viabilizam a corrupção no Judiciário. Afinal, há mesmo quem ache que “bandido bom é bandido morto”, mas desde que o bandido seja o preto, pobre, marginalizado e morador de rua ou de grota.

Mas e o que você fez no ano passado e nos demais anos que se passaram para almejar um ano de 2014 melhor? Você respeitou as normas de trânsito, respeitou filas em estabelecimentos comerciais, tratou com urbanidade e cortesia não só os conhecidos, mas também os desconhecidos e, principalmente, os mais humildes? Por falar em humildade, você foi solidário, praticou o nobre exercício de se colocar no lugar dos outros, tentou ter paciência? Tratou as crianças com carinho, respeito e firmeza?

Pois é, caro leitor, difícil imaginar um 2014 realmente novo se você continua “velho”, se você acha que o pobre que rouba para alimentar vícios merece ser linchado na rua, merece ser morto por justiceiros. Pior, se você acha que o político que está no poder agora não presta e acredita piamente que o político “amigo” – aquele do “tapinha nas costas” – será melhor porque lhe prometeu um emprego que você nem precisará comparecer. Se você acha que está tudo bem na Assembleia Legislativa de Alagoas e pretende reeleger um dos que sempre contribuíram para enlameá-la – porque o “moço” é amigo da família – bem, não dá para conversar.

Desejo mesmo um ótimo 2014, melhor que 2013, com pessoas mais críticas, mais dispostas, mais esclarecidas, mais dedicadas ao futuro, às crianças, à formação da sociedade alagoana, prontas a romper com as correntes do passado que só se repete e se perpetua.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 07/01/2014 em CadaMinuto, opinião

 

Tags:

Que Copa esperar?

Tem-se falado muito sobre os atrasos nos preparativos do Brasil para receber a Copa do Mundo deste ano, mas talvez as pessoas, em especial os caros leitores do Palavras ao Vento, ainda tenham se dado conta do caos que está o país, em especial o setor aeroviário, o que engloba a Infraero, as companhias aéreas e a inércia da ANAC.

Além do atraso na construção de diversos estádios do país, em especial a área adjacente ao Maracanã (cartão postal do país) e o Itaquerão, podemos citar com tristeza os acidentes fatais que mataram cinco funcionários que trabalhavam nas construções. Um em Brasília, dois em São Paulo e dois em Manaus. Provavelmente, a principal causa para tantos acidentes fatais – ultrapassamos o número de mortes da África do Sul – seja a pressa para finalizar o serviço. Afinal, já somos o país mais atrasado da história.

Como se não bastasse o caos nas obras – todas sob a acusação de passarem por negociatas e superfaturamento -, também estamos com problemas no atendimento ao turista. Sentimos com maior clareza depois das notícias de caos no trânsito e no acesso de turistas aos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro – a capital do turismo brasileiro. Filas quilométricas, desorganizadas e lentas, muito lentas, tudo isso por causa do verão, das férias escolares e do reveillon, imaginemos na Copa.

Virão para o país seleções de 31 países ao redor do mundo. Além dos brasileiros que entupirão as cidades-sede durante os jogos da Copa, ainda receberemos turistas de outros 31 países. Só no ano de 2012, o Brasil recebeu 5,67 milhões de estrangeiros, quase 50% deles vieram para lazer. Em 2013, até o início de dezembro, 6 milhões de estrangeiros já havia chegado ao Brasil.

Estima-se que durante o período da Copa, cerca de 1 milhão de estrangeiros venha ao Brasil e mais 3 milhões de brasileiros visitem as cidades-sede durante o mundial. Será que vai dar.

Hoje, quase 6 meses antes da Copa, temos como saldo: mortes, filas, atrasos e caos…

Vejamos alguns, poucos, só para ilustra:

Uma garotinha argentina caiu de uma altura de 7 metros no aeroporto do Rio, está internada com traumatismo craniano;
Meus pais ficaram presos num elevador do aeroporto de São Paulo;
Uma companhia aérea do Brasil, por livre e espontânea vontade (juro!), resolveu não embarcar a mala de 10 passageiros que iam a Frankfurt (ALE), no último agosto (2013). Uma das malas era de meu pai, e estávamos a caminho do Japão. Ele ficou sem mala (roupa e objetos pessoais. Sorte que levou os remédios diários na mala de mão) por 5 dias;
Duas malas de um visitante dos Estados Unidos, vindo de Nova Iorque, (sim, duas! As únicas duas!) foram extraviadas na última semana de 2013 (29/12) por companhia aérea brasileira (a mesma? Aposto que sim). Uma chegou dois dias depois e a outra só mais 4 dias depois… Feliz 2014!

E aí, o que esperar da Copa do Mundo do Brasil?

Desejo Sorte, muita sorte!!!