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O Papa pós-fim do mundo

29 jul

Há alguns meses escrevi sobre as expectativas pela chegada do fim do mundo, pois é o fim chegou? Aos que não lembram, relembro. Calendários antigos, profecias e estudos astrológicos indicavam que o fim do mundo seria no dia 21 de dezembro de 2012.

Apesar de impressionada com tantas coincidências numerológicas, nunca acreditei que o mundo realmente viesse a acabar num cataclismo hollywoodiano. Àquele tempo, a exemplo de hoje, acredito que o período que vivíamos, e que ainda vivemos, seja de transição.

Estamos aprendendo a conviver e superar as drogas, as famílias estão tentando se reerguer e implantar valores mais sólidos. Jovens – pobres e ricos – são, cada vez mais, flagrados em atos ilícitos e são punidos por isso. Talvez os mais descrentes achem que só os pobres têm sido punidos, mas vejo que jovens ricos também o têm, ainda que em número bem menor, mas são mais apontados do que eram num passado recente.

Famílias que se degradam e chegam ao fundo do poço com crianças agredindo os mais velhos, jovens matando e esquartejando pais, causam cada vez mais repulsa e horror numa sociedade que se barbarizou ao perder seus valores morais para o império do consumismo e da moral invertida, a tal ponto que uma bermuda da moda vale mais que o pão de cada dia.

Continuo achando que o fim do mundo pregado há milênios não se referia a um fim físico – hecatombe – mas de energias, de forças… Estamos vendo impérios econômicos encarando estagnação – ou crescimentos irrelevantes –, ao passo em que assistimos ações sociais de solidariedade e filantropia cada vez mais em voga.

Está na moda ser solidário, doar brinquedos, roupas, remédios, órgãos e sangue. Adotar crianças de outras etnias, viajar pelo mundo para ajudar nações carentes e trazer nas malas experiências únicas e capazes de transformar empreendedores em empresários sustentáveis, ambiental e socialmente.

No esteio da sociedade atual, jovem e inovadora, a Igreja Católica resolveu dar uma chance ao Papa Bergoglio. Argentino e pautado pela caridade e pelo apoio aos mais pobres e humildes, a missão do Papa Francisco é levar seus valores para a administração do Vaticano a partir de suas ações e discursos generosos, políticos e de renovação carismática.

Evangelizar nunca foi tão prazeroso e pouco resistente. O carisma do mais improvável dos carismáticos – um argentino – impressiona até os mais cautelosos. Os incrédulos de plantão, assim como os “do contra” de carteirinha, se perdem no exagero das críticas à mídia que envolve as ações papais. Esqueceram-se que vira notícia aqueles que possuem relevância, carismas e altruísmo. Atos de benevolência, amor ao próximo, atenção e inspiração para comportamentos mais sociais, amistosos, compreensivos e de paciência não podem ser menosprezados, ainda que sua intenção fosse a pior possível – o que obviamente não é o caso.

A exemplo dos jovens – e os nem tão jovens – que tomaram as ruas recentemente, o Papa fez mais do que os críticos contumazes jamais conseguiram. O hoje e o futuro, assim como o passado, serão sempre daqueles que melhor se adaptarem a ele. Portanto, miremo-nos nos exemplos recentes, os exemplos pós-fim do mundo, pois eles nos indicam o mundo que está nascendo, eles nos oportunizam escolher o agente social que queremos ser.

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Publicado por em 29/07/2013 em CadaMinuto

 

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