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Arquivo mensal: março 2013

Comentários de Biu de Lira

“Zapeando” pelos canais da tevê, eis que me deparo com uma entrevista do senador Benedito de Lira, do Partido Populista de Alagoas, parei para saber quais as novas, e eis que me deparo com os seguintes comentários:

  1. O senador já conseguiu a verba de 10 milhões de reais, isso mesmo, 10 milhões de reais para a climatização do Centro de Convenções, isso mesmo, para ar condicionado. Incrível como é caro, né?!
  2. Afirmou, ainda, que os recursos para a tão esperada reforma do Alagoinhas – aquele monte de pedra no meio do mar da Ponta Verde – já estão com o governo do estado. Só não explicou o porque da demora, será que estão esperando o prazo expirar e precisar devolver a verba? Vai saber, né?!
  3. “sobrou para nós a comissão da agricultura”, pois é o Senador trata a si próprio no plural e parece que a comissão de agricultura não tem muito prestígio, né?! Será que ele preferiria a de Direitos Humanos da Câmara? (piadinha Feliciana)
  4. Bem, já que o senador agora está na comissão da agricultura que tal olhar mais para o sertanejo e encampar a luta pela renegociação da dívida, principalmente, dos pronafianos junto aos bancos federais? Afinal, conceder crédito e não amenizar os efeitos da seca só faz tirar do pequeno produtor seu único patrimônio, a pequena propriedade que é justamente a garantia para os empréstimos, hoje em valores milionários.
  5. Sobre o Canal do Sertão o senador disse o óbvio “tem que fazer a água gerar riqueza”, só não disse para quem. Será que a riqueza será de quem for “regular” a água do sertão? Já sei que não será coisa da Casal, pois bem, quem vai cobrar pela água do sertão?
  6. Sobre o sertão, o senador se referiu à bacia leiteira alagoana. Só não frisou que esta simplesmente mal existe mais. A última seca acabou com o gado e com o leite. O povo só não morre por causa do bolsa família, mas essa conta será cobrada e com juros, em 2014.
  7. O senador mostrou bastante preocupação com a exportação da soja, a falta de portos e a quebra de contratos atrasados por clientes internacionais. Registre-se! E como tudo no Brasil se resolve com uma lei, o senador anunciou uma MP para resolver a celeuma.
  8. Perguntado sobre a importância de cooperativas, o senador mostrou intimidade com a Pindorama. Bem, sobre cana a gente não comenta, né?!
  9. A conversa chegou no problema dos matadouros, falta de higiene e regulação, ele só esqueceu que falar que sem gado não tem matadouro, que ele é senador por Alagoas e o gado alagoano tá morrendo de sede.
  10. Analisando 2014: “o estado está se desenvolvendo”. Sei, falar da educação parada ele não fala, né?! (Dizem que a pasta é indicação dele.) “O governo pagou as contas e ajustou os gastos…” E fez mais empréstimos, mas acho que isso não o preocupa.
  11. Perguntado diretamente se será candidato a governador em 2014, “meu partido tem SIM interesse em participar do processo eleitoral de 2014” e, por fim, o senador confessou seu interesse no governo em 2014.
  12. “Você é profundamente inteligente”, concluiu o entrevistador.

 

Reconheço que o assunto é sério, mas a ideia aqui é apenas divulgar os comentários feitos pelo senador que cogita realmente a possibilidade de se candidatar ao governo do estado e suceder Teotônio Vilela, como só não ganha de certeza eleição que não se disputa, há sim a possibilidade de Lira ser nosso próximo governador.

Preparem-se, amigos, Biu de Lira virá preparado e disposto para o desafio!

Olho aberto!! Acompanhemos!!

 

 
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Publicado por em 29/03/2013 em Estadual, opinião, Política

 

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Pedro, o Gari, ainda emociona

Um ano depois ninguém foi punido e Pedro agradece a todos que se solidarizaram e ajudaram.

Publicado no Portal Cada Minuto

Há pouco mais de um ano fui ao Hemoal, como de costume, doar minha bolsa de sangue para contribuir com o período da Semana Santa, quando os estoques normalmente ficam mais baixos por causa da alta demanda que períodos de feriado prolongado acabam acarretando.

Enfim…

Amanhã faz exatamente um ano que Pedro Bernardo foi atropelado por um motorista bêbado nas primeiras horas da manhã de uma segunda-feira. No dia 26 de março de 2012, Pedro estava trabalhando, como gari, recolhendo o lixo das casas e prédios na Av. Dona Constância, quando foi atingido por um carro em alta velocidade e foi imprensado contra os fundos do caminhão de lixo.

Pedro teve sua perna esquerda amputada, a direita por muito pouco e até hoje ainda não pode colocar sua prótese porque a perna direita continua com os “parafusos” e não pode suportar o peso do corpo de Pedro com uma prótese por muito tempo.

Soube do caso por meio da televisão mais de uma semana depois, e uma amiga – Luciana Beserra – me perguntou se não poderíamos fazer uma campanha de doação de fraldas para o gari. O programa de tv disse que havia necessidade de fraldas e que pela gravidade do acidente ainda não havia previsão de alta.

Era noite do dia 5 de abril, véspera da semana santa, quando recebemos a primeira doação. Sequer havíamos começado a campanha e a primeira doação chegou por meio do twitter. Numa mensagem privada, uma personalidade política me disse que poderia dor o equivalente a mais de 20 pacotes de fraldas, a pessoa não quis se identificar, mas deu ânimo à ideia.

Na mesma hora divulguei que já havíamos recebido aquela oferta e daí por diante a solidariedade só aumentou, foi incrível. Começou uma corrida de pessoas a nos procurar para fazer suas doações porque no dia seguinte já viajaríam e nós – Lua e eu – gostaríamos de visitar Pedro na manhã do dia seguinte que já era “quinta-feira santa”.

Como pretendido estivemos no Hospital do Açúcar bem cedo e cheias de doações. Conhecemos Pedro e Genivaldo, cunhado, e só depois a Carminha chegou, esposa. A família é de União dos Palmares, Pedro só vinha a Maceió para trabalhar e Genivaldo, irmão de Carminha, mora em Maceió e acabou sendo o esteio deles nesse momento tão difícil.

Aliás, a dedicação e abnegação de Genivaldo, Patrícia e suas filhas foi lindo e inspirador, coisa para aprendermos e jamais esquecermos.

Daí para frente a campanha só cresceu, as doações vieram de todos os lugares, Pedro ganhou de tudo, cama especial, cadeira de rodas, cadeira para banho, fraldas, material de higiene, material para limpeza e troca de curativos, roupas, alimentos e carinho, muito carinho. Pedro sempre agradeceu muito a todos que o ajudaram, a campanha que começou com duas ganhou o reforço de uma multidão.

Nunca achamos que fosse fácil mobilizar pessoas para ajudar um desconhecido, mas surpreendemente a ajuda para Pedro veio muito naturalmente, inclusive dinheiro foi doado, pessoas que não tinham tempo ou não sabiam o que comprar mandavam dinheiro, e tudo foi revertido para eles, no início compramos o que faltava, mas depois passamos a dar-lhes o dinheiro porque Pedro era o provedor e por conta do acidente não podia mais trabalhar, todo o trâmite até que fosse amparado pela previdência levou um tempo e o dinheiro foi essencial para a família.

O tempo foi passando, Pedro sempre demonstrou sua determinação e garra, surpreendeu os médicos e técnicos da saúde por sua capacidade de resignação e de recuperação, em pouco tempo já conseguia sair da cama para a cadeira de rodas, desta para a cadeira de banho e tudo o que lhe fosse possível para incomodar o mínimo possível.

Pedro nunca aparentou tristeza ou revolta, muito pelo contrário, dizia querer ficar bom logo para poder doar o que lhe foi doado à mais. Visitá-lo era uma alegria, acompanhar sua recuperação e sua força de vontade era inspirador. Pedro e Carminha voltaram para União e veem duas vezes por semana para Maceió, para fazer o tratamento na Adefal, há todo esse tempo nunca soube de Pedro ter esmorecido e perdido a fé. Acabamos nos distanciando naturalmente, muito trabalho por aqui e ele em outra cidade, mas as ligações acontecem e eu estou devendo uma visita a ele na Adefal.

E é interessante como sempre que nos falamos Pedro é o mesmo querido, fala pausada, baixa e clara, contrastando com a espontaneidade e extroversão de Carminha, e ambos dão sempre notícias e querem saber de todos por aqui, em especial os que iam até a casa de Genivaldo, enquanto estiveram por aqui, todos são citados nominalmente – Verinha, Yuri, Aline…

Falta pouco para Pedro, enfim, tirar os “parafusos” da perna direita e poder usar sua prótese de forma definitiva, mas nada disso teria sido possível sem a ajuda de todos que foram solidários e abnegados, que foram abertos às dores de um desconhecido, que assumiram sua responsabilidade social, enquanto seres humanos, superando os limites impostos pela correria do dia a dia e pelos parcos recursos financeiros doando o pouco que lhe era possível.

Até hoje me surpreendo com tudo o que foi possível através das redes sociais e que ultrapassou todos os muros do virtual para se transformar em doações reais, em relacionamentos reais e em gratidão real.

Agradeço por mim, por Lua, por todos que se envolveram pessoalmente, mas principalmente por Pedro e Carminha, que se não fosse cada um dos gestos e orações que receberam teriam tido um caminho muito mais difícil a percorrer.

Nesta terça Pedro deve vir a Maceió – Adefal –, quem quiser vê-lo poderá ir até lá no período da manhã, eu, infelizmente, continuarei devendo minha visita, estarei trabalhando no interior, mas recomendo aos que precisam se reenergizar, e de um ótimo exemplo de superação e de generosidade, que o conheçam.

 

O caso

Pedro Bernardo foi atropelado por João Paulo. Logo após o atropelamento uma equipe de televisão chegou ao local e filmou a prisão do acusado em flagrante, por conta de sua desenvoltura em frente às câmeras ficou conhecido como “João Painho”, ele ficou preso por alguns dias mesmo com fiança arbitrada.

João Paulo nunca ajudou Pedro. Algum tempo depois e diante de toda repercussão que o caso alcançou ainda ligou para a família de Pedro, mas sua forma grosseira e pouco educada de abordar Pedro e a família acabou fazendo com que tudo fosse tratado com o advogado.

João Paulo continua respondendo pelo processo em liberdade, chegou a ser preso outra vez por causa de problemas com a irmã e o sobrinho, mas por conta desse atropelamento não.

 

Doação

Ah, por que comecei esse texto falando da minha doação de sangue? Porque coincidentemente Pedro e eu temos o mesmo tipo sanguíneo, somos “O+”, e há a possibilidade real de Pedro ter recebido sangue meu, antes mesmo que eu o conhecesse ou soubesse que nossos caminhos se cruzariam. Depois do acidente ele foi levado para o Hospital Geral do Estado (HGE) e só depois, por intervenção de um benfeitor, conseguiu sua tranferência para a área do SUS do Hospital do Açúcar, como faço minhas doações prioritariamente no Hemoal e o sangue de lá vai prioritariamente para o HGE, gosto de pensar que meu sangue pode ter ido para ele. =)

E você, já fez sua doação? Aproveite que o Hemoal está em campanha para a Semana Santa e doe o que lhe sobra, doe o que não lhe faz falta, doe sangue, doe vida…

 
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Publicado por em 26/03/2013 em CadaMinuto

 

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Sem água, sem leite e sem emprego

Publicado no Portal Cada Minuto

Eis que é publicada e divulgada a notícia de que a maior fábrica de laticínios do sertão alagoano – Camila, no município de Batalha – será leiloada pela Justiça do Trabalho. Diz a nota que a fábrica fechou em 2009 e que será possível que o arrematante parcele o pagamento do lance vencedor caso se comprometa a contratar – com carteira assinada – um número mínimo de trabalhadores.

Ora, não é só a Camila que fechou, mas muitos outros pequenos laticínios têm fechado, alguns não se desfazem de seu patrimônio aguardando a chuva que nunca chega ao sertão. O problema dos laticínios, grandes ou pequenos, é falta de leite, é a falta de gado e este tem morrido de sede.

Com a seca tudo encarece. Desde a água, que se torna artigo de luxo, até a ração dos bichos, cada vez mais essencial diante da pastagem que some sem irrigação. Em Delmiro Gouveia, por exemplo, muitos bichos estão à solta pela cidade, na zona urbana mesmo, isso porque só dentro da cidade é que algum “verde” ainda pode ser encontrado.

A chegada do canal do sertão – seus 65 km iniciais – é um alento, incontestavelmente, mas não há como deixar de ponderar sobre a forma como o sertanejo terá acesso a essa água, ou como será possível que os proprietários de pequenas propriedades possam se reestabelecer financeiramente antes que os bancos tomem suas propriedades, em face das dívidas eternas e impagáveis que foram contraídas há mais de 15 anos.

Alagoas sempre foi referência quanto a sua bacia leiteira, o estado fomenta o Programa do Leite que incentiva a compra de leite dos pequenos produtores em benefício da população mais carente. Mas sem gado não há leite, sem leite não há emprego e renda, e assim vai-se eternizando o ciclo dos vivos sem vida.

É importante que ao pensar sobre a criação de empregos para o sertanejo, não seja desviado o foco das necessidades e habilidades daquele povo. Não sendo possível que a chegada da água, ainda que limitada ou racionada, seja usada para o incremento de atividades que não sejam naturais ao homem do sertão.

A situação da Camila pode, ou não, ter sido em decorrência da seca, mas o seu fechamento e os empregos que foram extintos são só uma mostra do que a falta de boi, de leite e de água pode causar.

 
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Publicado por em 20/03/2013 em CadaMinuto

 

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A Presidenta Longe, o Papa Pobre e ambos Pop

Publicado no Portal Cada Minuto

A semana foi marcada por dois acontecimentos muito importantes. O primeiro, para nós alagoanos, a inauguração oficial do Canal do Sertão; o segundo, para a população mundial, a escolha do novo Papa.

Em princípio dificilmente o leitor encontrará algum ponto de convergência entre os eventos, mas como estive no evento do sertão alagoano e fiquei chocada com o que vi, acho que posso explicar onde encontrei um viés interessante para ser abordado.

Inicialmente é interessante enaltecer a chegada da água no deserto alagoano. Para quem não sabe, Alagoas convive com a mais severa estiagem que se tem notícia. Desde 2010 que as chuvas rarearam e não cai água suficiente para a plantação e criação de animais. Com isso o trabalho de muitos já não existe e a sobrevivência só é possível por conta dos programas sociais do governo federal.

A chegada da água ao canal do sertão é mesmo razão para comemoração, só não se sabe ainda para quem. Se para os sertanejos vítimas da estiagem, se para os políticos que se acusam “pais” da obra ou se para os funcionários da construtora que realizaram seu trabalho a contento.

[Falo dos construtores porque sei que, após o evento oficial, se refestelaram numa festinha particular ao lado do lugar da inauguração]

O Papa eleito, Francisco, o primeiro da América Latina, chegou ao Vaticano causando impressões e expectativas contraditórias. Se por um lado é caridoso, humilde e temente aos dogmas católicos, por outro convive com o estigma que muitos lhe imputam, de ter sido conivente com a ditadura portenha.

Francisco tem sido notícia recorrente nos meios de comunicação por seu perfil pouco solene. Dado às quebras de protocolo, tem chamado atenção por procurar manter-se leal a seus preceitos franciscanos e buscando despertar nos fieis a importância do perdão e da caridade, celebrando os pobres quando estes são mais esquecidos.

Quanto às acusações que insistem em lhe imputar, não há comprovações, não há nada além de declarações do casal Kirchner que o desabone, o que talvez seja até bom. Ainda assim, o Papa tem rompido com mais que paradigmas seculares, tem dado exemplo a líderes religiosos e políticos de todo o mundo.

Enquanto o Papa tem se esforçado para conseguir driblar a guarda suíça (os anjos da guarda do papa) para chegar perto dos fiéis e cumprimentá-los pessoalmente, a Presidente vem ao sertão, depois de ter sido eleita explorando politicamente o fato de ter sido vítima da ditadura no Brasil, e apenas de longe acena para a multidão de sertanejos vindos de diversos estados nordestinos que gritam seu nome e lhe festejam.

O sertão foi tomado por militares do exército. O mesmo exército que na época da ditadura foi o algoz da Presidenta, hoje é usado por ela para afastar manifestantes e a população em geral. Sob o manto da segurança nacional, afinal a segurança da presidenta é questão de segurança nacional, Dilma mantem-se longe do povo, longe de quem a elegeu, longe daqueles que só querem dizer àquela que os representa o quanto a admiram.

Se por um lado o mundo ganhou um Papa generoso, simpático e popular; os sertanejos ganharam uma Presidenta apressada, objetiva e popular.

Chavez morreu semana passada e sob seus ombros a pecha de ditador e intolerante – o  que realmente era. Mas são uníssonas as manifestações no sentido de que o ditador Venezuelano era incapaz de falar ao povo e depois não ir até ele para ouvir de perto suas súplicas.

Qual a lição?

 
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Publicado por em 18/03/2013 em CadaMinuto

 

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A falta de Educação da Educação

Não dialogar é erro elementar em cargo político

Publicado no Portal Cada Minuto

Para a Justiça ser alcançada o direito de todos os envolvidos deve ser protegido e observado.

Não há lado bom e lado mau, não há vencedor e vencido, o que há é uma desavença que pode ser resolvida se normas e bom senso forem o mote e se todos os envolvidos estiverem sendo guiados apenas pela busca da Justiça, sem rancores, mágoas ou revanchismos.

Ontem (14) ficamos estupefatos com a intransigência do secretário estadual de educação em face das reivindicações de professores que cobravam o envio de seu PCCS o quanto antes para a ALE.

O pleito é justo, o PCCS é um conjunto de normas e diretrizes destinadas a regulamentar a carreira dos trabalhadores da educação na órbita estadual.

Ademais, a solução de tal pleito também é de facílimo deslinde, uma vez que passados quase um ano desde que – supõe-se – o texto começou a ser elaborado já deve estar pronto e apto à apreciação legislativa.

Resolveria dizer: “enviaremos em breve”.

Mas não foi o que ocorreu, um desastre do ponto de vista político aconteceu quando o Secretário resolveu não receber os manifestantes – professores e trabalhadores, não vagabundos – e estes ameaçaram tomar a secretaria de estado – casa deles, pois secretários mudam de tempos em tempos, enquanto os trabalhadores ficam.

Com a habilidade de um “ogro”, o representante da educação no estado optou por usar a força policial para intimidar os professores, – sim, professores, não os traficantes que estão nas ruas aliciando as crianças e adolescentes que aguardam as escolas serem concluídas para voltarem a estudar – como se estivesse nos idos da década de 70, quando manifestar seu pensamento era tratado como subversão.

O episódio foi lamentável, mas serve para aprendermos muito sobre quem busca justiça (enquanto parte ou advogado) e sobre quem é cobrado por justiça (enquanto poder público).

Dá pra condenar a ação do secretário? Não sei, suas razões devem ser ouvidas. Mas se até a Presidenta, que foi vítima dos excessos policiais e faz questão de lembrar o caso a cada eleição, se vale da mesma força para reprimir manifestantes que buscam seus direitos, melhoria da condição de vida ou de trabalho…

Posso não concordar com nenhuma das palavras que dizes, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-las“. (Voltaire*)

 

Não entro no mérito da questão, se as alterações do texto são pertinentes e possíveis, ou não, até porque não as conheço, a explanação aqui passa apenas pela forma como a política é feita por gestores públicos em cargos de indicação política.

*Há divergência quanto à autoria da célebre frase

 
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Publicado por em 16/03/2013 em CadaMinuto

 

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Menestrel em 1970 foi relembrado no Canal do Sertão

Estive na inauguração das primeiras etapas do canal do sertão essa semana, em Água Branca, e achei ótimo o texto lido pelo governador Téo. Ele leu um discurso de seu falecido pai, nos idos da década de 70, e reproduzo aqui a íntegra do que foi divulgado porque a inteligência do menestrel e sua facilidade com as palavras é digna de reconhecimento dos artista.

Não gosto dos discursos do Governador, mas esse não é dele, mas de seu pai, quem realmente tinha o dom da oratória.

******

Discurso proferido pelo então Senador da República, o Menestrel das Alagoas Teotônio Vilela (pai), na entrega da construção da ponte sobre o Rio São Francisco, ligando a Cidade de Propriá, em Sergipe, a Porto Real do Colégio, em Alagoas e lido, por seu filho, o governador Teotonio Vilela, na inauguração do Canal do Sertão.

Hoje, se não for descabida a lembrança, gostaria apenas de falar sobre as águas que passam por baixo da ponte e que num rumor surdo e solitário vão se perder no mar imenso. Águas perdidas, águas passadas, águas ignoradas. E o pior de tudo é que são águas clamadas e reclamadas pelos sertões que atravessam, águas dadivosas que recusamos ao sedento aflito e à terra esturricada.

E saber-se que essas águas que foram encaminhadas pela mão de Deus, correm por ali, cavando um leito difícil, de sacrifícios, para servir de instrumento vivo e gritante de combate à seca e de regularização ecológica da região.

A caudal imensa lá está, tal qual o ovo de Colombo, à espera de quem a descubra, para serventia do homem e da terra. Por enquanto, vive a rolar quilômetros e quilômetros, milhares deles, como uma deusa misteriosa e maligna. Apenas o pote do sertanejo ribeirinho, que nem um beija-flor, toca de longe em longe a face enigmática das águas.

Mas é preciso mais, muito mais. É preciso que a Nação vá até lá (ao Rio São Francisco), debruce-se sobre as águas e se capacite de que com tanta água não é passivei sofrer sede, deixar de plantar, deixar de viver. Águas que vêm de longe, criando corpo a cada légua, na esperança de um dia dar de beber a quem tem sede e tornar molhado o chão sem chuva.

Alagoas e Sergipe, principalmente, podem transformar os seus sertões num jardim perene. Jardim de produção. No Baixo São Francisco é possível, tranquilamente, arrancarem-se 10 milhões de sacas de arroz, o que equivale a uma riqueza superior à do açúcar, produto que, em Alagoas, representa 62% do orçamento do Estado. As terras riquíssimas do sertão, de pequenas propriedades, de densidade demográfica elevada, são as terras dos cereais, do algodão, do fumo, da bacia leiteira, do gado de corte. A diversificação da economia nordestina, de que tanto se fala, tem o seu caminho aberto no sertão.

E o sertão do ciclo do couro, de tanta influência na formação econômica do Nordeste, o sertão dos cantadores de viola e da literatura de cordel, tem vida, tem história, tem amor, tem sonhos; e se o homem o procurou antes do que a Amazônia, ou outras regiões pouco povoadas, deve haver sentido nessa preferência. Pelo menos o sentido dos acasos históricos, de que a nossa História é tão fértil e que nós temos o dever de acatar e cultuar. Nesse caso, basta existir gente no sertão para que se deem condições de vida a essa gente. E essa gente o de que mais precisa, ou do que essencialmente precisa, é de água.

Água de beber, água de plantar. Parece coisa de imaginação fácil, mas tudo é realmente tão fácil, com água, que o mundo infernal das secas tem condições de se transformar, por encanto, num paraíso.

Haverá sonho mais bonito do que sonhar, do alto da ponte majestosa, do alto da ponte da unidade nacional, que aquela água que passa lá embaixo vai ser do sertanejo, vai correr na bica de sua casa e no rego de barro de sua roça? O homem pode passar sem luz elétrica, e a luz já existe.

O homem pode passar sem a ponte,e a ponte já existe. Mas o homem não pode passar sem água. E a água está ali, virgem e oferecida, pronta a dar- e ao mais belo e humano projeto deste País, que seria o da fixação das comunidades sertanejas no seu próprio “habitat”.

Imagino velhos leitos de rio, sem rio, enchendo-se com a misteriosa inundação do São Francisco. Imagino o sertão em flor, sem mais pesadelos. A partir desse dia glorioso, teríamos menos, muito menos retirantes e mais, muito mais brasileiros integrados nos benefícios da civilização.

Nunca mais os Fabianos, as sinhás Vitórias e as cachorras Baleias, de Graciliano Ramos, em “Vidas Secas” correrão tresloucados pelas estradas fantasmagóricas do chique-chique e do alastrado. Quando surgir outro Graciliano Ramos, que é coisa que só de século aparece, poderá escrever sobre outras securas provocadas pelos males naturais do desenvolvimento, jamais sobre a secura provocada pela falta de água – sem dúvida o mais terrível anátema de subdesenvolvimento sofrido na ribeira do São Francisco, principalmente em Sergipe e Alagoas.

No dia alegre da inauguração da ponte, seria útil um instante reservado à meditação sobre as águas que passam. De Propriá a Porto Real do Colégio, o volume colossal das águas impressiona, com o seu murmúrio pungente e penetrante, como se estivesse suplicando emprego, talvez gemendo pela voz dos flagelados.

Aquele fabuloso rolo d’água sem destino, quer mais destino do que o que já teve em Paulo Afonso. Quer que a energia que ele criou não fique apenas pendurada nas heráldicas torres, quer que ela desça às suas origens, mergulhe no seu seio e transporte parte de sua abundância ociosa para os necessitados e castigados filhos do sol ardente, sempre ardente.

Deus não botou o Rio por ali, premido por um cochilo de Pedro. Botou como um desafio periódico ao homem. E o homem inicialmente o aceitou, tornando-o o Rio da unidade nacional. E aceitou o segundo desafio, tornando-o o coração energético do Nordeste. Chegou a hora do terceiro desafio, que é torná-lo o benfeitor dos seus vizinhos. Como é caprichosa e bela a história desse Rio: primeiro serviu à Nação, depois o Nordeste; só agora é que pensa na sua região particular – o sertão e o agreste. Quem há de lhe negar esse direito, quando primeiro cuidou dos outros como convinha aos interesses nacionais, e muito depois é que deseja auxiliar os seus mais íntimos, exatamente os mais pobres, os mais infelicitados, os mais necessitados da sua capacidade de dar?

Vamos ajudar o velho Rio a cumprir a sua missão histórica, principalmente essa que lhe toca mais de perto à sensibilidade: fazer justiça ao sertanejo. Já vem servindo há tanto e a tantos – iluminou palácios, fez grandes indústrias, dá conforto aos centros urbanos – agora quer lembrar-se dos mais humildes, dos Fabianos, das Sinhás Vitórias e das cachorras Baleias, das comunidades rurais, dos sertões. E não é à toa que o chamam carinhosamente de Velho Chico.

O Rio é gente, o Rio é um patriota.

O Rio São Francisco quer provar que o nosso Sertão é a terra prometida que os sertanejos procuram, sem saber que estão pisando nela.

 
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Publicado por em 13/03/2013 em Variedade

 

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Antecipação de campanha: nova moda

Publicado no Portal Cada Minuto

Alagoas realmente possui um jeito muito peculiar de fazer política, por óbvio já estamos até exportando.

Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles gostam”. Platão

Agora estamos inaugurando uma nova estratégia de marketing político. Há mais de um ano para o início do processo eleitoral, já encontramos por aqui figuras antecipando suas candidaturas. E eu não consigo entender a estratégia.

Aliás, entendo sim. Entendo que tais pré-candidatos são candidatos de si próprios e não de um projeto, pois não vi ninguém se submeter à convenção partidária, o que já demonstra que a intenção é se candidatar a qualquer custo, sob qualquer pretexto.

Um dos maiores cases políticos de nossa história foi a campanha para o Senado de um candidato que percorreu o Estado em 28 dias, se utilizando de muito dinheiro, boa equipe e uma criatividade absurda. Criações que não admiro, obviamente. Afinal, se valer da humildade e ignorância do povo para aparecer como o “enviado” de pessoas imageticamente idealizadas pelo imaginário popular é desleal e acachapante.

Entretanto a estratégia deu certo, gastou muito dinheiro, mas infinitamente menos do que quem vinha em campanha a meses e no final foi quem alcançou o resultado pretendido. Ademais, não é novidade que quanto mais um nome político é submetido ao jugo popular mais esse nome recebe críticas e é alvo da atenção da mídia, proporcionando meios para que os adversários – declarados ou não – apresentem todo seu arsenal.

No cenário político nacional quem surpreendeu foi a Presidente, que já admitiu sair à reeleição e tem provocado o confrontamento direto com partidários de oposição.

É natural que aqueles que se expõem antecipadamente também arquem por suas escolhas. Estratégias político-eleitorais não são contas de matemática, não há exatidão. Mas há estudo e, a menos que a intenção sejam os gastos estratosféricos, pessoas que já têm uma imagem sedimentada no eleitorado devem trabalhar marketing político e não eleitoral. Há hora para tudo.

As pessoas comuns pensam apenas como passar o tempo. Uma pessoa inteligente tenta usar o tempo“. Schopenhauer

Tem gente que adora um problema e outras tantas que adoram uma celeuma!

Vá entender!

 
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Publicado por em 11/03/2013 em CadaMinuto