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Arquivo mensal: junho 2012

Sertão castigado pela seca e Prefeituras comemorando

Enquanto milhares de sertanejos sofrem com a estiagem, prefeituras festejam.

Texto publicado no Portal Cada Minuto

O ano de 2012 já entrou para a história como um dos anos de maior estiagem no sertão nordestino. Especialistas dizem que secas tão sevaras ocorrem a cada 30 anos, em média. A última teria ocorrido entre 1983 e 1984.

A falta de chuva é a culpada pelas mazelas do homem sertanejo. Por causa dela não é possível o plantio e nem a pesca nos parcos rios. Transformando o povo lutador do interior nordestino num sofredor, passando pelas piores auguras: a fome e a sede.

Historicamente o sertanejo enfrenta períodos de escassez de água e, justamente por isso, não raras vezes o poder público consegue vencer eleições baseando sua plataforma em promessas de combate à seca, como é o caso do “canal do sertão” – obra que já se arrasta por longos 20 anos.

Entretanto, enquanto o povo sertanejo sente sede e fome em decorrência de mais uma severa seca, prefeitos de muitos dos municípios atingidos pela estiagem se dedicam a festas, inaugurações e contratações supérfluas diante das necessidades primárias de seus administrados.

Ao passo que o povo precisa de abastecimento de água por carros pipa, de ração para os animais, de cestas básicas e água mineral, as prefeituras municipais de Delmiro Gouveia, Piranhas, Belo Monte, Monteirópolis, Ouro Branco, Pão de Açúcar, Santana do Ipanema, Feira Grande, entre outras, acharam razoável investir (ou seria gastar?) em festas de emancipação, inaugurações, ou “arraiás” juninos.

Pois é, caros leitores. Enquanto a política romana, nos áureos tempos de seus “Cíceros”, já se baseava no “pão e circo”, as municipalidades alagoanas encostam-se em programas nacionais de “bolsa miséria”, enquanto ilude o povo com o melhor forró que o dinheiro público pode pagar.

 

 

Solidariedade

Em contrapartida, alguns alagoanos, sem quaisquer pretensões políticas, comovidos com a situação de sede e miséria do sertanejo alagoano tem se mobilizado para arrecadar alimentos e água mineral para distribuir entre a população dos municípios mais afetados.

A última entrega de alimentos doados ocorreu nas cidades de São José da Tapera, Carneiros e Olho D´água das Flores, no dia 02 de junho.

Aqueles que tiverem interesse em participar com doações, poderão encaminhá-las para a sede da OAB/AL, no Centro da cidade de Maceió.

 
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Publicado por em 20/06/2012 em CadaMinuto

 

Enchente de 2010 deixou marcas piores do que imaginamos

Há exatamente dois anos Alagoas passava por uma das piores tragédias naturais de sua história recente.

Texto publicado no Portal Cada Minuto

Depois de alguns dias de chuva torrencial na cabeceira dos rios Una e Sirinhaém, em Pernambuco, o nível dos rios alagoanos Mundaú e Canhoto (Canhotinho) subiu rápida e vertiginosamente. A enxurrada atingiu mais de vinte municípios alagoanos, deixando mortos, desaparecidos e milhares de desabrigados.

O alagoano, até então acostumado às mazelas da seca sertaneja, no ano de 2010 teve que enfrentar o frio, as doenças, as mortes e a falta de condições básicas para a sobrevivência digna por causa do excesso de água, que por onde passou deixou destruição e sofrimento.

A comoção foi tanta que em poucas horas alagoanos, nordestinos e brasileiros dos mais diversos estados iniciaram uma corrente de solidariedade para ajudar os flagelados.

Em face da cobertura que a imprensa fez da tragédia, doações chegaram de toda parte do mundo. Países estrangeiros e organismos internacionais demonstraram solidariedade enviando alimentos, roupas, medicamentos e dinheiro para ajudar a diminuir o sofrimento do povo alagoano. Só a Venezuela enviou cerca de oito toneladas de alimentos para Alagoas.

 

Como forma de prestar contas à sociedade que se mobilizou, que se solidarizou e se entristeceu com a história de muitos alagoanos desesperançados, um grupo de blogueiros há um ano percorreu quatro municípios cortados pelos rios Mundaú e Canhotinho, com a finalidade de relatar como estariam vivendo os sobreviventes da enxurrada de 2010.

Confirmando o que vinha sendo noticiado timidamente por pontuais meios de comunicação, verificamos que a tragédia tinha deixado marcas muito maiores que as perdas materiais e até humanas, aquela enchente deixou milhares de famílias sem dignidade.

Viviam amontoados em barracas de lona (doadas por organismos internacionais), sem condições mínimas de higiene ou salubridade, quentes como fornos, sem esgoto ou água encanada, e com a distribuição racionada de água. Mesmo com o fornecimento de três refeições diárias, aquelas pessoas não haviam passado por tratamento psicológico e nem haviam recebido condições para serem reinseridas à sociedade e ao mercado de trabalho. Foram alojadas em descampados “seguros” (de novas enchentes), mas próximo a espaços historicamente ligados à marginalização.

Assim, bolsões de miséria se multiplicaram nas regiões mais atingidas pelas enchentes. A rixa política acabou pautando muitas das ações de resgate da dignidade dessas pessoas e a ausência do poder público contribuiu sobremaneira com a criminalidade e a marginalização.

A busca por alternativas de sobrevivência por meio das drogas também foi algo constatado. A falta de saúde, de educação e de trabalho nos mostrou crianças brincando na lama, ladeadas por dejetos humanos que circundam os becos fétidos por todo o acampamento, e adultos desocupados, preocupados com sua própria existência, ainda que indigna.

Como resultado dos diversos textos produzidos, a imprensa local e nacional foi alertada para as condições subumanas em que viviam aqueles flagelados. Com a participação dos meios de comunicação as instituições políticas não puderam continuar silentes e passaram a ser cobrados sobre velocidade na solução do problema.

As casas que estavam sendo construídas a passos lentos e bem espaçados passaram a ter como meta um cronograma mais condizente com os anseios basilares daquelas pessoas. Muitas já foram beneficiadas com as primeiras casas, mas outras milhares de famílias ainda aguardam o teto prometido.

Para manter os alagoanos e brasileiros atualizados sobre como estão vivendo os sobreviventes das enchentes de 2010, e evitar o uso eleitoreiro da entrega das casas, o mesmo grupo de blogueiros, e outros que se sintam interessados em participar, em breve voltarão aos municípios visitados há um ano e outros mais. Com isso pretendemos agradecer a solidariedade de todos que, num dos momentos mais trágicos da história do povo alagoano, se uniram para nos ajudar.

O poder público tem obrigação não só com os flagelados e os alagoanos, mas com todos os que despenderam tempo, dinheiro, atenção, alimentos e toda sorte de solidariedade com seus filhos.

A generosidade humana é algo tocante e deve ser estimulada, para tanto façamos também a nossa parte, dando exemplos e contribuindo para amenizar o sofrimento dos desvalidos.

Em paralelo não deixemos de fiscalizar e cobrar de quem tem a obrigação de cuidar de todos nós.

 

Esclarece-se:

Foi constatado que o nível de descaso com os flagelados variava de município para município, razão pela qual o texto acima deve ser interpretado em sua generalidade e não especificidade. Veja aqui.

Este fim de semana, por razões diversas a visita aos municípios não pode ser realizada, mas em breve será, momento em que as impressões serão relatadas e os leitores poderão saber da real situação como vivem tanto quem já recebeu sua casa, como quem ainda aguarda.

 
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Publicado por em 19/06/2012 em CadaMinuto

 

Mais um inocente é vítima da inoperância estatal

Desta vez um menino é vítima de arma de fogo, não pela droga, mas pela impunidade.

Texto publicado no Portal Cada Minuto

Novamente os alagoanos se veem estarrecidos com mais uma morte banal, desta vez um garotinho entre 10 e 11 anos de idade, filho de um carroceiro, que acompanhava o pai, quando foi assassinado à queima-roupa por um motorista insatisfeito com a lentidão da carroça para subir uma ladeira.

A briga que se iniciou com uma discussão de trânsito, logo evoluiu para um crime hediondo, homicídio qualificado. Note-se que não estou aqui condenando acusado algum, até porque o que se sabe é que nada se sabe sobre o malfeitor*.

O motorista impaciente, perigoso e perverso atacou pai e filho, simplesmente, porque estavam numa carroça, sim, veículo tracionado por um cavalo, não por vários, como os veículos automotores, e destinado basicamente ao trabalho.

Incrivelmente o carro do assassino ninguém sabe qual é e a pessoa ninguém sabe identificar, mesmo todo o sinistro tendo ocorrido a alguns metros de distância de um Batalhão da Polícia Militar de Alagoas, na ladeira do Jacintinho – conhecida como “ladeirão do óleo”. Batalhão este que, há alguns dias, um juiz denunciou o número de veículos parados em seu pátio, cerca de onze viaturas.

Pois é, caros leitores, mais uma vez – não a primeira e nem a última, infelizmente – um inocente morre pelas mãos covardes de uma pessoa inadvertidamente armada, e mais uma família é destroçada pela dor e pela perda de uma criança.

Esse menino não foi morto pelo tráfico, nem por assaltantes; ele foi morto pela maldade, pela impunidade, pela insegurança, pela inoperância estatal. E o que fazemos?

Bem, nós não fazemos nada, claro. O que faríamos? Vamos às ruas protestar novamente? Parar o trânsito e ainda ser motivo de chacota daqueles que nem gastam sola de sapato e ainda reclamam porque a classe média só vai às ruas quando morre um dos seus?

Não, meus caros leitores, vamos parar de cobrar da população o que tem que ser cobrado de quem foi eleito para isso, de quem se candidatou e venceu as eleições com o compromisso de combater a violência. São estas as pessoas que devem ser cobradas. Aquelas que recebem verbas federais para tanto e não apresentam respostas.

A população, em protesto, pode se mobilizar e tomar as ruas, mas deve ter consciência que não deve apontar para o vizinho que não o fez no passado e que agora resolveu dar as mãos. A cobrança não deve ser dirigida à população, que ainda que tenha errado no voto, votou porque acreditou em promessas que não são cumpridas.

O sistema adotado pelo poder público para combater a violência e as suas causas é falido, alguém duvida? O governo estadual admite isso ao pedir intervenção na segurança pública ao governo federal. Mesmo alardeando a intimidade entre ambas as esferas, inclusive levando para o âmbito pessoal, o governo federal tem o evento internacional que ocorre no Rio de Janeiro como mais importante, acarretando num dos maiores contrassensos já testemunhados: O Brasil tem o Rio de Janeiro como a capital mais segura durante a Rio+20, enquanto em Maceió incontáveis vidas são ceifadas diariamente, corroborando a pecha de cidade mais violenta do país.

E, então, leitores. Cobraremos de nós mesmos, de nossos vizinhos, de nossos amigos nas redes sociais? Ou cobraremos daqueles que foram eleitos para isso? Usemos as redes sociais, saíamos às ruas, gritemos e esperneemos, mas direcionando nossa insatisfação a quem tem obrigação de resolver. E nem venham com a conversa de que “é muito fácil falar”. Sim, é sim, e enquanto cidadãos e eleitores temos mesmo que falar e cobrar, o que não podemos é nos conformar e esperar a morte que já está a nossa espreita.

Os alagoanos estão com medo, e isso não é terrorismo oposicionista e nem da imprensa sensacionalista. Ninguém tem orgulho de ostentar os índices que sustentamos, não só na segurança, mas na educação, saúde, transporte público, desenvolvimento humano, mortalidade infantil, tudo.

Se o sistema implantado na segurança pública não funciona, troquem-no, chamem uma nova equipe, a melhor do país, mas façam algo. Se optam por manter o sistema que aí está, com as pessoas que o conduzem, que prestem contas, justifiquem tal decisão.

O que não é possível é o silêncio de todos diante da morte de inocentes. A futilidade e a torpeza têm ditado ações criminosas e isso se dá por desordem pública. O governo federal, instado a ajudar, não poderia – jamais – preterir seus “filhos”, os alagoanos, em favor de um evento.

Até quando financiaremos, através de impostos, a inoperância estatal?
Queremos respostas!!

 
Esclarecimento:
– Peço desculpas o tom de desabafo do texto, mas a indignação não pode ser contida.

*palavra corrigida por um internauta. Obrigada!

 
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Publicado por em 12/06/2012 em CadaMinuto

 

Quando o fanatismo político-partidário cega

No fim são todos ambidestros

Não são raras as vezes em que nos pegamos abismados com o fanatismo religioso, aquela cegueira causada pela fé, que muitas vezes machuca, rouba e dilacera a alma, mas que a devoção à crença não deixa que o fiel enxergue além do que lhe é posto como verdade.

Entretanto, temos sido surpreendidos com o fanatismo político-partidário (exemplo de intolerância contemporânea), e ele vem de todos os lados – direita, esquerda, centro. Como se a mais pura realidade não fosse a do fisiologismo conveniente.

Briga-se com revista que se autodenomina de direita que denuncia a suposta esquerda, baseada em informações fornecidas por bicheiro. Mas nada mais honesto intelectualmente. O jogo do bicho sempre foi ligado aos partidos de direita, o regime militar não me deixa mentir.

Não que hoje haja resquícios da direita ditatorial. Claro que não há! Até a atual direita é proveniente da oposição aos militares, aliás, onde foram parar os empresários, artistas e políticos que apoiaram os militares? (acho que o “gato comeu”).

Bem, não importa. No final das contas a esquerda existente até a eleição de Lula já não anda dando as caras também. O PMDB, historicamente aliado do PSDB (partido, hoje, de direita, mas é oposição), tem tentáculos tão inebriantes que seu toque enriquece mais que o do mitológico Rei Midas.

Pois é, caros leitores. O que incomoda é que desde o desmascaramento de Demóstenes Torres, o “baluarte da honestidade”, que agora ninguém mais é honesto nesse país. Que não seja, enfim, para muitos isso não é mais novidade. O que não se pode é admitir que erros de um lado justifiquem os de outros, tornando todos honestos às avessas.

Lamentável que diariamente partidários de um lado, ou de outro – já estou tão confusa com direita e esquerda que estou quase chamando as “pastorinhas” para me dizerem quem é do cordão azul ou do vermelho – queiram transformar em jogo político o que é questão jurídica.

Quem se envolveu com “mensalão” deve responder por sua participação. Quais crimes serão comprovados, o que a defesa alegará, tudo isso é para o momento do julgamento e deve ser acompanhado pelo brasileiros. Afinal, estamos falando de homens públicos que supostamente malversaram o erário.

Da mesma forma que Demóstenes, ou quaisquer outras pessoas, ligadas a partidos azuis, vermelhos, amarelos, verdes, laranjas ou coloridos também devem responder pública e juridicamente por seus malfeitos.

Paremos de nivelar irregularidades, corrupção e crimes do colarinho-branco por baixo. Todos são crimes de lesa-pátria e têm como maior vítima, não o Estado, mas, a população.

Paremos de nos desgastar defendendo partidos que são tão sujos quanto os opositores e detenhamo-nos em cortar “nossa própria carne” visando o bem-comum, a renovação política e o fim da corrupção.

Não será a queda de baluartes, Demóstenes ou “Dirceus” que cairão partidos. A menos que não haja ideologia mesmo… bem… aí é assunto para outro post.

 
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Publicado por em 11/06/2012 em Federal, opinião, Política

 

Garantias Constitucionais para Todos

Devemos defender a Constituição para todos, ainda que aparentemente alguns não mereçam sua proteção.

Texto publicado no Portal Cada Minuto

As pessoas são dotadas de direitos e deveres, e para o pleno exercício de seus direitos gozam das garantias constitucionais. Garantias estas que estão previstas na Constituição Federal ou, excepcionalmente, em Tratados Internacionais que, após os trâmites legais, possuem também status constitucional.

Nossa Carta Magna é fruto do “rompimento” com um regime de exceção que se instalou no país durante mais de vinte anos e que se habituou a agir violando direitos fundamentais dos cidadãos em nome da “segurança nacional”.

Visando a democracia uma nova Constituição surgiu, e com ela suas cláusulas pétreas, aquelas que não poderão ser suprimidas e sua interpretação apenas poderá alargar sua abrangência, jamais diminuir. Dentre elas estão os direitos e garantias individuais do cidadão.

É importante que o leitor tenha exata consciência da importância da Constituição e de suas garantias individuais, e mais, que tenha exata noção da importância de que estas garantias sejam observadas para todos, indistintamente – pessoas boas ou más.

Aliás, nobre leitor, o que credencia qualquer pessoa a taxar o outro como bom ou mau? Será que apenas seus princípios, suas experiências e as notícias que “ouve dizer” são suficientes para que condenem a moral de alguém?

Na Idade Média a Igreja criou o sacramento da confissão para manter sob seu manto o comportamento dos membros da comunidade, assim além de poderem expiar seus próprios pecados, uns estariam vigiando os outros e protegidos pela confissão, poderiam denunciar seus vizinhos. Baseados apenas nisso, numa época em que desavenças de vizinhança eram resolvidas na barbárie, não é de se estranhar que muitos inocentes tivessem sido torturados e mortos por ligações com o Diabo.

No Regime Militar brasileiro tudo era razão para imputar a qualquer cidadão a pecha de subversivo. Se houvesse qualquer elemento, ainda que mera denúncia anônima, era suficiente para que o aparelho repressivo desse cabo de suas suspeitas em seus porões. Aqueles que eram capturados não tinham direito à defesa, simplesmente eram encarcerados, ainda que apenas para averiguação.

Ora, caros leitores, quando se relativiza direitos e proteção constitucional para uns, não se enganem, logo esses direitos serão relativizados para outros. O que faz da Constituição Federal tão forte são suas garantias, e o que estabelece um Estado Democrático de Direito é a observância irrestrita à Carta Magna.

Cabe à Justiça dizer quem é culpado ou não. E mais, para que a Justiça se realize é necessário que todo o sistema observe as garantias e atue dentro das diretrizes constitucionais, sob pena de irregularidades acarretarem benefícios aos suspeitos. O que é bem compreensível. Afinal, o Estado não age para punir, não julga visando condenação, mas a Justiça. O que o Estado deve primar e pelo convívio pacífico e harmônico de seus cidadãos, devendo agir apenas quando necessário, e, nesse diapasão, se acontecer de não serem observadas as garantias constitucionais será por razões escusas, o que viola a imparcialidade estatal nos julgamentos e eiva de suspeita o sistema que deve ser límpido e imaculado.

Para que o Estado tenha sucesso no seu intento de bem administrar uma sociedade é necessário que não se furte aos investimentos preventivos em educação, saúde, emprego e lazer. Numa sociedade onde a prevenção funciona a repressão será eventual.

Pois bem, não são raras as vezes em que nos deparamos com discursos repletos de sentimento justiceiro, exigindo-se resultados, mesmo passando por direitos e garantias constitucionais do suspeito. Aliás, na sociedade em que hoje vivemos não existe mais a figura do suspeito, basta que saia na imprensa qualquer indício de irregularidade para que a culpa seja apontada.

Ora, caros leitores, enquanto o suspeito, ou o culpado, forem os “outros”, “inimigos”, “políticos”, “ricos”, o “vizinho”, então estaremos felizes e satisfeitos, mas não se esqueçam, antes de sermos as vítimas, outros foram, e pela nossa incapacidade de nos colocarmos no lugar do nosso vizinho poderemos um dia ser a bola da vez.
Esclarecimentos:

– Estado não se refere a estado-membro, Alagoas, mas Poder Público como um todo.

– Não se pretende com este texto dar uma aula de Direito Constitucional, primeiro por me faltar competência para tanto, segundo, por ser impossível tal intento num espaço de blog, livros são mais adequados.

 
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Publicado por em 06/06/2012 em CadaMinuto

 

Leituras Obrigatórias

Recentemente li três livros que adoraria recomendar aos amigos-leitores por serem fonte histórica relevante.

O primeiro é de Fernando Morais, um dos biógrafos mais consagrados do país, bem conceituado internacionalmente e que escreve como poucos, com o claro dom de manter o leitor hipnotizado por suas palavras.

Os últimos soldados da Guerra Fria” foi lançado na Bienal de Alagoas, ano passado, com a participação do escritor e despertou em muitos a curiosidade, em mim também, claro.

Assim como outros livros de Morais, essa obra prende pelo suspense, pelos detalhes, contribuindo para o imaginário do leitor não se perder na trama. É muito bom como fonte de pesquisa, mas também para que saibamos dos bastidores da relação EUA-Cuba principalmente depois da queda do Muro de Berlim.

O passado recente é mais um elemento atrativo, afinal, muitos dos fatos narrados poderão ser facilmente lembrados, mas serão também desmascarados pelo autor, que de posse de informações sigilosas de ambos os países conseguirá costurar as teias da espionagem e contra-espionagem.

Recomendo, em especial, aos amigos jornalistas.

~||~

Outro livro que merece ser recomendado é “Curral da Morte”, do alagoano Jorge Oliveira. Confesso que essa foi a terceira vez que li a obra, texto fascinante que encanta pela riqueza de informações e, mais ainda, por se tratar de tema tão em voga.

A criminalidade em nosso estado não nasceu hoje, nem num passado recente, e por mais que muitos se satisfaçam em gritar isso para justificar as mazelas da criminalidade atual, poucos realmente sabem o que dizem e conseguem entender o quão longínquo é o nascedouro de tudo isso.

E mais, para entender nossa sociedade atual, nossa política econômica, a raiz de nossa concentração de renda, a dependência espiritual que os marginalizados em currais eleitorais ainda sentem, é indispensável que estudemos nossa história, que saibamos quem são os poderosos de hoje e, principalmente, que saibamos quem são os de ontem que trouxeram os que aí estão.

E é por tudo isso e muito mais que recomendo a leitura desse livro não só aos alagoanos, de quaisquer profissões, mas também aos “forasteiros” que se dedicam a entender essa confusa terra, seu povo e tenta, insaciavelmente, contribuir para sua melhora.

~||~

O terceiro livro que gostaria de recomendar é “Memórias de uma Guerra Suja” que se baseia nos relatos de um matador civil (policial) a serviço do regime militar, Cláudio Guerra.

O livro é fantástico, principalmente por escancarar muitas histórias dos porões da ditadura, a participação de figurões que mandam nesse país até hoje, para desmistificar lendas, e para criar vilões, por que não?!

O livro é denso quanto as memórias do policial civil que virou pastor evangélico. No entanto, em face do grande lapso temporal alguns detalhes não podem mais ser lembrados com exatidão e por isso o trabalho dos jornalistas foi essencial para que fosse possível concluir a obra.

Como se trata de matéria muito delicada ainda e que pode acarretar em mudança na vida de muita gente, o novel pastor corre risco de ser morto a qualquer momento, e por isso a obra teve que ir ao prelo com certa urgência.

Considerando-se tais detalhes, o leitor mais acurado poderá desconsiderar alguns errinhos superficiais que em nada compromete a informação que é trazida e comprovada pelo trabalho jornalístico.

Mais aqui!

Recomendo a todos, indistintamente. Conhecer o passado do país é reconhecer o povo enquanto pessoas autodeterminadas e capazes de escolher um futuro melhor.

Leiam!!

 
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Publicado por em 05/06/2012 em Literatura

 

Final de Semana no Cinema

Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, de Beto Brant. Mais aqui!

Corujão do Sesi

O filme é extremamente envolvente, ainda que muitas cenas pareçam sem sentido, o desenrolar da narrativa leva ao encaixe natural das personagens. Sobrepõe a alma, o espírito e o sentido sobre a forma e a narrativa, deixando ao espectador a tarefa de sentir a interpretação, em vez de buscar a satisfação da conclusão mastigada.

Destaco, além da perfeita Camila Pitanga no papel principal, o brilhantismo do coadjuvante Gero Camilo no papel de um jornalista afetadíssimo, afeito a fofocas sociais, mas de um enriquecimento literário contagiante. Esclareço que desde que assisti sua performance interpretando Von Gogh e Gaugin, em A Casa Amarela (Teatro), que é para mim dos melhores atores brasileiros, com todo misticismo que envolve os nordestinos.

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A Branca de Neve e o Caçador é mais uma releitura do conto de fadas “A Branca de Neve e os sete anões” que é lançado este ano nos cinemas brasileiros. Depois do sucesso de “espelho, espelho meu”, com sua heroína lutadora e seu príncipe atrapalhado, muita expectativa gerou o lançamento da versão mais adulta.

O filme encanta, principalmente, por seus lindos efeitos especiais, confesso que emocionam de tanta beleza. Mas o mais interessante é a releitura que transforma o já esperado príncipe encantado num caçador beberrão e nada galã. Interessante ainda as fadas que são apresentadas pelo enredo, em vez das clássicas mulheres adultas dos livros infantis, ou das moderninhas “sininhos”, a película trouxe fofinhos monstrengos que mais lembram o “gollum” (Senhor dos Anéis), mas que envolvem com os gestos e olhares. (Lindos!)

Pequenos detalhes encantadores e que contribuem com o sucesso do filme.

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MIB – Homens de Preto III. Mais um sucesso de Will Smith. Desta vez a aventura, as gosmas, os efeitos especiais tão convincentes e os monstrengos (fofos e nojentos), cedem espaço ao sentimento e ao envolvimento do público com as personagens.

Trazendo questões históricas e raciais, a crença em momentos de felicidade extrema que devem ser inesquecíveis e a relativização do tempo, assim como a confiança e a cumplicidade entre parceiros, o terceiro filme da consagrada série Men in Black corresponde às expectativas e deixa os espectadores na dúvida quanto ao episódio de sua preferência. Que venham outros!

 
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Publicado por em 04/06/2012 em Cinema