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Arquivo mensal: outubro 2012

Eleições OAB/AL e a sujeira virtual (e real)

Texto Publicado no Portal Cada Minuto

Estamos na reta final para as eleições da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas. Faltando um mês para as eleições é assim que a chamamos: “reta final”. Isso porque o pleito tem sido discutido, analisado e esmiuçado há alguns bons meses, para alguns candidatos há mais de um ano e para outros nunca deixou de ser tema recorrente.

Enfim, a intenção aqui é fazer um alerta, o mesmo que fiz há alguns meses pelas redes sociais sobre o uso de meios inidôneos para atacar a honra de candidatos ou trazer à tona ilações desabonadoras e incriminadoras.

Estas eleições têm um condão bem interessante, por ocorrerem logo após (e/ou concomitantemente) as eleições municipais nos incentiva a fazer comparações diuturnas.

Mas será que há honestidade numa comparação em que de um lado há 501 mil eleitores, só em Maceió, e do outro até 11 mil inscritos na OAB em todos estado de Alagoas? Destes 11 mil nem todos estão aptos a votar e outros simplesmente não se interessam pelo pleito. Se incidirmos o mesmo percentual de abstenção ocorrido no início deste mês de outubro, no pleito municipal – admitindo uma comparação -, contamos com cerca de 10 mil eleitores, fora os inaptos*.

Inicialmente, pode parecer desonesto fazer tais comparações, mas apenas se os números municipais fossem extremamente superiores aos da eleição de classe – aqui me refiro às campanhas. O que não ocorre.

Alagoas está abismada com os “investimentos” feitos pelas diversas candidaturas e o que tem sido suscitado pela imprensa e pela população é o que estaria em jogo?

Diante de informações que não são atribuídas a ninguém especificamente, mas apenas a um “operador do direito”, a imprensa já tem assumido que muitos destes candidatos visam “aparecer” e com isso fortalecer seus escritórios, uma vez que há restrições à publicidade da advocacia.

Mas seria esta a real razão? Só esta?

Confesso não ser capaz de responder a tais perguntas, mas caso a resposta seja afirmativa o lamento é profundo. Pois representação de classe deve ir além de interesses pessoais, e no caso da OAB deve ultrapassar os muros da Casa dos Advogados, isso porque os advogados são indispensáveis à administração da justiça.

As eleições de Ordem são realizadas entre pares, entre colegas, pessoas que no dia a dia se encontram nos fóruns, nas audiências e em todos os locais onde a Justiça seja necessária. E mesmo assim, sendo todos “conhecidos”, muitos verdadeiros amigos, o tom deste pleito há muito deixou de ser no campo das ideias, no debate de propostas, na viabilidade dos projetos, para se resumirem aos “disse-me-disse”, numa clara tentativa de desestabilizar o oponente frente à opinião dos eleitores; ou à afronta descarada, e aí bem pior que nas eleições municipais, por meios apócrifos, trazendo à tona ilações infundadas e não provadas, violando preceitos constitucionais basilares, como a vedação ao anonimato e os princípios da ampla defesa e do contraditório.

Este espaço não existe para lições de moral, de civilidade ou de educação doméstica, tudo isso os adultos e experientes profissionais que se metem em política de Ordem deveriam ter aprendido ainda nas bancas escolares e no cotidiano familiar.

O que se pretende é alertar aos eleitores (advogados públicos, privados, professores, consultores) sobre os caminhos que podem escolher, sobre o incentivo que inconscientemente fazemos pela curiosidade em torno dos emails que são trocados no submundo da advocacia, emails estes que faço questão de não receber e que aconselho aos que recebem que não os passe adiante.

Hoje a vítima é um candidato que não é o seu, mas amanhã pode ser o seu. Ou pior, pode ser você.

Esperar que a população de Maceió, desassistida, explorada, sem educação, vote consciente pode ser um sonho distante, mas acreditar que a classe de advogados votará de acordo com o que esperam da OAB, com a representatividade que sonham e com a transparência que deve vir aliada à moralidade na condução daquilo que não é privado, mas da classe, não é sonho, é certeza de que a profissão escolhida foi a certa e que os colegas advogados são mais que rábulas a pensar no próprio bolso, são prestadores de um serviço que é público, exercem uma função social.

*Estima-se que serão pouco mais de 5 mil votantes.

 
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Publicado por em 25/10/2012 em CadaMinuto

 

A Queda

Confesso que nunca fui fã de Diogo Mainardi, o colunista de Veja e um dos debatedores do programa Manhattan Connection tem como característica principal sua capacidade incomparável em tecer críticas, em especial às políticas de esquerda (ainda que hoje não se saiba ao certo o que sejam). Seu humor ácido e sarcasmo desmedido não me atraem como leitora e nem como cidadã, por vezes um verdadeiro desserviço.

Há algumas semanas que meu pai vinha falando sobre o novo livro de Mainardi, “A Queda”. Narrativa que trata de sua luta pessoal na superação dos limites do filho, que, por erro médico, tem paralisia cerebral.

Para falar do livro eu poderia simplesmente dizer que a construção textual é incrível, que só alguém com uma inteligência e disposição literária acima da média seria capaz de enxergar o emaranhamento da vida de seu filho aos contornos de Veneza e às obras-primas mais diversas, passando por Rembandt, Marcel Proust, James Joyce, Hitler, U2 e tantos outros.

Mas acho que dizer apenas essas verdades faria de mim apenas mais uma leitora.

Mainardi vale-se de uma linguagem simples para falar das coisas que mais emocionam: arte, história, filhos e amor.

Ele supera sua intenção nítida de impressionar os admiradores de textos limpos, claros, objetivos e deslumbrantes, para naturalmente nos chocar com seu pragmatismo e amor nada meloso, fora do convencional, pelo filho que supera diariamente seus próprios limites impostos por um erro médico que lhe rendeu uma paralisia cerebral e mais de 3 milhões de euros.

Mainardi foge do lugar-comum da pena de si mesmo, da vitimização esperada, para mostrar que não é necessário ser politicamente correto para contar dramas pessoais e que seu pragmatismo “chocante” funciona muito bem na família que construiu e na história que vive.

Aprendi, ainda, a ter cuidado com o que desejamos, nossos desejos podem se tornar realidade.

 

 
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Publicado por em 17/10/2012 em Literatura

 

Corações Sujos: os japoneses do Brasil chegam aos cinemas

 

Há alguns bons anos li “Corações Sujos”, de Fernando Morais. Desde que conheci “Olga”, aos doze anos de idade que Morais se tornou um dos meus biógrafos preferidos, talvez com ele eu tenha conhecido esse gênero literário que hoje é dos meus preferidos, duelando com os romances épicos .

Enfim, quando soube que Corações Sujos, a exemplo de Olga, seria lançado nos telões do cinema fiquei curiosa. Esclareço. O livro é bem peculiar, nele o autor explica as nuances de cada descoberta, as dificuldades na tomada das entrevistas e a algum custo consegue revelar todo o emaranhado de intrigas que o povo nipônico enfrentou nos anos que se seguiram ao fim da II Guerra Mundial.

Os japoneses são orgulhosos de sua história, de suas batalhas e da fama de invencíveis que sempre ostentaram. Muitos vieram ao Brasil no início do século XX incentivados pelos governos de ambos os países em face de acordo firmado para tentar amenizar a situação populacional do Japão.

Durante a Guerra Mundial, os japoneses mantiveram-se fieis aos seus preceitos, sua moral e honra. Acreditavam piamente na vitória dos conterrâneos (Eixo) contra os Aliados. Quando a guerra acabou e as notícias sobre a derrota do Japão chegaram ao Brasil, a comunidade não acreditou e aqueles que acreditaram eram chamados Corações Sujos, daí o nome que inspirou o livro e o filme.

Mas o filme não consegue aprofundar os dramas que são retratados no livro. Durante sua pesquisa, Morais conseguiu apurar diversas histórias paralelas que se cruzaram no embate que se deu entre japoneses que acreditavam na vitória do Japão e os que acreditavam em sua derrota.

Importante contextualizarmos que os tempos eram bem diferentes. O Brasil de mais de meio século atrás não contava com a liberdade de imprensa e os meios de comunicação eram os oficiais. A imprensa noticiava o que a censura permitia.

Gostei muito do filme, denso, mas, como sempre, quem leu o livro pode não se contentar com o enredo.

Pontos extras para a pequena notável, Celine Miyuki, no papel de Akemi. A garota de 10 anos rouba as cenas.

 

Cine Sesi – Terça a Domingo – 21h

 

 

 
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Publicado por em 16/10/2012 em Cultura

 

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Teatro rubro: Fagundes faz plateia pensar

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O espetáculo Vermelho trouxe a Maceió Fagundes em dose dupla, pai e filho – Antônio e Bruno – e na bagagem a missão de fazer a plateia pensar. Exatamente, mais que uma peça de teatro, o espetáculo trata de forma complexa temas que passam despercebidos no dia a dia das pessoas comuns.

Antonio Fagundes dá vida a Mark Kothko, artista prepotente que carrega consigo o orgulho por ter ajudado a “sepultar” a arte impressionista. Kothko era natural da União Soviética e radicado nos Estados Unidos, onde alcançou fama. Rotulado de expressionista abstrato, Rothko resistia, pois via em suas telas a capacidade de fazer o espectador pulsar. Não a considerava abstrata, mas subjetivista, reconhecendo que para entendê-la eram necessárias paciência e dedicação.

Fazendo o contraponto do espetáculo está Ken, interpretado por Bruno Fagundes (22), o auxiliar de Kothko que sonha em se tornar um grande artista, assim como o mestre. Os diálogos e embates travados pela dupla ajudam o público a entender a personalidade intimista e prepotente de Kothko.

Muitas vezes a peça lembrou-me “A Casa Amarela”, por Gero Camilo, num monólogo incrível. Onde o único artista no palco chegou ao seu ápice dando vida não só a Van Gogh, o protagonista, mas também Paul Gaugin. Eles que tiveram uma relação de amizade e ódio tão intensa, capaz de influencia, sobremaneira, na obra de antes.

Guardam-se as proporções, pois na “Casa” de Van Gogh havia mais cor, mais loucura e mais intensidade. Por seu turno, “Vermelho” guardou mais drama, mais conflitos e mais vermelho, muito mais.

O mais interessante dos diálogos de Kothko e seu ajudante foi a capacidade de transmitir ao público informações pela maioria desconhecida. Muitos não sabem que a história da arte é feita de conflitos, que a geração que sobrevém ataca e minimiza a anterior, mostrando força e “bom gosto”. Vermelho nos mostrou pelos olhos de um Expressionista sua glória ao ultrapassar os Impressionistas e seu fracasso ao ver-se engolido pela Arte Pop de Andy Warhol.

As críticas tão atuais tecidas por Kothko (A. Fagundes) a cultura de massa que populariza arte de gosto duvidoso e que transforma conceitos superficiais em verdades indiscutíveis, empobrecem culturalmente as pessoas, que simplesmente aceitam a ‘nova moda’ sem preocupar-se com seu sentido e intenção.

Veladamente a crítica que se faz aos grandes empreendimentos, financiadores e mantenedores da arte, é o maior legado da peça. Supera a inestimável contribuição social de apresentar ao público um artista do quilate de Kothko, mas não tão conhecido por “essas bandas” do Atlântico.

E, indubitavelmente, o desconhecimento popular sobre Kothko e outros expressionistas deve-se muito ao sucesso da arte popular, da estética para a massa e da influencia dos meios de comunicação de massa criando e afirmando o que deveria ser considerado arte. Mais uma vez a arte que sobreveio engoliu a antecessora.

Nossa Capital, Maceió, é bem carente de programas culturais, não temos grandes incentivos, nem escolas de belas artes e muito menos companhia de teatro com incentivos necessários a sua sobrevivência. Lamentavelmente somos reféns dos espetáculos que saem em turnê e passam por aqui, e normalmente as comédias são melhor aceitas pelo público.

E como bem frisou Fagundes-pai ao final de “Vermelho”, num bate papo, as pessoas não querem pensar e não se sentem atraídas por nada que lhes desperte o pensamento, a autocrítica e a autocensura.

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Divulgação – bate-papo

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Outra abordagem sobre o tema: O que é o vermelho, o preto, o branco?

 
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Publicado por em 15/10/2012 em Cultura

 

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DoeSangueAL leva sorrisos ao HEMOAL

A campanha #DoeSangueAL nasceu nas redes sociais como uma forma de incentivar os usuários da internet a doarem sangue, de preferência a bancos de sangue públicos, mas sem restrição às doações para pessoa certa (algum doente ou alguém que se submeterá a uma cirurgia).

A ideia é unir pessoas que só se conhecem pelas redes para que juntas superem traumas e receios e ajudem desconhecidos.

Salvar vidas é gesto de amor ao próximo, qualquer um que seja: pobre, rico, branco, negro…

Desta vez participaram: Diego Farias, Luciano Freitas, Danielle Vanderlei, Sérgio Coutinho, Cláudia Reis, Cosmélia Fôlha, Gi Migliati, José Marques, Sandra Dias e Lua Beserra.

A próxima deve ser antes do carnaval, para dar uma forcinha aos foliões.

 
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Publicado por em 12/10/2012 em Utilidade Pública

 

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Um ano, uma seca, uma tragédia

Atividade acadêmica

O Quinze, de Rachel de Queiróz, é mais que um romance regionalista, consegue analisar realisticamente a sociedade da década de 10.

Baseado na severa estiagem de 1915 – ano que dá nome ao livro -, o romance procura retratar fielmente as dores, a mazela, as injustiças e as contradições da época.

O Brasil ainda estava se habituando aos novos modos republicanos, os costumes imperiais e raciais ainda aparecem, mas não roubam o espaço que a escritora dedica à problemática social que emplaca.

google

A seca no sertão nordestino – a cidade de Quixadá (CE) é onde se ambienta a maior parte do enredo – afligiu muitos cearenses, a falta de água, comida e perspectivas, acabou expulsando hordas de miseráveis pelos caminhos que levava à suposta prosperidade. Muitos, atraídos pela borracha, tentaram chegar ao norte, imaginando ser a abundância hídrica do Amazonas a única tábua de salvação.

Compreende-se que psicologicamente aqueles miseráveis se deixassem encantar pelas águas dos rios do norte, afinal, se a ausência d’água era a origem de seus problemas, a solução seria onde houvesse abundância. Entretanto, àquele tempo já havia informações de que o trabalho era penoso, pagava-se mal e já não havia seringais à disposição de posseiros.

O caminho do imigrante era sórdido, vulnerável, de mais fome e de morte. A humilhação pela qual passavam não era digna nem dos animais. Aliás, estes, por representarem dinheiro, eram muito melhor tratados. Sendo que não raras vezes os trabalhadores eram liberados de seus serviços porque os senhores da terra e do gado não poderiam alimentar a todos – reses e pessoas – preferindo manter os animais.

O romance consegue retratar com bastante realidade o drama vivido por Chico Bento e sua família, que por desistir do sofrimento na terra sertaneja busca, caminhando, alcançar terra onde houvesse trabalho para o sustento de todos e melhores perspectivas – aliás, alguma perspectiva.

Em sua jornada perde um filho morto envenenado por ter comido raiz de mandioca crua no afã da fome. Perde outro que some levado, provavelmente, – pela expectativa de algo melhor – por tropeiros viajantes. Um terceiro, o mais novo, é entregue à madrinha na esperança de um futuro melhor. A cunhada que opta por ficar diante da primeira oportunidade de emprego, acaba sendo levada à miséria pela falta de opção. Chico Bento, por fim, consegue meios solidários – provenientes da madrinha – de ir com o que lhe restou – mulher e dois filhos – para São Paulo, na promessa de oportunidade que possam suprir-lhe as necessidades.

Em paralelo se desenrola um enredo que invoca o psicológico, mas que muito ensina sobre o social, em especial sobre a condição da mulher. A sociedade de então, muito patriarcal, incentivava a dedicação da mulher ao lar, às atividades domésticas e à subserviência ao marido. Conceição, a heroína de Rachel de Queiroz, não se contenta com essa realidade e busca contrapô-la através dos estudos.

Reconhece que não há espaço para as mulheres, por isso entende que aquelas que escolhem não se dedicarem à vida familiar precisam encontrar outras preocupações, razões pelas quais viver.

O romance é digno para o estudo aprofundado do passado brasileiro, da sociedade que mais recentemente influenciou na tomada de decisões do povo, assim como ajuda a compreender o sofrimento do povo nordestino, a sua falta de opção, as razões que os levaram a empreender jornada injusta e lamuriante em busca de terra que lhe proporcionasse a sobrevivência.

A narração de Rachel de Queiróz, de forma simples, direta e muito envolvente é capaz de esclarecer muito do que hoje é vivido pelo mesmo povo. Estudar o passado nos ajuda a entender nosso presente, e a autora consegue abrir nossos olhos, hoje, para o passado que se repete interminavelmente.

 
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Publicado por em 11/10/2012 em Clássico, Literatura

 

Desmundo – o mundo ausente numa realidade presente

Estudando a disciplina Realidade Sócio-histórica podemos analisar os diversos vieses que contribuíram para a formação do estado brasileiro e de nossa identidade.

O filme Desmundo, dirigido por Alain Fresnot e protagonizado por Simone Spoladore, Osmar Prado e Caco Ciocler, nos apresenta a situação real vivenciada pelos primeiros portugueses que vieram ao Brasil com a missão de colonizar a terra e os índios.

A linguagem usada pelo filme, além de impressionar, choca. O português arcaico imprime a sensação de verossimilhança e passa para o espectador a sensação de estar vivendo no mesmo período encenado.

O tempo retratado é o do século XVI, algumas décadas após o descobrimento do Brasil, e revela a realidade vivida por nossos primeiros colonizadores, o impacto que causaram à terra e aos índios, bem como a forma como viveram, apresenta-nos uma óptica bem chocante daqueles primeiros anos.

Naquele período as mulheres não eram bem-vindas em navios, assim como a sociedade patriarcal vigente no mundo não as permitia em expedições e colonizações. Entretanto, como a colonização do Brasil estava gerando uma sociedade de brasileiros mestiços, filhos de portugueses e índias, contrariando premissas católicas e do império, entendeu-se por bem o envio de jovens órfãs de conventos para casarem-se com os portugueses no abrasileirados.

A intenção era contribuir com a moralidade em terras brasilis, reforçando os preceitos católicos e preconceituosos vigentes à época. O filme consegue retratar com clareza a difícil realidade das mulheres, a forma como eram oprimidas e exploradas e forçadas a se submeter ao jugo dos maridos.

As mulheres brancas eram muito raras naquelas primeiras décadas pós-descobrimento, e só se tornaram mais comuns depois da chegada da família real.

Interessante inclusive a revelação do fato de que havia mulheres que eram enviadas ao Brasil por terem cometido erros “imperdoáveis” em Portugal – como a gravidez antes do casamento – e que ao chegarem aqui, justamente por sua condição de degredo, não eram atraentes aos colonizadores, razão porque desenvolviam relações incestuosas com os próprios filhos, gerando crianças doentes.

À mulher sempre foi relegado o dever do matrimônio, da fidelidade, da guarda dos filhos e das atividades domésticas. Aquelas órfãs que vieram ao Brasil-colônia não faziam ideia da sorte que às esperava no Novo Mundo, e em poucos dias este se revelou um “desmundo”. Para elas, assim como para quaisquer pessoas “ocidentalizadas”, a selvageria era a tônica dos costumes brasileiros, e talvez fossem mesmo.

Entretanto, somos resultado daqueles tempos e de todos os que se seguiram. A opressão à mulher, aos índios e posteriormente aos negros, feita pelos portugueses (europeus), mas principalmente pela Igreja e os Jesuítas, determinou tais grupos como “minorias” até os dias atuais.

E mesmo que estes não sejam minoria em número, são em representação política, em direitos respeitados e em ocupação de cargos de Administração Pública.

O Brasil de hoje é resultado de toda conjuntura sócio-histórica, política e econômica por que passou ao longo dos anos, assim como pelo comportamento dos índios, das mulheres e dos negros. Somos pacíficos, “acomodados” e despolitizados não por “preguiça”, mas por toda história de opressão e exploração. E estudar o nosso passado nos ajuda a entender nosso presente e escolher nosso futuro.

 
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Publicado por em 10/10/2012 em Variedade

 

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