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Arquivo mensal: junho 2011

Enfim a prisão de Tony e Mirela, ainda que temporária…

Aparentemente a sociedade, assim como a família de Giovanna, está se sentindo mais confortável com a prisão dos jovens Tony e Mirela. O jovem casal, principais investigados pelo assassinato brutal e frio da universitária Giovanna, foi preso ontem, sob a égide de mandado de prisão temporária emitido pela 17ª Vara Criminal.

Volto a este tema, não só por seu clamor midiático, que, confesso, muito me incomoda, mas principalmente, para, mais um vez, tentar trazer uma visão diferenciada para que os leitores não percam nenhum viés das informações apresentadas.

Interessante se faz frisar a participação da 17ª Vara Criminal neste caso. Para aqueles que não sabem, esta circunscrição tem “competência exclusiva para processar e julgar delitos praticados por organizações criminosas”.

Compulsando-se os mais diversos rincões da informação virtual (afinal, sobre o caso, minha fonte de informação, assim como de toda a sociedade, é o que vem sendo publicado nos meios de comunicação), encontrei algo sobre o fato de inicialmente o caso ter sido considerado “sequestro”, o que, a julgar pelo que o jornalista disse, tem sido usado como justificativa para o presente caso estar sendo “tutelado” por esta vara de existência questionável, mas de resultado rápido, estrondoso e incontroverso.

Bem, mas o que todos querem não é exatamente isto? Uma justiça célere, eficaz e prestacional? Acredito que sim, ao menos é o que eu também desejo. Mas ainda não entendo como o caso Giovanna foi parar na 17ª Vara. Não acredito que as diligências policiais fundamentadas em autorizações judiciais oriundas desta vara sejam questionadas no futuro, não, mas muito me preocupa esta adaptação de uma vara especializada em organizações criminosas na elucidação deste caso (aparentemente passional).

Até o momento não encontrei nenhuma informação sobre o que motivou a expedição do mandado de prisão temporária dos investigados. Sabemos que o inquérito ainda não findou, o que significa que a polícia ainda não concluiu por indiciá-los, portanto, continuam na condição de investigados.

Talvez estas sejam apenas divagações de uma mera operadora do direito, que nada tem de relevante para o presente texto.

Mais uma vez não venho aqui defender Tony, Mirela, sua família, ou a família da vítima Giovanna. Não, minha intenção é mais uma vez alertar os indignados com tamanha atrocidade, que este caso ainda está envolto em obscuridades, embora todos os elementos apontem para o casal.

Vale repisar que, incrivelmente, não se encontra ninguém que tenha vindo à mídia dizer-lhes palavras de apoio ou de bons antecedentes, contrariamente, só aparece gente a falar-lhes impropérios sobre suas personalidades transviadas, e contar histórias factíveis ou factoides, mas que, aos olhos de uma sociedade indignada e ansiosa por justiça, ganha todos os contornos de verdade dos fatos.

Não estou aqui disposta a levantar e nem mediar discussão alguma sobre culpabilidade ou não dos “acusados”. Não tenho nada com isso, mas também nenhum dos leitores tem. Todos estamos interessados nas informações, na verdade, na justiça e na punição dos culpados. A minha preocupação continua a mesma, a de ver um jovem casal ser apedrejado socialmente sem sequer um julgamento condigno com a Constituição (leia-se contraditório e ampla defesa).

Não posso pedir que as pessoas não façam juízo de valor, até porque eu mesma tenho minha opinião já formada sobre o caso. A diferença é que não venho a público externá-la e nem inflar as pessoas a acreditarem no que eu acredito. Rogo apenas que sejam sensatos, equilibrados, antes de apontar a indignação em sentido tão certeiro.

Continuo achando-os muito capazes de ter assassinado a Giovanna, menina jovem, acredito que cheia de planos, de sonhos, que muito ainda tinha a oferecer a seus amigos, familiares e às pessoas que ainda cruzariam sua vida. Infelizmente sua existência foi ceifada, assim como a alegria de viver daqueles que a rodeavam. Nós, meros espectadores, sentimos na pele a possibilidade de termos um ente querido tão vítima quanto ela, e isto nos motiva a querer justiça, o mais rapidamente possível. Só espero que dentro dos limites legais e constitucionais.

 
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Publicado por em 30/06/2011 em Policial

 

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Vereadores: uma prestação de contas social

Semana passada foi postado no Blog do Vilar uma série de informações acerca da expectativa que paira sobre a Câmara Municipal de Maceió, no sentido de ser aprovado projeto de alteração da Lei Orgânica Municipal aumentando o número de vereadores, de vinte e um para trinta e um, a tomarem assento naquela Casa.

O tema é de extrema relevância, não só aos maceioenses, mas a todos os brasileiros, que antes de assim serem considerados, pertencem a uma sociedade menor e mais próxima a sua realidade, no que tange ao seu município, seu bairro, sua vizinhança.

O jornalista Luis Vilar, com muita propriedade, manifesta-se não só nas informações colhidas e divulgadas sobre as intenções de um grupo de edis, quinze, especificamente, mas propondo de forma afirmativa – o que não parece ser comum àquela casa – medida com o fito de conduzir o tema a uma discussão ampla e embasada com a sociedade. Afinal, esta, apesar de muitos terem esquecido, é a maior interessada no assunto.

A discussão tem se atido a números, a dados técnicos, orçamentários e financeiros, sobre a viabilidade no aumento de camaristas no parlamento municipal, sobre o ponto falta-me competência para abordá-lo. No entanto, parece-me aviltante tal proposta, e não me refiro a tais números, esta abordagem deixo para aqueles que, com dados em mãos e competência matemática, poderão melhor analisá-lo.

Refiro-me à moralidade administrativa, à necessidade pública e aos anseios sociais. Não é de hoje que não é dada à população a possibilidade de acompanhamento das atividades parlamentares. Contrariamente, é comum encontrarmos munícipes que cobram por meio das redes sociais, na esperança de que tal questionamento chegue à “casa do povo”, a implantação do portal da transparência municipal, onde seja possível acompanhar as atividades legislativas – que não se resume a projetos de lei, o que já não se vê –, mas também à atividade fiscalizadora das ações do Executivo.

Ora, é gritante a insatisfação dos eleitores municipais com a atuação dos membros de nossa Câmara, entendo o quanto é perigosa esta generalização, no entanto, é o que se vê das críticas feitas justamente por quem melhor entende e sabe qual a “missão” destes representantes do povo.

Achei muito boa a iniciativa do Blog do Vilar em levar para a rede social de maior e mais veloz participação a tag #BlogdoVilar, incentivando os leitores do microblog a manifestarem-se sobre o tema. Demonstra que ações propositivas de consulta popular podem ser feitas e basta apenas uma boa ideia e boa intenção. O jornalista está de parabéns. Espero que outras ações como esta surjam em nosso meio e tenham um alcance cada vez maior.

Neste diapasão, venho propor que a ideia de oitiva da população seja posta em prática, mas que antes o portal da transparência seja implantado, levando aos munícipes informações prestacionais sobre a atividade individual dos camaristas que compõem esta corporação municipal.

Não basta justificar que o aumento do número de parlamentares não inflará as contas da casa, é necessário que haja uma justificativa moral e de interesse público para tanto. Que esta representatividade plural e equânime dos mais diversos grupos sociais e minoritários seja comprovada, afinal, o que se vê ordinariamente é que o grupo situacional, aquele que açambarca os interesses do Poder Executivo, é composto pela esmagadora maioria dos edis, o que demonstra clara afronta à pluralidade de representações e de interesses sociais.

Relevante, ainda, mencionar que é mais que sabida a situação precária de acomodação do prédio da Câmara Municipal desta cidade, sequer há espaço suficiente para os representantes do povo, seus assessores e servidores públicos. Não é de hoje que se fala numa nova sede, o que sempre esbarra em viabilidade orçamentária. Ora, ainda assim querem aumentar o número de colegas vereadores? E aí, os vinte e um que lá estão passarão a revezar seus espaços com os dez mais que querem convidar?

Apenas a título de esclarecimento: O projeto de alteração da Lei Orgânica Municipal (nome que se dá ao equivalente à Constituição Estadual e à Federal, mas no âmbito municipal) foi protocolado no último dia 16/06, com as seguintes assinaturas, em ordem:

  1. Carlos Ronalsa;
  2. Paulo Corintho;
  3. Sílvio Camelo;
  4. Amilka Melo;
  5. Francisco Holanda;
  6. Eduardo Canuto;
  7. Fátima Santiago;
  8. Netinho Barros;
  9. Théo Fortes;
  10. Ricardo Barbosa;
  11. Davi Davino;
  12. Marcelo Malta;
  13. João Luiz;
  14. Oscar de Mello;
  15. Marcelo Gouveia.
 
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Publicado por em 28/06/2011 em Municipal, Política

 

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As cidades um ano depois…

Ainda sobre as visitas que fizemos no último dia 18 às cidades inundadas pelo Rio Mundaú, venho trazer o presente texto. Este se atém às questões mais objetivas das necessidades daquelas cidades, não só de sua população, mas também do município enquanto ente federativo, dotado de condições estruturais mínimas para assim serem reconhecidos.

Visitamos as cidades de Murici, Branquinha, União dos Palmares e São José da Laje. Todas cortadas pelo rio, o que proporciona a muitas famílias sua subsistência e também algum incremento na economia local.

Diversas foram as necessidades que foram apontadas pelos próprios moradores, mas também por nós. No texto anterior (“A verdade sobre as vítimas das enchentes de 2010 em Alagoas”) procurei deixar claro que o problema não era a comida, não era sua baixa qualidade ou sua falta. Não, este, definitivamente, não era o problema. A comida que vimos era de boa qualidade e quantidade.

No entanto, gostaria de explicar melhor esta situação. Os desabrigados, assentados em acampamentos de lona, têm “direito” à alimentação três vezes ao dia, para isso apresentam seu “marmitex” e uma “senha”, tudo fornecido pela autoridade pública. No entanto, é importante frisar que, diante da ausência de outros itens de necessidade básica, como produtos de higiene pessoal, ou de utensílios de limpeza doméstica, assim como assistência médica mais específica e urgente, dentre outras necessidades básicas, algumas famílias venderam seus “marmitex” e “senha” e hoje perderam seu “direito” às três refeições diárias.

Estas pessoas estão se virando com o que podem e como podem, seja “filando” a comida do vizinho ou de um parente, ou empregando o pouco que ganham em subempregos (ou com a venda do que lhes restou da enchente) na alimentação diária, faltando, obviamente, para todas as outras necessidades.

A falta de emprego nas cidades visitadas, bem como em todo nosso estado, é situação que merece registro. O ócio que pode ser constatado em todos os acampamentos é flagrante, não só dos adultos em idade laboral, mas também das crianças, que, como já aventado no texto anterior, não têm distração lúdica e nem construtiva, enquanto são assistidas, ou não, pelos adultos e idosos, que não empregam suas horas em nada produtivo, não têm emprego, seja pela total ausência de oferta, de qualificação, ou qualquer outra razão, mas também não investem em artesanato ou outra forma de subsistência ou de melhora pessoal.

Como não poderia ser diferente, em localidades em que a educação e o emprego não são encontrados impera o banditismo, o caos social. As pessoas (dentre elas as crianças) são facilmente atraídas para a criminalidade, para o uso de drogas, para o consumo desmedido de bebida alcoólica, junto com estas escaras aumenta o número de conflitos domésticos e gradualmente comunitários.

O aumento da criminalidade nos assentamentos tem refletido em todas as cidades, é comum ouvir munícipes admitindo que evitam determinada zona da cidade (a dos assentamentos) para não serem vítimas desta criminalidade. Estes resolveram diminuir os limites territoriais de seus municípios, conscientemente fechando os olhos para um problema que só se avoluma, e que, cedo ou tarde, baterá a sua porta, ultrapassando, inadvertidamente, aqueles “limites” impostos pelos “cidadãos de bem”.

Tivemos a oportunidade de conversar com uma guarnição da Polícia Militar que fazia sua ronda matinal num dos assentamentos. Com eles descobrimos que a cada turno há quatro militares e um civil, que desde a quinta anterior, ou seja dia 16/06, que estavam fazendo três rondas diárias, uma por período. Dispunham de uma viatura, um Fiat uno. Enquanto estavam os quatro patrulhando a área, o único agente civil de serviço estava sozinho “guardando” o posto policial. Eles disseram que esta situação se estende por seis cidades da região. Ressalvaram ainda que, “vivemos num meio muito pacífico, porque se essas pessoas quisessem fariam qualquer coisa com a gente e com a cidade, não podemos controlar um grupo grande de pessoas”. Sim, é este o policiamento que tem “guardado” as cidades, os assentados, os favelados e todo o resto.

O presente texto visa esmiuçar um pouco mais o cotidiano nas cidades atingidas pelas enchentes do ano passado. Falta água encanada, falta estrutura mínima de banheiro (sanitário e chuveiro), falta limpeza, falta urbanidade, falta educação, falta emprego, falta renda lícita, falta tudo o que é necessário numa sociedade, num aglomerado de pessoas, numa comunidade, num município.

Por fim, gostaria de deixar registrado que a situação na cidade de São José da Laje é a mais diferente, nela é possível vislumbrar o respeito à dignidade daquelas pessoas. Foi o único lugar onde a necessidade deixou de ser básica, de sobrevivência, de dignidade, e passou a ser de cunho pessoal, individual, de reconhecimento em si próprios, de individualidade.

ERRATA: Obs: Gostaria de agradecer ao amigo @opoetaepalhaco (jornalista Railton Teixeira); ele esclareceu que a cidade de São José da Laje é cortada pelo Rio Canhotinho e não pelo Rio Mundaú.

 
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Publicado por em 25/06/2011 em Estadual, Política

 

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A verdade sobre as vítimas das enchentes de 2010 em Alagoas

No últmo dia 18, junto com um grupo de amigos interessados no que teria acontecido com as vítimas das enchentes do ano passado, visitamos quatro das dezenove cidades atingidas pela enxurrada.

Cada um de nós possuía intenções claras com a visita, e todas convergiam para um mesmo objetivo, o de tentar dar voz àqueles que aparentemente estão esquecidos pela sociedade. Com certeza serão apresentadas visões diferentes, cada um retratando o que viu, o que sentiu e, principalmente, como foi atingido.

Eu, por minha vez, proponho uma visão muito particular. Antes de ir, divulguei que a minha intenção era de alertar a sociedade sobre o que teria ocorrido àquelas vítimas depois da tragédia que assolou seus lares, suas cidades e devastou suas vidas.

As pessoas que se chocaram e se sentiram tocados com aquelas imagens aterradoras e com o sofrimento de conterrâneos desolados se mobilizaram no sentido de ajudar com as necessidades primárias que momentos como este requerem, desde vestuário, alimentação, água potável e material de higiene pessoal.

A intenção inicial era de prestação de contas a esses heróis sociais, que na hora do desespero e caos total, inclusive das instituições de representação política, tomaram as rédeas da situação e, cada um a seu modo, e de acordo com suas possibilidades, contribuiu de alguma forma.

Lamentavelmente não poderei prestar tais contas, não foi possível saber a real utilização dessas doações, que não foram só materiais, mas também humanitárias, de tempo e de carinho.

Venho apenas informar o que constatei. Infelizmente a situação daquelas pessoas pouco mudou, suas necessidades continuam sendo as mesmas de momentos caóticos que sucedem tragédias recém ocorridas.

Elas continuam vivendo em situação de miserabilidade completa. Não me refiro à alimentação básica, esta, pelo que pudemos ver, é de boa qualidade. Mas continuam vivendo pior que animais a chafurdarem na lama, e isto não é uma figura de linguagem. Não, crianças não têm opções de lazer, brincam em qualquer poça d’água, mas num lugar onde não há água encanada, nem água limpa em abundância, muito menos material de limpeza, qualquer água parada é sinônimo de lama.

As crianças estão perdendo sua infância, inventando brincadeiras com o que têm a mão, o que não se resume ao lamaçal, revolto em lodo e em dejetos humanos, mas também aos exemplos que lhes são impingidos pela sociedade que estão formando, às margens de comunidades favelizadas e dominadas pelos bandidos.

Hoje vejo claramente o quão pretensiosa fui ao achar que poderia exprimir em palavras o cotidiano dos flagelados. O que pude sentir acompanhando um pouco daquela rotina é impossível ser passada por palavras.

O calor dentro das “cabanas”, que tanto já foi abordado pelo jornalismo, é impossível de ser descrito, comparo-o apenas ao calor que sai do forno quando abrimos sua porta. O odor fétido por todo o acampamento é comparável apenas ao de cadeias imundas e superlotadas. A expressão de dor, de sofrimento, de abandono que se extrai do rosto de cada criança, de cada adulto, de cada idoso é a mesma, e igualmente impossível de comparar, mas talvez se assemelhe àquelas expressões de terror que fotógrafos de guerra conseguem captar.

Enfim, as impressões por mim expressas aqui estão infinitamente aquém daquela realidade, não posso dizer que recomendo que façam as mesmas visitas que fizemos, não, não mesmo, não recomendo a ninguém. A dor que o espectador sente reflete muito do que eles sentem e, acreditem, é insuportável.

Conviver diariamente em meio ao caos é o que acontece, conviver em sociedade já é tão difícil, imagine sequer ter noção exata de onde termina o seu espaço e começa o do outro.

Conclamo a sociedade a não esquecer aqueles flagelados, a cobrarem dos munícipes a solidariedade que se espera para amenizar um pouco esse sofrimento, estas pessoas perderam muito mais que bens materiais, perderam sua individualidade, sua identidade e até sua dignidade.

Ainda acredito que aqueles heróis do ano passado estão por aí, perdidos sem notícias que os inflamem a continuar ajudando e inspirando a esperança nesses corações. Façamos nossa parte.

Agradeço sua publicação em Luis Nassif Online, em Resumo Político, em Zema’s Blog e em MaltaNet

Agradeço ainda a releitura feita por Dr. Firmino (@jose_firmino) que foi publicada no Jornal Extra de 23/06/2011 e nos sites Maceió Agora e Salve Alagoas.

 
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Publicado por em 19/06/2011 em Estadual, Política

 

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Um ano após as enchentes em Alagoas

Há um ano eu acompanhava pelos noticiários a tragédia que assolou Alagoas e Pernambuco. Os telejornais explicavam diuturnamente o que teria acontecido depois de dias de temporal na cabeceira do rio em terras pernambucanas.

Junto a explicações técnicas e vazias apresentavam as imagens do desespero e desolação que acometia todas aquelas pessoas, estas que eu não conhecia, que não me eram familiares, mas que sentia como se fossem irmãos, amigos, companheiros.

Pois é, há um ano eu não estava em terras caetés, mas de longe acompanhei vorazmente o que acontecia, entrei em contato com amigos de uma das cidades devastadas pelas forças do rio e que foram vítimas também.

Alguns tiveram suas casas levadas como barquinhos de papel, outros perderam entes queridos, outros perderam pertences, outros perderam tudo isso, mas o mais incrível, e o que era comum a todos, é que não haviam perdido as esperanças.

Invariavelmente ouvia que não precisava me preocupar tanto, que tinham perdido muito, mas que as coisas iam se ajeitar, que a ajuda estava chegando, ainda que muito devagar, mas que chegava.

Uma amiga, que à época trabalhava com representação e viajava muito de Maceió para os interiores, se dispôs a levar uns donativos aqui de casa pras cidades vizinhas, seu nome é Letícia, uma dentre milhares de alagoanos, de nordestinos, de brasileiros, que se sensibilizaram com aquelas imagens chocantes, que se puseram no lugar daqueles infelizes que num dia tinham pouco e no seguinte tinham nada.

Em homenagem a esses heróis – maiores que os políticos, que os bombeiros ou que a defesa civil – que não tinham qualquer obrigação legal, mas apenas moral, o post de hoje vem informar que algumas pessoas, meros cidadãos, como quaisquer outros, que se sensibilizaram há um ano e que ainda se sensibilizam com as notícias sobre o que aconteceu com aqueles flagelados, prontificaram-se a visitar duas cidades amanhã, dia 18 de junho, exatamente um ano depois, para, após análise real das condições atuais dessas vítimas, dizer a estes heróis o que resultou daquela mobilização.

Se o que se diz sobre o assunto se confirmar, talvez muitos de decepcionem, se revoltem e até digam que se arrependem da solidariedade demonstrada naquele período de angústia. Mas o que se visa é justamente o contrário, é buscar mais uma vez a união daqueles heróis e de novos heróis a fim de se buscar saída para o sofrimento que ainda perdura.

 
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Publicado por em 17/06/2011 em Estadual, Política

 

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O Patrulhamento…

A disseminação da informação hoje, além de não ter limites quanto à prudência, também não os tem quanto à velocidade. Constatamos isto acompanhando a dinâmica das redes sociais, em especial, por meio do twitter.

Esta ferramenta tem se consolidado como meio de atuação de uma elite intelectual que até então se escondia atrás de livros, jornais, revistas, e outros impressos que não possuem a mesma rapidez na dispersão nem a mesma atração sobre os mais jovens, com potencialidades não descobertas, mas que com algum incentivo passam a mostrarem-se proativos.

Os formadores de opinião se restringiam aos jornalistas, escritores, cientistas políticos e intelectuais, de uma forma geral, no entanto, atualmente, todos podem formar opinião, e é por isso que as informações devem ser tratadas com mais atenção e respeito, não só com aquele que terá sua vida exposta, mas também com aqueles que receberão notícias, muitas vezes, de uma forma temerária.

Curioso é que a falta de limites pode ser encontrada em ambas as vias, seja a partir do comunicador, seja do leitor. Curioso mesmo. As pessoas não se contentam mais com o que é publicado, agora vão atrás do que não é publicado, garimpando informações em outras redes sociais ou com terceiros e trazendo-as à tona, ainda que sem verificar sua veracidade.

Muitos têm dito que a popularização da comunicação virtual é muito perigosa, preferindo se omitir a pagar o preço de ter suas opiniões analisadas e criticadas. Talvez tenham razão, o que se verifica é que hoje qualquer pessoa com um perfil virtual “real” é também uma pessoa pública, que busca isto, e portanto disposta a arcar com a manifestação de seus juízos e pensamentos.

O que não se deve é levar tais discussões para o campo pessoal, baixando o nível da discussão, revertendo as informações, ou desacreditando o interlocutor. As estratégias que se apresentam são muitas, muitos dão verdadeiras aulas de como desbancar um crítico, e é neste viés que surge uma nova forma de utilização das redes sociais, o patrulhamento.

O Twitter continua uma ferramenta de largo, e incontrolável, alcance, mas há os que acham que é possível desacreditar o fiscalizador, o crítico, “patrulhando” seus tweets a fim de encontrar deslizes, ou criá-los, e assim “desmascará-los”. Não sei até onde esta nova onda irá, só espero que esta forma tacanha e mesquinha de tentar silenciar aqueles que buscam uma sociedade mais justa e menos corrupta não perdure por muito tempo.

 
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Publicado por em 14/06/2011 em Cultura, Uncategorized

 

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Agradecimento…

Caríssimos, inicialmente, gostaria de agradecer-lhes as diversas formas de retorno que recebi a partir do post anterior, “Caso Giovanna”. Confesso que quando estava elaborando-o senti receio quanto à forma como aquele ponto de vista seria recebido pelos leitores.

Até então, o que se extraía da opinião pública, nos mais diversos níveis sociais e intelectuais, era total parcialidade, no sentido de que os suspeitos já estavam condenados. Senti-me extremamente satisfeita e realizada ao perceber uma mudança no tom das indignações pessoais, sem que se perdesse o interesse geral sobre o crime e sua elucidação.

Este espaço possui o objetivo claro, para mim, não só de trazer temas sob uma óptica diferenciada, mas principalmente o de fazer meus leitores terminarem a leitura com o tema ainda pungindo em suas mentes. Espero que continuem acompanhando e exprimindo suas opiniões.

 
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Publicado por em 14/06/2011 em Policial

 

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