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Arquivo mensal: maio 2012

1º aniversário do Palavras ao Vento

Comemoramos hoje as Bodas de Papel do Palavras ao Vento e seus leitores

Há exatamente um ano nascia o Palavras ao Vento.

Fruto de muito incentivo de amigos diletos, queridos e fomentadores da disseminação de conhecimento, comentários e de uma sociedade formadora de opinião e produtora de contrainformação. Resolvi mergulhar de cabeça nesse projeto que tem muito mais feição de filho querido e amado do que de meio para publicação de informação.

Neste último ano a minha vida mudou, sim, a Candice Almeida se tornou ainda mais consciente de seu papel no mundo e em especial na sociedade alagoana. Hoje não levanto da minha cama sem o claro propósito de fazer algo para contribuir com a melhoria do ambiente onde vivo ou das pessoas com quem mantenho algum contato.

Encontrar um meio onde é possível exercer a cidadania de forma mais plena e consciente, contribuindo para despertar interesse em assuntos muitas vezes considerados chatos e estafantes é muito gratificante.

Assistir ao interesse cada vez maior dos usuários de internet nos assuntos sociais, políticos e de interesse público é revigorante e me estimula a fazer o mesmo, a tentar contribuir de alguma forma.

Nesse último ano conheci muita gente, e desse conhecimento (ainda que não tão aprofundado) pude aprender muito. De todos que passaram por minha vida a maioria permaneceu, com maior ou menor contato, mas sempre ao alcance de uma mensagem.

Encontrei pessoas más, egoístas, loucas, mas muito mais pessoas solidárias, generosas, amigas, extrovertidas, simpáticas, amáveis e abertas à troca de ideias.

Sim, o Palavras ao Vento, assim como o twitter e o facebook, sempre me ajudaram no debate, na troca de informações, na construção do conhecimento e na disseminação de ideias. Meti-me num bocado de confusões, mas inegavelmente vivi muitas emoções.

Por meio de opiniões nem sempre agradáveis, procurei manter-me fiel aos meus princípios, à minha educação e ao nome que meus pais me deram. A honra de ser quem sou, com defeitos, qualidades e muita personalidade devo a meus pais, amigos, leitores, esses que diante de tanta cumplicidade acabaram sendo também amigos queridos.

Agradeço em especial meus pais por todo incentivo, amor, compreensão e ensinamentos.

Aos familiares queridos pelo apoio inconteste, em especial cito minhas queridas tias Carmen e Leninha e tios Rui e Jurandi.

Aos amigos de colégios, faculdades, cursos e trabalhos (de toda minha vida) pelas palavras de fé em minhas posturas e decisões.

Aos leitores com os quais me sinto ligada contratualmente, a quem eu devo honestidade intelectual e moral em troca do generoso tempo e atenção que devotam ao Palavras ao Vento e suas linhas.

Muito especialmente eu agradeço ao Lula e ao Fleming sem os quais eu jamais teria tido a coragem de assumir a responsabilidade de escrever num blog. Agradeço ainda pelo apoio constante em todos os desafios que me proponho a superar.

 
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Publicado por em 31/05/2012 em Variedade

 

A inoperância estatal faz mais uma vítima

Texto publicado no Portal Cada Minuto

Dr. José Alfredo, na condição de médico otorrinolaringologista, cumpria seu juramento com abnegada dedicação: “(…) consagrar a minha vida a serviço da humanidade (…)”, dedicando-se a fazer o bem, curando doenças e salvando vidas.

Assassinado brutal e friamente na orla da capital alagoana enquanto praticava seu ciclismo diário, por meliantes que – diante das estatísticas criminais – devem ser dependentes químicos – sem disfarces, à luz do dia de um sábado à tarde; às vistas de crianças, mulheres e quaisquer transeuntes.

A vítima, desta vez, foi um médico. Um homem que dedicou sua vida a salvar vidas. Um pai e avô amoroso. Um amigo dileto. Mas, mais importante, uma pessoa comum. Dr. José Alfredo não verá sua neta crescer, seus filhos amadurecerem e nem Alagoas ser mais justa, assim como tantas outras vítimas fatais da ausência do Estado na Segurança Pública.

A indignação que tomou todos os alagoanos, em especial os maceioenses, foi maior pela banalidade do crime. Mas quantos outros crimes banais são cometidos diariamente? Os bandidos queriam a bicicleta da vítima e sequer lhe deram a chance de entregar o inexpressivo bem, ao menor gesto foi disparado o tiro fatal contra suas costas.

Na conta destes bandidos mais um crime, na conta do estado mais um número, na conta dos alagoanos mais uma chaga aberta.

Alagoas figura entre os estados com os piores índices de criminalidade do mundo, a grande Maceió já tem seus números comparados aos de localidades em guerra civil. Mas não foram poucas as vezes em que ouvi de representantes do Estado que essas informações eram fantasiosas, e que isto resultava de uma campanha difamatória e terrorista da imprensa local.

Lamentável atitude, uma vez que essas informações não são locais, sequer são nacionais, elas são globais. Mesmo que se discuta o que levou o Estado de Alagoas aos patamares atuais de criminalidade, é inegável que a situação em que nos encontramos é a pior já vivida por esse estado.

Ainda que os números sejam uma crescente desde que o coronelismo feudal cedeu lugar ao respeito basilar aos preceitos constitucionais de abolição da tortura, do julgamento sem defesa prévia e do fuzilamento ao arbítrio do algoz, nada justifica a inoperância atual.

A segurança pública em Alagoas não existe, sabemos que não é de hoje, mas até quando isso será justificativa para adiar a tomada de atitudes eficazes? O atual governo já está em seu segundo mandato, e até quando optará por culpar gestões passadas pelo caos atual em lugar de cumprir sua obrigação de “dar jeito”?

Contrariamente, o que se vê é o sistema de segurança pública completamente falido. O IML não consegue realizar os exames a contento, os policiais civis não conseguem investigar, os policiais militares não conseguem assegurar a ordem pública. Falta tudo. Desde armas, coletes, munição, viaturas, pessoas, treinamento, até alimentação.

Desde a operação espectro, aquela que desbaratou uma rede de corrupção dentro da SDS, que falta alimentação nos batalhões militares, inclusive os regimes de escalas têm sido adequados aos horários das refeições, como se bandido só atuasse em horário comercial.

Enfim, as mazelas são muitas, inclusive é extremamente dispensável que este espaço seja usado para apontá-las, elas saltam aos olhos, mesmo dos mais desatentos. Surpreendentemente, só não estão claros para quem pode resolvê-los.

Argumenta-se a falta de dinheiro para tudo, alude-se sempre ao caos encontrado nas contas públicas quando o atual governo assumiu seu primeiro mandato. Mas as contas já estão ajustadas, se não fosse assim não seria tão fácil realizar tantos empréstimos, dinheiro este que chega, ao menos é anunciado, mas que não é empregado onde se deve.

Aliás, onde é empregado esse dinheiro? Escândalo após escândalo o dirigente maior desse estado opta por apoiar seu secretariado em vez de cercar-se de pessoas que comprovem capacidade de gerenciamento.

Enfim, esta Pensata que em seu fundamento vem para inspirar os leitores a assumirem seu papel para uma sociedade mais igualitária, hoje, em homenagem aos familiares de todas as vítimas da criminalidade alagoana, abre espaço para uma cobrança veemente.

Basta de criminalidade, de mortes banais, de lágrimas!

Não queremos justificativas, queremos resultados!

 
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Publicado por em 30/05/2012 em CadaMinuto

 

Só há duas opções: se resignar ou se indignar

A indignação tardia ou não é melhor que o silêncio.

Pode até haver controvérsia quando alguém se insurge a dizer que alagoano é povo pacífico. Tudo bem, né?! Diante de tantas barbaridades, criminalidade em alta e mortes cada vez mais banais, não dá mesmo para defender a passividade do alagoano.

Entretanto, outro ponto, menos controverso, é o que aponta para um povo acomodado, aliás egoísta. Mesmo discordando de generalidades, infelizmente, de um modo geral o alagoano está habituado a levar vantagem de alguma forma e se sua vantagem for em cima dos percalços alheios, melhor ainda – melhor ganhar sozinho, não é mesmo?!

Somos o único estado brasileiro a ter participado da formação política de um Presidente da República que sofreu um impeachment. E por que ele “caiu”? Palavras dele mesmo: “falta de base política”. Isso porque não soube ser exatamente o que se propôs a ser POLÍTICO.

Enfim, discordo mesmo das generalidades, inclusive quando atesta algo que grita aos nossos ouvidos, como é o caso da tendência alagoana em olhar para seu próprio umbigo. Explico: recentemente participei de uma campanha de doações e qual não foi minha surpresa: as doações foram muitas, intermináveis, até hoje há quem queira saber notícias do beneficiário, se ainda está precisando de algo e se há como ajudar/contribuir.

Ora, concluo que o alagoano não é, em sua generalidade, egoísta. Há muitos que são solidários, que querem ajudar, só não sabem como. Essa é a verdade!

Bem, então chegamos aos dias atuais, tempos de criminalidade reinante, momentos em que bandidos mandam nas ruas e pessoas de bem, trabalhadoras, pais de família, crianças e adolescentes devem manter-se aprisionados em suas casas, apartamentos (cada vez mais apertados), longe das ameaças que rondam TODOS os cantos do estado.

Esses dias não chegaram de uma hora para outra, pura verdade!, e foi preciso que alguém da classe média fosse vítima para que enfim todos se indignassem a uma só voz. Não quer dizer que antes não estivessem indignados, só não sabiam como se mobilizar. Com o advento das redes sociais e a primeira idéia ganhando corpo, os “reclamões” de plantão encontraram o caminho para a demonstração mais efetiva de seu descontentamento frente às inexistentes políticas públicas de segurança.

Ora, caros leitores, vocês sabiam que durante o Regime Militar, precisamente em 1968, ocorreu a Passeata dos Cem Mil? E sabem por que ela foi tão importante? Simplesmente porque pela primeira vez desde o golpe de 1964 a classe média resolveu apoiar a resistência que se insurgia contra os militares. Até então, em sua maioria, eram apenas estudantes ou os políticos de esquerda que eram perseguidos diretamente.

A briga que já tinha sido comprada desde o início do regime militar pelos estudantes, intelectuais e comunistas (não que um anule o outro, muitos eram tudo ao mesmo tempo), só quatro anos após é que foi manifestamente reprovada pela classe média.

E os descontentes de antes o que fizeram? Reclamaram do apoio tardio? Acusaram-nos de omissos enquanto o problema não lhes tirava seus filhos? Não. Todos se uniram, afinal a causa era a mesma: o fim da repressão. Aqueles que lutavam “só” passaram a lutar “junto”, e o que era descontentamento de alguns, passou a ser de toda sociedade.

Talvez, diletos leitores, alguns achem que tal exemplo não cabe, mas será que não mesmo? No momento em que, enfim, a classe média resolve se mobilizar, ir às ruas, e exigir políticas públicas efetivas de segurança aparecem os que preferem censurá-los, reclamar de sua ausência até o presente momento, e até culpá-los pela situação caótica em que a segurança pública se encontra hoje.

Lamentável, muito mesmo. Devemos incentivar a mobilização!

Quem realmente pode fazer algo são os gestores públicos, sim, aqueles que foram eleitos para tal. Aqueles que são pagos pelo erário para realizarem a tarefa para a qual se candidataram: gerir esse estado e dar fim aos problemas. Se não seriam capazes de tamanha proeza por que se candidataram prometendo fazê-lo? Ainda que estas sejam perguntas retóricas, custa nada perguntar.

Enfim, amigos, em vez de se desgastarem apontando seu arsenal de indignação para os indignados de última hora que tal voltar suas forças para a causa comum: a cobrança, por qualquer meio legítimo, de soluções efetivas para a segurança pública?!

Unamo-nos, usemos a indignação que é de todos – o estopim para uns ou para outros não importa, a finalidade é a mesma – para alcançarmos a garantia constitucional de ir e vir com segurança.

Se você treme de indignação perante uma injustiça, então somos companheiros”. Che Guevara

 

Ouça história sob a Palmeira dos Índios

Alagoas é um estado de contradições, enquanto nos deparamos com atrocidades praticadas por homens bárbaros, sem educação e por políticos e empresários egoístas e corruptos, por outro lado somos contemplados com um dos estados brasileiros mais ricos em belezas naturais e em história.

Infelizmente a Alagoas histórica é muito pouco explorada e disseminada, assim como a cultural, mas àqueles que se interessam pelos vieses que influenciaram nossa formação e pelas personalidades que nos orgulharam além de nossos limites geográficos recomendo que visitem Palmeira dos Índios.

Não foi a primeira vez que tive a satisfação de visitar terras palmeirenses. Neste fim de semana, acompanhada por colegas de jornalismo, fui até uma aldeia Xucuru-Cariri e revisitei a Casa-museu Graciliano Ramos.

Distante cerca de 134 km da capital alagoana, Palmeira dos Índios é rica em diversidade cultural e em história literária e política.

É onde poderemos encontrar índios que lutam por terra onde possam estabelecer-se, criar seus filhos, plantar o de comer e assim sobreviver. Em visita a uma pequena aldeia tivemos uma pequena mostra de como vivem, porque a terra lhes é tão importante e até nos mostraram algumas de suas danças.

Apesar da inesperada visita, os índios nos receberam muito bem. Sendo um grupo de quinze pessoas acabamos alterando suas rotinas, além das informações colhidas através de depoimento, também foi bastante divertido. Experiência única.

A partir dessa visita faremos uma análise antropológica.

 

Casa-museu

Depois da visita aos “silvícolas” (na verdade são pessoas muito bem integradas à sociedade) fomos à casa-museu de Graciliano Ramos, onde ele viveu quando morou na cidade de Palmeira dos Índios.

Nela pudemos encontrar um pouco de sua vida particular e de suas obras representadas por objetos de uso pessoal e exemplares raros de obras do escritor.

Mestre Graça, como era conhecido, foi prefeito da cidade entre 1928 e 1930.

 
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Publicado por em 28/05/2012 em Cultura, Municipal, Variedade

 

Mulher, 20 anos, dois filhos e desempregada

Na mesma semana em que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou os números sobre o crescente desemprego entre os jovens no mundo, uma moça de 20 anos de idade, moradora do bairro do Vergel do Lago, é presa por tráfico de drogas.

Em sua defesa, justificando-se para os policiais, a jovem confessou que passou a vender drogas para não precisar pedir dinheiro a sua mãe, avó das crianças. Com dois filhos para criar, a mãe “quase adolescente” optou pelo caminho do tráfico.

Mas seria essa a via mais fácil? Talvez a moça assim entendesse; talvez a falta de maturidade tenha contribuído para sua escolha; talvez a falta de opções no mercado de trabalho tenha lhe impelido a abraçar a bandidagem; são muitos os “talvez”, mas uma certeza é latente: em Alagoas o desemprego não é problema, a bandidagem está disposta a investir no primeiro emprego dos jovens.

Lamentável que seja usada a ironia para tratar de assunto tão delicado e triste não só para a moça, mas para toda a família. Quantas mães mais terão que ser encarceradas? Quantos filhos mais crescerão com o exemplo de pais criminosos, presos ou traficando? Quantas famílias mais terão que se render ao tráfico para que possam sobreviver?

No final da história a moça que queria a independência financeira da mãe terá que rogar-lhe que crie seus filhos.

 
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Publicado por em 26/05/2012 em Policial

 

A redução de IPI que ilude o brasileiro e transforma marolinha em tsunami

A marolinha europeia chegou ao Brasil antes mesmo de derrubar as bolsas.

Visando aquecer a economia automobilística do país, e assim contribuir para retardar a chegada da recessão europeia por essas bandas dos trópicos, o governo federal resolveu reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidentes sobre os veículos automotores incentivando o consumo de novos veículos.

Isso ocorre na mesma semana em que é divulgado relatório dando conta de que cerca de 45% das obras destinadas a amenizar os problemas estruturais do país para receber a Copa de 2014 sequer foram iniciadas, e apenas 5% foram realizadas.

Ou vivemos num país completamente diferente deste que é administrado pelo Governo Federal, ou o medo de que a “marolinha” europeia destrua a fachada de 5ª maior economia do mundo é pior do que imaginamos.

Diariamente o país para nos horários de pico do trânsito, isso porque faltam vias, educação e transporte público de qualidade e em quantidade suficientes. Enquanto isso o filão de “novos milionários” tem aumentado no Brasil, cada vez mais abastados têm acesso ao transporte aéreo, em especial os helicópteros. E esses, definitivamente, não estão se importando com quem se atrasa para compromissos diários preso ao caótico tráfego.

Na contramão do progresso e da segurança econômica, estridentemente grita a população por transporte público de qualidade, estradas, ruas e vias bem sinalizadas. Engenharia de trânsito é algo que ouvimos dizer, pois em Alagoas é algo impossível de ser visto.

Avenidas são inauguradas, digo, uma avenida é inaugurada, vias têm seu sentido alterado, e nada melhora, muitos até atestam a piora.

Enquanto as políticas federais não estiverem em consonância com os problemas municipais, principalmente estruturais, esse país será sempre o da propaganda enganosa governamental.

Aconselho ao Governo Federal, já que dinheiro não é problema – até tem emprestado para bancos internacionais, que em vez de reduzir IPI para carros, reduza para bicicletas, skates, patins. Do jeito que as coisas estão, só assim para driblar os carros parados no trânsito.

 
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Publicado por em 25/05/2012 em Federal, Municipal, Política

 

A caneta que anunciou um renascimento e não mais uma morte

Texto publicado no Portal Cada Minuto

Aqueles que acreditam numa Alagoas mais igualitária, justa e correta, muitas vezes são taxados de sonhadores. Não raras vezes “acusados” de viverem num “mundo cor-de-rosa”, onde sonhos se tornam realidade.

Nesta Pensata os leitores têm encontrado estímulo para mudar comportamentos e inspirar gerações. Aqueles que “sonham” e realizam em prol de uma sociedade melhor para seus filhos, e menos caótica para si mesmos, encontram guarida e certeza de que não são únicos.

Já dizia Raul Seixas: “um sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”.

E é acreditando nisso que os “sonhadores” não devem parar de fazer o que está ao seu alcance. Afinal, é através de pequenos atos do cotidiano, exemplos e legados que são deixados aos que nos rodeiam, que conseguimos melhorar nossa sociedade.

O que o alagoano presente no plenário do Tribunal de Justiça testemunhou no dia de ontem (22) foi histórico. Infelizmente não televisionado, mas quem esteve presente viu que o Judiciário tem acompanhado a mudança que a sociedade tanto deseja, que a Constituição de 1988 seja uma realidade e não uma utopia.

Não é novidade para ninguém, que Alagoas é detentora de forte influência política em todas suas esferas de Poder. Sempre foi assim, é algo culturalmente arraigado em nossa sociedade.

Mas como já previsto, ao menos pelos sonhadores, essa realidade vem, paulatinamente, sendo modificada. E o Tribunal de Justiça deu uma mostra disso, ao apontar entendimento uníssono no sentido de que a vaga de Conselheiro do Tribunal de Contas, em disputa judicial entre o Ministério Público de Contas e a Assembleia Legislativa de Alagoas, deve ser ocupada pelo Parquet de Contas.

Pela primeira vez em 24 anos – desde a promulgação de nossa Carta Magna Cidadã –, Alagoas poderá contar com um Tribunal de Contas em consonância com os termos constitucionais. E, ainda que não esteja terminado, e o pedido de vistas tenha adiado um pouco mais esse dia, a postura dos Desembargadores do Tribunal de Justiça de Alagoas que optaram por adiantar seu voto e consolidar o entendimento da Relatora foi uma vitória para a sociedade.

E mesmo que caibam recursos aos Tribunais Superiores, e que haja a possibilidade concreta de reforma daquele entendimento, o alagoano não pode fechar os olhos para o momento histórico patrocinado pelo Judiciário de nosso estigmatizado estado.

Aos sonhadores, continuem sonhando, e aos que podem mudar a realidade, continuem caminhando.

 

*Referência ao texto “Crônica de uma Morte Anunciada“, publicado nesta Pensata.

 
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Publicado por em 24/05/2012 em CadaMinuto