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Arquivo mensal: janeiro 2013

Dinheiro Público para o público

Publicado no Portal Cada Minuto

E Alagoas segue na contramão de tudo…

Enquanto outras cidades do país, a exemplo de Aracaju, se esforçam em resgatar o carnaval, Maceió – conhecida pelas prévias carnavalescas – insiste em sepultar o evento que atrai, há anos, turistas e, com eles, recursos econômicos, aquecendo a economia local direta e indiretamente.

O viés cultural de uma sociedade é o que lhe imprime identidade, ligação com um local, com uma histórica e lhe provoca o sentimento de pertencimento. E tudo isso é importante, principalmente numa sociedade sem valores e princípios cada vez mais fragilizados pela imposição externa de novos interesses.

Obviamente que não há como generalizar. Mas não se pode generalizar coisa alguma. O que realmente importa para uma sociedade? Quem sabe? Quem determina?

Pois é. O dinheiro público deve ser destinado ao público. E o povo precisa de cultura, precisa de identidade. O povo precisa de lazer, seja ele revestido do que for, desde que traga crescimento social.

É o que vemos com filmes e apresentações teatrais. Se não fosse o financiamento público e o patrocínio de empresas públicas, viveríamos a ditadura hollywoodiana. Assim como se não fosse o financiamento público no esporte só haveria futebol, e do eixo Rio-São Paulo.

E a ideia é a mesma quando falamos em grupos tradicionais, como o nordestino Reisado, o nortista carimbó e o sulista Fandango.

Ora, para quê tanta intransigência? Quem quer carnaval que pague por ele? Quem quer educação que pague por ela? Quem quer saúde que pague por ela? Onde isso vai parar?

Nunca vi radicalismo ser bom em nenhuma sociedade. Até o capitalismo se consome. E se as pessoas não buscarem o bom-senso, o meio-termo, o equilíbrio, quem seremos no futuro?

 
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Publicado por em 31/01/2013 em CadaMinuto

 

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Jovens criminosos, adultos cúmplices

Publicado no Portal Cada Minuto

A maioridade penal é tema sempre discutido entre os estudiosos e as vítimas de violências. Cada vez mais adolescentes são protagonistas em ações criminosas que espalham terror e medo pelas ruas de nossas cidades.

Com o crescimento do número de adolescentes e o aparecimento de crianças, menores de 12 anos de idade, envolvidas com o crime, muitas vezes relacionado com o tráfico e o consumo de drogas pesadas, as pessoas têm tendido a admitir que só a redução da maioridade penal poderá por um fim em tanta criminalidade.

Entretanto tal pensamento reducionista não atinge o cerne da questão.

Por que cada vez mais jovens optam pelo crime? E há muitas respostas para essa pergunta. Faltam escolas, faltam professores, falta qualidade na educação (pública e provada), faltam referências e valores sociais, faltam pais presentes, faltam adultos competentes.

O Brasil é o país das leis que não “pegam”, das leis que não são observadas, da falta de fiscalização e estrutura para o cumprimento da legislação vigente. Ocorre que temos uma das melhores legislações do mundo quando o assunto é criança e adolescente. Nossa Constituição cidadã também ampara os jovens e os cerca de cuidados.

Tanto que casos de jovens irrecuperáveis – como o “Champinha” – ficam trancafiados “eternamente”, mesmo que em Instituições Psiquiátricas.

Mas o que está escrito não é cumprido. E a culpa não é de fulano, cicrano ou beltrano, mas de todo o sistema.

Nossas crianças e adolescentes não têm perspectivas de um futuro inserido na sociedade. Não há educação, não há emprego, não há valores sociais…

Os pais não fazem sua tarefa, não educam seus filhos, não dão exemplos e orientação; a escola, que deveria assumir esse papel diante do fracasso dos pais, também não realiza. Conta com poucos professores, mal pagos e sem preparação específica de qualidade; a sociedade também não faz sua parte, passa o tempo, em vez de aproveitá-lo. Oferece a esses meninos e meninas músicas de péssima qualidade, vestuário que cobre cada vez menos o corpo e que ostentam brasões do consumo como se fossem todos mini outdoors.

As pessoas têm que parar com essa mania de querer mudar leis, fabricar leis e achar que judicializando as ações sociais seus problemas estarão resolvidos. Não é assim! É necessário que todos façam a sua parte e que cobremos do Estado o cumprimento e a observância das leis que já existem.

Querer comparar nossa legislação a legislações de outros países, países desenvolvidos de verdade, é demagogia pura. Só se compara sociedades que se equivalem, o que não ocorre com o Brasil. Somos um país bem peculiar. Temos uma economia forte, mas uma sociedade sem valores, sem educação, sem saúde e sem segurança. Vivemos em constante situação de vulnerabilidade.

Para exigir de nossos jovens comportamentos como de jovens europeus ou americanos é necessários que todos tenham as mesmas condições. Diferente disso é continuar fazendo o que sempre foi feito, empurrando a culpa pro outro, e deixando a “corda arrebentar do lado mais fraco”.

 
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Publicado por em 30/01/2013 em CadaMinuto

 

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Desabafo pelos jovens inocentes de Santa Maria (RS)

Publicado originalmente no Facebook

Nojo de gente hipócrita, de gente fanática, de gente radical…

Nojo de quem é egoísta ao ponto de não se por no lugar do outro, de sentir a dor do outro, de chorar com o choro de um pai e de uma mãe…

Nojo do oportunismo barato, do oportunista de velório, que espera uma tragédia para professar uma fé que limita, que cerceia, que amordaça e que julga…

Nojo eu tenho de quem acusa o demônio pelo incêndio e Deus por condenar quem se diverte…

Nojo eu tenho de quem não respeita a fé dos outros, a ausência de fé, a autonomia da vontade, o livre-arbítrio…

E você, que é nojento como quem eu acabei de descrever, faça o favor de orar, mas em silêncio, de falar com Deus, mas fale com o coração, pois suspeito que por sua boca não fala um anjo, mas um dragão…

 
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Publicado por em 29/01/2013 em opinião

 

Em Cartaz: Lincoln – João e Maria – Django

Esse domingo (27) foi dedicado aos filmes. Os escolhidos foram “Lincoln”, “João e Maria – os caçadores de bruxas” e “Django”, todos continuam em cartaz.

 

O que mais impressiona em LINCOLN é a densidade dos diálogos travados entre as mais variadas personagens. Retratar um período histórico de tanta importância para o povo americano, como a Guerra Civil, não deve ter sido tarefa das mais fáceis para Steven Spielberg dirigir. O filme consegue expor muito claramente a forma como era feita política naquela época e desconstrói um pouco do mito que sempre envolveu Lincoln e sua forma de conduzir o país que inspirava democracia, força e liberdade.

A lição que Maquiavel ensinou em “O Príncipe”, e que muitos desvirtuam para justificar maldades e o poder a qualquer custo, é bem desenhado no enredo de LINCOLN. Os meios que são justificados pelos fins são facilmente identificados na batalha pelo “convencimento” de políticos para que apoiassem a aprovação da 13ª Emenda à Constituição Americana, a que decretou o fim da escravidão naquele país.

Recomendo o filme, em especial aos apaixonados por política e retórica. A ideia é que o que é retratado seja analisado e que de lá se extraiam lições indeléveis.

*****

JOÃO E MARIA – OS CAÇADORES DE BRUXAS” é mais uma releitura de sucesso. Depois de Chapeuzinho Vermelho, Alice no país das maravilhas, A Bela e a Fera e Branca de Neve e os sete anões, chegou a vez de João e Maria. A história encantou pelo enredo surpreendente e pela capacidade de prender a atenção dos espectadores. Ação, mistério e muitos efeitos especiais dão a tônica da produção.

Interessante registrar que as bruxas que são apresentadas no decorrer do filme fazem clara referência às pessoas que nascidas “diferentes” eram mortas durante a Idade Média por suspeitas de ligação com as forças do mal. É o caso de deficientes físicos, irmãos gêmeos, xipófagos, albinos, e toda sorte de alteração genética que levassem ao nascimento de pessoas que não fossem consideradas “normais”.

Recomendo também esse filme, em especial àqueles que cresceram lendo contos infantis e que aprenderam com eles que a desobediência leva a pesadas punições…

*****

DJANGO LIVRE, o mais novo filme de Tarantino, mantém suas marcas principais. Exagerado, muito sangue e eletrizante. Os momentos de humor também agradam, assim como a capacidade de Tarantino de não perder seu foco mesmo tratando de temas tão densos, quanto o período de escravidão que antecedeu a Guerra Civil (1860-1865), o filme se passa em 1858.

Relembrar o faroeste americano, os caçadores de recompensas e a forma como o americano do passado era preconceituoso e segregacionista contribui para entender a sociedade americana de hoje. Ainda que Tarantino muito mais satirize do que retrate a realidade histórica, é inegável que os mais atentos poderão encontrar os pontos de ligação entre o passado e o presente.

Recomendo Django, recomendo Tarantino sempre.

 

 

 
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Publicado por em 28/01/2013 em Variedade

 

Cantora carioca e Roda de Samba ‘Sem Hora Liberdade’ farão show especial no Maikai

Natural dos blocos carnavalescos de Irajá, subúrbio do Rio de Janeiro, a cantora Dorina estará em Maceió no próximo sábado (26) para apresentação única no Maikai. Convidada pela roda de samba Sem Hora Liberdade, que capitaneia o projeto “o samba pede passagem”.

O projeto está em sua 7ª edição e tem como fundadores: Hermann Braga, Humberto Torres e Mauro Lisboa. O projeto já trouxe a Maceió: Wanderley Monteiro, Moacyr Luz, Luiza Dionízio, Gabriel Cavalcante, Adílson Bispo e agora a cantora carioca Dorina.

A roda de samba “Sem Hora Liberdade” faz parte do projeto e vai acompanhar a cantora. No repertório, o grupo apresenta os maiores clássicos do samba compostos por Noel Rosa, Cartola, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Nelson Cavaquinho dentre outros.

Hoje o trabalho é reconhecido nos redutos de samba no Rio de Janeiro e em alguns locais do Nordeste. O reconhecimento do projeto resulta em credibilidade e faz com que os músicos convidados sintam-se mais confiantes.

 

Dorina 

Carioca, criada em rodas de samba no subúrbio de Irajá, Dorina é conhecida no cenário boêmio do Rio de Janeiro. Já participou de diversos projetos musicais com parceiros de renome nacional como Dona Ivone Lara e Zeca Pagodinho.

“Dorina é batalhadora, alegra, pra cima, do jeito que o samba gosta”, assim Zeca Pagodinho define Dorina, sua afilhada musical.

Trilhando seus passos na carreira musical desde a década de 90, Dorina é referência entre os maiores sambistas do país e tem se firmado no cenário musical brasileiro como uma das principais cantoras de samba.

 

Serviço

Local: Maikai Show Bar

Data: 26/01/2013 às 17h

Valores: Mesa (04 pessoas) – R$ 150,00 (1º lote)

Individuais – R$ 30,00 (1º lote)

Informações: 8802-0505 / 8809-2626 / 9902-0501

 

 

 

Assessoria

 

 
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Publicado por em 25/01/2013 em Variedade

 

“Maceió, meu bem querer” e a polêmica

No ano passado o vídeo promocional dos Reveillons da cidade roubaram a cena. Virou febre entre os usuários das redes sociais e levantou a estima do alagoano. “Maceió, a capital do Reveillon” se tornou uma verdade, nosso verão foi invadido por turistas do Brasil e do mundo, e vivemos dias de muito calor, muita gente e dinheiro gerando emprego e renda não só para a capital, mas também para cidades consideradas paraísos no nosso litoral.

Há alguns dias o vídeo “Maceió, meu bem querer” tem tomado os perfis de usuários das redes e gerado todo tipo de comentário. A qualidade do vídeo, das imagens e a melodia superam a letra que poderia tocar ainda mais a nossa estima e a curiosidade do turista.

Claramente mais um convite aos brasileiros que não conhecem nossos encantos. Sol, mar, pessoas bonitas e muita festa. Afinal, tudo isso temos mesmo e conquistamos pela simpatia também.

As críticas que surgem são de cunho mais profundo, acusando de mentiroso o vídeo que mostra uma Maceió sem defeitos. Ora, mas nossos defeitos estão diariamente nos noticiários, inclusive em âmbito nacional, aliás, principalmente nacional.

O ruim, o triste e o doloroso sempre gera notícia, mas o bonito, o contagiante e animador não. Vejo o vídeo com muitos bons olhos, fico feliz que empresários estejam investindo em nossa imagem. Pois é assim, poder público sozinho “não faz verão” e os principais beneficiados são os empresários locais. Que se unam, que produzam material de divulgação, contribuam para o turismo na cidade, porque se dependermos da geração de emprego e renda por parte do poder público, viveremos num paraíso de bolsa família.

Maceió, meu Bem Querer

 
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Publicado por em 24/01/2013 em opinião

 

A verdade da imprensa

Publicado no Portal Cada Minuto

Que a imprensa é usada deliberadamente por seus proprietários em proveito próprio, já não é novidade. Que muitos operadores do jornalismo se valem de seu “status” de formadores de opinião para publicar apenas notícias que lhes gere alguma renda, como uma espécie de “assessoria de imprensa privilegiada por já ser da imprensa”, também não é novidade.

Mas qual seria o real papel da imprensa? A busca pela verdade? Mas que verdade?

Recentemente o filme “A Viagem”, dos irmãos Wachowski, trouxe num dos diálogos a seguinte ponderação: “A verdade é singular. As versões dela que são mentiras”.

Pensando a respeito, a quais conclusões os leitores poderiam chegar sobre a atuação dos operadores da imprensa? Contar verdades nunca é errado, mas e quando só se contam as verdades que são convenientes e em momentos apropriados?

Faltando muitos meses para a campanha eleitoral estadual, Alagoas já enfrenta o uso dos meios de comunicação para mostrar as verdades que são convenientes para seus proprietários. Abuso permitido, sim, mas ético, não.

A imprensa não deve ser pautada por interesses particulares, mas públicos. Deve ser notícia aquilo que tem relevância para a sociedade e não para quem administra o veículo de comunicação. É interessante que sua verdade seja apontada, sim, indubitavelmente, mas é acachapante que a linha editorial de quaisquer veículos se adapte ao momento político em que se encontra.

Tolstói ensinou que a liberdade não é alcançada sendo buscada, mas quando se busca a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência.

Que o leitor entenda, mais que nunca, o quê e quem motiva determinadas notícias nos mais diversos veículos. Não é à toa que se condena tanto o jornalismo agenciado, aquele que se pauta pelas agências de notícias, e tão comum nesta Era da Velocidade da Informação. Entretanto, jornalismo sério é feito com apuração.

De nada adianta publicar feitos de políticos que não geram quaisquer impactos na sociedade ou num grupo de pessoas e isso só se sabe perguntando a eles, apurando, e não reproduzindo notas oficiais.

Médicos salvam vidas doentes, professores educam e têm a missão de formar melhores cidadãos, advogados defendem direitos e evitam abusos de autoridades, mas para que toda a cadeia de serviços em prol da sociedade funcione como se deve o papel da imprensa é primordial.

É necessário que as pessoas, todas elas, entendam seus direitos e deveres, cobrem a realização das obrigações de quem as têm e para isso precisam ter acesso à verdade, não a sua versão, mas ela por completo, apurada e apta a formar opiniões, trazendo o máximo de vieses possíveis.

Relevante estar alerta à atuação estatal, à atuação de agentes políticos, é mais que sabido, mas é importantíssimo que também estejamos atentos à atuação da imprensa, as suas motivações, aos seus interesses, e assim pensemos e concluamos por nós mesmos.

 
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Publicado por em 23/01/2013 em CadaMinuto