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Arquivo mensal: março 2012

Mais sobre a Nova Advocacia

O texto que segue é de autoria de Vagner Paes, um dos idealizadores do movimento Nova Advocacia, e foi originalmente postado no blog Mundo em Movimentos, cujo editor é o colega Sérgio Coutinho.

Tendo em vista o crescente interesse no movimento por parte da sociedade em geral e da curiosidade natural que acompanha o surgimento de um grupo de pessoas que intencionam mudar o status de uma comunidade, interessei-me em re-publicar o belíssimo texto a seguir.

Um novo olhar sobre a Advocacia. Nova Advocacia.
“Nenhuma quantidade de discursos nos fará adequados ao governo próprio. Somente nossa conduta nos tornará adequados a isso”.  Com essas palavras o advogado Gandhi discursou na inauguração do Hindu University Central College, de Benares, em fevereiro de 1916. Palavras, estas, que podem perfeitamente sintetizar o que esse singelo grupo de advogados pretende com o movimento denominado “Nova Advocacia”. O “Nova” não significa sectarismo aos mais experientes, ao revés, todos são muito bem vindos. Significa uma nova postura, novas ideias, um novo olhar sobre nós mesmos advogados.
 
Somos diferenciados por disposição constitucional. Indispensáveis à realização da justiça. Nossas prerrogativas não nos foram atribuídas por mero capricho do legislador constituinte, mas sim pelo simples fato de sermos o instrumento da sociedade de acesso a essa porta tão estreita quanto à do reino dos “Céus” chamada Judiciário!
 
Quando uma prerrogativa é açoitada, não é o advogado que é ofendido, não é a classe que se torna diminuta, mas é a sociedade que se vê tolhida no seu direito a uma tutela jurisdicional adequada e com todas as garantias inerentes ao devido processo legal. Advogado sem prerrogativa é cidadão com “meio” acesso ao judiciário.
 
Mas é preciso fazer jus à fidúcia do legislador constituinte. Para merecer respeito é preciso se fazer ser respeitado. E somente com a mudança de nossa postura individual poderemos atingir o patamar que nos fora erigido pela Carta de 1988.
 
Não podemos nos portar como uma simples atividade mercantil. Somos maiores, somos um braço indispensável à Justiça, por isso temos o dever de nos portar como tal. Temos a obrigação de buscar uma célere composição do conflito, se possível, de maneira conciliatória. É preciso combater o mal da arrogância, da vaidade pessoal, dos interesses mesquinhos que habitam dentro de nós e passarmos a enxergar o outro como colega, os servidores como cooperadores e as partes como seres humanos em busca de paz, escopo maior do Direito.
 
Não há mais espaço para “infalível maroteirazinha, a abençoada canalhice, preciosa para quem a pratica, mais preciosa ainda para os que dela se servem com assunto invariável”, nas palavras do Mestre Graça. Diante de novos magistrados, novos promotores, novos servidores e de uma nova sociedade urge uma Nova Advocacia!
 
Por isso esse movimento não está buscando um lugar ao Sol. Seu papel é fazer uma reflexão coletiva, através da autocrítica sobre nosso papel enquanto advogados, sem apontar heróis ou vilões, pois todos nós somos responsáveis em maior ou menor medida pelo cenário que vivenciamos.
 
Parafraseando o eterno Noel Rosa, a gente “não quer abafar ninguém, só quer mostrar que faz samba também”!
Vagner Paes

Advogado

 
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Publicado por em 29/03/2012 em Direito, Variedade

 

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Custe o que Custar aos maceioenses, o que importa é a audiência

Texto publicado no Portal Cada Minuto

A passagem do humorístico Custe o Que Custar por Maceió criou uma série de expectativas na população. A capital estava em polvorosa desde que, na semana passada, espalhou-se a notícia de que um repórter “engravatado” estaria a perturbar a paz dos parlamentares.

Primeiro estiveram na Câmara Municipal de Maceió e depois na Assembleia Legislativa Alagoana. Segundo conversas de bastidores a dupla de jornalistas – repórter e produtor – não estava muito “antenada” aos escândalos locais, razão pela qual acabaram recebendo auxílio dos jornalistas que, costumeiramente, cobrem ambas as casas legislativas.

Como os alagoanos já sabem – e se não sabem vejam aqui  – o resultado foi uma cobertura exclusiva da ALE, com direito a confissões estapafúrdias e reações “trogloditas” de respeitáveis senhores deputados.

Entretanto, o quadro do humorístico nasceu em razão da proximidade com as eleições municipais, o que não se entende é por que o polêmico aumento do número de vereadores, seu impacto na folha, o salário dos edis, suas atribuições, o duodécimo da Casa, o espaço físico dos gabinetes e a construção de um novo prédio para o “parlamento-mirim” não foram relevantes para o programa televisivo.

Sabe-se que o humorístico fez tais questionamentos, inclusive motivou alguns vereadores a ocuparem o púlpito com discursos vorazes em defesa da Casa e sobre a vergonha de inspirar programas nacionais por razões tão vis.

Por honestidade intelectual, se a idéia, como anunciado, era mostrar ao Brasil e aos eleitores problemas regionais municipais, indo a diversos rincões espalhados pelo país para apontar irregularidades e casos de repercussão, Maceió saiu perdendo. Afinal, os edis, em sua maioria, candidatos à reeleição saíram incólumes.

Se a idéia era contribuir para o eleitorado maceioense “abrir os olhos” quanto a seus representantes, o programa quedou-se frustrado em seu objetivo primário e anunciado pelo apresentador. Todavia, se o que custa (importa) ao Custe o Que Custar são os gracejos, as piadas e o impacto de revelações como a compra de votos, bem, neste caso alcançaram sucesso estrondoso.

Do meu ponto de vista, a edição deixou a desejar, mas serviu para o alagoano mais uma vez sentir vergonha em âmbito nacional e prometer votar melhor nas próximas eleições. Não se sabe se já nas eleições municipais, ou se esperará o esquecimento natural para as eleições estaduais.

 
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Publicado por em 28/03/2012 em CadaMinuto, opinião

 

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O que custa ao Custe o Que Custar?

Como não é mais novidade, ontem (26), Alagoas, em especial Maceió, foi alvo do programa CQC (Band) com o cunho de mostrar nossa realidade política, e, por conseguinte, nosso pendor pelo voto sem consciência.

A situação foi péssima, mas poderia ter sido bem pior, admitamos.

Se um dos deputados foi “eleito” o POLÍTICO DO ANO e o outro O BOXEADOR, devemos agradecer pela superficialidade de ambas as denominações.

Em contrapartida, é sabido que a edição poderia ter sido bem pior.

Poderia ter mostrado deputado engolidor de orelha, deputado estrela com contrato de exclusividade, deputado do ano suplicando por considerações mais amenas na edição, deputado mandando assessor dizer que não falaria, assim como deputados bem humorados “tirando de letra” intervenções contundentes, rasteiras, agressivas, mas que, infelizmente, não refletem outra senão a nossa realidade.

No mesmo sentido, registre-se, o programa, por meio de seus apresentadores, disse que sua equipe estaria viajando pelo país em face das eleições municipais que se avizinham. No entanto, inexplicavelmente, ou pela irrelevância do material colhido, não veiculou a Câmara Municipal, aquela que será alvo de renovação, ou perpetuação, no próximo pleito.

Se por um lado os apresentadores agiram coerentemente e em consonância com as boas normas de respeito entre os brasileiros, e de repúdio à discriminação regional, explicando que não eram os alagoanos, ou os maceioenses, que eram corruptos, mas parcela de seus representantes. Também tentaram deixar claro que não era possível atribuir a Alagoas a pecha de estado de político ladrão, pois há, sim, político decente, que, se não consegue fazer muito para mudar é pela impossibilidade da minoria numa democracia.

O programa foi bom? Sim, foi!

Serviu para algo? Não faço idéia, espero que sim.

Algum político entrevistado foi beneficiado com a edição? Não!

Prejudicado? Pelas informações de bastidores, muitos teriam se saído bem melhor, e outros muito pior.

No entanto, há que se frisar que o Custe o que Custar deixou muito a desejar, tenha sido pela falta de tempo ou por outras razões desconhecidas, tem-se é que a edição que foi ao ar esteve muito aquém da função social do jornalismo.

Faltou coerência entre perguntas e respostas, o que fez com que os entrevistados fossem retratados como quase retardados e/ou alienados, coisa que todos sabemos não ser verdade, afinal, não lhes falta esperteza.

Por honestidade intelectual, se a idéia, como anunciado, era mostrar ao Brasil e aos eleitores problemas regionais municipais, indo a diversos rincões espalhados pelo país para apontar irregularidades e casos de repercussão, Maceió saiu perdendo. Afinal, os edis, em sua maioria, candidatos à reeleição saíram incólumes.

Se a idéia era contribuir para o eleitorado maceioense abrir os olhos quanto a seus representantes, o programa quedou-se frustrado em seu objetivo primário e anunciado pelo apresentador. Todavia, se o que custa (importa) ao Custe o que Custar são os gracejos, as piadas e o impacto de revelações como a compra de votos, bem, neste caso alcançaram sucesso estrondoso.

Do meu ponto de vista, a edição deixou a desejar, mas serviu para o alagoano mais uma vez sentir vergonha em âmbito nacional e prometer votar melhor nas próximas eleições. Não se sabe se já nas eleições municipais, ou se esperará o esquecimento natural para as eleições estaduais.

 
 

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A importância do Jornalista

Texto publicado no Portal Cada Minuto

Não há dúvidas de que todas as profissões são importantes e possuem, cada qual, a sua parcela de relevância social. No entanto, algumas chamam atenção por assumirem papel ainda mais proeminente, como é o caso dos médicos, professores, policiais, advogados e tantos outros.

Já o jornalista nem sempre figura entre os profissionais cuja importância seja reconhecida. Mas são eles, junto aos escritores, os formadores de opinião em sua essência. São eles os que já assumem a “pena” com a consciência de poderem mudar vidas, influenciar caminhos e apresentar novas formas de ver o mundo em volta.

Ainda que hoje os valores aparentem estar invertidos, atores, cantores ou humoristas não são capazes de orientar e despertar princípios tão profundos quanto os “amigos das letras”.

São os meios de comunicação, em especial os noticiários – televisivo, radiofônico, virtual ou impresso -, que detêm a maior capacidade de disseminação de ideias, propostas, imagens e o que mais for capaz de influenciar mentes e comportamentos.

Provavelmente aparecerão os que discordam e dizem que qualquer intelectual é capaz de formar opinião. Talvez tenham razão, mas com certeza as palavras apenas ditas, ou escritas, nem sempre alcançam seu objetivo, ou o público que se almeja.

Em contra partida, o jornalista estuda para alcançar essa técnica, ser capaz de identificar o que é notícia, transformá-la em conteúdo capaz de contribuir socialmente e transmiti-la da forma mais adequada para o pleno entendimento do espectador/leitor/ouvinte.

Se hoje esse jornalismo social e tão relevante está difícil de ser encontrado imaginem se não houver cobrança do público pela qualidade do texto, da informação e da importância social do que é veiculado?

Não será a preparação profissional ou a sua competência textual que fará do formador de opinião alguém melhor ou pior, mas fará dele alguém mais capacitado, ou não, para alcançar o fim de informar e contribuir para a melhoria social.

Pensemos nisso!

 
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Publicado por em 26/03/2012 em CadaMinuto, opinião

 

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Adeus ao inigualável Chico

Conheci Chico Anysio quando eu ainda era criança.

Chico era o Professor Raimundo, e eu, confesso, odiava ele. Afinal, não bastasse ser o professor, dava zero adoidado para os alunos mais legais, coloridos e engraçados. E como eu, conforme dito, era uma criança, muitas daquelas perguntas eu não sabia a resposta, sequer entendia a malícia, fosse da pregunta ou da resposta, então me indignava com a injustiça do zero.

Tinha raiva mortal de Seu Ptolomeu, aquele almofadinha, “CDF” (gíria da época, cuja tradução é impublicável), que acertava todos os questionamentos e despertava a inveja dos colegas e a minha, óbvio, pois quisera eu que meus professores dissessem que queriam filhos como eu. Quem não queria?

Tinha verdadeira adoração por Dona Bela, nooooossa, como me penalizava a feiura dela. O Seu Boneco não me agradava muito, achava-o deveras mal educado e “sugimundo” (como dizia a Rosa – moça que trabalhava lá em casa na época).

Esperava ansiosa por Seu Peru e o momento do “to porraqui”, ou a inesquecível “Caciiiiiiiiiiiillllda” (nunca consegui imitá-la). Ou, ainda, o Rolando Lero, eu sempre achava que no final do “captei vossa mensagem” ele acertaria, enfim, a resposta.

Bem, eu fui uma privilegiada. Cresci com o humor inigualável de Chico e de sua escolinha. É certo que poucas foram as vezes em que entendi uma crítica mais veemente ao governo, ou ao momento histórico-político em que vivíamos.

Uma coisa é certa, depois da Escolinha, o humor de Chico jamais se repetiu. Nenhum outro comediante conseguiu alcançar sua graça, espontaneidade, criatividade e genialidade. Criar mais de duzentos personagens, reinventá-los de acordo com a crítica ou gozação a ser feita, e não cair no lugar-comum da mera reprodução, é para ser reconhecido e louvado.

Outros humoristas apareceram e ainda aparecem. Brasileiro é povo que ri de sua própria desgraça e faz isso com muita desenvoltura, mas ainda não surgiu um Chico Anysio e, lamentavelmente, dificilmente surgirá.

Daquele tempo de Escolinha, até os dias de hoje, pouco mudou na política alagoana e brasileira, inclusive para os professores, cujo “salário óh”.

O Brasil sente a dor da partida e o orgulho do Mestre do Humor. Uma eternidade de sorrisos.

 
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Publicado por em 25/03/2012 em Cultura, Variedade

 

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Novo desafio – Pensata no Cada Minuto

Na última quinta-feira (22) estreei no Portal de Notícias Cada Minuto, aquele que mais cresce no mundo virtual alagoano, e que acaba de completar três anos de atividade jornalística intensa, e como parte das comemorações novos blogueiros foram convidados a colaborar com a produção textual.

Eu, com enorme satisfação, aceitei o convite para contribuir e senti-me muito lisonjeada. O desafio não é pequeno, como já tem dado mostras, mas será com grande afinco enfrentado.

O texto a seguir foi o primeiro publicado no novo espaço:

Texto publicado no Portal Cada Minuto

As mulheres, enfim, chegaram

É com este título que inicio o primeiro texto de uma mulher entre as “Pensatas” do Portal Cada Minuto. Mas não pretendo aqui queimar mais sutiã ou expressar palavras de ordem em favor da marcha feminista. Acredito piamente que as manifestações em favor da mulher e do reconhecimento de seu valor no mercado de trabalho têm sido uma construção cotidiana, aos poucos, uma a uma “quebrando pedras e plantando flores” – Coralina nunca se encaixou tão bem.

As mulheres têm dado seu recado por gerações. Muito antes do racismo ou da homofobia serem palavras da moda e fundamentos para reações enérgicas e de apoio popular, a mulher já era a maior vítima de preconceitos e da opressão do mundo masculinizado.

Mas as mulheres chegaram. E o fizeram com carinho, sensatez, equilíbrio e charme, muito charme. Saíram das cozinhas e entraram nas salas de reunião. Hoje desempenham, com reconhecida desenvoltura, papéis de destaque no cenário político mundial e nacional. E sua importância é facilmente atestada quando comparamos nossa cultura à árabe, onde mulheres devem andar, pelo menos, um metro atrás dos homens.

Aqui, onde homens e mulheres andam lado a lado, elas são homenageadas com um dia especial, mas é apenas uma forma de dar à mulher o que ela mais gosta: carinho e atenção, pois as mulheres são estrelas todos os dias. Afinal, quem mais seria capaz de dar conta com tamanha maestria do trabalho, da faculdade, dos filhos e o que mais vier, tudo, sem borrar a maquiagem, sem perder a vaidade?

E é assim que as mulheres seguem, caminhando e cantando, sempre em cima do salto. Abrindo as portas do mercado de trabalho com elegância e um belo sorriso, tomando seu assento à frente de grandes conglomerados e voltando para casa depois de um extenuante dia para se verem felizes e satisfeitas, rodeadas pela família e com uma pilha de papéis para analisar em cima da mesa.

É com toda a satisfação de ser a primeira mulher a assumir uma “Pensata” que agradeço a confiança depositada em mim. Depois da experiência com o “Palavras ao Vento”, o qual mantenho como xodó, e da oportunidade no Portal “7 Segundos”, assumo o compromisso de contribuir com o Cada Minuto e com os leitores, mantendo-me aberta às críticas, desde que respeitado o nível e a coerência com o tema abordado.

Sejam muito bem-vindos à minha nova casa!

 
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Publicado por em 23/03/2012 em CadaMinuto, opinião

 

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