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Arquivo mensal: julho 2011

Panorama Semanal

Trigésima Semana: 23 a 29 de julho
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MundoAmy Winehouse morreu no sábado, dia 23, aos 27 anos de idade. Não se pode afirmar que tenha chocado o mundo, afinal, esta era uma morte anunciada. A consagrada cantora britânica, dependente química e alcoólica, não fugiu à tríade: sucesso, pouca idade e drogas, culminando em sua prematura morte.

Dizem que os gênios são assim, descompromissados com a saúde e inconsequentes com a vida, talvez por terem muito para viver em tão pouco tempo. Se há justificativa que ampare o definhamento físico, moral e social de uma estrela da música mundial, eu desconheço, mas é incontroverso que ela entrou para a história e lá permanecerá pela eternidade.

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Caso Carminha – “Mulher é tirada de casa, assassinada e tem cabeça colocada em estaca” – foi com esta manchete que o domingo, 24, foi recebido pelos internautas. A mulher, Maria de Lourdes, era mãe de duas crianças, casada e morreu espancada e esquartejada por bandidos do Benedito Bentes, mais especificamente, de sua comunidade, o Carminha. Aparentemente sua morte foi causada por ter denunciado o tráfico na região; há a possibilidade de ter tido seu nome “entregue” por policial aos seus algozes. Caso até o momento não elucidado pela polícia.

Crime – No mesmo dia, o corpo do professor de teatro, o ator Denilson Leite da Silva, foi encontrado em Fernão Velho. Suspeito preso.

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Presidente da República – O dia 25, segunda-feira, foi marcado pela visita da Presidente Dilma à Arapiraca. O Estado ficou em polvorosa, e Maceió esteve às moscas. Todos, políticos, cidadãos, fãs, bajuladores e asseclas, se dirigiram à segunda maior cidade de Alagoas para ver de perto aquela que representa os interesses do povo. Apesar de louvável a razão que à trouxe às nossas terras caetés, o lançamento do programa “água para todos”, ela foi recepcionada, e não muito bem, pelos históricos aliados de partido, representantes de movimentos pela reforma agrária.

Rede Nacional – Alagoas esteve nos noticiários do Brasil desde bem cedo, não pela visita acima mencionada, mas porque o “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo, apresentou matéria sobre o altíssimo índice de criminalidade em nosso estado, tratando-o como “faroeste nordestino”. Mostrou, além das inúmeras ocorrências em pouquíssimas horas, também o total caos em que se encontra a segurança pública e suas instituições, tanto policiais quanto periciais.

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Conversa de Botequim – No “Conversa de Botequim” desta terça-feira, o entrevistado de Plínio Lins foi o ex-governador Ronaldo Lessa, que com a espontaneidade que lhe é peculiar e marcou sua relação com a mídia e os desafetos políticos e institucionais, promoveu animado bate-papo com o entrevistador e com os espectadores presentes.

Deste contato o ex-governador se disponibilizou a um encontro com blogueiros, a fim de debater diversos temas políticos, sociais e do ciberespaço, e assim contribuir com o fortalecimento da blogosfera alagoana.

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Governo do Estado – Depois de denúncias envolvendo dois de seus secretários mais fortes, o governador Teotônio Vilela veio a público, nesta quarta (27), para se manifestar no sentido de apoiá-los. Apesar de se tratar de escândalos bem distintos, aparentemente a ideia é que nada alaba a estrutura. O tempo dirá!

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Caso Carminha II – O dia 28 foi marcado pela repercussão do assassinato por desmembramento da senhora Maria de Lourdes, no conjunto Carminha, no bairro do Benedito Bentes. A cúpula da segurança pública do estado divulgou que sete conjuntos do bairro, inclusive o palco fatídico, seriam ocupados pela PM.

Sabe-se que o choque inicial não surtiu o efeito esperado, pois ocorrências de alta criminalidade foram registradas, mas o que mais chamou atenção foi a declaração oficial do Comandante do Policiamento da Capital, Coronel Gilmar Batinga, que disse “se os bandidos não deixarem o Carminha, teremos confronto”. Ora, há de se perguntar: para onde irão os bandidos que deixarem o Carminha para evitarem o confronto?

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Caso Ceci Cunha – Nesta sexta-feira, Talvane Albuquerque, denunciado como mandante do crime, conhecido como “chacina da gruta”, que vitimou a Deputada Federal Ceci Cunha, seu marido e mais dois parentes, concedeu entrevista exclusiva e se manifestou sobre a aproximação de seu julgamento pelo Tribunal do Júri. Além de tentar desviar as atenções para outros possíveis interessados na morte da Deputada, revelou sua ansiedade para que o dia do julgamento chegasse logo. Só não explicou as razões que o levaram a protelar tanto este julgamento, hoje inevitável, já que o que deseja é que a justiça resolva logo sua situação (?!).

Caso Giovanna – O delegado responsável pelas investigações pediu a prorrogação da prisão temporária dos principais suspeitos do assassinato da jovem estudante. Ressalte-se que as investigações ainda não se findaram, e que sequer há confirmação oficial do que levou à decretação da prisão.

Ronda Cidadã – no último dia 18 foi apresentado oficialmente pela Secretaria de Segurança Pública um programa de proteção patrimonial a beneficiar determinadas regiões que vinham sendo alvo de recorrentes ocorrências policiais. Após 12 dias de sua implantação os comerciantes beneciados com as constantes rondas se manifestaram pela satisfação com o resultado destas. Importante agora que o mesmo questionamento seja feito aos moradores das adjacências às rotas policiais, afinal, se a região beneficiada com a ronda está satisfeita é porque os errantes mudaram de local, para onde teriam eles ido?

 
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Publicado por em 30/07/2011 em Semanal

 

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#LessaBlogs

No conversa de botequim da última terça-feira, o entrevistado do Jornalista Plínio Lins foi o ex-governador Ronaldo Lessa. Em conversa posterior com um grupo de blogueiros presentes à entrevista surgiu o convite para uma conversa entre blogueiros/tuiteiros e o político.

Com a tag #LessaBlogs faremos um encontro entre alguns blogueiros e o ex-governador. A ideia é que seja uma conversa informal e que de lá resulte vários textos nos mais diversos blogs.

A blogosfera alagoana vem se firmando como das mais atuantes do país e é neste sentido que procuramos este encontro com uma personalidade política que fez história e que pretende voltar ao cenário local.

O encontro será na próxima quarta-feira, dia 3 de agosto, às 19h, local a ser divulgado apenas aos participantes!

Os pré-selecionados foram:

Candice – https://canalmeida.wordpress.com/ – @CanAlmeida | Confirmado

Fleming – http://blogdofleming.wordpress.com/ – @fleming_al | Confirmado

Gislaine – http://gimigliati.wordpress.com/ – @gimigliati | Confirmado

Marques – http://blogdojosemarques.wordpree.com/ – @Marques_JM | Confirmado

Tiago – http://www.webdialogos.com/ – @tiago_nogueira | Confirmado

Cynthya – http://imensuravel.com.br/ – @cynthyalara

Laíse – http://laiseblogueira.blogspot.com/ – @LaiseMoreira | Confirmado

Ednaldo – http://blogdoprofessoredinaldo.blogspot.com/ – @EdinaldoMarques | Confirmado

Dallas – http://www.cadernob.net/ – @dallasdiego

Nô Gomes – http://ciberestudos.blogspot.com/ – @NoGomes 

Ronaldo – http://ciberculturalagoana.wordpress.com/ – @ronaldfar | Confirmado

Odilon – http://www.reporteralagoas.com.br/ – @odilonrios | Confirmado

Fernanda – http://rabiiisco.blogspot.com/ – @febrandao | Confirmado

Esclarecemos que estes blogueiros devem confirmar presença até a próxima sexta (29*), pois caso sejam abertas mais vagas novos convites serão feitos, e aqueles que estão fora desta primeira lista e que quiserem participar é só mandar “comment” neste post ou “mention” no twitter (@CanAlmeida @LaiseMoreira).

*Já que o encontro só foi publicado nesta sexta, dia 29, os convidados podem confirmar até o próximo domingo (31).

 
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Publicado por em 29/07/2011 em Uncategorized

 

Futebol arte no Brasil

Por uma torcedora do Flamengo

Sou uma apreciadora do futebol arte, do futebol de resultados, claro, mas, sobretudo, do futebol bonito, que enche os olhos e nos provoca uma alegria inexplicável, que nos arranca sorrisos indisfarçáveis.

De tempos em tempos somos brindados por momentos que nos (brasileiros) inflam a amar ainda mais o futebol. Momentos como estes se repetem a cada Copa do Mundo, a cada final de “Champions League”, a cada libertadores. Exatamente, normalmente em campeonatos que envolvem grandes times do cenário mundial. No entanto, dentro do futebol brasileiro, momentos assim são cada vez mais raros.

Acostumamo-nos a assistir convocações reiteradas para a seleção brasileira de jogadores “estrangeiros”, aqueles brasileiros que têm destaque nos campeonatos mais variados espalhados por todo o mundo, em especial na Europa.

Entretanto, ocasionalmente somos surpreendidos por momentos como o que pudemos prestigiar na última quarta-feira, 27, quando, pela 12ª rodada do campeonato brasileiro, aquele que a própria CBF pouco se importa, o Santos, de Pelé, recebeu em casa o Flamengo, de Zico.

Está bem, está bem… Há muito que o Santos não é de Pelé e nem o Flamengo de Zico, mas agora novos gigantes tomam conta do pedaço: Neymar pelo time da casa, e Ronaldinho Gaúcho pelo dos visitantes.

Durante o duelo de titãs pudemos sentir o que há muito se perdeu em nosso futebol, o orgulho de ser brasileiro. Continuo achando que o maior time do Brasil é a seleção, e que a esta deve ser proporcionada todos os meios de sucesso. É ela a capaz de amenizar a dor diária que aflige o povo, sem exagero, o amante de futebol bem concorda comigo. Se há um momento de regozijo total no país, este é, com certeza, quando a seleção canarinha se comporta com maestria e alcança o júbilo de um campeonato mundial.

Não à toa, Chico Xavier ao predizer sua morte disse que aconteceria num momento de tamanha euforia nacional que o brasileiro não lamentaria sua morte. O médium mais famoso e querido do país morreu exatamente no dia em que conquistamos o pentacampeonato mundial (2002).

Voltando ao “jogaço” desta quarta, não me deterei aos detalhes, ao fato de ter o flamengo, meu time de coração, começado perdendo por três gols de diferença, mesmo jogando com superioridade; nem ao pênalti, previsivelmente, perdido por Elano (o que há poucos dias perdeu pela Seleção, repetiu pelo clube); nem à virada histórica do Flamengo sobre o Santos.

Como sabemos, num clássico é o detalhe que faz a diferença, e neste memorável jogo o detalhe foi a experiência. O aclamado e venerado Neymar, assim como seu grupo de meninos adestrados desde a infância na Vila Belmiro, pode aprender com um dos maiores gênios que o mundo já viu jogar, Ronaldinho Gaúcho.

Demonstrando que não é só de habilidade em dribles que se faz um bom futebol; comprovando que não é de convocação para seleção que se faz o melhor do mundo, mas de muita inteligência e senso de oportunidade, e ainda jogando bonito.

Arrasada e decepcionada vi a seleção brasileira, dos meninos da vila, perderem todos os pênaltis batidos, na disputa em penalidades, contra a seleção do Paraguai, pela Copa América, há alguns dias.

Mas para meu encanto, enquanto torcedora, constato que melhor que ganhar do Santos é ganhar do Neymar, melhor que mostrar que o timinho dos meninos da vila não passa de timinho é provar que eles não estão à altura da seleção.

Admito e admiro o futebol arte de Neymar, mas vejo com muita clareza que não é só seu talento capaz de conquistas. Meu mengão me deu muita alegria, mas mais que isto, provou que a mídia está errada em poupar os meninos da vila e sepultar os experientes campeões do mundo!

 
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Publicado por em 28/07/2011 em Variedade

 

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Alagoas em rede nacional

Até quando seremos obrigados a assistir, entorpecidos, às mazelas de nosso estado em rede nacional? Já vimos serem retratadas a segurança pública, a educação, a saúde, a pedofilia, os abusos, as extorsões, a corrupção e todo tipo de escândalo envolvendo políticas públicas e comportamentos sociais.

por José Emílio

Não raras vezes, recebemos a visita de políticos e autoridades federais a cobrarem soluções e o fim de determinadas práticas, que vão desde o crime organizado até a pedofilia sertaneja. Vêm com as melhores intenções, inclusive propondo ações a serem implementadas em terras caetés a fim de verem amenizados os problemas que se discutem.

Ocorre que tais ações nem sempre são de aplicabilidade viável em nosso estado, por diversas razões, inclusive porque há, arraigada na personalidade do agente público, a ideia de que o público é também seu, e por isto usufrui-o em proveito próprio.

Em todos esses casos o que há em comum, além do choque que causam aos espectadores, é a postura cada vez mais atuante do jornalismo investigativo e de forte impacto na sociedade. É certo que o escândalo não é, por si, capaz de trazer a justiça que tanto se almeja, as vezes até atrapalha, mas sem esta atuação as coisas poderiam ser ainda piores.

É comum que os mais desavisados costumem lamentar as práticas de corrupção e de inversão de valores rotineiramente retratados em nossos noticiários, a estes é bom esclarecer que tais práticas não são recentes, no entanto, o jornalismo participativo, livre, e opinativo são práticas da modernidade.

Hoje as redes sociais vinculadas ao jornalismo de boa qualidade trazem aos leitores e espectadores notícias, até há pouco, inimagináveis, mas que nem por isso são de surgimento hodierno. A estes produtores jornalísticos nosso mais profundo reconhecimento e agradecimento.

Agora cabe a nós, à nossa sociedade, aos cidadãos e aos eleitores pensarem em qual a Alagoas que querem ver em rede nacional: essa dos escândalos recorrentes, ou a da terra fértil, da rica história, de ilustres escritores, jornalistas e doutrinadores, do turismo potencializado, de habitantes afáveis e de índices dignos de terras desenvolvidas?

 
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Publicado por em 26/07/2011 em Utilidade Pública

 

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Nossa bandidagem é histórica

Historicamente, Alagoas tem sido palco dos mais escabrosos escândalos nacionais e até internacionais. Temos nos acostumado e acomodado aos altos índices de violência e de bandidagem em nosso estado, e não é de hoje.

Os crimes de mando, durante muito tempo fizeram parte do nosso cotidiano, (se você tem dúvidas, pergunta aos teus pais e avós). Na verdade, o cangaço evoluiu muito naturalmente para a “pistolagem”, bandidagem patrocinada pela elite dominante e executada por pistoleiros socialmente descendentes de cangaceiros.

Durante muitos anos repisou-se a ideia de que a situação calamitosa em que se encontrava o estado, e o nordeste como um todo, era consequência do subdesenvolvimento da região, frente o crescimento econômico e social de todo o país. Mesmo admitindo-se que não é só o fator econômico que nos levou a esta situação, pouco mudou durante todos esses anos.

É verdade que hoje a “pistolagem” já não é como antigamente, os recursos tecnológicos e de organização dos criminosos disseminaram as práticas bandoleiras pelos mais variados níveis sociais, e com as mais diversas finalidades. É certo que a rapidez e facilidade na comunicação, troca de informações e deslocamento terrestre e aéreo dos agentes policiais dificultou muito a profissionalização do pistoleiro.

O sertanejo, vinculado desde sempre aos cangaceiros, foi apontado como personagem principal nos assassínios, sendo que sua condição humilde e de total dependência à elite dominante o fizeram se submeter, e subservientemente cumprir, as ordens recebidas, no mais fiel papel de “missão dada, missão cumprida”.

Para eles a situação era mesmo de vida ou morte, se se negasse a realizar o intento morreria pelas mãos do “coronel”, e já que não queria morrer, que ganhasse algo com isso, e esse algo, era isso mesmo, mero algo, algum dinheiro, algum benefício, ou apenas como favor a ser cobrado posteriormente.

Depois da primeira morte as próximas eram apenas mais mortes, as pessoas são coisificadas no sentido de serem apenas meios para o resultado final, o da sobrevivência no sertão nordestino.

Para isso acreditou-se e sustentou-se que se a região se desenvolvesse economicamente, com a vinda de indústrias e a melhor divisão das riquezas e das terras as coisas poderiam ser resolvidas da melhor forma possível. Ainda acredito que o caminho seja esse, mas há muito que o problema deixou de ser apenas regional, ou local.

Comprovada e reiteradamente fracassamos na tentativa de resolver as coisas por nós mesmos, agentes sociais, cidadãos de direitos e obrigações, falhamos na nossa missão precípua de bem cuidar da nossa sociedade. Elegemos e reelegemos políticos, nossos representantes descompromissados com a causa maior, egoístas o suficiente para pensarem apenas num curto espaço e prazo e que, por mais que tivessem boas intenções, não conseguiram fazer a máquina inteira convergir num mesmo sentido.

A criminalidade que sentimos hoje é histórica, os índices continuam absurdos, estratosféricos, mas isso não é de hoje. Acontece que agora o mundo evoluiu, as polícias funcionam, as investigações dão resultados e assim a punibilidade pode ser observada. Ao menos é o que vemos no mundo e até em outros lugares do país, mas aqui é difícil.

O caos na segurança pública que vivemos é resultado da inação estatal durante todo um processo histórico. Alagoas se acostumou à criminalidade e agora que ela não é mais privilégio de uma elite que busca sua mantença e o incremento de seu poderio econômico, patrocinando a bandidagem em proveito próprio, todos acham ruim. Hoje os homicídios não têm mais cunho meramente político e agrário (latifundiário).

As pessoas precisam entender que a sociedade funciona como engrenagem, todas devem estar encaixadas, limpas e em pleno funcionamento para que tudo convirja para uma mesma direção, a do progresso e do desenvolvimento. No entanto, se deixarmos a educação, a saúde, ou qualquer outro setor público para trás, ainda que apenas em atraso e não no esquecimento, isto retardará todo o processo.

É importante entendermos que o comportamento de cada ser social reflete no todo, se cada um de nós agirmos com serenidade, com educação, com zelo, sem a intenção de ganhar com a coisa pública, de se aproveitar daquilo que é do povo, produziremos representantes a nossa altura e capazes de suprir as necessidades do nosso estado.

 
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Publicado por em 23/07/2011 em Policial

 

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Os militares e sua missão

Dois casos recentes nos noticiários alagoanos despertaram-me sobre o tema. O caso Nadian, a vendedora de remédios que foi morta durante um assalto à farmácia onde trabalhava, e o caso de Johnny Wilter, que foi morto com um tiro na cabeça disparado por um policial durante operação em que a vítima não teria respeitado a ordem de parar no bloqueio.

Em ambos os casos a população tem tendido a culpar o policial. No caso Nadian, o tiroteio teria começado porque um policial à paisana teria reagido ao assalto, o que culminou com a morte da vendedora, que, no meio do fogo cruzado, acabou sendo atingida por um dos assaltantes.

No caso de Johnny Wilter, o policial em questão é capitão da polícia militar, que estava de serviço, durante operação militar de abordagem a veículos, e que diante do furo ao bloqueio atirou contra este, atingindo na cabeça o carona da moto.

Rotineiramente vemos militares envolvidos em situações que os levam a serem execrados publicamente. No caso da moça da farmácia, o militar é supostamente do BOPE – batalhão de operações especiais da polícia militar – supõe-se que profissional com melhor treinamento, e também com os preceitos militares mais arraigados.

Facilmente é possível visualizar o instinto deste policial, que diferente do cidadão comum, civil, é treinado para agir nos momentos de maior tensão, para reagir, para defender, tem o instinto de sobrevivência e de ataque insuflados em seu âmago.

Doutra banda, tem-se o capitão da briosa que será julgado pelo Tribunal do Júri por homicídio doloso, aquele que tem a intenção de matar. Tentemos analisar a situação: visualiza-se uma operação, como tantas outras, à procura de bandidos, afinal, pressupõe-se que é isto o que a polícia procura; os veículos são parados, um após o outro, e são abordados, verifica-se os veículos, os motoristas e seus documentos, pois o veículo pode ser roubado e este também é crime a ser verificado em operação policial.

No entanto, em dado momento, uma moto fura o bloqueio, aqueles que cumprem sua função precípua de polícia ostensiva – aquela que coíbe a infração, o crime, que preza pela ordem pública e procura manter a sociedade livre da bandidagem – reagem. O tiro, infelizmente, atinge fatalmente o carona da motocicleta.

Pelos jornais sabe-se que a defesa alega que foram disparados tiros da moto em direção à guarnição e que o militar teria reagido a estes tiros. Na verdade isto pouco importa à abordagem que aqui se pretende fazer.

Tanto no primeiro caso quanto no segundo, o que se constata, claramente, é que ambos agiram em consonância com seus treinamentos. O primeiro, caso tivesse alcançado seu intento, o de prender os meliantes, teria sido herói; o segundo, se estivesse certo quanto às suas suposições e se tratasse de bandidos a fugirem de um flagrante, também seria um herói.

Aqui, o que se pretende não é fazer da vítima o culpado: no primeiro caso é impossível, a vendedora em nada contribuiu para ter sua vida ceifada, apenas estava no lugar errado, na hora errada, fatalidade; já no caso do garoto de carona na moto, também é óbvio que este não teve culpa, sendo questionável a ação do motorista, que por qualquer razão jamais poderia descumprir uma ordem manifestamente legal de autoridade policial.

Flagrante resta que o capitão da PMAL não observou os liames básicos da segurança em operação policial, primeiro por ter aberto fogo em local público, vez que uma “bala perdida” poderia ter atingido transeunte; caso o ambiente se verificasse seguro para uma troca de tiros, a atuação não se coadunou com a intenção primeira de paralisação do suposto meliante, o que se faria atirando contra a moto, ou parte não letal do motorista.

O presente texto visa despertar para a condenação prévia e sumária daqueles que estão no exercício regular de suas atividades profissionais, arriscam sua vida para salvar a de todos os cidadãos em troca de salários baixos e indignos, mesmo com treinamento, muitas vezes, aquém do necessário, mas que por seus instintos agem intempestivamente.

Não estou defendendo os militares, mas apenas tentando resgatar a dignidade e o pundonor daqueles que a mídia e a própria população se antecipa em julgar e condenar. Afirmo que há, dentre os militares, aqueles que agem em benefício próprio, ainda que contrário aos ensinamentos castrenses, mas em sua maioria, principalmente os mais jovens, agem por acreditarem em sua missão maior.

 

 
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Publicado por em 21/07/2011 em Policial

 

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Proteção para bandidos ou para mocinhos?

Comum nos filmes de Hollywood e nos seriados americanos, o instituto da proteção policial e da assistência às vítimas e testemunhas ameaçadas por bandidos não é muito difundido no dia a dia do noticiário brasileiro.

O programa de proteção especial a vítimas e a testemunhas despertou minha atenção recentemente, após leitura do blog do Delegado da Polícia Civil de Alagoas, Flávio Saraiva, que ao dispor sobre a criminalidade entre os pequenos delinquentes, menores de idade – que de pequenos só têm a estatura –, retratou o caso de menino de quatorze anos de idade, apreendido por assalto, portando arma de fogo, foi identificado como protegido do dito programa federal.

Acrescenta ainda que em festejos carnavalescos posteriores, o garoto foi novamente citado como envolvido em crime, desta vez por ter atirado no meio da folia e acertado seis pessoas, por este crime ele foi apresentado à delegacia pela mãe, acompanhados por forte aparato policial, que os amparava em decorrência do programa. Isto tudo, esclarecendo que o garoto é proveniente do norte do país e veio para Maceió através do programa.

O mérito aqui não é discutir a adequação do garoto ao programa e nem a vinda deste para nosso estado, mas a eficiência do plano de proteção.

Compulsando a lei que trata do tema posso concluir que esta é muito boa, além de amparar vítimas e testemunhas, também protege os criminosos que prestaram informações privilegiadas à polícia, resultando em descobertas úteis e vantajosas.

Todavia, a lei não discorre sobre os procedimentos a serem adotados pela autoridade coatora quando os protegidos incorrem em crimes, seja da mesma natureza daqueles que os levaram à proteção, ou de diferente.

A norma legal trata da exclusão do protegido do programa, mas apenas nos casos de solicitação do próprio interessado ou após decisão do conselho deliberativo, considerando o término das causas que o levaram à condição de amparado, ou quando este tem atuação incompatível com a condição de protegido.

Relevante ressaltar que não há esclarecimento sobre o que seria esta “atuação incompatível”, uma vez que o regulamento específico do tema elucida apenas que esta ocorre quando a pessoa do protegido age em desacordo com os termos do acordo firmado entre este e o Estado. Mas os termos que são aventados em tal acordo não são sabidos.

Lamentável a situação do garoto, que em tenra idade já ostenta tão vasto rol de incriminações penais, mas muito mais lamentável é o engessamento estatal, o caos sistêmico, pois o que se vê é uma, a priori, inversão de valores.

Clarividente, que não possuo as informações específicas sobre o caso do garoto, mas é óbvio que a proteção tem tido conotação distinta daquela que se visa de início, uma vez que parece amparar fora da lei, enquanto professores são ameaçados por alunos em plena sala de aula; mães e filhos por maridos, pais e padrastos em seus lares, e; a própria população é diariamente ameaçada genericamente pela insegurança que assola cada espaço público.

A partir do caso relatado extrai-se que falta amparo policial e proteção estatal para aqueles que procuram a vida em sociedade prezando pela harmonia, enquanto que para os que patrocinam com delações a atuação coatora do Estado, o aparato policial é disponibilizado em sua plenitude.

Caso a se pensar!

 
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Publicado por em 20/07/2011 em Policial

 

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