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Arquivo mensal: novembro 2011

Mais um escândalo nacional, até quando?

É com enorme indignação que escrevo este texto. Acabamos de ser bombardeados com a matéria do Fantástico sobre as esposas de prefeitos que se locupletam com o dinheiro público gastando-o nas mais estapafúrdias compras.

Alagoas é sempre pauta para os meios de comunicação nacionais, acredito, inclusive, que quando se veem passando por momentos de calmaria, pensam logo em mandar um repórter investigativo à nossa terra, afinal, pauta aqui não falta, principalmente quando o assunto é desvio de dinheiro do erário.

Enfim, chato mesmo é que tudo o que veiculam é verdade, e, ainda que não seja, o resultado é certo, vergonha para os alagoanos que têm vergonha na cara. Sim, Brasil, há muitos alagoanos com vergonha na cara. Não são as repisadas matérias que são veiculadas em rede nacional que nos calejam e nos fazem perder o poder de indignação, assim como um médico legista perde a sensibilidade depois de uma centena de cadáveres analisados.

As prefeituras de Traipu, Belo Monte, Lagoa da Canoa e Limoeiro de Anadia foram mira da reportagem que nos indignou esta noite porque seus gestores, e esposas, já são alvo de investigação de órgãos federais, seja a PF ou o MPF. Mas nem queiramos imaginar quantos outros municípios também não são dilapidados por seus prefeitos e asseclas.

O certo é que o cidadão alagoano de bem, aquele que não se vende, nem se corrompe, aquele que se manifesta, que veste o manto da indignação e ruboriza-se de vergonha pela infâmia alheia já não aguenta mais.

Ninguém está satisfeito em trabalhar diariamente, ser explorado exaustivamente e ter que entregar um terço de seu salário ao governo federal. E, ainda, não ter moradia, saúde, educação, lazer, transporte e segurança decentes.

Eu, enquanto alagoana, estou morta de vergonha! Temos tanto a oferecer, tantas belezas naturais, tanta cultura, tanta história, tantos filhos ilustres e tanta hospitalidade. Magoa, e muito, ter sua terra amada sendo lembrada pelos reiterados escândalos de corrupção.

BASTA!

 
 

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Descumprimento de Ordem Judicial dá cadeia

Há pouco me deparei com a notícia de que o Cel. Luciano Silva, comandante da Polícia Militar do Estado de Alagoas, teve mandado judicial de prisão expedido por desembargador do Tribunal de Justiça.

Compulsando rapidamente a notícia verifiquei que o comandante da briosa só não teria sido preso, efetivamente, por ter acertado suas contas, a priori, por meio de pagamento de fiança. Tal fato não causa estranheza, principalmente porque o mandado de prisão se originou de descumprimento de ordem judicial.

Irrelevante tratar aqui das razões que levaram o Coronel a tal descumprimento, para tanto seria necessário um texto só para deslindar os meandros deste e de tantos outros casos de decisões judiciais apartadas da realidade castrense.

Entretanto, interessante se faz mostrar a ausência de manifestação pública a favor ou contrária ao Coronel, uma vez que recentemente a sociedade se viu diante da prisão de algumas dezenas de arruaceiros na USP, travestidos de estudantes, os quais foram presos, dentre outras acusações, por descumprimento de ordem judicial.

Será que neste ponto a “esquerda” vislumbra alguma perseguição?

Enfim, antes do bombardeio de falácias desconexas, esclarece-se que as situações são muito distintas, mas o que se deve ter em mente, e bem claramente, é que a ordem judicial é para todos, seja bandido, mocinho, coronel ou estudante (ainda que travestido).

Aquele que opta por ignorar ordem emanada do Poder Judiciário deve arcar com as conseqüências, e isto não é uma questão de direita ou de esquerda, mas de Estado Democrático de Direito.

 
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Publicado por em 24/11/2011 em opinião

 

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Assembleia será palco de manifestação contra LOG

Amanhã, a cidade de Maceió promete esquentar. No centro da cidade, mais precisamente, na Praça Dom Pedro II, a da Assembléia Legislativa do Estado, deverá ocorrer uma manifestação que tem dado o que falar nas redes sociais.

O ato público promete mobilizar cabeças pensantes e cidadãos indignados. Anseia pedir ao governador, com maior veemência, o afastamento do secretário de Desenvolvimento Econômico e Planejamento, Luiz Otávio Gomes.

O movimento ganhou mais força diante da insistente recusa do “super-secretário” em prestar esclarecimentos públicos sobre seu suposto envolvimento em esquema de cobrança de propina a bancos por meio de uma taxa de retorno de 25% que seria destinada à campanha política tucana.

O ato escolheu a ALE como palco por ser esta a Casa fiscalizadora e que já se dispôs a argüir o secretário acerca das acusações que lhe são imputadas.

Reitero minha posição de que o cargo é público, de nomeação política e de permanência meritocrática, e, obviamente, cabe ao cidadão avaliar. Portanto, nada mais coerente, óbvio e natural que os esclarecimentos fossem prestados.

Nada justifica a blindagem fortificada ao redor do gestor público, a menos que não seja mesmo possível seu afastamento, o que daria ensejo a novos questionamentos, e o mais direto seria a razão que sustenta tal impossibilidade para o governador, não esqueçamos tratar de cargo de livre nomeação e exoneração.

O caso

A denúncia foi apresentada ao grande público por meio do jornal Estado de São Paulo. Até então, por meio de blogs independentes, o que se tinha era notícia de flagrantes casos de tráficos de influência, todas rebatidas com sonoras e contundentes negativas, mas nenhuma justificativa.

O citado jornal de circulação nacional afirma, além da já costumeira influência negociada, a existência de certa “taxa de retorno”. Onde, cerca de 25% dos pagamentos feitos ao Banco Panamericano e a outros bancos teriam retornado como “doação” para a campanha do PSDB.

E a mencionada matéria vai mais além, afirma que a Polícia Federal já abriu inquérito para investigar a possível corrupção ativa e passiva que permeia a transação entre governo – bancos – PSDB/AL.

Recentemente, o Sr. Secretário prestou declarações à PF, mas não há informações de que tenha sido na condição de suspeito.

O Governo

A alta cúpula da administração pública estadual reconhece que a situação é insustentável e que o desgaste provocado pelas recorrentes denúncias, inclusive alcançando a cifra de quase um milhão de reais em beneficio do PSDB, já não seriam mais suportáveis.

Hoje, não é mais segredo para ninguém que LOG decidiu sair do governo, mas por livre e espontânea vontade. O próprio governador já se manifestou por sua permanência e nos bastidores este sequer aceita a decisão de seu “homem-forte”.

O Ato

Dia 23/11 (quarta-feira), às 15h, em frente à Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas.

 
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Publicado por em 22/11/2011 em Estadual, Política

 

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Graciliano Ramos nos palcos

O espetáculo “Pedaços de nós mesmos”, da Companhia Teatral Mestres da Graça, resgata o interesse pelas obras de Graciliano Ramos.

imagem de divulgação

A peça tem como mote a costura de fragmentos da biografia e de obras literárias de Graciliano Ramos, como “Angústia” e “Memórias do Cárcere”, sem passar despercebido por “A Terra dos Meninos Pelados”.

A cia conta com jovens integrantes, dedicação e alguma teimosia. Não é novidade que em Alagoas é muito difícil fazer e viver de arte. Os atores são de Palmeira dos Índios, cidade em que Graciliano Ramos viveu por muito tempo até ser preso e enviado para o Rio de Janeiro (1936), onde morreu já na década de 50.

Sobrevivente dos anos de chumbo do Estado Novo, na Era Vargas, e da fúria do insaciável chefe da Polícia Política, Filinto Muller, um verdadeiro caçador de comunistas, Graciliano sofreu, aprendeu e escreveu.

Um verdadeiro amante e entusiasta do regionalismo mais puro do agreste nordestino, em suas obras não faltam elementos sertanejos e alguma fantasia.

Hoje podemos contemplar com grande satisfação a imortalidade das obras do Mestre Graça sendo divulgada e disseminada por meio das artes cênicas. O grupo teatral consegue fazer uma releitura simples e objetiva da importância literária de nosso conterrâneo na formação social e política de muitas gerações.

A temporada no teatro Deodoro terminou, os jovens atores devem retornar para Palmeira e espero que na mala levem mais entusiasmo e ânimo para continuar a difícil missão de fazer teatro em Alagoas.

Com este texto espero despertar no leitor o interesse por montagens alagoanas, que ainda que estejam longe da perfeição das peças do eixo Rio-São Paulo, fazem parte de nossa cultura, e é muito competente, principalmente quando reconhecemos a ausência de incentivo público, privado e de espectador.

 

Ficha Técnica*:

Dramaturgia e encenação: Lael Correa

Elenco: Arenilton Lima, Bruna Fernandes, Bruno Felinto, Cosme Rogério, David Pereira, Gilene Ives, Joana Torres, Luciano José, Marcone Correa, Neury Cavalcante.

Produção: Marcone Correia; Iluminação: Eduardo Junior; Sonoplastia: Alex Ricardo.

 

*Fonte: http://ascomteatro.blogspot.com/2011/11/pedacos-de-nos-mesmos-se-despede-do.html

 
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Publicado por em 17/11/2011 em Cultura

 

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A minha São Paulo cultural – Teatro

Em visita recente à cidade de São Paulo, tive a oportunidade de prestigiar montagens especiais de teatro e cinema. Dando prioridade a peças e filmes que julguei mais difíceis de chegar à capital alagoana, procurei aproveitar roteiros culturais alternativos.

Espetáculos Teatrais

Fragmentos do Interrogatório – convidada pela jovem atriz alagoana, Renata Sarmento, em curta temporada paulista, em face da conclusão de curso da escola de Atores Wolf Maya, tive a oportunidade, rara, de assistir a uma montagem de forte impacto emocional e apelo social.

“A obra relata o processo que foi instaurado nos anos de 1964 e 1965, que julgou os culpados do massacre de Auschwitz. As experiências vão além de uma denúncia. É a revelação de uma humanidade nascida da destruição”.

Impossível de retratar em palavras os sentimentos despertados pelas imagens, sons e interpretações, agradeço a chance de poder sentir fatos que nem regressão histórica seria capaz de tão bem traduzir.

* * *

Casa Amarela – monólogo dramático, interpretado por Gero Camilo. O ator paraibano redescobre e desvenda aos espectadores o pintor Van Gogh em sua fase mais produtiva e de maior impacto artístico em sua trajetória.

Recluso numa pequena cidade, no sul da França, recebe a visita do grande amigo Paul Gaugin, vivendo uma relação de amizade, admiração e de rusgas. Gero consegue transmitir ao espectador toda insanidade e genialidade própria de Vincent e protagonizar diálogos belíssimos entre as personagens com muita clareza e espiritualidade.

Caracterização e montagem de palco perfeitas e simples, o ator surpreende a todos ao final do espetáculo, mostrando-se inteiramente entregue ao papel e ao enredo.

* * *

Assombrações do Velho Recife – comédia regionalista, levada a São Paulo pela Cia Os Fofos, de Pernambuco, é de uma sacada fantástica. Procura resgatar os causos de infância narrados no Recife antigo, bem como fatos históricos e anedotas contadas pelo povo nordestino satirizando a elite, fosse a nobreza ou a burguesia.

Num espaço próprio, conta com vários cenários, levando o público a interagir totalmente com o espetáculo. Grupo grande, hilário e comprometido em fazer rir, conseguem transmitir com muita naturalidade o espírito inteligente e engenhoso do nordestino. Com tiradas muito próprias da região, prendem a atenção dos espectadores fazendo-os se comprometerem com o enredo.

 

Paulistas e sulistas, em geral, apreciam muito a nossa cultura, pude comprovar isso!

* * *

Vulgar – mais um espetáculo interpretado por jovens atores. Dessa vez, duas alagoanas participaram da montagem, Renata Sarmento e Amanda Mello.

Cenas inspiradas em obras de Nelson Rodrigues e interpretadas por atores da Escola Célia Helena. O público é levado à magia dos escritos do Pernambucano mais polêmico e realista de todos os tempos.

Os jovens possuem o ímpeto próprio de Nelson e de suas obras o que encaixa satisfatoriamente com o enredo montado a partir de diversas obras.

 

Grande satisfação e emoção poder assistir tantas boas montagens e com tão bom conteúdo. Coisas que só São Paulo podem nos proporcionar, mas que bem poderia ser em Maceió…

 
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Publicado por em 16/11/2011 em Cultura

 

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Mãos Unidas em Ação / Branquinha 10 de dezembro 2011

Por Assessoria

A sociedade civil organizada sem fins lucrativos ou políticos, através de um grupo de amigos, resolveu unir forças em prol das pessoas atingidas pelas chuvas de 2010 na cidade de Branquinha, realizando no dia 10 de dezembro uma grande ação solidária que terá duas vertentes: atendimento médico especializado e ação social e cultural.

A pretensão do projeto Mãos Unidas em Ação é levar além de consultas médicas especializadas, uma ação mais completa e efetiva, através da doação de medicamentos necessários, realização de exames especiais como a colposcopia – que é uma das maiores necessidades da população feminina. Outra estratégia é a avaliação oftalmológica dos escolares da rede municipal com identificação dos casos de dificuldade visual e conseqüente baixo rendimento escolar fornecendo, também óculos para cerca de 200 crianças (quantidade estimada com base nos números estatísticos fornecidos pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia).

A prefeitura de Branquinha através do Programa de Saúde da família – PSF identificou as especialidades médicas com maior demanda no momento na cidade. São elas: Oftalmologia, Ginecologia, Dermatologia, Otorrinolaringologia, Odontologia e Nutrição.

São 600 pessoas que ainda vivem na cidade de lona, em barracas e com necessidade de quase tudo. Entre os itens mais urgentes estão fraldas geriátrica e infantil, material de limpeza e higiene pessoal, leite em pó e brinquedos.

A ação natalina levará também alegria e entretenimento à população, em especial as crianças. A cidade tem cerca de 2.000 crianças matriculadas em escolas e o objetivo é levar um brinquedo para cada uma. Grupos culturais de música, dança e circo farão apresentações. Brincadeiras e jogos esportivos também serão realizados durante todo o dia.

O Projeto Mãos Unidas em Ação já conta com o engajamento de mais de 20 pessoas na coordenação da ação e com vários médicos e profissionais de diversas áreas que estarão doando sua força de trabalho em prol da população de Branquinha. Muitas outras mãos serão necessárias.

As doações poderão ser encaminhadas para a sede da Oculare Social (Rua Desembargador Tenório, 60, Farol). Quem tiver disponibilidade para trabalhar na ação como voluntário ou como médico, pode entrar com contato com a coordenação do projeto e falar com Marcondes Feitosa (82) 91358121.

Fortaleça esse movimento.

Twitter: @maosunidasmcz

Facebook: maosunidasemacao

E-mail: maosunidasemacao@gmail.com

 
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Publicado por em 14/11/2011 em Utilidade Pública

 

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Qual o valor de um Ministério? e do sexto?

Confesso que a minha intenção era escrever sobre o caso dos estudantes baderneiros e vândalos que destruíram as dependências da reitoria da USP, descumpriram ordem judicial e foram tratados como quaisquer outros seres humanos que transgridem a lei – bandidos.

No entanto deparo-me com a seguinte manchete: “Carlos Lupi: `Para me tirar só abatido à bala´”, e não resisti, preciso comentar essa afronta à Administração Pública e aos cargos políticos que são ocupados.

Sobre o assunto esclareço: Lupi é o ministro que hoje responde a denúncias de corrupção e tem seu cargo posto em risco diante das crescentes denúncias de locupletamento. Depois da “queda” de cinco ministros, chega a vez do Ministro do Trabalho ser bombardeado.

Analisando a matéria que me chamou atenção deparo-me com: “Carlos Lupi, afirmou que lutará até o fim para provar sua inocência e que conta com apoio “total” da presidente Dilma Rousseff e do PDT para continuar no cargo”. Bem, até aí tudo certo. Ele diz sentir-se injustiçado e quer provar sua inocência, louvável, compreensível e justo.

No entanto, afirmar que não “largará o osso” é apego demais pelo cargo que é público, não acham?! Dizer que só sai “abatido à bala” passa muito dos limites do aceitável. O cargo de ministro é mesmo uma honra, mas é espaço a ser ocupado por aquele que melhor corresponda aos anseios da sociedade. É a capacidade em gerir e corresponder ao interesse público que deve pautar a escolha de alguém a ocupar este posto.

Que o senhor ministro queira se defender e refutar as acusações acho imprescindível, inclusive prestando as devidas informações ao povo, maior interessado, mas daí a inadmitir sua saída e afirmar que da cadeira não levanta, chega a ser cômico, se não fosse suspeito.

Deve ser muito bom mesmo ocupar o cargo de Ministro de Estado, se assim não fosse não seriam tantos a cair e tantos a disputar o posto.

Aguardemos as próximas cenas, quanto tempo resistirá o intrépido ministro? Quem se beneficiará com sua possível queda? Qual a postura a ser adotada pelo partido com o aperto da imprensa? E a presidente? Tão fiel a seu escudeiro, resistirá tanto quanto resistiu nos casos anteriores (ou seja, nada)?

 
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Publicado por em 08/11/2011 em Federal, Política

 

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