RSS

Arquivo mensal: abril 2013

Janelas Partidas, o início do comportamento reprovável

Discutir comportamento humano é sempre muito interessante porque costuma despertar reações bem acaloradas, tanto para os que se excluem do “normal”, quanto para os que procuram justificar o comportamento das massas, retirando-lhes a responsabilidade pelo que fazem.

Essa semana li um texto publicado no Facebook e achei a análise psicológica fantástica, tanto do ponto de vista do comportamento que assumimos quando outros já assumiram antes, quanto do que consideramos reprovável socialmente, mas não reconhecemos nosso papel de protagonismo.

O texto a seguir foi extraído do Facebook de Luiz Carlos Barbosa de Almeida, em 28/04/2013. Aqui!

 

Não é novidade, mas vale relembrar… (via Tania Prieto)

Google Images

TEORIA DAS JANELAS PARTIDAS

Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia. Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

É comum atribuir à pobreza as causas de delito. Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e da esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Por que que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso? Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como o “vale tudo”. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a ‘Teoria das Janelas Partidas’, a mesma que de um ponto de vista criminalístico conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem ‘pequenas faltas’ (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por temor a criminalidade) , estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes.

CHINA-ECONOMY-BUSINESS-RIGHTS

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: graffitis deteriorando o lugar, sujeira das estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de ‘Tolerância Zero’. A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão ‘Tolerância Zero’ soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência da polícia, de fato, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero.

Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja em nosso bairro, na vila ou condomínio onde vivemos, não só em cidades grandes. A tolerância zero colocou Nova York na lista das cidades seguras.

Esta teoria pode também explicar o que acontece aqui no Brasil com corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc. Pense nisso!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 29/04/2013 em opinião, Variedade

 

Tags: ,

Mangueira, parabéns!

Nunca passei um carnaval na cidade do Rio de Janeiro, mas adotei-a como minha segunda casa desde que, aos 11 anos de idade, passei algumas semanas por lá, em férias com a família. A cidade que à época causava muito medo aos visitantes, principalmente os que iam de Alagoas, àquele tempo criminalidade aqui tinha endereço certo, não era como é hoje, aliás, como hoje é aqui, era lá.

Lembro que num dos dias em que fui visitar minha tia carioca com toda a família e primos alagoanos que também estavam a passeio, deparamo-nos com a rua interditada pela polícia, três corpos estavam espalhados, pois tinha havido um tiroteio aos pés do morro do Cantagalo, em Copacabana, bem próximo ao local onde minha tia mora até hoje.

Nas minhas últimas idas ao Rio nada de perigoso encontrei. Já era possível andar tarde da noite pelas ruas de Copacabana sem que houvesse maiores perigos. Perigoso mesmo é viver e sobreviver em Maceió.

Enfim, justamente por todo esse carinho que tenho pelo Rio e pelos cariocas meu time do coração é o Flamengo (mesmo não sendo o dos meus primos tricolores) e minha escola de samba preferida é a Mangueira, por influência maravilhosa do meu já falecido tio Jonilson, com quem assistia aos desfiles pela tv quando ainda era bem criança diretamente do feriado de momo em Paripueira (AL).

 Mangueira

Hoje a Mangueira está aniversariando, no dia 28 de abril de 1928 era fundada a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, uma das mais tradicionais do Rio de Janeiro e também uma das mais conhecidas no mundo. Seus fundadores foram Carlos Cachaça, Cartola, Zé Espinguela, entre outros. Uma de suas figuras mais conhecidas foi o sambista Jamelão, intérprete oficial da escola de 1949 até 2006.

Por volta de 1920, surgiram os blocos com os elementos dos cordões e dos ranchos reunindo os “bambas” do350px-Mangueira batuque e que atuaram como células para mais tarde darem origem às escolas de samba. Somente na localidade conhecida como Buraco Quente havia os blocos da Tia Fé, da Tia Tomázia, do Mestre Candinho e o mais famoso de todos, o Bloco dos Arengueiros. Foi Cartola, que aos 19 anos, sentiu que era a hora de canalizar o dom natural dos malandros do bloco, a fim de mostrá-los de uma forma mais civilizada, com todo o potencial rítmico e coreográfico herdados do ancestral africano.

No dia 28 de abril de 1928, reunidos na Travessa Saião Lobato, nº 21, os arengueiros Zé Espinguela, “Seu” Euclides, Saturnino Gonçalves (pai de Dona Neuma), Massu, Cartola, Pedro Caim e Abelardo Bolinha fundaram o Bloco Estação Primeira. Este bloco esteve presente no primeiro concurso entre sambistas na casa de Zé Espinguela, em 1929, sendo um dos precursores das escolas de samba, junto com a Deixa Falar e a Portela.

Logo Mangueira1024x860A Mangueira foi a escola que criou a ala de compositores e a primeira a manter, desde a sua fundação, uma única marcação do surdo de primeira na sua bateria. No símbolo da escola, o surdo representa o samba; os louros, as vitórias; a coroa, o bairro imperial de São Cristóvão; e as estrelas, os títulos.

A Mangueira acumula 18 títulos do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro – 1932, 1933, 1934, 1940, 1949, 1950, 1954, 1960, 1961, 1967, 1968, 1973, 1984, 1986, 1987, 1998 e 2002. Em 1984, a escola também ganhou o Super Campeonato, na inauguração do Sambódromo. A Verde-e-Rosa foi campeã da segunda-feira de carnaval, a Portela do domingo. Três escolas foram para o sábado das campeãs, onde iriam disputar o Super-Campeonato, e a Mangueira foi aclamada a Super-Campeã.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 28/04/2013 em Cultura, Variedade

 

Tags: , , ,

Ponderações sobre o caso Bárbara

Obviamente que se as notícias continuarem mudando como mudaram hoje, tão repentinamente, em breve essas minhas ponderações não terão validade alguma, mas como o espaço é meu e eu compartilho aqui o que bem entendo, lá vai.

O caso Bárbara Regina desde o início despertou a atenção do público que acompanhou os noticiários de tv e dos sites dando informações sobre os fatos e as investigações policiais. Vimos, não só eu, mas todo alagoano consumidor de notícias, que Bárbara saiu de uma boate na companhia de um homem desconhecido.

Vimos esse homem ser um ex-namorado complicado, casado com uma mulher ciumenta e depois esse homem se transformar num desconhecido sob o nome de Ótavio.

Mesmo com a entrada de Otávio no rol dos suspeitos, o ex-namorado e sua esposa ciumenta não saíram do foco, pois haveria motivo se o caso pudesse ser – e sempre foi – comparado ao caso da Giovana, garota que teria sido assassinada uma esposa traída, mas que ainda não foi julgada – muito menos condenada –, aí que não poderiam sair das investigações mesmo.

Enfim, vimos um amigo do tal Otávio ser preso sob a acusação de assaltos e outros crimes do gênero e que teria informado à polícia que Otávio teria matado a Bárbara e fugido país. E que ele, assim como o preso, era assaltante e não tinha relação com drogas.

Na pista do tal Otávio, encontraram uma relação homossexual com um homem que teria financiado essa sua fuga para o Paraguai. O que nunca ficou muito claro e nem convenceu ninguém.

Há algum tempo foi publicado num jornal extratos do inquérito que ainda não havia sido concluído. Nessa publicação além de haver todas essas informações levantadas pela polícia também havia a informação de que, junto com a explosão da DEIC, provas extraídas do carro encontrado com o colega de Otávio também teriam explodido antes do exame pericial.

A polícia investigou de tudo – até onde sei (a partir do que foi noticiado) – e não conseguiu ligar Bárbara a drogas ou à prostituição. E se tivessem conseguido não teriam omitido essa informação. Aliás, conseguem afirmar, sim, que a vítima teria tido apenas dois relacionamentos “mais sérios”, sendo o mais recente com o cara casado, acima mencionado.

Agora pergunto:

Como é que a polícia investiga a vida toda de uma garota de programa e não consegue provar que ela é garota de programa? Analisa as ligações de seu telefone móvel e não encontra ligações que apontem para marcação de programas e contato com pessoas suspeitas?

Como é que a garota é envolvida com drogas e nenhum dos amigos mais próximos não sabem, nem desconfiam, muito pelo contrário, asseguram que a garota era “certinha”?

A Vanessa “assassina”, que ganhou as páginas de notícias por ser acusada de matar, esquartejar e queimar mulheres desafetas, só pode ser uma “serial killer”, se as acusações estiverem corretas.

Ninguém se pergunta por que esse primo resolveu delatar a prima “assassina”? Por que só agora? Qual a idoneidade desse rapaz para – sendo a única testemunha – ter suas declarações consideradas suficientes para se encerrar o caso Bárbara?

O que a “assassina” diz sobre essa acusação? O que seu namorado Ninho diz sobre a acusação? Sendo todos, inclusive o primo, ligados ao tráfico de drogas e tão íntimos a ponto de confidenciarem revelações sobre crimes bárbaros, o que assegura que esse primo não seja “assassino” também?

Parece que é ponto pacífico o fato da “assassina” ser pessoa odiada por todo lugar, esse primo pode odiá-la também, até porque pessoas assim, perversas, – como dizem – não colecionam amigos, mas cúmplices – ou delatores. O que realmente motiva o delator a acusar sua prima “assassina”? Vingança? Delação premiada?

Para mim, se não aparecer outro que confirme exatamente o que foi dito pelo primo delator, o caso não pode ser encerrado.

Ninguém aqui é idiota de achar que Bárbara, ou qualquer ser humano no mundo, é ou era perfeita. Jamais! Ninguém é perfeito. Mas daí a transformar a vítima – provável morta – em pessoa vulnerável a essa história cinematográfica é demais. Chega a ser perverso com quem não está mais aqui para se defender e muito mais com a família que sofre e chora todos os dias pela falta de notícias, de certeza e de esperanças.

Ao jugo dos leitores!

 

Obs.: Chamo “assassina” (entre aspas) porque enquanto não for julgada e condenada por autoridade competente, a Vanessa não passa de acusada. E por piores que sejam os crimes que lhe são imputados, seus direitos devem ser assegurados.

Obs.: Todas as informações aqui relacionadas foram relatadas pela imprensa, não me responsabilizo por nada, até porque nunca tive contato com nenhuma das partes, policiais, promotores, acusados, testemunhas, ou quem quer que seja. Admitindo que possa haver exageros.

 
1 comentário

Publicado por em 25/04/2013 em opinião, Policial

 

Tags: ,

Hospital Universitário privatizado?

Matéria Publicada no Jornal O DIA ALAGOAS (21/04/2013)

Toda controvérsia começou quando, em dezembro de 2011, a presidente Dilma sancionou a lei que autoriza a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), destinada a administrar os recursos financeiros e humanos dos hospitais universitários.

A Ebserh, vinculada ao Ministério da Educação, é uma empresa pública de personalidade jurídica de direito privado e patrimônio próprio, ou seja, é uma estatal. Assim, os hospitais estarão academicamente subordinados a universidades, mas serão administrativamente independentes. A empresa tem sede em Brasília, com capital social integralmente subordinado à União.

Os profissionais da Saúde e a população usuária temem pela privatização dos serviços prestados nos HUs e pela perda de autonomia das universidades. Diz a legislação que a empresa pública “terá por finalidade a prestação de serviços gratuitos de assistência médico-hospitalar, ambulatorial e de apoio diagnóstico e terapêutico à comunidade, assim como a prestação às instituições públicas federais de ensino ou instituições congêneres de serviços de apoio ao ensino, à pesquisa e à extensão, ao ensino-aprendizagem e à formação de pessoas no campo da saúde pública”, sempre observando a autonomia universitária.

Na opinião do médico Paulo Luiz Teixeira Cavalcante, diretor-geral do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), a ameaça de privatização dos HUs, denunciada por sindicatos e outras instituições da área da Educação e Saúde, é uma hipótese desconsiderada pelos juristas. “Segundo os juristas, baseados na Lei 12.550, não há possibilidade de privatização, apesar da terceirização da gestão” enfatiza o diretor, acrescentando que “são duas coisas diferentes”.

Em dezembro de 2012 foi realizada uma sessão plenária do conselho universitário para decidir sobre a adesão ou não do Hospital Universitário da UFAL à Ebserh. Essa sessão foi invadida por manifestantes contrários à adesão e acabou levando o Reitor Eurico Lobo a decidir pela adesão de forma individual, usando de sua prerrogativa. Justificou, à época, que não havia mais tempo para discussões e que o prazo estabelecido pelo Tribunal de Contas da União para a dispensa de todo o pessoal contratado sem concurso público estava acabando. O que ocorreria em 31 de dezembro.

TCU considera parte dos funcionários do HU irregulares

São 46 hospitais universitários espalhados pelo país, em todos eles há cerca de 26 mil funcionários terceirizados que foram considerados irregulares pelo Tribunal de Contas da União, por não terem sido submetidos a concurso público e serem remunerados com recursos do SUS, determinando que estes funcionários fossem afastados até 31 de dezembro de 2012.

Só no HU de Alagoas há 259 funcionários nestas condições, em áreas administrativas, mas também médicos e enfermeiros. A determinação de dispensa desse pessoal levaria ao fechamento de todas as áreas administrativas de apoio ao funcionamento do hospital, como almoxarifado, compras, faturamento, e outros, e à suspensão de alguns serviços, como de oncologia, que possui funcionários considerados irregulares em atividade essencial ao setor.

A saída para a situação seria concurso público, entretanto não há certame para área de apoio há mais de 20 anos e o governo federal já deixou claro que não haverá mais concurso público para os hospitais universitários pelo Regime Jurídico Único, segundo Duílio Marsiglía, diretor-administrativo do HUPAA. Assim, a única forma para solucionar o impasse quanto aos funcionários em situação precária seria a contratação celetista, ou seja, empregando esses funcionários, ou outros a serem aprovados em processo de seleção, em empresa.

Com o surgimento da Ebserh, hospitais universitários na mesma situação que o HUPAA terão como única alternativa, para que não fechem suas portas, a adesão à empresa ou a população acabará sendo a principal prejudicada.

Ebserh assegura que não se trata de privatizações

A legislação que ampara e regula a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares mostra que o foco é a prestação de serviços hospitalares gratuitos aliado a um projeto de gestão financeira e de pessoal. Uma das maiores reclamações em unidades hospitalares é quanto ao atendimento prestado, a nova empresa pública promete resolver com gestão de pessoal focada em metas e em capacitação. A expectativa de passar por avaliações periódicas, imposição de metas e participação em cursos para capacitação gere apreensão.

Alunos estão preocupados com a dedicação dos médicos aos ensinamentos, visto que a cobrança que passará a existir sobre os funcionários poderá prejudicar o tempo que o médico gasta explicando procedimentos.

Para muitas pessoas o SUS é o único acesso à saúde. Para a trabalhadora e usuária Edite Ferreira, “o SUS é a única ‘saída’ para quem tem problema de saúde como eu.” Ela não concorda com a mudança na administração do HU porque acha que vai perder espaço para os pacientes particulares. “Imagina se eu chego lá e só tem vaga para quem tem plano, eu não vou poder pagar”, conclui. A preocupação da usuária é pertinente, pois a legislação autoriza que o HU, sob a administração da Ebserh, atenda os segurados de planos de saúde e em contrapartida receba repasse desses planos.

Em pronunciamentos o presidente da Ebserh, José Rubens Rebelatto, vem afirmando que o contrato a ser firmado com as universidades, apesar de seguir um modelo-padrão, estabelecerá atribuições específicas, de acordo com a realidade de cada unidade.

 

 
Deixe um comentário

Publicado por em 24/04/2013 em O DIA ALAGOAS

 

Tags: ,

Quem doa continua vivo

Compartilho com vocês, caros leitores, este vídeo tocante…

Vale pensar e ponderar a respeito!!

*******

O número de doadores de órgãos no Brasil cresce cada dia e, com ele, o índice de transplantes realizados no país. Atualmente, o programa público nacional de transplantes de órgãos e tecidos é um dos maiores do mundo. Para ser doador, não é necessário deixar documento por escrito. Cabe aos familiares autorizar a retirada, após a constatação da morte encefálica. Neste quadro, não há mais funções vitais e a parada cardíaca é inevitável.

Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem ajuda de aparelhos. O processo de retirada dos órgãos pode ser acompanhado por um médico de confiança da família. É fundamental que os órgãos sejam aproveitados enquanto há circulação sangüínea para irrigá-los. Mas se o coração parar, somente as córneas poderão ser aproveitadas.

Quando um doador efetivo é reconhecido, as centrais de transplantes das secretarias estaduais de saúde são comunicadas. Apenas elas têm acesso aos cadastros técnicos de pessoas que estão na fila. Além da ordem da lista, a escolha do receptor será definida pelos exames de compatibilidade com o doador. Por isso, nem sempre o primeiro da fila é o próximo a ser beneficiado. As centrais controlam todo o processo, coibindo o comércio ilegal de órgãos.

A doação é regida pela Lei nº 9.434/97. É ela quem define, por exemplo, que a retirada de órgãos e tecidos de pessoas mortas só pode ser realizada se precedida de diagnóstico de morte cerebral constatada por dois médicos e sob autorização de cônjuge ou parente.

Ver mais em http://www.brasil.gov.br/sobre/saude/doacao

 
Deixe um comentário

Publicado por em 23/04/2013 em Utilidade Pública

 

Tags: ,

Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil

No dia 22 de abril de 1500 a frota comandada por Pedro Álvares Cabral chegou ao território de Vera Cruz, como o Brasil de então foi chamado pelos portugueses.

Por muito tempo, e até os dias atuais, há quem diga que hoje é o dia do Descobrimento do Brasil, mas esta é uma afirmação eurocêntrica, sendo este o dia em que Portugal descobriu o Brasil, mas sequer foram os primeiros europeus a aqui chegarem, dizem.

Essas terras já eram habitadas por vários povos indígenas, que provavelmente chegaram por aqui há mais de 10 mil anos. Estima-se que cinco milhões de indígenas se espalhavam pelo litoral brasileiro no ano de 1500.

É sabido que Cabral saiu de Portugal para ir até a região conhecida como Índias e, dizem, teria “descoberto” o Brasil por acaso, visto que pode ter se deslocado da rota inicialmente traçada por conta do tempo. E há, ainda, os que acreditam que Cabral tomou a direção do Brasil para tomar posse do território que desde o Tratado de Tordesilhas (1494) pertencia à Coroa Portuguesa.

Descobrimento do BrasilNo dia da chegada de Cabral, os portugueses ancoraram em frente a um monte, batizado de Pascoal, no litoral sul de onde hoje está a Bahia. Antes de seguir viagem para a Índia, os navegantes permaneceriam no Brasil até o dia 2 de maio para tomar posse da terra “em nome de d. Manuel I e de Jesus Cristo”.

Do dia da chegada dos portugueses, apenas três depoimentos ainda estão disponíveis atualmente. O mais detalhado deles é a “Carta de Achamento do Brasil”, de Pero Vaz de Caminha, escrivão da armada. No dia seguinte à chegada dos portugueses, ocorreu o primeiro encontro entre os navegadores e os indígenas. No dia 26, o primeiro domingo depois da Páscoa, o frade franciscano Henrique Soares de Coimbra rezou uma missa em terra firme. No dia 1o. de maio, uma outra missa foi rezada e também realizada a posse oficial da terra. Foi erguida uma grande cruz de madeira, com as armas reais de D. Manuel. Na manhã seguinte, no dia da partida da esquadra, os portugueses deixaram dois desterrados, que trocaram a pena de morte pelo exílio em terras desconhecidas. Além deles, ficaram no Brasil outros dois portugueses, que desertaram.

 chegada

Dizem que a Carta de Caminha é a nossa certidão de nascimento, e assim ele descreveu aqueles que aqui já viviam: “Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram”.

Parece que ser povo “desavergonhado”, pacífico e obediente vem de outros tempos…

E até quando?

 
Deixe um comentário

Publicado por em 22/04/2013 em História

 

Tags: ,

Tiradentes, um mártir?

Tiradentes esquartejado (Pedro Américo, 1893)

No dia 21 de abril de 1792 era enforcado no Rio de Janeiro, Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira, patrono cívico do Brasil e da Polícia Militar, além de ser herói nacional.

Nascido na Fazenda do Pombal (MG), Tiradentes ficou órfão muito cedo, fato que resultou na perda do patrimônio da família por causa de dívidas e também em estudos irregulares. Ficou sob a tutela de um primo, que era dentista e, por conta disso, recebeu o apelido de Tiradentes. Também adquiriu conhecimentos em mineração, tornando-se técnico no reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos.

Em seu trabalho para o governo no reconhecimento das terras, Tiradentes começou a confrontar as riquezas do solo, com a corrupção e a pobreza da população. Ele também trabalhou em projetos para a melhoria da infraestrutura no Rio de Janeiro, mas não conseguia verbas para todos os seus projetos. A partir daí começa a surgir em sua mente ideais de independência da colônia, já que na sua visão a metrópole Portugal emperrava o desenvolvimento do Brasil.

De volta a Minas Gerais, iniciou junto às elites locais e a líderes religiosos um movimento pela independência da província, inspirado também na independência das colônias dos EUA. Outro fator que motivou sua militância neste sentido foi a questão dos impostos cobrados pela coroa portuguesa, como o “Quinto”, taxa semestral imposta aos moradores de Minas Gerais, que consistia  em cem arrobas de prata para a Real Fazenda. Também houve uma troca de poder na província, com a nomeação do governador Antônio Oliveira Meneses, que beneficiou seus amigos em detrimento da elite local. O estopim, contudo, foi o anúncio de uma cobrança que ficou conhecida como “derrama”, medida que permitia a cobrança forçada de impostos.

Estava armada a insurreição que iria lutar pela instituição da República. Contudo, antes que houvesse a revolução, no dia 15 de março de 1789, Joaquim Silvério dos Reis, Basílio de Brito Malheiro do Lago e Inácio Correia de Pamplona delataram o movimento em troca do perdão de suas dívidas com a Real Fazenda. A partir daí, Tiradentes passou a ser procurado. Ele tentou se esconder na casa de um amigo, no Rio de Janeiro, mas foi descoberto no dia 10 de maio. Além dele, outros inconfidentes também foram presos.

Dentre os inconfidentes, destacaram-se os padres Carlos Correia de Toledo e Melo, José da Silva e Oliveira Rolim e Manuel Rodrigues da Costa, o tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, comandante dos Dragões, os coronéis Domingos de Abreu Vieira e Joaquim José dos Reis (um dos delatores do movimento), os poetas Cláudio Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga, ex-ouvidor.

Ao longo de três anos, os inconfidentes aguardaram pelo andamento do seu processo pelo crime de “lesa-majestade”. Alguns foram condenados à morte, mas tiveram seu pedido de clemência atendido por D. Maria I. Apenas a sentença de morte de Tiradentes foi mantida. Alguns atribuem a isso, o fato de Tiradentes ter assumido toda a responsabilidade pelo movimento e também, por outro lado, por ter uma posição social mais baixa em relação aos demais inconfidentes envolvidos.

Segundo as ordenações filipinas: “Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu Real Estado, que é tão grave e abominável crime, e que os antigos Sabedores tanto estranharam, que o comparavam à lepra; porque assim como esta enfermidade enche todo o corpo, sem nunca mais se poder curar, e empece ainda aos descendentes de quem a tem, e aos que ele conversam, pelo que é apartado da comunicação da gente: assim o erro de traição condena o que a comete, e empece e infama os que de sua linha descendem, posto que não tenham culpa.”

Após ter sido concedida a clemência aos companheiros inconfidentes, teria dito Tiradentes: “se dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria”.

Em uma manhã de um sábado, após percorrer uma procissão no centro das ruas do Rio de Janeiro, Tiradentes foi enforcado. Contudo, a execução de Tiradentes, em vez de intimidar a população, acabou despertando ainda mais o sentimento de revolta em relação à dependência do Brasil como metrópole de Portugal.

*****

A história é contada pelos vencedores e nesse caso os vencedores não foram os reis, os Braganças, com a instalação da república o Brasil se viu carente de mártires, e foi necessário criá-los. Tiradentes é costumeiramente retratado com a aparência muito próxima da de Jesus Cristo, assim como se comportamento de assumir a culpa pelos companheiros e ter sido o único morto pela Coros.

Séculos se passaram e a verdade histórica acaba se perdendo no tempo, o que temos é apenas o que se convencionou como história e Tiradentes seria um mártir que confabulou com as elites e os religiosos e que pereceu por ser o elo mais fraco.

Não é muito diferente do que ocorre hoje, seria por isso que os brasileiros acomodaram-se a martirizar os pobres e a perdoar os ricos?

*Com History Channel Brasil

 
Deixe um comentário

Publicado por em 21/04/2013 em História

 

Tags: ,