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Arquivo mensal: setembro 2011

Que pague pela saúde o causador da doença. Não à CPMF!

Tenho acompanhado, ainda que com certa distância, toda a celeuma que tem agitado Brasília e o ressurgimento da CPMF.

Aos de memória curta, vale esclarecer que a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras) vigorou no país de 1997 a 2007, e tinha como finalidade específica o custeio da saúde pública, da previdência social e do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza.

A justificativa do governo federal para resgatar a CPMF é o caos que enlameia a saúde pública e a previdência, bem como o incremento dos programas sociais, como o “Bolsa Família”. Entretanto, o que se infere desta discussão, é que a malversação do dinheiro arrecadado à época e a completa falência do projeto não dão margem para que atualmente os parlamentares aceitem mais uma fonte de arrecadação para o governo federal a partir da população.

A população, por sua vez, continua contrária à CPMF, afinal, é a maior financiadora do Poder Público, pagando impostos federais, estaduais e municipais, diretos e indiretamente, e ainda assim carente de todo serviço público com um mínimo de dignidade e eficiência. Tendo que arcar com as despesas com saúde, educação, transporte, moradia, vestuário, lazer e, hoje, até segurança, tudo privado.

Além dos esclarecimentos aqui apensados, acho muito válido que sugestões sejam aventadas para o fim da contenda, e assim o Congresso Nacional possa voltar a se dedicar a leis de amparo aos anseios populares, ao menos é o que se espera.

Há de se ressaltar que o país está muito bem financeiramente, não é mesmo?! Ao menos é o que tem sido alardeado pelo próprio governo federal, seja resistindo bravamente às “marolinhas” provocadas pelo mercado mundial, seja emprestando recursos financeiros a bancos internacionais.

Tudo bem, sem mais, aproveito para contribuir humildemente com a discussão. E que tal vincular os impostos que são arrecadados com cigarros, bebidas e até parte da produção de automóveis à saúde pública e à previdência social? Seria até justeza econômica, afinal são esses os maiores provocadores de danos à saúde de uma forma geral.

A ideia aqui é estimular a taxação dos grandes produtores – o alto empresariado –, bem como sobretaxar os produtores de alimentos que fazem uso de hormônios em suas produções, seja de animais, para o abate prematuro, ou em plantações, para colheita de legumes e verduras mais viçosos.

 
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Publicado por em 28/09/2011 em Federal, Política

 

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O Desafio da Notícia e a Crise da Modernidade

Desde que iniciei o curso de jornalismo tenho sido bombardeada pelas mais variadas informações acerca do cerne principal da comunicação. As mais importantes e impactantes têm girado em torno do confronto ao comodismo noticioso e da função social do jornalismo.

O livro O Desafio da Notícia e a Crise da Modernidade, publicado em 2007, pela editora Cataventos, tem como autores as jornalistas Elida Miranda e Kelma Silene, juntamente com o historiador e professor de Teoria da Comunicação do curso de Comunicação Social do Cesmac, Cláudio Jorge.

O texto tem como finalidade precípua o despertar do leitor para os caminhos que são percorridos pelos meios de comunicação nessa nova geração de veículos noticiosos, em especial os impressos de maior circulação no estado de Alagoas – O Jornal e Gazeta de Alagoas.

A pesquisa se estendeu pelo período de 2001 a 2002 e abordou a teoria da comunicação e sua função social, assim como o reflexo de sua linha editorial no material produzido, tudo em consonância com os interesses políticos e econômicos de seus proprietários.

A abordagem às inúmeras informações que são ofertadas pelos meios de comunicação, assim como sua disseminação numa perspectiva globalizada, faz com os dados sejam cada vez mais superficiais, e suas conclusões minimalistas. Os leitores, espectadores, têm se apoiado na escassez de tempo para justificar sua falta de critério e questionamentos às notícias recebidas.

Além da superficialidade atacada no texto, têm-se ainda toda explicação sobre a alienação que pode ser promovida através dos meios de comunicação, de forma clara, ou subliminar. Num mero jogo de palavras, ou em associações de termos que leva o leitor a entender exatamente como convém aos interesses escondidos.

Neste diapasão o texto desmonta o mito da neutralidade, objetividade e credibilidade, esclarecendo que estas são criadas no inconsciente geral pela forma como as notícias são repassadas e/ou montadas, seja pela qualidade técnica do interlocutor ou do texto apresentada, ou, simplesmente, pela comodidade que a aceitação primária do grande volume de informações gera, mas que não passam de fantasia, pois as notícias, principalmente as do caderno de política, têm direcionamento certo e se destinam a contemplar os interesses privados dos proprietários.

Analisando-se o periódico “Gazeta de Alagoas”, constatou-se a nítida defesa dos interesses da família historicamente ligada ao poderio econômico e político na região, em especial, esforçando-se por resgatar a imagem lesionada de seu principal representante, o ex-presidente Fernando Collor.

Da mesma forma o “O Jornal”, que tem como proprietário um dos maiores usineiros do estado de Alagoas, e ícone do poderio sucroalcooleiro. Além de agir de forma similar, buscando redesenhar sua figura frente aos movimentos ecológicos e desacreditar movimentos sociais contrários aos grandes latifúndios, se utiliza de seu periódico para tanto.

Tais conclusões são extraídas do livro estudado, mas desde os idos do início do milênio que muitos exemplos são invariavelmente apresentados. Politicamente é fácil enxergar a linha editorial de qualquer jornal que seja analisado superficialmente em sua capa.

O que se depreende de todo o exposto pelos autores de “O Desafio da Notícia e a Crise da Modernidade” é que não é mais aceitável a acomodação frente às notícias apresentadas e nem os conceitos predeterminados. A sociedade, como se apresenta hoje, deve prezar pelo criticismo e pelo questionamento constante, buscando a verdade dos fatos confrontando não só as diferentes versões, mas os interesses motrizes das informações ostentadas.

 
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Publicado por em 27/09/2011 em Literatura

 

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Uma história a ser contada: Inspetor Omena.

Na última terça-feira, dia 20 de setembro, Alagoas foi dormir estarrecida com mais um caso de violência desmedida no bairro do Benedito Bentes, que apesar de subúrbio da Capital, possui dimensão e números dignos de qualquer cidade interiorana do país.

Aquele parecia ser mais um dia de tranquilidade na residência dos Omena, a família toda reunida havia recebido há pouquíssimo tempo a visita de um amigo do patriarca. Este, após a conversa descontraída com o colega, acompanha-o até a porta de casa; este parte, enquanto o Sr. Omena se detém por alguns minutos a conversar com um vizinho que estava na porta de casa.

Em seguida, entra em casa e já se encaminha pra dentro, quando é surpreendido por duas pessoas às suas costas, na rua, a perguntar pelo “Omena”, este que ainda estava no clima de total descontração que só o lar e a companhia dos amigos pode proporcionar, vira-se se identificando.

Sequer inicia o contato visual com os integrantes da motocicleta à sua porta e já é recebido por uma saraivada de tiros desferidas pelo “garupa”, instintivamente joga-se ao chão e rola para todos os lados, afim de se esquivar dos tiros que lhe são apontados.

Ainda assim, é atingido por dois projeteis, seu filhinho, de apenas três anos, que estava dentro de casa, às suas costas, acaba sendo atingido de raspão numa das perninhas.

Há gritos por toda a casa, a mãe que ao ouvir os disparos gritou para o filhinho se deitar, corre agora ao socorro do marido, a filha que estava no interior de seu quarto, dispara em direção à rua sem entender do que se tratava o barulho pirotécnico. Encontra seu irmão a chorar, sua mãe desesperada e seu pai esvaindo-se em sangue.

Os momentos que se seguem é de torpor, busca por ajuda, ligação para o socorro, desespero, amparo dos vizinhos e incertezas, muitas incertezas.

A família toda é encaminhada ao hospital, o pai levado ao centro cirúrgico e o bebê ao pronto atendimento. Todos abalados emocionalmente, ainda que só o alvo da contenda tenha ferimentos mortais, todos parecem fatalmente atingidos.

Os colegas de trabalho do honrado Inspetor Omena, guarda municipal de Maceió há mais de 25 anos, estando agente de trânsito há alguns meses, começam a aglomerar-se no hospital e em seus arredores. Sedentos por notícias do companheiro, mas também por informações sobre os responsáveis por aquele ataque desleal, não arredam pé do local.

O tempo passa, as informações que surgem são desencontradas, ora o paciente parece estar bem e em franca melhora, ora com problemas sérios e complicações médicas. O tempo passa ainda mais e com o fulgir dos primeiros raios de sol chega a notícia mais temida.

A pressão arterial do estimado pai, marido e inspetor não pôde ser controlada e ele não resistiu.

Assim terminou a vida do Inspetor Omena, cercado por aqueles que mais o amaram em vida, ele deixou os amigos e os familiares, mas sua história permanece para servir de inspiração àqueles que dela precisam para buscar pela Justiça e por dias melhores.

A esperança é que o crime seja elucidado o quanto antes, mas, independente de qual tenha sido a causa deste ataque insano e desmedido, o que importa é a história do bravo Omena, as lições que podemos tirar dela e a coragem que este senhor sempre ostentou, combatendo com princípios, sua única arma, a corrupção institucionalizada com a qual convivemos.

 
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Publicado por em 23/09/2011 em Policial

 

A Rede Globo em 1993

Em recente aula sobre a mídia no Brasil no período do Regime Militar, foi sugerido o filme “Muito Além do Cidadão Kane”, documentário britânico, dirigido por Simon Hartog, transmitido a primeira vez pela “Channel 4”, emissora pública do Reino Unido.

O documentário retrata a ascensão e o sucesso inegável e imbatível da Rede Globo de Televisão. Para tanto foi abordado historicamente o surgimento do conglomerado comandado por Roberto Marinho, e como ele se manteve intocável em seus mais variados seguimentos e acima de quaisquer concorrentes quando se fala em rede de televisão.

As Organizações Globo surgiram com o Jornal O Globo e a Rádio Globo, posteriormente, em 1957, é que a transmissão via televisão é concedida pelo Presidente da República, Juscelino Kubitschek, aquele que planejou desenvolver o Brasil em cinco anos o equivalente a cinquenta anos de tecnologia e estrutura.

Além de mergulhar o Brasil numa dívida estarrecedora, e numa inflação enorme, JK também levou para o centro-oeste brasileiro, local inabitado e longe dos grandes núcleos populacionais, o centro administrativo e a capital da República do Brasil. Este feito arquitetonicamente grandioso, do ponto de vista político e econômico audacioso, mostrou-se um “golpe de mestre”, levando para longe dos ataques oposicionistas do povo insatisfeito o local físico a que se dirigiam os movimentos sociais.

Enfim, não foi nesse contexto que a Rede Globo nasceu, só anos após, em 1965, em meio ao Regime Militar. Sendo pautada pelo interesse governamental, a Rede Globo cresceu sob a égide da integração nacional, ambição militar de unir todos os rincões brasileiros, minimizando as diferenças e as pretensões individuais. Proveniente de um histórico de revoltas e tentativas de separações regionais, os militares queriam um país mais homogêneo e menos regionalizado.

Por meio de programas padronizados e veiculados no mesmo horário para todo o país, como o Jornal Nacional, o Brasil começou a ser moldado. A primazia da Globo, através de programas com editorial alienante, conseguiu e consegue manipular a opinião e o comportamento de seu público.

Por muitos anos, os mais cruciais, apenas ela era assistida em todo país, e a dinâmica com que trazia as notícias ao público acomodou-os, afinal era muito mais conveniente simplesmente tomar para si as verdades expostas.

O documentário citado revela justamente esta faceta do conglomerado liderado pela família Marinho. Toda sua atuação nos mais diversos contextos histórico, político e econômico. Sua capacidade ímpar de se amoldar às mais diferentes situações, com o fito de manter-se hegemônico no campo das telecomunicações, viabilizou o império que é hoje na América Latina, alcançando o posto de terceira maior emissora comercial do mundo.

O uso cinematográfico do espaço informativo é propício para o esclarecimento da massa, e é com este claro objetivo que “Muito Além do Cidadão Kane” é produzido. Abordando com especial atenção quatro momentos históricos e políticos é capaz de ilustrar o que a Rede Globo de Televisão representa em nosso país.

Os momentos retratados são: a GREVE DOS METALÚRGICOS nos idos de 1980, quando a rede Globo apenas transmitia as notícias convenientes aos industriais, e nada a respeito dos interesses dos grevistas; a eleição para o GOVERNO DO RIO, em 1982, quando atuou contra BRIZOLA, em favor do candidato apoiado pelo Regime Militar; o movimento das “DIRETAS JÁ”, que em 1984 crescia e abarcava as mais diversas camadas sociais das maiores cidades do país, a emissora, enquanto pôde se absteve de noticiá-la, e quando se viu impossibilitada de manter-se omissa, resolve dissimulá-la, retratando-a como mera comemoração pelo aniversário da cidade de São Paulo; outro caso emblemático e mais recente foi a manipulação escrachada e toda a programação propagandista em favor do candidato à PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, EM 1989, Fernando Collor de Melo.

A partir de todo o exposto, o documentário, de forma simplista e objetiva, consegue mostrar o nível de alienação e acomodação que o povo brasileiro vivia (e ainda vive) em 1993. O baixíssimo nível educacional e crítico de uma massa foi capaz de abrir os caminhos para a consolidação desta que se tornou referência quando o assunto é televisão comercial e manipulação de massa.

 

O interessante do vídeo é muito mais que o despertar que provoca, é o incentivo à racionalização por si e o constante questionamento às verdades impostas por todos os meios de comunicação.

Hoje, com o advento da internet, e a crescente democratização dos veículos (ainda que em nosso Estado isso não pareça ocorrer), não se justifica mais a acomodação, sendo relevante não só a busca constante por mais informações e pelo confronto entre as que se impõem, mas também a atuação direta da massa, passando esta a, enfim, pautar os meios de comunicação.

 
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Publicado por em 21/09/2011 em Cinema, Documentário

 

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Amor pela Terrinha – Alagoas 194 anos

Os índices de criminalidade em Alagoas são alarmantes, assim como todos os índices sociais, de educação, saúde, esporte, mortalidade, infantil e adulta, de desemprego, de miserabilidade, e tantos quantos possam existir. No entanto, há coisas que só em Maceió, enquanto capital, ainda é possível ver.

Voltando para casa depois de um dia estafante de trabalho, estudo e atividades sociais, contemplo um motoqueiro, completamente encoberto por seus trajes, batendo à porta de uma motorista parada no semáforo. Em qualquer outro lugar do mundo isso seria claramente os momentos que antecederiam um assalto de consequências imprevisíveis, em Maceió não, ainda é possível não se assustar com esta cena e assistir apenas a um cordial alerta de que a porta se encontra mal fechada.

Hoje comemoramos 194 anos de emancipação política do estado de Alagoas dos domínios pernambucanos. Para quem não sabe, esta emancipação foi uma punição ao estado de Pernambuco por conta da Revolução de 1817, quando a elite pernambucana tentou proclamar sua independência do jugo da coroa portuguesa.

Alagoas, àquele tempo, era terra em franca ascensão, com o crescente número de engenhos e com uma elite poderosa no comando. Pernambuco não perdeu só em território, mas em belezas naturais, em potencial econômico e em povo hospitaleiro.

Costumo dizer aos amigos que só em Alagoas ainda é possível encontrar todas as cores de mar percorrendo o litoral, todo tipo de solo percorrendo o interior, todo tipo de clima subindo e descendo serra. O acolhimento de nossa terra começa pelo povo bom, pacífico e hospitaleiro, e termina, invariavelmente, num caloroso abraço das águas cristalinas do mar.

Mesmo havendo muito a crescer, a melhorar e a se valorizar, não nos faltam motivos para nos orgulharmos da condição de alagoanos. De nosso sotaque único, de nossa forma de falar as palavras pausadamente, de nossa ausência de chiados desnecessários e todo o carisma que só um “aperriado” é capaz de transmitir.

Lutemos, sim, por dias melhores, mas não nos esqueçamos de amar a nossa terra acima de todas as coisas, de todas as desavenças e de todos os interesses pessoais e políticos. Saibamos criticar e fiscalizar, mas muito mais nobre é saber reconhecer o que só nós temos. Amor por Alagoas!

Recomendo: http://blogdojosemarques.wordpress.com/2011/09/16/emancipacao-politica-de-alagoas/ e http://ciberculturalagoana.wordpress.com/

Escrevi certa vez que Deus, além de brasileiro, era alagoano.
Em verdade, não se cria um estado com tanta beleza, sem cumplicidade.
Sou capaz de imaginar o dia da criação de Alagoas.
Ô São Pedro, pegue o estoque de azul mais puro e coloque dentro das manhãs encarnadas de sol; faça do mar um espelho do céu povilhado de jangadas brancas; que ao entardecer sangre o horizonte; que aquelas lagoas que estávamos guardando para uso particular, coloque-as neste paraíso.
E tem mais, São Pedro: dê a esse estado um cheiro sensual de melaço e cubra os seus campos com o verde dos canaviais.

As praias… Ora, as praias deverão ser fascinantementes belas, sob a vigilância de ativos e fies coqueirais.
Faça piscinas naturais dentro do mar; coloque um povo hospitaleiro e bom;
e que a terra seja fértil e a comida típica melhor que o nosso maná.
Dê o nome de Alagoas e a capital pela ciganice e beleza de suas noites,
deverá chamar-se Maceió e a
padroeira; Nossa Senhora dos Prazeres.

Por Noaldo dantas

Alguns dos ilustres Alagoanos (por @GabrielCiriaco): Zumbi dos Palmares, Marechal Deodoro, Marechal Floriano Peixoto, Graciliano Ramos, Jofre Soares, Jorge de Lima, Aurélio Buarque de Holanda, Paulo Gracindo, Zagallo, Djavan, Artur Ramos, Nise da Silveira, Heckel Tavares, Marta, Dida (craque do flamengo na década de 50), Teotônio Vilela (Pai), Theo Brandão, Pedro Teixeira, Pontes de Miranda, Hermetho Pascoal, Cacá Diegues, Lêdo Ivo, entre tantos outros.

 
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Publicado por em 16/09/2011 em Cultura, Municipal

 

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Confusão no Judiciário e no Legislativo

 

Interessante a sensação que tem sido provocada de caos generalizado. E não estou me referindo às problemáticas recorrentes de políticas públicas, como é o caso da saúde, da educação, da segurança, enfim.

Refiro-me ao caos administrativo nos Poderes Públicos institucionalizados.

Afinal, a recente libertação equivocada do ex-Coronel Cavalcante deixou no ar um odor de despreparo, de falta de acuidade e de atenção com o processo criminal.

É mais que sabido que, antes de ser concedido o benefício de progressão do regime de cumprimento da pena é analisado os mais diversos requisitos, desde o comportamento do apenado no estabelecimento prisional, até a situação em que se encontram os demais processos que lhe recaem as contas.

Ora, se ainda assim, com todos as observações a serem analisadas pelo Judiciário, e aqui não me refiro apenas ao Juiz das Execuções Penais, até porque passa pelo crivo do Ministério Público também, o presidiário foi agraciado com o regime semiaberto, o que pensar sobre os diversos encarcerados que ganham as ruas anualmente, talvez até precipitadamente?

Surpreende-me a súbita aparição de justificativa para assegurar o pronto retorno do condenado às grades. Não que esteja registrando algum descontentamento, longe de mim, mas que é algo a ser analisado, bem, isso é. O MP teria subitamente sido iluminado por essa pendência processual?

 

Lembrança na Câmara Municipal

Outro caso recente de súbita lembrança bem conveniente se deu na Câmara Municipal de Maceió. Em meio a discussões e troca de acusações em palco midiático, surgiu a lembrança de que toda a celeuma era dispensável, afinal o tema já teria sido discutido e aprovado em 2009.

O debate era sobre a aprovação de emenda à Lei Orgânica do Município, visando o aumento do número de vereadores para a próxima legislatura. Findou-se, em princípio, a discussão com o súbito aparecimento da matéria já votada e publicada dois anos antes.

Mas o que se registra é o caos administrativo naquela casa, que admitiu que fosse levado à plenário matéria já abordada, acarretando na perda de tempo, de dinheiro e de atenção a outros assuntos de relevância social.

 
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Publicado por em 13/09/2011 em Municipal, Política, Policial

 

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Teorias Conspiratórias: 11 de setembro e nosso cotidiano

O aniversário de dez anos do atentado terrorista com maiores proporções no mundo ocidental trouxe à tona novamente discussões conspiratórias sobre o papel do governo americano em toda aquela tragédia.

A tragédia vitimou quase três mil pessoas, americanos ou não, trabalhadores, agentes públicos e privados, e que pouco ou nada tinham a ver com as políticas de administração pública norte-americana, interna ou internacional.

As imagens veiculadas ao vivo por todo o mundo foram chocantes, pessoas se jogavam dos prédios, sobreviventes corriam atordoados pelas ruas à procura de ajuda e de explicação. Os aparelhos de comunicação, móvel e fixo, durante horas ficaram sem conexão. A insanidade era generalizada, o desespero por notícias seguras era enorme e o que se via era ainda mais desencontro nas informações.

Não eram só os residentes das cidades atingidas pelos atentados, mas também de todos os lugares do mundo onde havia familiares de domiciliados ou de turistas de passagem por Nova York ou por Washington, que batalhavam por notícias mais específicas sobre a segurança de seus entes.

Os questionamentos que surgem tão naturalmente quando se fala em atuação beligerante ou economicamente influente dos Estados Unidos são sempre no sentido de revelar sua face imperialista e dominadora. Acho extremamente interessante e salutar tais questionamentos, mas também acho que seria de bom alvitre questionar a fonte de tais suspeitas conspiratórias.

Até porque me parece muito conveniente e pouco coerente que brasileiros tão acomodados com a indústria cultural que nos é impingida pelos meios de comunicação de massa passem a debater teses conspiratórias internacionais, e tramas econômicas tão bem elaboradas quanto amedrontadoras, enquanto assistem placidamente às alienantes novelas, os telejornais tendenciosos e pouco questionadores, entre muitos outros programas televisivos e de rádio com pouco conteúdo construtivo ou pendor educacional.

Os sucessivos 11 de setembro serão sempre momentos a se rememorar as vítimas da tragédia norte americana, assim como todas as datas em que morreram inocentes nos mais diversos rincões do mundo. É certo que o que houve nos Estados Unidos modificou tudo o que se entendia por sistema de segurança antiterrorista, intensificando o cuidado e as suspeitas ao redor do mundo.

No entanto, não são só os americanos vítimas de terrorismo, seja o islâmico, ou o próprio americano o autor do atentado; o que se sabe é que a indústria armamentista patrocina não só as guerras internacionais ou civis, mas também o tráfico de drogas, as guerrilhas latino-americanas e africanas.

Acostumemo-nos a questionar tudo o que possa haver por trás de notícias, mas não somente as advindas de notas oficiais internacionais, mas também todas as que influenciam, direta ou indiretamente, nosso cotidiano. Hoje temos muitas ferramentas, principalmente a internet, para coletar ainda mais informações, confrontá-las e concluir por nós mesmos.

 
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Publicado por em 12/09/2011 em Variedade

 

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