RSS

Dossiê Herzog

dossi-herzog-fernando-pacheco

Diferente da obra de Audalio Dantas, o livro de Fernando Jordão tem a proximidade temporal como atrativo para a sua obra. Jordão foi um grande amigo de Herzog, estiveram juntos em Londres trabalhando para a BBC, foram colegas em outras redações.

Enquanto Audalio foi uma testemunha institucional, principalmente na condição de presidente do sindicatos dos jornalistas de SP quando do assassinato de Vlado, Jordão foi colega, amigo, companheiro. Tão ameaçado quanto Vlado pela forças “revolucionárias democráticas”.

Este livro foi publicado em 1979 e naquele momento foi um ato de coragem e rebeldia. Os livros que li sobre Vlado me fizeram admirar o homem que não cedeu, mas muito mais admiro os sobreviventes, aqueles que lutaram pelo fim da censura, das torturas e dos segredos dos porões militares.

Precisamos nos alimentar de informações, todas elas, pois se não queremos uma ditadura militar, também não queremos uma ditadura de esquerda. Conhecer nossa história e a do mundo, nos fortalece no entendimento da tolerância, dos argumentos, da solidez do debate de ideias e do respeito aos contrários, pois a liberdade deles atestará que continuo firme no propósito de lutar por liberdades para todos.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 08/11/2015 em Uncategorized

 

As duas guerras de Vlado Herzog

As duas guerras de Vlado Herzog

Na semana em que são lembrados os 40 anos da morte de Vladimir Herzog recomendo o livro de Audalio Dantas. Um importantíssimo relato sobre o sindicalismo dos jornalistas e todas as guerras que precisou travar, principalmente quando o maior inimigo era a censura, o aviltamento de salários e a prostituição do profissional em troca de uma carteirinha de jornalista.

Assim como hoje ainda é apregoado, no início do jornalismo no Brasil, Chateaubriand, afamado empresário da comunicação no Brasil, pioneiro também na prática do “trabalhar no meu veículo já deveria lhe bastar”, “vc não já tem sua carteirinha, para que salário?”, comuns ainda hoje entre estagiários e jovens jornalistas.

Muitos foram os anos que se passaram desde a morte de Herzog. Ele foi perseguido por sua ligação com o Partido Comunista, mas sua principal motivação não era o comunismo, mas a resistência ao regime militar. Tudo porque Herzog acreditava e lutava pela liberdade de imprensa, pelo fim da censura prévia e se negava à prática comum (até hoje) da auto-censura.

Apesar das décadas que nos separam daquele contexto histórico, vários itens pontuados por Audalio ainda se repetem atualmente. Um segmento disperso, pouco ligado às lutas sindicais da profissão, desiludidos com os rumos da política e da representação sindical.

Mas a resistência pacífica e organizada como ponto central de união entre os jornalistas resgatou o sindicato do ostracismo e o transformou numa importante ferramenta de oposição política e ideológica.

Como sabemos que a história que não é contada está condenada a ser repetida. Sugiro a leitura. Por todos, mas principalmente pelos colegas jornalistas.

Vem ainda dos tempos do regime militar alimentar a ideia de que a imprensa era perniciosa. À medida que os militares linha-dura ganhavam espaço no regime, setores da própria imprensa eram usados para fomentar a ideia de que por todas as redações havia núcleos comunistas dispostos a se valer do poder de comunicação com as massas para manipular o povo.

A fim de afastar as pessoas da influência até de novelas, em plena década de 70, militares faziam sair em notas de colunas de jornalistas “democráticos”, pois a ditadura dos militares era chamada de democracia por eles, informações alarmantes sobre a capilaridade do Partido Comunista na imprensa.

“Já havia entendimento consensual na diretoria de que todos os jornalistas, registrados ou não, sindicalizados ou não, seriam defendidos pelo sindicato quando atingidos pela violência da repressão”.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 04/11/2015 em Uncategorized

 

“Espaço Muda, OAB” é inaugurado com discursos emocionados e público engajado

“Espaço Muda, OAB” é inaugurado com discursos emocionados e público engajado

Em clima de congraçamento e disposição para a campanha, candidatos receberam mais de 200 advogados

A Chapa “Muda, OAB”, encabeçada por Roberto Mendes, advogado público e também privado, e por Vagner Paes, advogado e professor, tem se consagrado pela criatividade e inovação nas ações de campanha. No último dia 28, abriu o “Espaço Muda, OAB” no bairro da Pajuçara, com a presença de mais de 200 advogados dos mais diversos segmentos.

Sem quaisquer restrições, as portas do espaço foram abertas para advogados privados e públicos; do interior e da capital; trabalhistas, previdenciários, criminalistas, civilistas, constitucionalistas, administrativistas; advogados jovens, mais experientes; advogados que se dedicam a concursos públicos e militantes.

Para romper com o paradigma dos comuns comitês de campanha, a Chapa 3 inovou e abriu um espaço para reflexão e fortalecimento das propostas e posicionamentos de classe, se mostrando como a verdadeira mudança.

Segundo o coordenador Hermann Braga, “o espaço Muda, OAB pretende e já é um lugar para reflexão, interação, amadurecimento de ideias, debates construtivos e plurais e congraçamento entre aqueles que compreendem que o momento é de união da classe para que a OAB seja revista e possa reencontrar o caminho do fortalecimento da advocacia para advogados e para os cidadãos alagoanos”.

Além dos jovens advogados, que já são a marca do grupo, o evento contou com a presença de ilustres, renomadas e históricas personalidades da advocacia alagoana, como: José Costa e Daniel Quintela. Sendo Quintela um dos candidatos da chapa “Muda, OAB” ao Conselho Federal.

Compondo a Mesa que se formou no evento, Quintela acompanhado do professor e advogado Fábio Lins, da advogada Ana Kilza Patriota, ambos também candidatos ao Conselho Federal, bem como dos advogados Marialba Braga e Daniel Martiniano, candidatos à Secretaria-geral da OAB, os candidatos a presidente e vice, Roberto Mendes e Vagner Paes deram as boas vindas aos advogados presentes e deram início à campanha que vem se consolidando e crescendo sem quaisquer rejeições.

Daniel Quintela, uma referência para a advocacia alagoana emocionou a plateia ao falar de sua desilusão com a política de classe e sua surpresa com o grupo que se formou em torno do ideal de transformar a OAB. “Eu já não participava da política da Ordem, estava decepcionado, até que conheci este pessoal, vi o engajamento e a disposição genuína deles em conquistar os advogados e fazer uma verdadeira mudança na OAB”.

Quintela revelou ainda que o grupo foi capaz de despertar nele as mesmas esperanças de quando ainda era um jovem advogado e o fez “mergulhar neste sonho”. Também com bastante emoção, Vagner Paes falou de sua paixão e vocação para a advocacia.

“Tantas vezes eu viver, sempre escolherei a advocacia. Tenho orgulho de ser advogado e precisamos resgatar o orgulho da classe”, disse Paes arrancando aplausos. Para fechar o momento, Roberto Mendes falou em foco e determinação. “A advocacia acordou, está vendo que a verdadeira mudança é possível. Inauguramos novas ideias, novos tempos e uma nova advocacia. A classe está compreendendo nossa mensagem e está nos apoiando. Somos o grupo que mais cresce”.

Doações

O espaço Muda, OAB nasceu para receber advogados e quaisquer pessoas que queiram contribuir com a caminhada que se trava em busca da gestão da OAB, a fim de se dedicar ao fortalecimento da advocacia, mas também para receber doações para entidades sem fins lucrativos.

Em parceria com o “Movimento Todo Mês é Dezembro”, o espaço “Muda, OAB” está recebendo donativos das mais variadas ordens. Desde alimentos e produtos de higiene pessoal e de primeiros socorros, também livros, roupas e brinquedos para crianças carentes.

Mais informações: mudaoabal.com.br

O espaço Muda, OAB nasceu para receber advogados e quaisquer pessoas que queiram contribuir com a caminhada que se trava em busca da gestão da OAB, a fim de se dedicar ao fortalecimento da advocacia, mas também para receber doações para entidades sem fins lucrativos.

Em parceria com o “Movimento Todo Mês é Dezembro”, o espaço “Muda, OAB” está recebendo donativos das mais variadas ordens. Desde alimentos e produtos de higiene pessoal e de primeiros socorros, também livros, roupas e brinquedos para crianças carentes.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 30/10/2015 em Uncategorized

 

Haja idiotização

Publicado no Portal Cada Minuto

A “idiotização dos adultos” não é expressão nova, na verdade todos os filósofos e pensadores da atualidade já diagnosticaram o que nossa sociedade tem mais fulgente: que sua perspicácia, seu poder de indignação e sua capacidade de pensar por si mesma já não têm a mesma intensidade de outrora.

Que não sejam os mesmos ideais, é até importante, mas que tenha algum ideal, que seja capaz de sonhar, que encontre a necessidade de mudança, que mantenha o cunho crítico de outros tempos.

Não que outros tempos tenham sido melhores, mas é lamentável que o passado não seja revisitado com alguma constância, que já não haja curiosidade sobre a própria história e que a resignação seja a nova moda.

A moda virtual, que se consolidou com as redes sociais, de criação de “memes” parece mais um artifício daqueles que querem escravizar as poucas mentes pensantes que ainda restam (não que estejam apenas na internet), dando-lhes o que de mais fácil há para assimilar.

A língua portuguesa não é das mais fáceis – não é novidade – mas a novidade é que em vez de incentivar a leitura e busca criativa pelas construções lexicais, o que temos visto é uma enxurrada de expressões incorretas e que facilmente “caem no gosto da galera”.

#taserto #comofas #ryca Inclusive é possível encontrar a definição de tais expressões (e outras) na própria internet. “É derivada de um idioma fictício também criado na net (tiopês), que consiste simplesmente em escrever o português totalmente errado”.

Pois é, simplesmente escrever o português totalmente errado, como se isso fosse besteira, como se a internet não estivesse repleta de jovens em formação, como se nós já não nos revoltássemos com a falta de educação (de qualidade) em todos os níveis e agora nós, a geração que ia mudar o mundo – parafraseando Cazuza –, tivéssemos simplesmente jogado a toalha.

Teríamos desistido? Chegamos à tamanha acefalia que já não desejamos um amanhã melhor, já não queremos uma educação melhor, já desistimos de fazer a nossa parte?

Muito interessante ver essa mesma geração que há meses foi às ruas pedir mais #educação #saúde #segurançapública #transparência tenha esquecido da lição mais simples, a mais clara, a mais óbvia – o exemplo.

Sob o manto da simplicidade e da democratização do acesso à informação, não é possível que aceitemos que “memes” cretinas, os quais só servem para “idiotizar” o leitor, sejam incentivadas.

“Deixa a onda me levar” parece que todos cantam em uníssono. Acordam e vão se deitar esperando que o próximo dia surja e com ele os novos passos que naturalmente deverão ser dados. Ora, mas por que os novos passos devem ser dados conforme a música? Por que já não é aceito o pensamento crítico e divergente? Não qualquer pensamento imposto, mas aquele cujo argumento o alicerça e é capaz de conquistar/convencer, ou não, mas que insta a pensar.

Resolvi me rebelar, resolvi acordar!

 
2 Comentários

Publicado por em 17/01/2014 em CadaMinuto

 

Tags: , , , , , , , , ,

Assim são as Alagoas…

Publicado no Perfil do Facebook

Aqui em Alagoas acontecem fenômenos dignos de estudo: contamos com um dos menores estados da federação, menos gente, menos espaço, deveria ser mais fácil administrar o dinheiro público, né?! Mas não, temos a pior educação, pior saúde, pior segurança, pior tudo!

Este mesmo lugar pequenininho é capaz de exportar políticos de grande influência no cenário nacional. Presidentes da República: dois marechais e um eleito pelo povo e expulso (ou pediu para sair) pelo Congresso (o único); hoje temos um dos mais influentes no xadrez político nacional, e outra penca de senhores que já estão por lá há tantos anos (ou seriam décadas?), que são considerados “perpétuos” em Brasília. Mesmo com tanta influência continuamos recordistas em péssimos índices!

Mas não é só isso. Nesta terra de miseráveis, temos um verão digno de Côte D’azur. “Que galera endinheirada é essa, mermão?!”, parece até que ouço algum cantor baiano dizendo isso… Enfim… São tantos os novos milionários, que Alagoas é o segundo (óh, não é o primeiro!) em crescimento do número de novos milionários no Brasil.

Que estado é este de tantas contradições? Deveríamos ser objeto de estudo detalhado.

Um povo que fala tanto em política, sabe tanto, entende tanto, esculhamba tanto, mas que não se furta ao privilégio da pulseira arranjada para um réveillon “esbanjamento” na beira da praia, todos bêbados de chandon fica difícil identificar os “companheiros de luta” e os “coxinha”, né?!

Enfim… Dias, meses e anos vão passando e o que muda é tão pouco que a gente nem sente. Certeza mesmo, só de que Tiriricas não brotarão de solo alagoano, isso porque, se não ficar como está, “sempre pode piorar”!!!

Chega de hipocrisia!!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 15/01/2014 em Facebook

 

Tags: , , , , , , , , , , , ,

“Ninfomaníaca”, minhas impressões

Assisti, na última semana, “Ninfomaníaca”, do dinamarquês Lars Von Trier. Andei lendo umas críticas a respeito e, com todo respeito do mundo e reconhecendo meu lugar de leiga no mundo cinematográfico, discordo completamente. Para mim o filme é fantástico, consegue unir drama, sentimento e humor, tudo na dose certa.

Ninfomaniaca1_poucas_palavrasA capacidade de fazer ligações entre o submundo do sexo e situações do nosso cotidiano mais banal ou até requintado é incrível e surpreendente. Por vezes a ficção chega a berrar, mas quando nos livramos de estigmas e preconceitos, somos capazes de pensar: “pior que faz sentido”.

Do meu ponto de vista, Trier se superou. Manteve a linha chocante, cortante e perturbadora, mas sem excessos, o incômodo causado foi na medida certa. No ponto exato para não se entregar ao “mais do mesmo” e não cair no estereótipo do horror desmedido e trash.

Lars Von Trier

O cineasta é conhecido mundialmente por sua capacidade de perturbar e provocar o espectador. A cena mais conhecida e mais comentada é do filme “Anticristo”. E sobre as cenas explícitas que chocaram o mundo, Trier disse: “Simplesmente achei que seria errado não mostrar. Sou um cineasta que acredita que devemos colocar na tela tudo o que pensamos. Sei que é doloroso ver, mas esse filme tem muito a ver com essas dores“.

Eu entendo Hitler, embora saiba que fez coisas erradas. Sei disso. Só estou dizendo que entendo o homem, não é o que chamaríamos de um bom homem, mas simpatizo um pouco com ele“. Frases como essas fazem de Trier uma lenda também fora das telonas.

Recomendo!

Cine Arte Pajuçara: 16h40; 21h (exceto segunda) (legendado)

 
1 comentário

Publicado por em 13/01/2014 em Cinema

 

Tags: , , , , ,

Comodismo democrático

Publicado no Portal Cada Minuto

Interessante como as pessoas de um modo geral têm muito mais facilidade para criticar do que para elogiar. Não que não devam criticar. A crítica deve ser encarada como contribuição para a mudança e para um futuro melhor, não deve ser vista como algo pessoal, mas como um alerta para que ações reprováveis não se repitam.

A democracia, assim como a liberdade de imprensa e a livre manifestação do pensamento, são institutos que viabilizam o ativismo social, a participação popular e incentivam a prestação de contas do agente público e político. Entretanto, a mesma democracia tem gerado um comodismo social. É muito mais fácil unir-se ao coro que desqualifica políticos e Instituições Públicas, a levantar do sofá e procurar um meio de estimular ações diferentes.

Houve um tempo em que a vida particular de políticos não interessava a ninguém, bastando ao interesse público a vida pública do agente público. Hoje não, as pessoas têm demonstrado cada vez mais interesse por traições conjugais, relações homossexuais, filhos fora do casamento, briga de família e toda sorte de escândalo digno de tabloides. A imprensa marrom tem se encarregado de “matar” essa curiosidade saciando-a e alimentando-a sem maiores escrúpulos.

O pensamento coletivo tem sido tão raso e de uma frivolidade tão assustadora que o comodismo foi incorporado ao comportamento social com naturalidade. Fala-se mal da classe dos políticos, generaliza-se a administração pública depreciativamente e assim vão se eximindo do processo democrático. Audiências públicas têm se tornado piada. Muito por culpa da própria população, mas também pela total falta de consciência política.

A situação que sempre foi buscada por regimes totalitários, paradoxalmente, tem sido conseguida justamente pela democracia. Não sendo estimulada – a consciência política – facilita a perpetuação no poder dos políticos carreiristas – aqueles que merecem mesmo todas as críticas, e que pouco se importam, repetindo constantemente os mesmos atos reprováveis.

Recentemente, lendo “A civilização do espetáculo”, de Vargas Llosa, achei interessante e concordei sobremaneira com as análises do mestre. Llosa apontou o comportamento da sociedade – ávida por notícias ruins, por vidas tristes e por mazelas, para que suas próprias moléstias não lhe pareçam tão incômodas – como propulsora para o comportamento do jornalismo, que se alimenta e alimenta os consumidores de notícias com as piores informações, evitando análises mais profundas e a apresentação de sugestões, correspondendo, assim, às expectativas do público cada vez mais superficial, preocupado com quantidade e velocidade da informação e não com a qualidade e a apuração.

De quem é a culpa não é fácil dizer. Quem alimenta quem? A sociedade, a mídia, o poder, o dinheiro? O que se tem por certo (certo porque a história mostra diariamente que é o certo) é que a democracia e as liberdades individuais, por mais criticadas que sejam, não podem ser violadas, não podem ser suprimidas. A pior democracia será sempre muito melhor que qualquer regime autoritário e censor.

Mas a melhor democracia tem que ser estimulada com ações mais participativas, dentro ou fora do cenário político partidário, mas estimulando comportamento probo, verdadeiro, legal e altruísta. De nada adiantará a democracia formal, aquela na qual vivemos, mas não usufruímos. Possuímos todos os mecanismos legais – ainda que deficitários – para fazê-la funcionar com perfeição, inclusive com a possibilidade de mudança das leis e do próprio sistema.

O comportamento cidadão não pode perder espaço para o entretenimento superficial. Ainda que seja natural a busca por “paraísos artificiais” (aqueles que entorpecem e aliviam as dores diárias), o cidadão não pode perder seu poder de indignação, sua disposição em contribuir, agir hoje pensando no amanhã e dar exemplos, deixar lições.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 10/01/2014 em CadaMinuto

 

Tags: , , ,

Mais informação, menos conhecimento (Llosa)

O texto a seguir foi escrito por Mário Vargas Llosa, publicado em sua coluna mensal no jornal espanhol El País em julho de 2011. Republicado em seu livro A civilização do espetáculo – uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura, trad. Ivone Benedetti. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

Ao ler o texto a seguir lembrei-me de uma orientação médica que diz que devemos exercitar o cérebro como devemos exercitar qualquer outro músculo do corpo, pois, caso contrário, ele atrofia, acomoda e fica flácido. Parece que o Llosa entende da mesma forma. Estaríamos mesmo indispostos a nos divertir por meio de esforço intelectual e mental?

 

Mais informação, menos conhecimento

Por Mário Vargas Llosa

Nicholas Carr estudou Literatura no Dartmouth College e na Universidade de Harvard, e tudo indica que na juventude foi um leitor voraz de bons livros. Depois, tal como ocorreu com toda a sua geração, descobriu o computador, a internet, os prodígios da grande revolução informática de nosso tempo, e não só dedicou boa parte da vida a usar todos os serviços on-line e a navegar o dia inteiro pela rede, como também se tornou um profissional e especialista nas novas tecnologias da comunicação, sobre as quais escreveu extensamente em prestigiosas publicações dos Estados Unidos e da Inglaterra.

Um belo dia ele descobriu que tinha deixado de ser bom leitor e, quase quase, leitor. Sua concentração se dissipava depois de uma ou duas páginas de um livro; e, sobretudo se o que lia era complexo e demandava muita atenção e reflexão, surgia em sua mente algo como uma recôndita rejeição a continuar com aquele esforço intelectual. É assim que ele conta: “Perco a calma e o fio da meada, começo a pensar em outra coisa para fazer. Sinto-me como se estivesse sempre arrastando meu cérebro desconcentrado de volta para o texto. A leitura profunda, que costumava vir naturalmente, transformou-se em esforço.”

Preocupado, tomou uma decisão radical. No final de 2007, ele e a esposa abandonaram suas ultramodernas instalações em Boston e foram morar numa cabana das montanhas do Colorado, onde não havia telefonia móvel, e a internet era melhor que não aparecesse. Ali, ao longo de dois anos, escreveu o polêmico livro que o tornou famoso. Intitula-se em inglês The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains e em espanhol: Superficiales: ¿Qué está haciendo Internet con nuetras mentes? (Taurus, 2011). Acabo de lê-lo de uma tacada só e fiquei fascinado, assustado e entristecido. (No Brasil: A geração superficial – o que a internet está fazendo com nossos cérebros, trad. Mônica Gagliotti Fortunato Friaça. Rio de Janeiro: Agir, 2011.)

Carr não é um renegado da informática, não se tornou um ludista contemporâneo que gostaria de acabar com todos os computadores, de modo algum. Em seu livro reconhece a extraordinária contribuição que serviços como Google, Twitter, Facebook ou Skype dão à informação e à comunicação, o tempo que poupam, a facilidade com que uma imensa quantidade de seres humanos podem compartilhar experiências, os benefícios que tudo isso acarreta às empresas, à investigação científica e ao desenvolvimento econômico das nações.

Mas tudo isso tem um preço e, em última análise, significará uma transformação tão grande em nossa vida cultural e no modo de funcionamento do cérebro humano quanto foi a descoberta da imprensa por Johannes Gutenberg no século XV, que generalizou a leitura de livros, até então confinada a uma minoria insignificante de clérigos, intelectuais e aristocratas. O livro de Carr é uma reivindicação das teorias do agora esquecido Marshall McLuhan, de quem ninguém fez muito caso quando, há mais de meio século, ele afirmou que os meios não são nunca meros veículos de um conteúdo, que eles exercem uma influência subliminar sobre este, e que, no longo prazo, modificam nossa maneira de pensar e agir. McLuhan referia-se sobretudo à televisão, mas a argumentação do livro de Carr e os abundantes experimentos e testemunhos citados para apoiá-la indicam que semelhante tese tem extraordinária atualidade no que se refere ao mundo da internet.

Os defensores recalcitrantes do software alegam que se trata de uma ferramenta que está a serviço de quem a usa e, evidentemente, há abundantes experimentos que parecem corroborar essa afirmação, desde que essas provas sejam feitas no campo da ação, em que os benefícios dessa tecnologia são indiscutíveis: quem poderia negar que representa um avanço quase milagroso o fato de, agora, em poucos segundos e com um pequeno clique do mouse, um internauta conseguir uma informação que há poucos anos exigia semanas ou meses de consultas em biblioteca e a especialistas? Mas também há provas concludentes de que, ao deixar de se exercitar por contar com o arquivo infinito posto ao seu alcance por um computador, a memória de uma pessoa se entorpece e debilita tal como os músculos que deixam de ser usados.

Não é verdade que a internet é apenas uma ferramenta. É um utensílio que passa a ser um prolongamento de nosso próprio corpo, de nosso próprio cérebro, que, também de maneira discreta, vai se adaptando pouco a pouco a esse sistema de informa-se e de pensar, renunciando devagar às funções que esse sistema desempenha por ele e, às vezes, melhor que ele. Não é uma metáfora poética dizer que a “inteligência artificial” que está a seu serviço suborna e sensualiza nossos órgãos pensantes, que, de maneira paulatina, vão se tornando dependentes dessas ferramentas e, por fim, seus escravos. Para que manter fresca e ativa a memória se toda ela está armazenada em algo que um programador de sistemas chamou de “a melhor e maior biblioteca do mundo”? E para que aguçar a atenção se, apertando as teclas adequadas, as lembranças de que necessito vêm até mim, ressuscitadas por essas diligentes máquinas?

Não é estranho, por isso, que alguns fanáticos da web, como o professor Joe O’Shea, filósofo da Universidade da Flórida, afirmem: “Sentar-se e ler um livro de cabo a rabo não tem sentido. Não é um bom uso de meu tempo, já que posso ter toda a informação que quiser com maior rapidez através da web. Quando alguém se torna caçador experiente na internet, os livros são supérfluos.” O que há de atroz nessa frase não é a afirmação final, mas o fato de o filósofo em questão acreditar que as pessoas leem livros só para “informar-se”. Esse é um dos estragos que vício frenético na telinha pode causar. Daí a patética confissão da doutora Katherine Hayles, professora de Literatura da Universidade de Duke: “Já não consigo fazer meus alunos lerem livros inteiros.”

Esses alunos não tem culpa de serem agora incapazes de ler Guerra e paz ou Dom Quixote. Acostumados a pescar informações nos computadores, sem precisarem fazer esforços prolongados de concentração, foram perdendo o hábito e até a faculdade de se concentrar e se condicionaram a contentar-se com esse borboleteio cognitivo a que a rede os acostuma, com suas infinitas conexões e saltos para acréscimos e complementos, de modo que ficaram de certa forma vacinados contra o tipo de atenção, reflexão, paciência e prolongada dedicação àquilo que lê, que é a única maneira de ler, com prazer, a grande literatura. Mas não acredito que seja só a literatura que a internet tornou supérflua: toda obra de criação gratuita, não subordinada a utilização pragmática, fica fora do tipo de conhecimento e cultura que a web propicia. Sem dúvida esta armazenará com facilidade Proust, Homero, Popper e Platão, mas dificilmente suas obras terão muitos leitores. Para que ter o trabalho de lê-las se no Google posso encontrar sínteses simplificadas, claras e amenas daquilo que foi inventado naqueles livrinhos arrevesados que os leitores pré-históricos liam?

A revolução da informação está longe de terminar. Ao contrário, nesse campo surgem a cada dia novas possibilidades e novos sucessos, e o impossível vai retrocedendo velozmente. Devemos ficar alegres? Se o tipo de cultura que está substituindo a antiga nos parecer um progresso, sem dúvida sim. Mas devemos nos preocupar se esse progresso significar aquilo que um erudito estudioso dos efeitos da internet em nossos cérebros e em nossos costumes, Van Nimwegen, deduziu depois de um de seus experimentos: que deixar por conta dos computadores a solução de todos os problemas cognitivos reduz “a capacidade do cérebro de construir estruturas estáveis de conhecimentos.” Em outras palavras: quanto mais inteligente nosso computador, mais burros seremos.

Talvez haja exageros no livro de Nicholas Carr, como sempre ocorre com os argumentos que defendem teses controvertidas. Careço de conhecimentos neurológicos e de informática para julgar até que ponto são confiáveis as provas e as experiências científicas descritas em seu livro. Mas este me dá a impressão de ser rigoroso e sensato, uma advertência que – não nos enganemos – não será ouvida. Isso significa, se ele tiver razão, que a robotização de uma humanidade organizada em função da “inteligência artificial” é irrefreável. A menos, claro, que um cataclismo nuclear, por obra de uma acidente ou uma ação terrorista, nos faça regredir às cavernas. Então, seria preciso começar de novo, para ver se dessa segunda vez fazemos as coisas melhor.

Fonte: El País

 
Deixe um comentário

Publicado por em 09/01/2014 em Literatura, Variedade

 

Tags: , , , , , ,

Feliz 2014, para quem?

Publicado no Portal Cada Minuto

O novo ano começou, com ele, a exemplo do que ocorre sempre às segundas-feiras, novos projetos são postos em prática, promessas são feitas e o “primeiro passo” é dado. Assim como vemos análises sobre o futuro, sobre o passado e até sobre o presente, encontramos pessoas sensatas que alertam para a necessidade de mudança de comportamento, de valores e de postura pessoal para que mudanças mais contundentes alcancem sucesso.

Tudo verdade e tudo muito válido, mas que diferença há de fazer um dia a mais, uma quarta-feira a mais, uma virada de ano? Por mais que o clima geral seja de esperança e otimismo, o que há de diferente realmente?

Nas ruas continuamos com medo, em casa os filhos continuam desrespeitando e afrontando os pais, crianças tratam os mais velhos como coleguinhas, não sabem o que significa um “não” e têm se tornado cada vez mais perigosos. Sem educação de qualidade – nem em casa e nem na escola – os antigos “pitboys” deram lugar aos costumeiros playboys, mas que além de se valerem do dinheiro e da força física, também contam com carros caros e potentes, família rica e pais cúmplices. Quem é você, caro leitor, nessa sociedade?

Caso tenha resolvido parar de ler por aqui, bem, já sei quem é você, mas se resolveu continuar é porque ainda que seja mais desses que só se proliferam, entende que é chegada a hora da mudança de comportamento (passou da hora!).

Quando falhamos no nosso papel de educadores, o Estado exerce seu papel punitivo, não há como evitar – aliás, há sim como evitar, mas, por favor, não me forcem a tecer comentários sobre os bandidos que patrocinam e viabilizam a corrupção no Judiciário. Afinal, há mesmo quem ache que “bandido bom é bandido morto”, mas desde que o bandido seja o preto, pobre, marginalizado e morador de rua ou de grota.

Mas e o que você fez no ano passado e nos demais anos que se passaram para almejar um ano de 2014 melhor? Você respeitou as normas de trânsito, respeitou filas em estabelecimentos comerciais, tratou com urbanidade e cortesia não só os conhecidos, mas também os desconhecidos e, principalmente, os mais humildes? Por falar em humildade, você foi solidário, praticou o nobre exercício de se colocar no lugar dos outros, tentou ter paciência? Tratou as crianças com carinho, respeito e firmeza?

Pois é, caro leitor, difícil imaginar um 2014 realmente novo se você continua “velho”, se você acha que o pobre que rouba para alimentar vícios merece ser linchado na rua, merece ser morto por justiceiros. Pior, se você acha que o político que está no poder agora não presta e acredita piamente que o político “amigo” – aquele do “tapinha nas costas” – será melhor porque lhe prometeu um emprego que você nem precisará comparecer. Se você acha que está tudo bem na Assembleia Legislativa de Alagoas e pretende reeleger um dos que sempre contribuíram para enlameá-la – porque o “moço” é amigo da família – bem, não dá para conversar.

Desejo mesmo um ótimo 2014, melhor que 2013, com pessoas mais críticas, mais dispostas, mais esclarecidas, mais dedicadas ao futuro, às crianças, à formação da sociedade alagoana, prontas a romper com as correntes do passado que só se repete e se perpetua.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 07/01/2014 em CadaMinuto, opinião

 

Tags:

Que Copa esperar?

Tem-se falado muito sobre os atrasos nos preparativos do Brasil para receber a Copa do Mundo deste ano, mas talvez as pessoas, em especial os caros leitores do Palavras ao Vento, ainda tenham se dado conta do caos que está o país, em especial o setor aeroviário, o que engloba a Infraero, as companhias aéreas e a inércia da ANAC.

Além do atraso na construção de diversos estádios do país, em especial a área adjacente ao Maracanã (cartão postal do país) e o Itaquerão, podemos citar com tristeza os acidentes fatais que mataram cinco funcionários que trabalhavam nas construções. Um em Brasília, dois em São Paulo e dois em Manaus. Provavelmente, a principal causa para tantos acidentes fatais – ultrapassamos o número de mortes da África do Sul – seja a pressa para finalizar o serviço. Afinal, já somos o país mais atrasado da história.

Como se não bastasse o caos nas obras – todas sob a acusação de passarem por negociatas e superfaturamento -, também estamos com problemas no atendimento ao turista. Sentimos com maior clareza depois das notícias de caos no trânsito e no acesso de turistas aos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro – a capital do turismo brasileiro. Filas quilométricas, desorganizadas e lentas, muito lentas, tudo isso por causa do verão, das férias escolares e do reveillon, imaginemos na Copa.

Virão para o país seleções de 31 países ao redor do mundo. Além dos brasileiros que entupirão as cidades-sede durante os jogos da Copa, ainda receberemos turistas de outros 31 países. Só no ano de 2012, o Brasil recebeu 5,67 milhões de estrangeiros, quase 50% deles vieram para lazer. Em 2013, até o início de dezembro, 6 milhões de estrangeiros já havia chegado ao Brasil.

Estima-se que durante o período da Copa, cerca de 1 milhão de estrangeiros venha ao Brasil e mais 3 milhões de brasileiros visitem as cidades-sede durante o mundial. Será que vai dar.

Hoje, quase 6 meses antes da Copa, temos como saldo: mortes, filas, atrasos e caos…

Vejamos alguns, poucos, só para ilustra:

Uma garotinha argentina caiu de uma altura de 7 metros no aeroporto do Rio, está internada com traumatismo craniano;
Meus pais ficaram presos num elevador do aeroporto de São Paulo;
Uma companhia aérea do Brasil, por livre e espontânea vontade (juro!), resolveu não embarcar a mala de 10 passageiros que iam a Frankfurt (ALE), no último agosto (2013). Uma das malas era de meu pai, e estávamos a caminho do Japão. Ele ficou sem mala (roupa e objetos pessoais. Sorte que levou os remédios diários na mala de mão) por 5 dias;
Duas malas de um visitante dos Estados Unidos, vindo de Nova Iorque, (sim, duas! As únicas duas!) foram extraviadas na última semana de 2013 (29/12) por companhia aérea brasileira (a mesma? Aposto que sim). Uma chegou dois dias depois e a outra só mais 4 dias depois… Feliz 2014!

E aí, o que esperar da Copa do Mundo do Brasil?

Desejo Sorte, muita sorte!!!

 

Um filme imperdível

Ainda está em cartaz o filme “A Caça”, de Thomas Vinterberg. O cineasta dinamarquês conseguiu transferir para as telonas o drama de um professor de escolinha infantil que precisou enfrentar o ódio de toda uma cidadezinha do interior da Dinamarca que o pré-julgou e pré-condenou por abuso infantil.

O filme tem um ritmo muito bom, mas o que há de melhor é sua capacidade de despertar nas pessoas a importância da busca pela verdade real, a verdade dos fatos e não se satisfazer com as similitudes das versões.

A Caça é um grande alerta para a sociedade moderna que tem se bastado e se alimentado cada vez mais com o que há de pior e vil nas relações humanas, que precisa escarafunchar a intimidade alheia e revelar segredos sórdidos de terceiros com o único e raso objetivo de ser entretida. Além de alertar também à imprensa, os jornalistas e formadores de opinião de uma forma geral, por mais que o filme não tenha esse enfoque, mas a lição que fica é bem clara nesse sentido: a responsabilidade com a apuração, com a informação, com a notícia deve nortear os passos daqueles que informam as pessoas.

A responsabilidade sobre a reputação de alguém é igual à responsabilidade sobre a vida desta pessoa. A depender do caso e da repercussão, as consequências podem ser devastadores e INVARIAVELMENTE são irreversíveis. O filme é capaz de mostrar até onde a rejeição social pode levar um inocente e, pior, ele nunca voltará a ter a “fama” de antes.

Sobre o tema vale pesquisar o “caso da Escola Base de São Paulo”, ocorrido em 1994, e que, mesmo depois de 20 anos, os seis acusados de abuso infantil continuam no ostracismo, jamais conseguiram se recuperar, e a indenização, que o estado de São Paulo lhe deve, nunca foi paga.

Acusados injustamente e expostos à mídia irresponsavelmente, os vilões revelaram-se os verdadeiros mocinhos, mas a sociedade jamais os recebeu novamente e, hoje, ainda marginalizados, os seis tentam sobreviver e superar o trauma do passado.

Confira mais Aqui!

 

A Caça


Arte Pajuçara: 21h (exceto segunda) (legendado)

Lucas (Mads Mikkelsen) trabalha em uma creche. Boa praça e amigo de todos, ele tenta reconstruir a vida após um divórcio complicado, no qual perdeu a guarda do filho. Tudo corre bem até que, um dia, a pequena Klara (Annika Wedderkopp), de apenas cinco anos, diz à diretora da creche que Lucas lhe mostrou suas partes íntimas. Klara na verdade não tem noção do que está dizendo, apenas quer se vingar por se sentir rejeitada em uma paixão infantil que nutre por Lucas. A acusação logo faz com que ele seja afastado do trabalho e, mesmo sem que haja algum tipo de comprovação, seja perseguido pelos habitantes da cidade em que vive.

Elenco: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika

Direção: Thomas Vinterberg

Gênero: Drama

 
Deixe um comentário

Publicado por em 03/01/2014 em Cinema, Variedade

 

Tags: , , , , , ,

Restaurante Forte Maurício de Nassau na Record

Ainda do ano passado…

50 por 1 jacaréNo dia 29/12/2013 estreou a série Águas do Brasil, com Álvaro Garnero, para o Programa 50 por 1, da Record (com reapresentações na Record News). No segundo episódio da série, “Foz do São Francisco”, o apresentador desembarcou na foz do Velho Chico, aqui, em Alagoas, e “subiu” o rio em direção aos canyons.

Em Piaçabuçu participou de uma corrida de jangadas, que ele ganhou ao final (claro!) e depois partiu para Penedo. Em Penedo, como não poderia deixar de ser, apresentou nossa principal iguaria: a moqueca de jacaré.

O prato que é típico da região foi apresentado em detalhes no programa. O restaurante escolhido foi o Forte Maurício de Nassau, conhecido pela forma especial como a moqueca é preparada, mas também pelo divino pudim de leite e pela variedade de “cachacinhas de frutas”.

Além da iguaria, o programa mostrou a simpatia do meu querido tio Gustavo Lisboa – tio, sim! –, proprietário do restaurante, e também o fantástico visual que se tem do rio a partir do restaurante, aliás, quem não assistiu ao programa, confira e perceba. O que se vê parece um quadra, mas não é. É, simplesmente, o por do sol mais lindo do mundo!

Quem perdeu pode conferir o episódio completo aqui!

50 por 1 São Francisco

 

Serviço:
Restaurante Forte Maurício de Nassau
Praça Barão de Penedo, nº 89, Penedo, AL, CEP: 57200-000
Contato: (82) 3551-3646/ 9981-7047
 
Deixe um comentário

Publicado por em 02/01/2014 em Cultura, Variedade

 

Tags: , , , , , , , ,

Que venha 2014!

Dois meses sem postar no “Palavras ao Vento” e sentindo-me extremamente displicente com aquele que é meu xodó. Vou tentar me redimir começando o ano com o “pé direito” e programando publicações diárias – ou mais atualizadas possível.

 Republicado do perfil pessoal do Facebook

Não posso dizer que esse ano de 2013 tenha sido diferente. Ri, chorei, conquistei, perdi, fiz amigos, perdi quem julguei ser amigo, cresci, caí, comi muito (preciso perder 6kg), bebi um pouco menos (meta sendo batida), li menos, bem menos; trabalhei muito, bem muito; escrevi menos, tive menos tempo, caminhei menos, mas ganhei mais amigos, ganhei mais conhecimento, ganhei mais carinho, ganhei mais amor, ganhei o verdadeiro amor…

Ano de surpresas, ano de revelações, ano de superações, ano de muitas apurações, ano de crescimento, ano de viagens, ano de superlativos…

Em 2013 vivi tantas coisas legais, muitas que se repetiram ao longo do ano, sinto-me mais madura, sinto-me pronta…

Novas metas estabelecidas, novos passos planejados…

Que 2014 seja exatamente como 2013 foi, lindo, repleto de amigos, os melhores, os mais compreensivos, os mais debochados, os mais queridos.

Meu orgulho é ter amigos, melhores amigos e não meio-amigos…

Aos verdadeiros, tudo!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 01/01/2014 em Facebook, Variedade

 

Tags: , , ,

Recado a Teo Vilela e a Dário César

Sr. Governador Teotônio Vilela e Secretário Dário César,

Espero que este recado chegue aos senhores e a todos os responsáveis pela segurança pública do meu estado, em especial da capital, onde resido.

Hoje, pela milésima vez, mais um carro foi assaltado, mais um aluno foi roubado, na porta da faculdade. Eu e algumas centenas de jovens adultos estudam à noite no Cesmac (Fecom, vizinho à Tv Pajuçara) e nos sentimos amedrontados. O medo é tanto que já não ando até meu carro, corro. Já não espero as aulas terminarem, pois quanto mais tarde, menos gente e mais perigoso.

Recentemente soube de uma garota que foi estuprada na ladeira da catedral, sim, ali, vizinho à ALE, um dos poderes instituídos do estado. Não aguento mais viver com medo, não aguento mais sair e não saber se volto, não aguento mais temer por meus entes queridos.

Óbvio que clamor como este os senhores já ouviram de muitas pessoas, vítimas reais de um crime real, pessoas que perderam bens ou familiares, eu não perdi nem um e nem outro (ainda, tenho consciência disso), mas não quero ser a próxima!!

Cansei! Estou cansada! Não aguento mais viver assim… Brasil mais seguro? Só se for nos castelos onde os senhores moram, com seguranças armados e pagos pelos impostos que eu recolho.

Estou desabafando porque cansei até de ficar engasgada! Tomem uma providência de vergonha, de respeito! São homens e mulheres que constroem esse estado, que justificam seus salários, que alimentam suas famílias….

 

Veja comentários no Facebook!

 
1 comentário

Publicado por em 15/10/2013 em Facebook

 

Tags: , , , ,

Monte Fuji, a Deusa do Fogo

Há um ditado japonês que fala nos 4 temores, e são eles: terremoto, trovão, incêndio e pai.

Hoje o país está melhor preparado para o terremoto. Todas as construções são individualizadas e contam com o avanço tecnológico para diminuir os impactos. Toda construção, por lei, deve ser capaz de suportar terremotos de até 7,5 na escala.

Já os trovões pudemos comprovar que são medonhos, não houve chuva que não viesse acompanhada de relâmpagos e trovões, seriam até naturais e facilmente assimiláveis se não fosse a altura do trovão. Realmente assustador!

Quanto ao incêndio, a medida adotada pelo governo japonês, foi tornar obrigatória que, ao menos, uma janela por andar fosse feita de material facilmente quebrável e não cortante, para que os bombeiros pudessem entrar sem se ferir. Para marcar as janelas é colado um adesivo de um triângulo vermelho invertido. Achei curiosa a medida adotada, pois se fosse no Brasil os ladrões teriam o adesivo como sinal de passe-livre. Mas como no Japão os roubos são tão poucos que sequer são contabilizados, compreensível.

Já o medo do pai, segundo soubemos, as coisas estão bem mudadas. Tradicionalmente as mulheres possuem respeito (medo) pelo pai e quando casam passam a temer o marido. Vimos muitas mulheres ainda assim, andam três passos atrás do homem para sequer pisar-lhes a sombra. Pois é, cultura bem diferente! Mas atualmente as mulheres já não são mais tão ligadas a seus pais e maridos, adotaram um estilo de vida ocidentalizado, inclusive muitas optam por não terem filhos.

No Japão, ao contrário da China, os filhos são estimulados. Além de todas as políticas públicas de qualidade que são oferecidas a todos os japoneses, as grávidas ganham uma bonificação em dinheiro. O Japão tem visto sua população diminuir, enquanto a expectativa de vida continua altíssima e crescendo.

Hakone

No dia de hoje a atração principal é o Monte Fuji. Fuji é o nome da deusa do fogo no Xintoísmo e por isso muito cultuada. O japonês tem o costume de se referir ao monte como a uma mulher, falando “ela está irritada, está envergonhada, está cansada…” só ao ver o monte ou não, nos casos de neblina espessa.

O monte possui 3.776 metros de altura. E está inativo desde 1707. Os japoneses falam que o monte é mais bonito de longe, de noite e de sombrinha, referindo-se ao tamanho, ao anoitecer e à cobertura de neve no cume do monte.

Chamou-nos a atenção o som que faz o atrito das rodas do carro (ônibus) nas fissuras do asfalto que sobe o monte. Subindo até à metade do Fuji, o som que se ouve lembra o de música feita em instrumento de sopro de bambu. Muito interessante o curioso fenômeno. Coisa de japonês!

De carro é possível chegar até à altura 2.300 metros do Monte Fuji. A esta altura está a 5a estação de um total de 10. As estações foram marcadas de acordo com o tempo de duração de óleo em uma lamparina, sendo necessárias as paradas para reabastecimento.

Subir até o cume só nos meses de julho e agosto.

Após o passeio até ao Monte Fuji, fomos ao Lago Ashi, uma cratera enorme, onde acredita-se ter sido um vulcão na antiguidade e que se transformou num lago cercado por montes. A água de lago vem das geleiras derretidas do cume do Fuji e que são absorvidas pelas pedras vulcânicas, desaguando ao final no Ashi.

O visual é belíssimo, não vimos a imagem do Fuji refletida porque nesta hora, ao contrário da subida ao Monte, o Fuji estava encoberto pela névoa. Após o belíssimo passeio de barco pelas águas do Ashi, descemos ao pé do Monte Komagatake.

Subimos o Komagatake de teleférico e a expressão foi bem diferente. Todo o monte estava encoberto por neblina, razão porque a sensação era de que estávamos nas nuvens. Infelizmente a vista ficou prejudicada, mas a experiência valeu. Afinal, turismo também está à mercê do temperamento do clima.

DSC02937 DSC02944 DSC02961 DSC02967 DSC02980 DSC03025

Trem Bala

Após os passeios ao Fuji e ao Kamagatake, seguimos para Odawara, cerca de 1h30 de ônibus de turismo. Lá pegamos o trem bala japonês com destino a Kyoto.

Kyoto

Com uma população estimada em quase 1,5 milhão de pessoas (2010), Kyoto forma, juntamente com as cidades de Osaka e Kobe, uma região metropolitana conhecida como Keihanshin, que abriga mais de 18,6 milhões de pessoas (dados de 2010), figurando como a segunda mais populosa região metropolitana do país, atrás apenas da Grande Tokyo. Foi em tempos conhecida no Ocidente por Meaco, que significa, literalmente, “capital”. Kyoto é ocasionalmente apelidada de “Velha Capital” e “Cidade dos Samurais”.

 
1 comentário

Publicado por em 23/08/2013 em Diário de Viagem

 

Tags: , , , , , , ,

Kamakura e o Buda Gigante

Depois da aventura no mercado de peixes e do saborosíssimo e ímpar café da manhã, tivemos um dia de passeios na cidade de Kamakura.

Localizada na província de Kanagawa, a cidade tem uma população estimada em 170 mil habitantes. Distante cerca de 50 km de Tokyo.

“Com a subida ao poder do temido clã Minamoto, Kamakura foi a capital de facto do Japão entre o fim do século 12 e meados do século 14. Cercada por montanhas e pelo mar, a cidade era facilmente defendida contra os muitos inimigos da primeira família de xoguns, que detinham o poder político e militar real sobre o país, usando os imperadores de Kyoto apenas como símbolos. Neste período de florescimento cultural e econômico, a cidade expandiu-se e ergueu templos budistas e santuários xintoístas de grande importância cultural e histórica”.

A cidade é pequena, um charme. A visita vale pela imponência do templo budista e pelo passeio pelas ruas estreitas e arborizadas. O comércio local é forte, há muitos turistas. Mas nem por isso há facilidade na compra de lembrancinhas, tanto para comprar, quanto para almoçar, não houve quem aceitasse cartões de crédito, sendo, pois, indispensável a moeda local em espécie.

Interessante ressaltar que por onde estivemos – no Japão – não foi fácil encontrar locais que aceitassem cartões internacionais.

Após o almoço, o grupo se dirigiu – de ônibus – até o templo do Buda Gigante, o Daibutsu, uma imponente estátua de bronze do Buda Amida. Estátua belíssima encravada num templo há poucos quilômetros do centro de Kamakura e que é muito popular entre turistas e entre budistas de todo o mundo.

O dia de hoje foi extremamente cansativo, principalmente porque madrugamos para ir ao Mercado de Peixes, mas o passeio foi extremamente valoroso.

DSC02849 DSC02850 DSC02856 DSC02860 DSC02872 DSC02877 DSC02885 DSC02909 DSC02917 DSC02929

Hoje foi o dia mais quente, sem dúvidas!!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 22/08/2013 em Diário de Viagem

 

Tags: , , ,

Mercado de Peixes: da confusão ao café da manhã mais incrível

NOTA: Informo aos leitores do Palavras ao Vento que me encontro na China, por isso o atraso nas atualizações. Aqui as redes sociais como o Facebook, Twitter e Youtube são bloqueadas. Aqueles que quiserem manter contato podem fazer por comentários aqui no blog.

Informo ainda que o wordpress não tem funcionado 100% por aqui, por isso há possibilidade de erro nas fotos, o que corrigirei tão logo seja possível.

As postagens do Japão já estavam prontas e por isso estão sendo publicadas de uma só vez.

*******

Animadíssima para conhecer o maior mercado de peixes do mundo, acordei 3h da madrugada. Às 5h saímos com o restante do pessoal da excursão, de metrô, e duas estações depois estávamos no Tsukiji – mercado de peixes.

Conhecido pela grandiosidade e variedade de animais aquáticos, nele o mais disputado é o leilão de atum azul. O atum pode chegar a 4 metros de comprimento, pesar 700 quilos, nadar à velocidade de 70 km por hora e viver quarenta anos. Sua carne vermelha, macia e saborosa fez dele o pescado mais apreciado da culinária japonesa. Entre a captura e a venda, o comércio de atum-azul movimenta um volume impressionante de 1 bilhão de dólares por ano.

Chegando ao mercado a confusão entre carrinhos de transporte e transeuntes é grande, contrastando com a polidez, calma e silêncio próprio dos japoneses. Ser atropelado por um desses carrinhos é das coisas mais fáceis. Chegamos bisbilhotando tudo, de enguias vivas a peixes abertos, tudo visivelmente bem fresco. Poucas pessoas a comprar diretamente lá, mas muitos caminhões no pátio do mercado deixam claro que estão predestinados ao comércio local.

O leilão é para poucos – pouquíssimos – para participar tem que chegar por volta das 4h da madrugada e há um número máximo de participantes, quando se fecham as portas – na verdade grandes plásticos grossos e de cor “transparente turvo” – ninguém mais pode entrar. Fotos são terminantemente proibidas, mesmo dentre os participantes do leilão.

Obviamente que não conseguimos entrar, fizemos foi uma grande confusão na rotina local. Entramos em locais não permitidos, transitamos por locais ainda fechados ao público e arrumamos alguma confusão. Os guardas locais fizeram de tudo para nos fazer entender que ali só poderíamos estar depois das 9h e que naquele momento, às 6h, não poderíamos, sequer, estar no mercado.

Enfim, depois que muito atrapalhamos – turista é um bicho bem sem-noção mesmo – saímos do mercado propriamente dito, e seguimos para os pequenos restaurantes de peixe fresco no entorno do mercado, ainda dentro dele, mas na área mais periférica.

Do grupo de cerca de 20 pessoas, apenas 3 resolveram ficar para tomar o desjejum japonês, comendo o autêntico sushi e sashimi fresco.

A experiência foi incrível. Os peixes são tão frescos que parecem derreter na boca. Escolhe-se um combinado de sushis e sashimis ou pede-se por peça individualmente. Num e noutro caso, o pedido é servido com uma sopa de toffu e chá verde. Neste caso, o melhor experimentado no Japão.

IMG_6104 IMG_6109 IMG_6110 IMG_6115

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Após o “café”, voltamos para o hotel de metrô. Sozinhos, sem guia e sem entender nada de ideogramas japoneses, aproveitando-se do pouco inglês do funcionário do metrô, conseguimos comprar passagens de volta mais baratas que vínhamos usando e chegamos facilmente no nosso hotel. Uma ótima aventura.

O passeio é imperdível. Mesmo não participando do leilão e nem podendo nos aproximar, vimos os atuns sendo carregados de um lado para o outro, depois de arrematados. São enormes. Vale à pena também para ver como é a rotina daqueles homens. E o mais legal é o café da manhã no mercado.

Experiência inesquecível.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 22/08/2013 em Diário de Viagem

 

Tags: , , ,

Japão: Tokyo – tradição, religião, história e curiosidades

Hoje foi o dia do nosso city tour… O passeio começou às 9h aqui no hotel – Tokyo Prince Hotel – e tinha como “script”: conhecer o Santuário Meiji e o Templo Asakusa Kannon; visita à Praça do Palácio Imperial; tarde e noite livres.

O Santuário Meiji Jingu foi construído em homenagem ao Imperador Meiji que libertou o Japão do feudalismo e do isolamento comercial. Totalmente destruída durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, o santuário foi totalmente reconstruído em 1958. “A feliz combinação de estruturas de cipreste e tetos em bronze, hoje esverdeados pela oxidação, está cercada por um amplo e belo bosque, calmo e silencioso”.

Já o Templo Asakusa Kannon é um templo budista dedicado ao bodhisattva Kannon, que personifica a caridade. Ele é muito mais ricamente ornamentado, colorido, animado e muito mais popular. Nele vimos rituais, mas também muito mais pessoas de forma desordenada, tirando fotos e comprando buginganga. Por falar em bugingangas, ao lado do templo há um comércio muito forte. Lojas, lanchonetes, passeios de riquixá (aquela charrete puxada por homens) e toda sorte de coisas…

O santuário é xintoísta, enquanto o templo é budista. Basicamente a diferença entre ambas as religiões é o fato de que a primeira é politeísta e cultua a natureza, considerada mais arcaica e tradicionalista, acredita que o fim da vida é o retorno à natureza, é adotada pela família imperial; O budismo, por sua vez, é monoteísta – Buda – e crê na vida após a morte, crê no paraíso e nas compensações pós vida.

Aprendemos que os próprios japoneses dizem que “90% são xintoístas e 80% são budistas, mas que 100% é católico na noite de Natal”. Dizem ainda que “o japonês nasce xintoísta, morre budista e casa católico”. Isso seria por causa das principais festas. O batizado xintoísta seria belíssimo, assim como o fato de que haver um paraíso pós vida – budismo – é muito mais atraente do que voltar à natureza, e o casamento católico é uma festa e tanto.

Brincadeiras nipônicas à parte, o que vimos foram rituais religiosos belíssimos, mesmo com a grande concentração de turistas tanto no santuário, quanto no templo.

A visita à Praça do Palácio Imperial foi frustrante porque nem de longe vimos o palácio. Construído numa área de 1000 metros quadrados e escondido por trás de árvores enormes, nele residem o Imperador e sua esposa, os filhos moram em outro palácio. O imperial só é aberto à visitação duas vezes no ano: no ano novo e no dia do aniversário do Imperador. Curiosidades e frustrações à parte, vale a visita… O local é belíssimo, os jardins, a organização, a limpeza e os fossos que circundam o palácio. Coisa de histórias infantis.

*******

Curiosidades

O Japão possui uma população de 127 milhões de habitantes, sendo que 10% deles vivem em Tokyo. Inacreditavelmente não vemos miséria, não há um pedinte e, como relatei anteriormente, a criminalidade é baixíssima.

Incrivelmente focados e determinados, dá para entender como o Japão, país de 377.873 quilômetros quadrados, foi capaz de superar a devastação da II Grande Guerra, se reconstruir, sediar os jogos olímpicos de 1964 e a partir daí crescer e não parar mais.

Por falar em Olimpíadas, o Japão é candidato à sede em 2020 e está em franca campanha.

Com um PIB de mais de 5 trilhões de dólares, o Japão é a terceira economia do mundo. Só a título de comparação, o Brasil possui mais de 190 milhões de habitantes, 8.515.767,049 quilômetros quadrados e um PIB de pouco mais de 2 trilhões, a sétima economia do mundo.

Mas em IDH somos o 85o, enquanto eles são o 10o.

Outra curiosidade é a Embaixada da Rússia. A rua é extremamente policiada para evitar excessos nas manifestações contra a ocupação russa de ilhas japonesas. Na verdade, a discussão é justamente sobre quem são os verdadeiros possuidores das ilhas, o litígio remonta ao fim da II Guerra.

A japonesa que nos guiou hoje revelou que sempre vê policiamento, mas que nunca viu manifestantes.

Outra curiosidade é relativa ao relacionamento do Imperador Akihito com a Imperatriz Michiko. Ela foi a primeira plebeia que se casou com um membro da Casa Imperial do Japão e deteve o título de Princesa Consorte do Japão. Até essa parte já é interessante, mas o curioso é que ambos se conheceram jogando tenis, grande paixão do imperador. Na época Michiko namorava um diplomata e para conquistar a amada o Império – Akihito ainda não era Imperador – mandou o diplomata embora e proibiu seu retorno. Michiko acabou casando-se com Akihito, mas não era seu desejo, pois tinha muito receio quanto às suas obrigações. A principal obrigação da esposa de um Imperador é lhe dar um filho varão, Michiko deu logo dois ao Imperador.

*******

Hoje vivi ainda mais experiências legais, estas acabaram 13h, mas o post ficou grande demais, amanhã posto mais!!

Boa noite, amigos!!

Tokyo, Japão, 21/08/2013, 23h13

DSC02556

Santuário Meiji Jingu

DSC02566

Santuário Meiji Jingu

DSC02584

Santuário Meiji Jingu

DSC02588

Santuário Meiji Jingu

DSC02596

Santuário Meiji Jingu

DSC02622

Santuário Meiji Jingu

DSC02631

Santuário Meiji Jingu

DSC02680

Templo Asakusa Kannon

DSC02685

Templo Asakusa Kannon

DSC02694

Templo Asakusa Kannon

DSC02701

Templo Asakusa Kannon

DSC02707

Templo Asakusa Kannon

DSC02708

Templo Asakusa Kannon

DSC02713

Templo Asakusa Kannon e Comércio local

 
1 comentário

Publicado por em 21/08/2013 em Cultura, Diário de Viagem

 

Tags: , , , , , , , , , , ,

Tokyo: Ginza – surpresa, gentileza e limpeza

Retomando a postagem anterior, que acabou se estendendo mais do que o esperado, conto a vocês a segunda parte do dia.

Depois do tour fomos à região de Ginza, que é o centro empresarial onde estão reunidas as lojas mais caras e os empreendimentos mais ricos do mundo (ocidental e oriental). Desde lojas de carros, até roupas, acessórios, comida e tudo o mais que seja caro ou rico.

Segundo os japoneses, o metro quadrado nesta região custa a bagatela de 200 mil dólares ou 2 milhões de yens. Realmente caríssimo!

Almoçamos num restaurante aconchegante num primeiro andar, onde o térreo era a “fabriqueta de massas”. A culinária era chinesa, mas só descobrimos quando fomos escolher os pratos (ou alguém acha que eu sei distinguir os ideogramas? Impossível!)…

Enfim, a comida simplesmente divina. Chamou a atenção de que por essas bandas ainda é possível fumar em ambientes fechados e que o japonês, tão fino, elegante e discreto, toma sopa de macarrão de uma forma bem peculiar… Eles sugam a comida e o caldo fazendo um barulho pavoroso. Logo eles que nos olham bem atravessado quando falamos alto.

Como sempre o idioma foi um probleminhas, mas contornável pela disposição e gentileza de um cliente que nos serviu de intérprete – claro que inglês-japonês. O gentil rapaz compartilhou de sua internet comigo – nesse restaurante não havia wi-fi – e mostrou pelo mapa o lugar em que eu queria chegar. Foi só salvar o mapa e facilmente pudemos encontrar o local.

IMG_6078

Almoço chinês no Japão (pois é, coisas do idioma…)

IMG_6080

Fumante dentro do restaurante chinês, em Ginza

IMG_6081

Tela do mapa salvo depois da ajuda do gentil japinha

IMG_6082

Ginza – rua

IMG_6083

Ginza – rua

IMG_6086

Ginza – rua

IMG_6087

Ginza – rua

Ponto pro japinha gentil e ponto para o Brasil, o rapaz nos disse que estava “so exciting” com a copa do mundo de 2014 e que já estava com tudo preparado para ir ao Rio de Janeiro. Legal, né?! Tem gente boa vindo ao Brasil, espero que saibamos receber tão bem.

Numa loja da Shiseido a música ambiente era Bossa Nova. Legal para brasileiros em compras e mais fantástico ainda porque nossa melodia encanta os japinhas do outro lado do mundo!! Orgulho de nossa música tipo exportação.

*******

Outra passagem interessante para contar aos amigos leitores é que a limpeza que se vê nas ruas se reflete nos carros… O japonês é um ser extremamente limpo – roupas, asseio pessoal, tudo… Meio neurose mesmo!!

Além de passarem alcool em gel ou aquoso o tempo todo nas mãos, também são extremamente metódicos com arrumação e padronização. Povo curioso!!! E admirável…

 
Deixe um comentário

Publicado por em 20/08/2013 em Diário de Viagem

 

Tags: , ,

Tokyo: Harajuko: Cotidiano e dolls, colorido surpreendente

Depois da estressante viagem até o Japão, nos instalamos no hotel e descansamos por cerca de 3 horas.

Às 17h30 (horário local) já estávamos saindo. O destino escolhido foi o bairro de Harajuku, pelas ruas encontramos os japoneses no seu dia a dia… Passeamos pela rua das lojas mais caras – Rua Omotesano -, nos deparamos com o império de lojas no Tokyo Plaza – um palácio de espelhos.

Enquanto isso íamos encontrando pelas ruas o que os japoneses têm de mais marcante, ao menos inicialmente, o colorido. As cores remetem às fantasias, o Cosplay e os Mangás, mas também às dolls.

Falar um pouco sobre elas é interessante. As dolls são japonesas que se fantasiam (ou vestem-se) como “meninas-bonecas”. Sempre acreditou-se que a japonesa buscasse a aparência mais espalhafatosa por serem muito parecidas entre elas, assim – com enfeites e penduricalhos – poderiam sentir-se únicas entre tantas. Mas hoje uma colega de viagem explicou que a cultura japonesa teve que sofrer grande mudança para se habituar aos costumes ocidentais, por isso, homens que sempre casaram com meninas, passaram a buscar mulheres com aparência de meninas, daí porque tantas mulheres se vestem de forma infantilizada mesmo nos dias de hoje.

Por falar em infantil. Vimos como é comum a leveza dos trajes e das brincadeiras infantis. Muito interessante ver mulheres – especialmente – agirem como desenhos animados, personagens infantis e paramentadas com todo tipo de buginganga.

Em nome da moda – a delas – encontramos meninas sofrendo com os pés vermelhos e inchados se equilibarando em saltos altos, outras calçando números maiores que o de seus pés, outras tão maquiadas que mal se imagina a verdadeira cor da pele, e há ainda aquelas que vestem-se como colegiais, como barbies, como bonecas de porcelana, enfim, todas arrastando enorme bolsas ou malas.

Encontremos uma galeria estilizada chamada “Jol Harajuku”, nela há o espaço studio (onde há apresentações), espaço beleza (onde as moças podem se arrumar e comprar os adereços que preferiram), espaço alimentação (onde há uma enorme variedade de lanchonetes).

Os rapazes, por sua vez, sempre estão com as garotas – puxando malas – ou atrás delas – tentando carregar alguma mala.

Caminhamos bastante hoje, o transporte escolhido na ida foi o metrô e na volta o trem, mas caminhamos bastante. O grupo todo dispersou-se na Takeshita Street (onde há a maior concentração de dolls) e cada um fez a refeição que preferiu.

As lojas começaram a fechar às 20h e às 21h já estávamos voltando para o hotel…

Hoje é dia de dormir cedo, ainda tentando se adaptar ao “confuso-horário”.

IMG_5946

Visto para o Japão

IMG_6022

No trem, voltando do bairro Omotesano

IMG_6021

Cotidiano japonês: informação + informação

IMG_6019

Ticket do trem

IMG_6012

Casal de jovens japones

IMG_6011

Doll roqueira – Jol Studio

IMG_6009

Recepção da Jol Store

IMG_6008

Jol Beauty

IMG_6001

Dolls aprendendo coreografias – Takeshita Street

IMG_5996

Dolls Costums

IMG_5995

Crepe japonés

IMG_5994

Mapa do Takeshita Street

IMG_5985

Detalhe do Portal de Acesso à Takeshita Street

 

20130821-055017.jpg

 
3 Comentários

Publicado por em 20/08/2013 em Diário de Viagem

 

Tags: , , , , ,

Diário de Viagem: Chegar ao Japão não é fácil

Chegar ao Japão não é assim tão fácil.

Antes de sairmos do Brasil tudo parecia tão tranquilo… Pegaríamos um voo desde Maceió até São Paulo, poucas horas depois embarcaríamos para Frankfurt, onde dormiríamos a fim de descansar das primeiras 12 horas de viagem. Até aí foi tranquilo.

Então dormiríamos cedo para acordar bem preparados para enfrentar as 12 horas seguintes até a terra do sol nascente.

Hoje (dia 19, quando este post deveria ir ao ar), acordamos cedo, tomamos um café reforçadíssimo (aliás, convém informar que os alemães estão recebendo muito bem. Café fartíssimo) e saímos às 11h do hotel (6h no Brasil). O avião partiu às 14h05, chegamos na Rússia 3 horas depois, mas por causa do fuso-horário, às 19h (meio-dia no Brasil).

Na Rússia a parada foi apenas para uma conexão rapidinha, teríamos apenas uma hora para fazer tudo. Ir ao banheiro, passar pela imigração, pela esteira de raio-x e pelo embarque nunca foi tão rápido… mas também… a mulher gritando no banheiro querendo que interrompêssemos o xixi não deve ser comum em lugar nenhum do mundo.

Foi uma correria danada!

Enfim, embarcamos… Aeronave da Aeroflot (russa), o símbolo deles ainda é a foice e o martelo comunistas, mas alados, afinal, eles são a vertente que voa. As poltronas são visivelmente antigas – do tipo encardidas mesmo – e apertadíssima, reclinam 5 graus, sendo generosa…

Bem… dá para entender como foram as 9 horas seguintes de voo, né?! Eu que durmo com muita facilidade em avião, só cochilei por alguns minutos, talvez uma hora.

O mais legal é que não vimos noite neste dia… Pois é, a Terra do Sol Nascente parece que quis fazer jus aos visitantes e só nos deu sol.

Por falar em sol, quanto sol… Calor de 32 graus…

Bem, nesta postagem não temos fotos… Afinal, juntando horas de voo e fuso-horário japonês, termino esta postagem às 14h52 do dia 20/08, enquanto no Brasil ainda não são 3h da madrugada.

Para chegar no futuro, perdi 1 dia.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 19/08/2013 em Diário de Viagem

 

Tags: , , , ,

Diário de Viagem: Frankfurt

Hoje estivemos de passagem por Frankfurt (ALE), apenas porque o Japão é muito distante e ninguém quer começar as férias morto de cansaço.

Foram mais de 3 horas de Maceió até São Paulo, depois de 2 horas de aeroporto pegamos o avião com destino a Frankfurt. 11 horas de voo, mais 2 horas de aeroporto, com direito à mala que não chegou e ainda tivemos que esperar a companhia se responsabilizar por levar a bagagem até nosso hotel, que – em face do horário dos voos e do fuso-horário – terá que ser o do Japão.

Como o período na Alemanha é curto, depois de um breve descanso, fomos passear pela região de Sachsenhausen, próxima à Schweizer Platz. Escolhemos o restaurante que aparentava ser o mais típico e aconchegante: Zum Gemalten Haus.

IMG_5893

Cardápio

IMG_5896

Apfelwein (vinho de maçã)

IMG_5897

Cachaça de Pêssego e de Pêra

IMG_5914

Mix de carnes típicas (linguiças e salsichas de vários tipos, língua de boi, costela de porco e repolho, muito repolho)

IMG_5918

Detalhes da decoração

 

 

 

 
Deixe um comentário

Publicado por em 18/08/2013 em Diário de Viagem

 

Tags: , ,

A missão do novo Procurador Parlamentar

Publicado no Portal Cada Minuto

A missão do novo procurador da Assembleia Legislativa do Estado, o sempre querido e atencioso, advogado Fábio Ferrário, não é das mais fáceis e provavelmente das menos compensadoras.

Em meio a mais uma das inúmeras crises institucionais que a ALE vem passando, o advogado Marcos Guerra, ex-procurador da ALE, e reconhecido por sua dedicação e inteligência no trato dos “interesses legislativos”, abandonou o barco. Suposições e teorias acerca das razões que o levaram a retomar a rotina da advocacia privada são muitas. Afinal, tudo o que diz respeito à Casa de Tavares Bastos é tão obscuro que até decisões que poderiam ser encaradas como de foro íntimo ganham contornos de razões escusas, um golpe (?!).

Neste ínterim o Ministério Público apertou o cerco, a imprensa se uniu em defesa do interesse público e a sociedade passou a olhar com mais atenção para os supostos desvios de dinheiro público orquestrados pela Mesa Diretora daquela Casa.

Ontem (01) foi divulgado o nome de Fábio Ferrário como novo procurador da ALE/AL. Enquanto Procurador Parlamentar sua missão é “promover, em colaboração com a Mesa Diretora, a defesa da Assembleia Legislativa, de seus órgãos e membros quando atingidos em sua honra ou imagem perante a sociedade, em razão do exercício do mandato ou das suas funções institucionais”.

Agora o Dr. Ferrário passa a ser um agente público, atuará em defesa do interesse público, e o povo quer uma Casa Legislativa de respeito, transparente e idônea. Com honra e imagem respeitadas perante a sociedade e para tanto precisará operar milagres. Despertar em barões da política alagoana a importância do trato responsável com a coisa pública, e da prestação de contas dos atos em exercício de mandato concedido pelo povo, não há de ser tarefa fácil.

O novo procurador parlamentar assume com problemas já postos e, pelo visto, diante de práticas já consolidadas, remediar será difícil, mas como bem sabemos, para bons oradores e boa retórica não há erro que não se justifique e nem dúvida que não se esclareça.

Dr. Fábio tem sua conduta pautada pela ética, e assim devem se portar homens e mulheres que pleiteiam o respeito da sociedade.

Que sua conduta continue a mesma. Torço para que inspire novos comportamentos e que não seja tocado pelos assombros que contaminam a Casa dos Horrores.

 
1 comentário

Publicado por em 03/08/2013 em CadaMinuto

 

Tags: , , ,

O Papa pós-fim do mundo

Há alguns meses escrevi sobre as expectativas pela chegada do fim do mundo, pois é o fim chegou? Aos que não lembram, relembro. Calendários antigos, profecias e estudos astrológicos indicavam que o fim do mundo seria no dia 21 de dezembro de 2012.

Apesar de impressionada com tantas coincidências numerológicas, nunca acreditei que o mundo realmente viesse a acabar num cataclismo hollywoodiano. Àquele tempo, a exemplo de hoje, acredito que o período que vivíamos, e que ainda vivemos, seja de transição.

Estamos aprendendo a conviver e superar as drogas, as famílias estão tentando se reerguer e implantar valores mais sólidos. Jovens – pobres e ricos – são, cada vez mais, flagrados em atos ilícitos e são punidos por isso. Talvez os mais descrentes achem que só os pobres têm sido punidos, mas vejo que jovens ricos também o têm, ainda que em número bem menor, mas são mais apontados do que eram num passado recente.

Famílias que se degradam e chegam ao fundo do poço com crianças agredindo os mais velhos, jovens matando e esquartejando pais, causam cada vez mais repulsa e horror numa sociedade que se barbarizou ao perder seus valores morais para o império do consumismo e da moral invertida, a tal ponto que uma bermuda da moda vale mais que o pão de cada dia.

Continuo achando que o fim do mundo pregado há milênios não se referia a um fim físico – hecatombe – mas de energias, de forças… Estamos vendo impérios econômicos encarando estagnação – ou crescimentos irrelevantes –, ao passo em que assistimos ações sociais de solidariedade e filantropia cada vez mais em voga.

Está na moda ser solidário, doar brinquedos, roupas, remédios, órgãos e sangue. Adotar crianças de outras etnias, viajar pelo mundo para ajudar nações carentes e trazer nas malas experiências únicas e capazes de transformar empreendedores em empresários sustentáveis, ambiental e socialmente.

No esteio da sociedade atual, jovem e inovadora, a Igreja Católica resolveu dar uma chance ao Papa Bergoglio. Argentino e pautado pela caridade e pelo apoio aos mais pobres e humildes, a missão do Papa Francisco é levar seus valores para a administração do Vaticano a partir de suas ações e discursos generosos, políticos e de renovação carismática.

Evangelizar nunca foi tão prazeroso e pouco resistente. O carisma do mais improvável dos carismáticos – um argentino – impressiona até os mais cautelosos. Os incrédulos de plantão, assim como os “do contra” de carteirinha, se perdem no exagero das críticas à mídia que envolve as ações papais. Esqueceram-se que vira notícia aqueles que possuem relevância, carismas e altruísmo. Atos de benevolência, amor ao próximo, atenção e inspiração para comportamentos mais sociais, amistosos, compreensivos e de paciência não podem ser menosprezados, ainda que sua intenção fosse a pior possível – o que obviamente não é o caso.

A exemplo dos jovens – e os nem tão jovens – que tomaram as ruas recentemente, o Papa fez mais do que os críticos contumazes jamais conseguiram. O hoje e o futuro, assim como o passado, serão sempre daqueles que melhor se adaptarem a ele. Portanto, miremo-nos nos exemplos recentes, os exemplos pós-fim do mundo, pois eles nos indicam o mundo que está nascendo, eles nos oportunizam escolher o agente social que queremos ser.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 29/07/2013 em CadaMinuto

 

Tags:

ALE pegando fogo e OAB assistindo de camarote

Publicado no Portal Cada Minuto

Inspirada pelo recente “post” do colega de Portal Voney Malta (AQUI!), assim como por minha própria postagem sobre a inércia do Ministério Público frente às reiteradas denúncias sobre a documentação apresentada pelo Deputado JHC e que desnudam de forma contundente e avassaladora a farra com o dinheiro público praticada por deputados estaduais na Assembleia Legislativa desta nossa fustigada Alagoas, venho apresentar algumas considerações em relação à inércia de outros protagonistas sociais, além do MP, que, diga-se de passagem, resolveu instar a Mesa Diretora da Casa Tavares Bastos a se manifestar sobre os documentos apresentados por JHC.

Os desmandos são tantos que a mesa diretora daquela Casa acha-se no direito de tratar a coisa pública, proveniente dos impostos que pagamos e que deveria ser investida em escolas, hospitais, estradas, ciclovias, aparelhamento e viabilização de políticas públicas efetivas e eficientes, como se particular fosse.

Dia após dia pessoas ligadas a diversos deputados são identificadas dentre os beneficiários de pagamentos vultosos e injustificáveis. Ainda que estejam empregados de forma legal (o que também é questionado), ninguém sabe qual o real trabalho desempenhado e que ampara o recebimento de valores tão significativos, superando – e muito – o teto do funcionalismo daquela Casa.

A “cara de pau” dos senhores deputados estaduais já não espanta mais, a Casa Legislativa Alagoana não goza de prestígio junto à sociedade há muitos anos e só piorou desde o escândalo da operação taturana, a qual ainda resta infrutífera, já que ninguém foi realmente penalizado e os mais de R$ 300 milhões jamais foram recuperados.

O recente escândalo exposto pela imprensa tem chocado muito mais pela completa inércia dos principais protagonistas sociais, como: “entidade da sociedade civil organizada, partidos políticos, centrais sindicais e até mesmo [outros] deputados”, conforme dito pelo colega Malta.

Centrais sindicais e partidos políticos têm se mostrado movidos por interesses próprios há algum tempo, talvez por compromisso partidário têm se mantido afastados da denúncia, ou, simplesmente, por puro egoísmo político – não apoiando aquele que assumiu a responsabilidade de mostrar aos alagoanos “o quão pobre é a Casa e rica seus moradores”.

Comportamento que já é inaceitável, mas muito pior é á forma como a Ordem dos Advogados do Brasil tem se comportado, como se nada estivesse ocorrendo. Logo ela que possui tanta relevância nacional no combate à corrupção e na defesa da transparência dos atos e das contas públicas que se estranha a inércia com que encaram o presente escândalo legislativo.

A ALE, ao que parece, continua alheia ao momento histórico que o Brasil atravessa, e que jovens alagoanos têm tentado assimilar e repercutir, mas inadmissível é que no cenário alagoano, nossas instituições sociais também alheiem-se ao contexto atual, e optem por “assistir de camarote”.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 25/07/2013 em CadaMinuto

 

Tags:

Fofocas não agregam, mantenha o foco

Publicado no Facebook

Dia desses publiquei aqui uma frase que é atribuída à Madre Tereza “Quem julga as pessoas não tem tempo de amá-las.”

Coincidentemente, nos últimos dias tenho ouvido tantas histórias de fofocas políticas inacreditáveis que sequer deveria comentar aqui com vocês, mas minha chateação é a forma como fofocas são displicentemente disseminadas como uma doença contagiosa…

Normalmente a “estória” tem conotação sexual… A mulher é quenga, “chegou onde está por seus favores lascivos…” O homem é viado, “apesar de ter tanto sucesso, é um gay enrustido…”

Ainda mais revoltante é que a mulher nunca tem competência, sempre – em algum momento de sua história profissional – submeteu-se ao “sofá” de alguém para alcançar o que quer que tenha sido.

E, pior, se não tiver alcançado coisa alguma, a “desculpa” é a mesma: “é quenga, não se dá valor…”

Salientando-se as raras exceções onde as fofocas são mesmo verdades, o fato é que se gasta muito tempo a falar da vida alheia e a julgá-la como se não tivesse seus próprios segredos inconfessáveis…

Custa nada manter o foco, procurar ajudar e contribuir para um amanhã melhor…

Bom dia, amigos!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 23/07/2013 em Facebook

 

Trilha sonora de uma vida: JQuest

Publicado no Facebook

Aos 11 anos passei 1 mês no Rio de Janeiro, morando num apartamento na Av. Princesa Isabel (Leme), quando senti, pela primeira vez, a “alagoanidade” que me acompanharia por toda a vida…

Num elevador senti vergonha por ser da “terra do Collor [na verdade, carioca] e do PC”, na época recém expulsos do poder!

Desde então que tudo “me doi”… Se elegemos Renan, se elegemos Collor, se reelegemos petistas, se perdemos a copa do mundo, se o flamengo perde pro Vasco… Tudo é motivo!

E hoje, mais uma vez… Acabei de chegar do show do JQuest. A banda foi a trilha sonora de toda as fases da minha vida…

Ja fui dormir cantando “vento traz você de novo…” rezando a Deus que me trouxesse a melhor amiga que perdi eternamente ainda no início da adolescência…

Ja mandei por SMS a música “So Hoje” para aquele que acreditei ser o homem da minha vida…

Ja cantei dirigindo e chorando para “encontrar alguém que me dê amor”…

Escrevo, rescrevo, penso, esperneio, grito e passo os dias: “Vivendo e esperando dias melhores, (…) dias em que seremos para sempre…”

Mas o que me emocionou mesmo foi Flausino mencionar o momento histórico em que vamos às ruas para pedir por mudança e ele dizer “eu não poderia deixar de passar por Maceió e por Alagoas sem mencionar isso… Principalmente aqui, não poderia”!

Verdade, Flausino não poderia passar pela terra dos marechais e não mencionar o momento histórico… E eu não poderia deixar de me emocionar com as palavras do cantor que pouco sabe sobre nós e esse pouco é tão suficiente que, realmente, passar por Alagoas e não mencionar a força do povo na resistência contra os feudos modernos, o coronelismo atual e o latifúndio que permanece, seria alienação, seria inapropriado, seria…. Conveniente!

Boa noite, amigos!!

Desejemos “dias melhores”…

 
Deixe um comentário

Publicado por em 20/07/2013 em Facebook

 

Tags: ,

A idade chega para todos…

1069271_4439244517660_1874738284_n

Publicado no Facebook

Lembro de quando, ainda pequena, ia ao supermercado com minha mãe e ela cumprimentava alguém, me apresentava, a pessoa me dizia que eu era exatamente igual à minha mãe na minha idade, e mainha explicava que aquela era uma pessoa amiga desde a infância…

Não conseguia entender como elas se reconheciam, não conseguia imaginar nem minha mãe e nem o tal conhecido na infância…

Hoje é aniversário de meu pai, e no primeiro telefonema que recebeu disse: “pois é… Meia cinco [65 anos]… Quem diria?! Jamais imaginei chegar a essa idade”!!

E é assim mesmo… Não imaginamos como as pessoas eram quando tinham a nossa idade, e nem nos imaginamos em idade mais avançada.

Mas o mais legal são as histórias, as amizades e os momentos que colecionamos…

Meu pai hoje aniversaria, com a idade nova vem ainda mais admiração, respeito e amor…

E, claro, desculpas para sair da dieta, porque Dona Janilda (minha mãe) caprichou no jantar!!

Boa noite, amigos!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 18/07/2013 em Facebook

 

Tags: ,

Não queria investigar? Cadê o MP?

Publicado no Portal Cada Minuto

A imprensa desmonta um novo esquema “Taturana” e o MP mantem-se alheio

Que em Alagoas tudo demora mais a acontecer, a chegar e a mudar, já não é nenhuma surpresa. Nem para alagoanos e nem para brasileiros. Mas o MP outrora tão combativo e atuante parece ter adormecido enquanto o “gigante acordava”.

Tudo começou com o aumento de passagens de ônibus nas principais capitais do Brasil, e de repente as ruas foram tomadas por diversas pessoas, diversas pautas e muita consciência de que o povo é capaz de apontar os rumos que deseja para a nação.

Dentre as reivindicações sociais adotadas pelas manifestações populares espontâneas estava a rejeição à PEC 37. Proposta de Emenda à Constituição Federal que visava delimitar claramente a atuação do Ministério Púbico, deixando à polícia o poder-dever de investigar.

Decerto que o esclarecimento e a luta encampada por promotores e procuradores de justiça em todo o país, às vésperas do marcante junho, contribuíram sobremaneira para que a população encarasse a PEC 37 como inimiga da sociedade e do combate à corrupção. Isto porque a sociedade vê no MP uma instituição idônea, corajosa e capaz de afrontar políticos e empresários que por toda a vida dispuseram da “coisa pública” como se particular fosse.

Em Alagoas a sensação é a mesma. O MP assumiu protagonismo nas principais e mais marcantes operações. Ao lado da 17ª Vara Criminal, o Gecoc (Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público Estadual) chamou para si a responsabilidade e resolveu combater as organizações criminosas, inaugurando, inclusive, uma nova – e muito controversa – situação jurídica no Brasil. Polêmicas à parte, o MP atuava.

Entretanto, este mesmo MP – o estadual – que foi às ruas, contagiou o povo e lutou contra a PEC 37 parece não estar tão disposto assim a investigar.

No início deste mês de julho – no auge das manifestações populares e das mudanças legislativas impetradas pela opinião pública –, o Deputado “pedra no sapato” JHC divulgou à imprensa os extratos das contas da Assembleia Legislativa Alagoana do ano de 2011 – conseguidos através da Caixa Econômica Federal e apenas mediante determinação judicial.

Em análise inicial, estimava-se que os pagamentos suspeitos poderiam alcançar o montante de R$ 4 milhões, mas, depois de mais alguns dias de análise, a própria imprensa, aos poucos, tem demonstrado que os pagamentos suspeitos alcançam cifras muito maiores.

Notem que a investigação provocada por um parlamentar tem sido desenrolada pela própria imprensa e não pelo MP, aquele que foi às ruas pela prerrogativa de investigar.

Vale ressaltar que as atuais denúncias são desdobramentos de outra.

Em dezembro de 2011, o mesmo Deputado “pedra no sapato” apresentou denúncias seriíssimas contra a Mesa Diretora da ALE – a mesma até hoje. João Henrique Caldas informou à imprensa e à sociedade que na ALE havia pagamentos extraordinários, injustificáveis, imorais e não declarados – as famigeradas GDEs (Gratificação por Dedicação Excepcional). Enviou toda a documentação conseguida para o MP, mas este até hoje não se manifestou. Não quer investigar?

Aparentemente os deputados que compõem a Mesa Diretora da ALE não temem o MP, inclusive “se põe à disposição do Ministério Público Estadual – em relação ao qual deposita toda confiança no esclarecimento dos fatos que vêm sendo expostos à opinião pública (…)”.

Aliás, sempre que denúncias contra a Assembleia Legislativa Alagoana surgem, parece natural que o MP esquive-se de sua almejada atribuição. Investigar? Ora, “é necessário que o deputado esclareça as denúncias…”, disse alguém que quer muito investigar, mas parece preferir escolher o alvo.

Que o MP investigue. Faça o que tanto quis fazer. De repente para os Procuradores de Justiça os deputados abrem as contas, porque para o colega foi necessária determinação judicial…

Transparência, onde? Ah, só na nota oficial “A Mesa Diretora reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência”.

 

Veja mais AQUI!

 
1 comentário

Publicado por em 15/07/2013 em CadaMinuto

 

Tags: , , , ,

Ato Médico, desmistifique-o

Publicado no Portal Cada Minuto

E você, caro leitor, já tem sua opinião sobre o ato médico?

Antes que se antecipe em considerações, argumentos ou discussões parciais e conquistadas a título de influência dos que nunca souberam o que diziam e/ou o que pensavam, leia um pouco mais.

Para surpresa geral e indignação de uma nação, venho dizer que após leitura do ato médico, conclui que NADA, exatamente NADA há de polêmico na Lei que quando sancionada deverá regulamentar o ofício da medicina no Brasil.

Pois é, o Ato Médico é o apelido dado para projetos de lei, em tramitação há mais de uma década, aprovados na Câmara e no Senado e que já estão, em texto único, à disposição da presidente Dilma Rousseff para sanção ou veto, e que visa regulamentar o exercício da medicina no Brasil, que, por incrível que pareça, nunca houve normatização.

A proposta legislativa tornou-se objeto de grande discussão em face da recente onda de protestos no país, e conta com grande apoio popular para que seja vetado pela Presidente.

Curiosa pelo debate, fui estudar um pouco mais o assunto e me deparei com um texto de lei curto e claro, salvo por algumas expressões próprias da área da saúde, mesmo o mais leigo dos leitores é capaz de entender que não há polêmicas.

[Sou advogada e sei o quão importante é para a minha profissão o Estatuto da OAB, lei que prevê direitos e obrigações para advogados, o que reflete diretamente na sociedade e no serviço que lhes é ofertado por profissionais da advocacia.

O advogado só passa a sê-lo quando aprovado no Exame da Ordem, prova muito criticada e que na verdade deveria ser modelo para as demais profissões, assegurando à sociedade o que o Ministério da Educação não consegue assegurar (por razões que não valem a citação), que é a qualidade do profissional recém-formado nas mais diversas faculdades do país.]

Voltando ao Ato Médico tem-se que a polêmica reside na resistência dos demais profissionais de saúde – que não os médicos – em aceitarem a regulamentação legal da profissão médica.

Quem é o médico? Segundo o dicionário da língua portuguesa, do latim medicus, “s. m.1. [Medicina] Pessoa que exerce medicina”. A medicina, por sua vez, vem do latim medicina, -ae, medicina, remédio, mezinha), “s. f. 1. Ciência de debelar ou atenuar as doenças. 2. Sistema médico. 3. Remédio, mezinha”. E medicar? Ora, é justamente receitar, determinar medicação.

Acredito que as palavras por si são claras. O texto do Ato Médico também é claro, recomendo sua leitura aqui [http://www.senado.gov.br/noticias/agencia/quadros/qd_373.html].

Ficam definidos como atos privativos do médico, por exemplo, o diagnóstico da doença e a respectiva prescrição terapêutica e a indicação e realização de cirurgias e procedimentos invasivos. Esses procedimentos, segundo o texto, são a invasão da derme e epiderme com uso de produtos químicos ou abrasivos; invasão da pele que atinja o tecido subcutâneo para injeção, sucção, punção, drenagem ou instilação; ou ainda invasão dos orifícios naturais do corpo, atingindo órgãos internos.

Aí vem a polêmica trazida por tatuadores e acupunturistas. A meu ver não procede a preocupação. O texto me parece lógico quanto ao “nível do invasivo”. Ora, ambos os procedimentos são superficiais.

Sobre a acupuntura vale ressalvar que recentemente o Supremo Tribunal Federal manteve decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que “concluiu que o exercício da atividade de acupuntura por psicólogos não poderia ser regulamentado por meio de resolução, e sim por lei”. Esclarecendo que “a profissão de psicólogo é regulamentada pela Lei 4.119/1962, que estabeleceu como funções do profissional fazer diagnóstico psicológico, e não diagnóstico clínico”.

Sobre a tatuagem, a meu ver é mesmo bom procurar um médico antes, afinal é possível ter problemas de cicatrização ou de alergia. Prevenir nunca fez mal.

Voltando ao ato, acerca das atividades de saúde, além das desempenhadas privativamente por médicos, a lei esclarece “não são privativos do médico os diagnósticos funcional, cinésio-funcional, psicológico, nutricional e ambiental, e as avaliações comportamental e das capacidades mental, sensorial e perceptocognitiva”. Restando claro que não há limitação da atuação de fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, ou quaisquer outros profissionais.

E mais, “o disposto neste artigo [das atividades privativas do médico] será aplicado de forma que sejam resguardadas as competências próprias das profissões de assistente social, biólogo, biomédico, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, profissional de educação física, psicólogo, terapeuta ocupacional, técnico e tecnólogo de radiologia”.

Do meu ponto de vista a letra do Ato Médico é clara. Devem ser privativas do médico as ações que tenham o condão de alterar profundamente a condição de saúde do paciente, os tratamentos mais invasivos e incisivos, procurando, assim, preservar a saúde do paciente e deixando clara a natureza do serviço médico.

Assim, antes de embarcar em modismos, interessante se faz analisar a intenção do legislador, e se sua profissão não conta com a mesma legislação, em vez de rebelar-se contra os Conselhos e entidades de classe que emplacam suas bandeiras, deveriam fazer os seus próprios conselhos representativos conseguirem o mesmo.

Interessante é que a lei não prevê deveres, direitos e garantias aos médicos, não lhes assegura condições mínimas de trabalho e nem o reconhecimento por seus serviços, que são essenciais, e mais que isso, são de natureza vital para o ser humano.

Defender a vinda de médicos estrangeiros para o Brasil é de um simplismo ímpar, lutar por valorização dos médicos brasileiros e por mais, melhores e bem equipados hospitais é muito mais difícil, né?! Bem, mas isso é assunto para outro texto…

 
Deixe um comentário

Publicado por em 03/07/2013 em CadaMinuto

 

Tags: , ,

Vá de bike!

 

Em tempos de manifestações e de agravamento dos transtornos no trânsito, a campanha “vá de bike” ganha maior apelo. Aos que não sabem, há um movimento mundial para incentivar a mudança dos hábitos modernos. Assim como o exercício físico diário, a alimentação mais balanceada e regrada, também o combate às causas do estresse trocando o carro por bicicleta nos trajetos convenientes.

Para tanto, tem havido maior consciência social principalmente em relação aos benefícios à saúde do adepto às duas rodas, mas também é uma forma de melhorar o convívio urbano, o trânsito e, até, a poluição.

Em Maceió há o movimento bicicletada que se “propõem a lutar pela inclusão da bicicleta no trânsito, pela melhoria no transporte público, pela construção e manutenção de passeios públicos que atendam as necessidades de pedestres, pelo respeito no trânsito, por uma cidade mais para as pessoas e menos para os carros”.

O movimento tem chamado a atenção por participar efetivamente de audiências públicas para melhoria do trânsito e construção de ciclovias, buscando os meios legais e políticos para conseguir maior segurança e valorização do ciclista.

Logo

Para saber mais a respeito recomendo o site Bicicletada de Maceió.

 
 

Tags: , ,

Cadu Amaral, um militante na blogosfera

Cadu Amaral é meu colega de faculdade, pagamos algumas matérias juntos no curso de jornalismo e, assim como eu, ele é um “desperiorizado”. Cadu é blogueiro com publicações em vários portais e tem despontado no cenário da blogosfera política nacional há algum tempo.

Quem lê seus artigos, por vezes ácido, dificilmente acredita que Cadu seja alguém tão agradável e sempre disposto a contribuir com os colegas.

Amanhã, o Conversa com Blogueiro, da rádio CBN Maceió, receberá Cadu Amaral para um bate-papo sobre o Blog do Cadu Amaral (veja aqui!), às 11h, sob a condução de Carlos Miranda. Voltando aos perfis dos blogueiros que são recebidos pela CBN Maceió, o Palavras ao Vento apresenta-lhes Cadu Amaral por ele mesmo.

Blog do Cadu Amaral

Blog do Cadu Amaral

Palavras ao Vento: Quem é Cadu Amaral? Fale de suas formações e opção pelo jornalismo.

Cadu Amaral: Sou um militante político. Há mais de uma década que atuo na defesa dos direitos democráticos e dos trabalhadores. Fiz Ciências Sociais na UFAL, mas não me formei. Quando acabou a gestão que participei na UNE, resolvi fazer Jornalismo. Além do fato de poder contar histórias da vida real, a mídia é o grande palco dos embates ideológicos políticos.

PaV: Como você vê o jornalismo em Alagoas atualmente?

C.A.: Como em todo o país falta pluralidade. Aqui temos concentração dos meios de comunicação e com o agravante de todos os donos atuarem diretamente na política. O que não significa dizer que não há excelentes jornalistas atuando no estado. Ao contrário, temos excelentes nomes que fazem um bom jornalismo aqui, independente de suas concepções de sociedade.

PaV: Como nasceu o blog do Cadu? Há quanto tempo existe e como se deu seu sucesso em nível nacional? Onde mais o blog é publicado, além da plataforma blogger?

C.A.: Quando estava no DCE da UFAL planejava o fim de minha militância no movimento estudantil. Por estar acostumado a expor minhas ideias, comecei a sentir uma espécie de banzo o Blog era (e é) meu espaço pra continuar a fazer isso. Comecei com ele em 2007. Ele é replicado nos portais Tribuna Hoje, Tribuna do Agreste, Correio de Alagoas, Alagoas News e o portal nacional Brasil 24/7. A partir da eleição de 2010, o blog começou a ter mais acessos e especialmente de pessoas fora de Alagoas. As redes sociais foram fundamentais para isso.

PaV: O que te motivou a desbravar a internet como blogueiro?

C.A.: Foi para me manter debatendo e expondo minhas ideias. Além de ser a mídia o grande palco de debates, especialmente na internet, onde há condições mais igualitárias para disputar opinião com a “grande imprensa”.

PaV: Como você vê o espaço que inicialmente tinha a conotação de diário particular (blog) e que hoje é tomado por profissionais da imprensa? Vê como emancipação do jornalista? Independência, enfim?

C.A.: Acho que dá ao jornalista a liberdade de se livrar do produto da imparcialidade. Em blogs, geralmente, há ali uma carga opinativa grande, mesmo que se tenham conteúdos com bastante informação.

PaV: Com uma câmera na mão qualquer um pode ser jornalista?

C.A.: De forma curta: sim. Antes de existirem os cursos de Jornalismo, já havia jornalistas. Mas com a dinâmica da circulação de informação que temos hoje, a formação acadêmica é fundamental. É ela que vai te dizer se você leva jeito ou não para a coisa e em que área você tem mais afinidade. Tem gente que começa o curso querendo tevê e se descobre um fotojornalista ou webjornalista, por exemplo.

PaV: Qual a importância do jornalista para a internet? E da internet para o jornalista?

C.A.: O jornalista dá a apuração ao que circula na rede. Na internet há várias coisas espalhadas como virais que não são verdade, principalmente depois das redes sociais. E ela, a internet, obriga o jornalista a apurar bem, pois senão ele será desmentido em questão de minutos.

PaV: Como o blog influencia os leitores? Acha que influencia?

C.A.: Acho que mostra outra perspectiva em relação à mídia corporativa. Ajudando a refletir sobre o que se vê ou lê por aí.

PaV: O que o inspira a escrever?

C.A.: Peço para parafrasear Che Guevara: “sem medo de parecer ridículo, a busca por uma sociedade melhor, igualitária”.

PaV: Como classifica um assunto em relevante ou não para ser publicado no blog?

C.A.: Costumo sempre escrever um texto por dia (ultimamente tenho escrito a cada dois, três dias por causa de outros afazeres), geralmente sobre o tema mais discutido no momento ou mesmo coisas que presencio. Mas sempre em torno de temas políticos e da comunicação.

PaV: O que você pretende com seu blog?

C.A.: Difícil dizer. Nunca esperei sequer ver textos que escrevo em portais. Espero que consiga cumprir pelo menos o papel de ser um espaço de mídia alternativa. Não somente como plataforma, mas no conteúdo também.

PaV: Deixe um recado aos leitores e aos possíveis leitores do seu blog. E outro para os blogueiros e pessoas que pretendem aventurar-se nos blogs.

C.A.: O recado que deixo para os leitores atuais e futuros é que nem tudo é o que parece. Não existe imparcialidade na imprensa, noticiosa ou não. Isso é conversa para vender jornal ou dar audiência para telejornais ou em rádios. Para os blogueiros digo que não se apeguem ao mito da imparcialidade, contem o mundo que os cerca como vocês os veem.

PaV: Podemos esperar por novidades no blog do Cadu?

C.A.: Penso em convergir mídias no Blog e torná-lo um espaço onde mais pessoas exponham suas ideias, mas não tenho uma previsão de quando começaria. Espero que em breve.

Não percam!! Amanhã (02), às 11h, na rádio CBN Maceió, FM 104,5, com Carlos Miranda, a entrevista com Cadu Amaral.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 01/07/2013 em Blogs na CBN Maceió

 

Frases da Semana

O “FRASES DA SEMANA” traz um “revival” dos cartazes que mais me chamaram atenção nesse último mês marcado por manifestações e mudanças…

Facebook de Rafael Maynart

Facebook de Rafael Maynart

Manifestações pelo Brasil

“Quando injustiça se torna rotina, revolução se torna dever”.

“Paz sem voz não é paz é medo”.

“Balas de borracha não apagam a verdade”.

“Baixa os impostos, não tá dando nem para comprar uma calça de R$ 300,00 para uma jovem de 16 anos”.

“Se é perigoso andar sem cinto no carro, por que temos que andar em pé no ônibus?”

“Queremos o último episódio de Caverna do Dragão!”

“Na Arábia Saudita os ladrões são amputados, no Brasil são deputados.”

“Queremos cura para a fome”.

“Dilma chama a educação de Neymar e investe nela”.

“Revolução na sua mente. Você pode, você faz.”

“Quantas escolas valem um maracanã?”

“A consciência do povo daqui, é o medo dos homens de lá”.

“Ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil”.

“Bem vindo à copa das manifestações”.

“The Alckmin dead”.

“Não PEC, amém”.

“Minha carta de Hogwarts não chegou, mas cansei de ser trouxa”.

“Brasil nas olimpíadas: campeão dos saltos orçamentais”.

Manifestações em Penedo

“Festas não me compram”.

“Não estamos parados, não queremos coletivos sucateados”.

“Da rua saio não, queremos saúde e educação”.

“Chega de blá, blá, blá… o professor vale mais que o Neymar”.

Manifestações em Maceió

“Só pago 2,85 por serviço de TELEtransporte”.

“A PEC que pariu”.

“Cadê Bárbara Regina?”

 
Deixe um comentário

Publicado por em 28/06/2013 em Frases da Semana

 

Tags:

Quem é burro mesmo?

Dilma não é burra, nunca foi! Escolhida por Lula para suceder-lhe, Dilma assumiu esse país com a missão primeira de dar continuidade às políticas de Lula…

Por serem pessoas diferentes e com perfis diferentes, assim como pelo fato de a conjuntura política, social e econômica serem diferentes, as coisas não estão exatamente como se esperava…

Mas burro? Ah, de burro só o povo mesmo!!

O povo que reclama das manifestações, que reclama da classe media, que reclama que não são os pobres que estão nas ruas, que reclama porque quem tomou as ruas nunca o fez antes, que reclama porque faltam reivindicações, que reclamam porque são “coxinhas”…

Ora, amigos, parem de reclamar, parem de despeito!! Recuperem suas antigas pautas e tragam para a atualidade… Ir para as ruas não é ser contra a presidenta ou os partidos, não é ser contra o passado e a favor do futuro… É, simplesmente, indignar-se e reverberar! É ser jovem, mesmo com muita idade! É ver-se pertencer a uma massa que não quer ser modelável!

E antes que as reclamações recaiam sobre a superficialidade das manifestações… Vai lá, faz melhor e inspire reivindicações novas!!!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 26/06/2013 em Facebook

 

Tags: ,

#VemPraRuaPenedo Jovens sabem muito bem o que querem

Publicado no Portal Cada Minuto

Da rua não saio, não. Quero investimento em saúde e educação”.

Penedo entrou na onda dos manifestos, mas muito mais do que meros surfistas das onda da web ou das modinhas virtuais, os penedenses deram um show na reivindicação de seus direitos.

Cônscios do papel de cidadãos vanguardistas que os jovens possuem em sua comunidade, eles tomaram as ruas da histórica Penedo para cobrar melhorias não só no transporte público – “não estamos parados, não queremos coletivos sucateados” -, mas também na cidade, na educação e na saúde.

Cerca de 200 meninos, meninas, jovens e trabalhadores optaram por ignorar o jogo do Brasil (em Fortaleza, contra a seleção do México, pela Copa das Confederações) para protestarem nas ruas da cidade. Com gritos de “chega de blá blá blá, o professor vale mais que o Neymar”, aqueles jovens mostraram que “o país do futebol” está amadurecendo e voltando sua atenção (e seus valores – “festas não me compram”) para aqueles que realmente importam: “o futuro da nação”.

“Orgulhosos de serem brasileiros”, entoaram o Hino Nacional unidos, de mãos dados, em frente à prefeitura municipal e pedindo valorização aos seus professores, novas contratações e capacitação adequada. Aqueles meninos estavam (e estão) realmente preocupados com seu futuro, com a qualidade de seus estudos, e entenderam que a qualidade de sua formação passa, necessariamente, pela qualidade e dedicação do professor.

Esse alunos são diferenciados, mas o mais importante, são realistas, sabem o que querem do futuro e não querem ter que abandonar sua cidade para estudar e trabalhar. Pediram melhor educação, mais cursos superiores, maior valorização de seus professores e suas instituições de ensino, mas, principalmente, pediram a valorização de sua cidade, com geração de emprego, renda e desenvolvimento – não esqueceram da cultura e lazer.

Se a gente gritar eles ouvem!” Chamaram à responsabilidade o Deputado Federal, e ex-prefeito da cidade, Alexandre Toledo e o governador Teotônio Vilela, companheiros de estratégias políticas e eleitorais, e pediram-lhes mais investimento na cidade, em especial à saúde, às UPAs.

Por meio de cartazes alertaram “quando seus filhos adoecerem, leve para o estado”. Em meio aos jovens, além de professores, havia também trabalhadores da saúde. Estavam engrossando o coro por melhores condições de trabalho, reclamaram das cobranças por qualidade quando muitas vezes lhes faltavam material básico.

A passeata que começou na entrada da cidades, aos pés do Bom Jesus dos Navegantes, como que pedindo benção aos ousados jovens que tiveram a coragem de disputar a atenção da tradicional sociedade penedense com o jogo da seleção brasileira, parece ter conseguido as bençãos e os incentivos necessários. No caminho ganharam maior adesão, a polícia ajudou a controlar o tráfego e acompanhou todo o trajeto, assegurando que os jovens não seriam interrompidos.

Apesar da descrença de alguns espectadores quanto aos rumos daquela passeata juvenil, o que se viu foi pacifismo, paciência, entusiasmo, esperança e, principalmente, coerência.

Em frente à prefeitura, mais uma demonstração de que não eram meros surfistas de redes sociais, mas jovens dispostos a cobrar pelas promessas que políticos eleitos fazem recorrentemente. Não pediram “a cabeça” do prefeito, apenas lembram-no das promessas.

O gigante acordou, e o gigante é jovem, disposto e coerente. O gigante quer melhor educação, quer melhor saúde, quer melhor transporte e quer, acima de tudo, uma melhor cidade.

E se você, caro leitor, está pensando que esse texto é demais para uma “cidade pequena? pequena é sua mentalidade”.

Parabéns, penedenses!!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 20/06/2013 em CadaMinuto

 

Tags: , ,

3 anos depois: novas cidades, velhos problemas.

Publicado no Portal Cada Minuto

Há dois anos um grupo de blogueiros esteve em algumas das cidades atingidas pelas enchentes de 2010. Cerca de 19 municípios foram atingidos pela enxurrada provocada pelas fortes chuvas que elevaram a níveis catastróficos a vazão da água dos rios mundaú e paraíba ocasionando um dos piores desastres naturais que se tem notícia em Alagoas.

Cheias, fortes chuvas e desastres não são novidades no nordeste e em vários outros estados brasileiros, principalmente na época das chuvas, já que inverno por essas bandas não é estação que facilmente se identifique.

Em 2010 a enxurrada arrastou tudo o que viu pela frente: casas, lojas, prédios públicos, bibliotecas, correios, lotéricas, postos de saúde, escolas, tudo. Pessoas foram arrastadas, perderam-se e foram encontradas milhares de quilômetros de distância de casa, outros nunca foram encontrados. Alguns com vida e ao menos 27 mortos.

A mobilização local, regional e nacional foi incrível, doações vieram de todos os lugares do país e do mundo. Barracas holandesas foram doadas aos desabrigados para que pudessem aguardar por suas novas residências prometidas pelo poder público ao abrigo do sol e da chuva.

O tempo passou e, 1 ano depois, um grupo de blogueiros despretensiosamente resolveu visitar alguns acampamentos para ver como viviam os flagelados de um dos maiores desastres que Alagoas já enfrentou.

Os bolsões de miséria que foram identificadas naqueles acampamentos, haviam se transformado em alvos fortes para bandidos e traficantes. Crianças não tinham escola e nem lazer de qualidade, adultos não tinham emprego, qualificação e nem esperança. Nos municípios em que a situação dos acampamentos era pior as necessidades eram básicas: água limpa, comida, banheiro. Já nos municípios onde os acampamentos eram mais bem arrumados e orientados pelo governo municipal, as necessidades eram individuais, de: privacidade, identidade, propriedade, guarda familiar e independência.

Nasceu a campanha virtual #UmAnoEnchentesAL com a única intenção de dar visibilidade e chamar a atenção da sociedade para as condições como viviam homens, mulheres, crianças e idosos naqueles acampamentos tão generosamente montados com o apoio holandês.

A mobilização obteve sucesso, respeitando intervalos regulares, cada um dos blogueiros publicou sua impressão sobre a viagem, as pessoas, a infraestrutura, a surpresa, o caos e o abandono. Por semanas aquelas pessoas não caíram no esquecimento, até que a produção do Fantástico (Rede Globo), alguns meses depois, esteve nos mesmos acampamentos e constataram o que não tivemos coragem de dizer: pareciam viver num campo de refugiados.

O choque provocado pela imprensa profissional e maior meio de comunicação do Brasil fez com que ações mais efetivas fossem adotadas. Um termo de ajustamento de conduta foi firmado entre governo estadual, municípios, Caixa Econômica Federal, Ministério Público e os moradores para que as casas fossem entregues num novo prazo.

A partir de então ações cada vez mais midiáticas foram adotadas. Primeiro para tirar aquelas pessoas das lonas holandesas, onde viviam na sujeira, lama e calor, a depender do clima, mas sem qualquer conforto, individualidade ou decência. Depois o problema foram os cadastrados, listas confusas e erradas eram rebatidas e refeitas, até que mais casas iam sendo entregues.

A cada solenidade de entrega de casas mais e mais políticos apareciam para se vangloriar do momento e parecerem – aos olhos dos humildes eleitores beneficiados – beneméritos generosos e solidários.

Nesta segunda-feira (17) mais um ano se completa desde o desastre. Aqueles que perderam suas vidas, as de familiares e amigos não tiveram o que receber de volta. O desastre foi fatal e impossível de remediar. Os danos materiais sofridos pelos pobres e desvalidos foram – como deviam ser – suplantados pelo estado naquilo que era possível.

Mas três anos depois da tragédia de 2010, muitos alagoanos continuam sem documentos, sem identidade, sem história. Valendo-se de água de péssima qualidade, em meio ao lixo que se acumula. Os anseios por casas estão “quase” completamente satisfeitos, mas muitos ainda não receberam seus imóveis.

Os comerciantes continuam sem seus pontos comerciais, os empregos sumiram, a renda estagnou e os bolsões de miséria só mudaram de lugar – saíram das lonas e estão em planícies metodicamente organizadas, como se ali vivessem “soldadinhos idênticos de chumbo” e não uma sociedade que vivia a seu modo daquilo que produzia.

Se o governo estadual se vangloria hoje de ser o estado com o maior avanço no projeto de reconstrução dos municípios devastados, deveria reservar espaço proporcional em sua propaganda institucional ao tamanho da importância que o Programa Fantástico (Rede Globo) teve ao despertar todo o país para as mazelas que acometiam aqueles flagelados, os mesmos que o Brasil mobilizado ajudou a superar a tragédia.

#TrêsAnosEnchentesAL Se não fosse o Fantástico, quantas casas teriam sido reconstruídas?

 
Deixe um comentário

Publicado por em 18/06/2013 em CadaMinuto

 

Tags: , , , ,

Ajude uma criança – há muitos outros jeitos

Quantas vezes nos pegamos ignorando uma criança no semáforo ou nas ruas?

Este vídeo educativo feito pela ONG Casa do Zezinho traz um importante e tocante alerta. Confiram e me digam o que sentiram:

Afinal, realmente há muitos outros jeitos de ajudar uma criança, encontre um e ajude também!!!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 17/06/2013 em Variedade

 

Tags: ,

O Outro Lado do Paraíso – a Maceió do Brasil mais Seguro

Lágrimas. Foram elas que traduziram a catarse de sentimentos despertados ontem (11), no auditório da Faculdade de Comunicação do Cesmac. O que deveria ser apenas uma apresentação de um trabalho de conclusão de curso acabou se revelando num tocante documentário capaz de explicitar da forma mais clara e contundente as dores que mais têm incomodado maceioenses e todo alagoano.

12 anos de crescimento constante do número de mortes por causas violentas levou Maceió à primeira colocação entre as cidades mais violentas do Brasil, com destaque inclusive no “ranking” internacional.

Há um ano o governo estadual lançou em Alagoas o programa federal “Brasil mais Seguro”, surgido como “tábua de salvação” para a situação de criminalidade descontrolada e bárbara na qual o estado se encontra. A ideia, desde o início, era a redução dos números através da força policial e de inibição da ação criminosa com a “sensação de segurança” nas ruas.

O ano passou e uma dupla de graduandos em jornalismo do Cesmac resolveu abordar o tema em seu TCC por meio de um “documentário televisivo”, fazendo referência máxima à postura governamental de adotar uma campanha publicitária onde se comemora a “redução” do número de mortos por causas violentas acendendo a luz de velas.

Redução esta contestada veementemente por suspeitas de maquiagem de números. Afinal, quantos potenciais homicídios foram realmente abortados? Impossível saber. O que se sabe é que os potenciais assassinos continuam se multiplicando pelas ruas diante da ausência de políticas públicas que deem aos jovens expectativas.

A campanha institucional pegou tão mal em todas as esferas sociais que a vela assumiu papel de protagonismo no debate sobre a criminalidade. Um dos entrevistados no documentário, André Palmeira, filho do médico José Alfredo Vasco, foi claríssimo ao afirmar que muitas velas foram acesas pelos parentes de vítimas fatais da violência, e que velas continuam sendo acesas por essas mesmas famílias. Comemorar redução de mortes acendendo velas é desrespeitar quem continua acendendo velas por seus mortos e aqueles que acendem diariamente velas por seus novos mortos.

Depoimentos de pais, mães e filhos são naturalmente fortes e comoventes. Tenha sido a vítima assassinada pela razão que for, seja a vítima pessoa de bem ou não, para os entes queridos a dor da morte não tem cura, a dor da violência não tem remédio, a dor da impunidade rasga o coração diariamente.

O pai que perdeu dois filhos assassinados em menos de um ano, a mãe que perdeu o filho da forma mais vil e ainda foi acusada de corresponsável por aqueles que deveriam ter protegido a vida de seu filho e toda a sociedade, o filho que perdeu o pai por uma bicicleta velha que “servia para nada”…

Enquanto isso o documentário é cortado por argumentos, defesas, ataques de representantes do poder público, de entidades da sociedade civil organizada e estudiosos. Editado de forma que parece ao espectador que um debate foi levantado, o roteiro está límpido. O Brasil Mais Seguro foi uma boa ideia que de nada resultará se não for acompanhada de medidas mais efetivas de prevenção.

As lágrimas que fatalmente acometerá aos mais sensíveis que assistirem ao documentário “O Outro Lado do Paraíso – a Maceió do Brasil mais Seguro” são as mesmas que me tomam quando lembro de frases impactantes como “em Alagoas não tem cidadão” ou “não, o alagoano não é violento”. Frases como essas me tomam de dor e lamento, procuro a Maceió da minha infância, dos meus passeios de bicicleta, das brincadeiras no “areião” em frente de casa, das idas à escola de carroça e só o que encontro é a Maceió do Brasil mais Seguro cada vez mais insegura.

Segue o link para o documentário de Fernando Nunes e Nathália Conrado.

 
 

Tags: , , ,

Presidente do Sistema S em Alagoas enfrenta crise

Publicado no Jornal O DIA ALAGOAS  (02/06/2013)

Acusações de desvio de função, assédio moral, pagamentos ilegais, demissões arbitrárias, maquiagem de contas, locupletamento de valores, administração em proveito próprio e outros. Essas são acusações graves e comuns no mundo da administração pública, da improbidade administrativa e da corrupção nos noticiários políticos brasileiros. Entretanto, essas são atribuídas por sindicalistas ao presidente do Sistema Fecomércio Sesc/Senac e Instituto Fecomércio Alagoas e presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/AL e do Sindicato do Comércio Varejista de Arapiraca (Sindilojas), Wilton Malta de Almeida.

Wilton Malta acumula diversas funções administrativas e representativas de comerciários, mas lhe recaem acusações feitas por sindicalistas e ex-empregados do Senac, em especial. Malta é acusado, ainda, de sequer ser um comerciante. As acusações que lhe pesam chegaram ao Ministério Público Estadual em 15 de maio deste ano, através de representação do Movimento Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral em Alagoas.

As acusações

As acusações contra Wilton não são novas, em 2009, diante da demissão do então diretor do Senac/AL, Arkiman Pires, sobrou para o responsável pelo Departamento Regional de Alagoas – Wilton Malta – a acusação de conivente, cúmplice e de ter sido desidioso na escolha de Arkiman dentre 18 possíveis gestores, sendo que à época de sua contratação Arkiman já respondia, pelo menos, a cinco processos judiciais em Minas Gerais, cujas acusações passavam por estelionato, falsificação de documentos e falsidade ideológica.

À época Arkiman foi responsabilizado em relatório de auditoria de desviar cerca de R$ 3 milhões no Senac/AL, sob a proteção de Malta e outros conselheiros. Alguns conselheiros chegaram a alertar que a “instituição tem servido para seus dirigentes se locupletarem”. Agora, 4 anos depois, sindicatos se unem para pedir apuração e punição do presidente do Sistema em Alagoas por essas e novas acusações.

Acima de qualquer suspeita, Wilton Malta, coleciona títulos e honrarias por seu “trabalho e serviços prestados aos alagoanos”, mas dirigentes sindicais levantam suspeitas gravíssimas à administração de Malta, que se valeria do cargo para receber diárias indevidas e abusivas, antecipação de pagamentos, uso da “máquina” do Sesc em proveito próprio e de familiares.

As ingerências que são apontadas pelos órgãos sindicais alcançam ainda a administração de departamentos internos do Senac, onde seria recorrente o assédio moral, a demissão arbitrária, o desvio de função de funcionários, bem como o “apadrinhamento” de outros em detrimento da eficiência do serviço.

O Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social de Orientação e Formação Profissional no Estado de Alagoas (Senalba/AL), que possui assento no Conselho Deliberativo, solicitou diretamente ao Presidente do Conselho Regional do Senac/AL – Wilton Malta – informações administrativas, quanto à contratação de prestador de serviços sem observância da lei – no Sesc e Senac, assim como de todos os contratos de pessoas física e jurídica, com ou sem licitação.

A situação tem sido tão delicada que, inclusive, o Senalba/AL solicitou a devolução do “Título Sócio Benemérito do Senalba/AL”, acrescentando que o sindicato entende que Malta “não tem conduta ilibada”.

Mário Sérgio Teixeira, Diretor de Esportes da Força Sindical em Alagoas, esclareceu que é necessária uma intervenção imediata com a devida prestação de contas e apresentação comprobatória dos gastos. Em resposta aos questionamentos apresentados pela representante dos trabalhadores do Sesc e Senac, Ivanilda Carvalho, o presidente do Sistema Fecomércio Sesc/Senac não deu resposta e teria dito que não tinha obrigação de dar, o que foi rechaçado pelo Departamento Nacional, uma vez que enquanto representante dos trabalhadores no Conselho, a sra. Ivanilda pode querer as informações que julgar pertinentes.

Sistema S

Segundo o Prof. Diogo de Figueiredo, o Sistema S é “organizado para fins de amparo, de educação ou de assistência social, comunitária ou restrita a determinadas categorias profissionais, com patrimônio e renda próprios, que pode ser auferida por contribuições parafiscais, no campo do ordenamento social e do fomento público”.

Em regra, as contribuições incidem sobre a folha de salários das empresas pertencentes à categoria correspondente sendo descontadas regularmente e repassadas às entidades de modo a financiar atividades que visem ao aperfeiçoamento profissional (educação) e à melhoria do bem estar social dos trabalhadores (saúde e lazer).

A representação de trabalhadores nos conselhos do Senai, Sesi, Senac e Sesc, desde 2006, marcou o início do processo de democratização do Sistema S, até então gerido apenas pelas confederações de empregadores e com assento de representantes do governo. A gestão do Sistema S do comércio e da indústria não é tripartite e paritária, mas a inclusão da representação laboral nos conselhos deliberativos nacionais e regionais do Sistema, na indústria e no comércio, representa um grande avanço e legitima a apreciação das contas e da gestão dos dirigentes.

As denúncias apresentadas, bem como a investigação interna feita pelos representantes dos trabalhadores junto ao Sesc e ao Senac em Alagoas mostraram o quão importante é a participação dos trabalhadores do comércio na fiscalização da atuação de instituições que possuem peso relevante junto à classe de Comerciários e à sociedade.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 11/06/2013 em O DIA ALAGOAS

 

Tags: , , , ,

Sonhos que os militantes esqueceram

Hoje passei um bom tempo conversando com meu pai e ele compartilhou comigo o quão decepcionado está com a histórica esquerda do país “esse pessoal que foi do PCB e PCdoB e que desde que chegou ao poder, não larga por nada”, explicou com alguma tristeza.

Completei que também me entristecem atos que acompanho de afronta à democracia, como a tentativa de abortar a criação do partido novo de Marina Silva, ou as andanças do Cavaleiro “socialista” Fernando Beserra pelo Nordeste, a fim de atordoar os planos do colega de partido Eduardo Campos na corrida presidencial. Se isso não for claramente antecipação de campanha com o intuito de limitar as possibilidades de escolha do povo brasileiro, então, não sei o que seja…

Enfim, aqueles que sempre defenderam que os militantes de esquerda nunca lutaram pela democracia e liberdades individuais o que devem estar pensando do Brasil de hoje? O da corrida presidencial de cartas marcadas, o das leis que privatizam o Brasil, o da economia que se fortalece pela moeda estrangeira, o das alianças internacionais com países liberais, o do patrulhamento virtual, o da perseguição ideológica, o da proteção aos grandes latifundiários, o das leis que obrigam o cidadão a fornecer provas contra si mesmo, o do enfraquecimento do Ministério Público, da educação, saúde e segurança sucateados?…

Registro que acho ótimo que o Brasil procure equilíbrio no capitalismo, mas o Brasil de hoje está longe de ser o mesmo do sonho dos militantes de outrora. Das duas uma: ou os sonhos mudaram, ou nunca sonharam…

Ponto positivo é o aumento do poder aquisitivo dos mais humildes, mas sem educação de qualidade e sem incentivo aos valores e à moral que desenvolvem uma nação com igualdade, liberdade e solidariedade, estamos distribuindo renda para que os mais ricos sejam cada vez mais ricos…

Custa nada ponderar!!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 10/06/2013 em opinião

 

Tags: , ,

Frases da Semana

Excepcionalmente, acumulamos as frases mais marcantes das últimas duas semanas.

Ana Cristina Sampaio (jornalista, mãe adotiva):

“Quando resolvi adotar uma criança ninguém me apoiou. Na época, não ouvi nenhuma opinião positiva. Ninguém me deu força ou disse. ‘poxa, que legal’. Por isso, para quem deseja adotar uma criança, eu digo: Não ouça o que as pessoas dizem. Não deixe se levar pelo preconceito. Pense com o coração”.

Oscar Schmidt (ex-jogador de basquete):

“Não vou deixar esse tumor me matar nem a pau. Vou vencer essa p…”

Dilma Rousseff (Presidente da República):

“Eu não discuto decisão judicial e nem posso fazê-lo. Não cabe a ninguém fazer este processo de discussão judicial”.

“O que a Justiça dispõe para nós fazermos, nós cumprimos. Agora, sempre vamos preferir o processo negocial para evitar choques, mortes, ferimentos”.

Joaquim Barbosa (Presidente do STF) sobre a criação de novos TRFs:

“Who cares [quem se importa]? Nada a dizer”.

Dário César (Secretário de Defesa Social):

“Este é o “Galeguinho”, que tirou a vida do PM ontem na Van. Apareceu morto à bala, perto dos pertences das vítimas!”

Welton Roberto (Advogado e professor):

“Parabéns PSDB/AL. Parabéns governador Teotônio Vilela. Em 2014 eu acendo uma vela para vcs! Folha de S.Paulo faz matéria sobre violência e Maceió aparece mais uma vez como capital mais violenta do país”.

Isadora (@IsaMonts) no twitter:

“Aliás, ter fake pra seguir gente que você não gosta, né? Vai se tratar, baby.”

 
Deixe um comentário

Publicado por em 07/06/2013 em Frases da Semana

 

Pedro e sua prótese

Publicado no Facebook

981417_4254567500850_1390929111_oMeus amigos queridos que tanto nos ajudaram a ajudar o Pedro Bernardo, volto a usar o espaço para agradecer-lhes tudo o que fizeram e proporcionaram a essa alma bondosa e que tanto sofreu…

Hoje Pedro recebeu sua prótese e já está fazendo sua adaptação a ela…
Olhem só que vitória, que benção…

Pedro é merecedor e todos os que ajudaram como puderam, ainda que com a força de suas orações, podem sentir-se orgulhosos e felizes por vê-lo, enfim, de pé!!!

Hoje é dia de comemorarmos e celebrarmos tudo o que Pedro superou e conquistou até aqui…

Lua Beserra Vera Calvao Claudia Edite Coelho Romeiro Heloisa Helena Yuri VeigaAline Batista Zema Silva Ferreira

Aos que não acompanharam a história de Pedro, explico: no dia 26/05/2012, Pedro foi atropelado por um motorista alcoolizado enquanto trabalhava. Pedro era gari e foi imprensado contra o caminhão de lixo quando perdeu a perna esquerda e teve graves e severas fraturas na perna direita, que até hoje (mais de 1 ano depois) ainda está com a estrutura metálica externa (nunca lembro o nome disso). O motorista nunca ajudou Pedro e por isso toda ajuda e doações foram essenciais para que ele superasse os momentos mais difíceis e conseguisse se adaptar às novas limitações. Pedro continua se adaptando e lutando por justiça.

Com o apoio incondicional da Adefal, Pedro hoje está com sua prótese.

Brindemos!!!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 06/06/2013 em Facebook

 

Tags: , , ,

O inconveniente Suplicy

Quem é Eduardo Suplicy? Bem, muitos de nós só conhecem o Suplicy senador, político pelo Partido dos Trabalhadores – um de seus fundadores – e que em 2014 completará 23 anos de mandato ininterrupto no Senado Federal. Mas Suplicy tem uma história interessante e que merece ser contada.

Descendente de barões do café paulista e neto do riquíssimo empresário conde Francesco Matarazzo, Suplicy é formado em Administração de Empresas pela FGV e em Economia pela Universidade de Michigan (EUA).

Suplicy entrou para as disputas políticas em 1978 e desde então tem uma carreira ascendente nas proporcionais: deputado estadual, deputado federal, vereador e senador. Nunca venceu uma disputa majoritária, tendo sido derrotado por Jânio Quadros, Maluf e Quércia, sempre em São Paulo.

Suplicy possui como características determinantes sua personalidade única, sua coerência com princípios e com suas crenças e valores. Suplicy tem um jeito muito peculiar, fala mansa e baixa, dicção nada clara, mas uma capacidade ímpar de se fazer entender.

Nesses tantos anos de política, sempre com sucesso estampado, Suplicy despertou e desperta inimizades, inveja e controvérsias. Hoje é ele quem mais incomoda o PT. O partido está no comando do governo federal desde 2002 e desde 2003 enfrenta problemas com a ÉTICA por ter optado administrar o Brasil com as mesmas armas que sempre combateu nos governos que o antecederam.

Suplicy nunca admitiu isso, fiel a seus ideais e crente de que o PT que fundou ainda existe – mesmo que esteja escondido em algum lugar –, luta para resgatar os princípios éticos nos quais sempre acreditou. De dentro do partido ele tenta manter a voz ativa e alta no sentido de que no PT ainda há os idealistas românticos fundadores do partido e que não se venderam – talvez porque ele não precise. Continua defendendo a distribuição de renda e a melhoria das condições de vida dos mais humildes.

Em 1985, Suplicy, Sócrates, Marta, Lula e Adílson Monteiro Alves (crédito: Mário Leite)

O que mais chama a atenção é sua espontaneidade, sua capacidade de dizer o que pensa e de fazer pensar aqueles que se acomodaram ao sistema. Em 2003, quando uma crise interna fez com que o PT perdesse importantes “quadros” políticos com mandatos federais – como Heloisa Helena –, Suplicy manteve-se coerente e apoiou os colegas dissidentes, apontando as perseguições e o patrulhamento ideológico dentro do partido.

Os dissidentes saíram e levaram consigo os ideais iniciais do partido, mas o senador Suplicy continuou e com ele ficou a marca do que um dia foi o PT. Afinal, o partido é um antes e outro depois da vitória de 2002.

Suplicy apoiou a CPI que culminou com o caso mensalão, mas chorou. Realmente, não deve ser fácil ser voz dissonante mantendo-se fiel.

Quando seus companheiros desistiram de combater Sarney, Suplicy deu-lhe um “cartão vermelho” simbólico

Apoia a democracia e tem demonstrado isso quando declara apoio à criação de novos partidos ou à discussão político-partidária (como convenções) aberta aos eleitores e não só aos filiados. Não vota porque a bancada decide, não se vende aos joguetes políticos para troca de favores, tende a votar conforme sua consciência, ainda que não seja compreendido por seus pares.

Suplicy é uma figura folclórica e se tornou patrimônio político do paulista e do brasileiro, sua presença no cenário nacional é essencial.

Que ele consiga superar a perda de espaço crescente no partido com o apoio popular nas urnas, que não lhe falte coragem e que o brasileiro reconheça sua importância.

 

Segue a carta que enviou recentemente ao ex-presidente Lula, quem dita as regras no partido e traça as estratégias políticas. Confiram:

“Caro presidente Luiz Inácio Lula da Silva,

Sempre teríamos na transparência de nossos atos e na ética da vida pública os valores fundamentais do PT, foi o que muitas vezes ouvi de você. Nesses 33 anos de militância honrei esses valores e objetivos.

Quero lhe transmitir pessoalmente a minha disposição de ser candidato ao Senado em 2014 e naquela casa continuar a honrar o PT. Tenho procurado marcar um encontro pessoal, há meses, mas por alguma razão tem sido sempre adiado.

Gostaria de relembrar que, em 2011, quando éramos cinco os pré-candidatos a prefeito de São Paulo, você convocou os demais para dialogarem com você no Instituto Lula para que desistissem em favor de Fernando Haddad. Imagino que tenha avaliado que não precisava conversar comigo.

Há cerca de duas semanas, conforme soube pela imprensa, houve reunião no Instituto Lula, em que estiveram presentes os presidentes nacional e estadual, Rui Falcão e Edinho Silva, outros importantes dirigentes e pelo menos oito prefeitos do PT. Não fui convidado, embora ali se tenha discutido a campanha de 2014, os procedimentos para a escolha do nosso candidato ao governo de São Paulo, ao Senado e possíveis coligações. Segundo o divulgado, os presentes teriam solicitado à direção organizar uma pesquisa de opinião para saber qual o candidato a governador mais viável. Ademais, cogitou-se a possibilidade de que eu pudesse ser candidato a deputado federal para fortalecer a legenda do PT, com a informação de que caberia a você convencer-me desta alternativa.

Considero justo que o PT me aponte como candidato ao Senado. Por uma questão de respeito à minha contribuição para o PT desde a sua fundação e também por ter sido eleito por votações cada vez maiores para o Senado, em 1990 com 4.229.706 votos, 30%; em 1998 com 6.718.463, 43,07%; em 2006, com 8.986.803 votos, 47,82%.

Poderemos fazer uma prévia aberta a todos os filiados e eleitores interessados em participar como mais e mais se faz em todos os países democráticos. Lembro que José Dirceu certa vez defendeu que nossas prévias deveriam ser abertas a todos os eleitores.

Há apenas uma hipótese de eu abrir mão de disputar o Senado em 2014: caso você queira disputar. Por respeito aos seus oito anos como Presidente da República, por já ter disputado uma prévia com você em 2002 e você ter ganho por larga margem.

Sempre observei que você acompanhou com grande interesse tudo o que se passa ali, pois sempre comentou conosco que costumava assistir à TV Senado. Acredito que considere algo positivo tornar-se Senador”.

Eduardo Matarazzo Suplicy

 
Deixe um comentário

Publicado por em 05/06/2013 em Federal, opinião, Política

 

Tags: , , ,

Sem emprego e renda crimes podem aumentar em Alagoas

Publicado no Portal Cada Minuto

Andei pensando sobre a entrevista que o vice-governador deu recentemente ao Blog do Vilar (cada minuto) e me ocorreu que as reclamações dele são extremamente relevantes. Afinal, é indiscutível que a “menina dos olhos” do governo estadual tem sido a segurança pública, talvez por ser, atualmente, a maior porta de entrada de investimentos federais no estado.

Entretanto, assim como tantas outras apostas erradas do atual governo estadual, a segurança pública não tem correspondido aos investimentos, nem à atenção que recebe e muito menos à publicidade institucional que é alvo.

E o que mais me causa preocupação é que a segurança pública é o tipo de área que só possui solução quando assume a posição de engrenagem num órgão sistêmico, onde é necessário que as diversas outras áreas atuem com perfeita desenvoltura para que a segurança pública funcione a contento.

Ocorre que o que vemos, por mais que não seja novidade, pouco tem sido debatido.

As escolas estão sendo entregues depois de dois anos de reformas, mas já precisando de novos reparos – nunca vi isso, diga-se de passagem.

A saúde pública está capengando ainda mais e tudo por culpa da “votação dos royalties” o que atrasou o orçamento federal, atrasou o repasse da verba, atrasou o pagamento dos fornecedores de medicamentos e outros insumos, e leitos – que já são poucos – tiveram que ser fechados por impossibilidade de atendimento.

Alagoas consegue colecionar os piores índices sociais há décadas e não consegue comover as pessoas para que cobrem dos políticos e responsáveis sociais o devido cumprimento de seu papel.

Por um lado pregam – aqui no estado – a importância da livre iniciativa, do emprego e renda e não investem em capacitação e conquista de indústrias e empresas de grande porte.

Porto sem condições de grandes transações comerciais, estradas completamente esburacadas, ausência quase total de saneamento básico, serviços de iluminação e telefonia um verdadeiro fracasso. Se você fosse um grande empresário, industriário, investidor, viria para cá?

Pois é… Preocupa-me os trabalhadores rurais que só têm a lavoura de cana como fonte de emprego e renda – mínima, mas alguma. Com a mecanização das lavouras nem isso terão. Muitos já migraram para a construção civil e estão construindo rodovias federais – porque estadual não passa por obra, só por remendo – ou residências do programa “Minha Casa, Minha Vida”.

E depois? O que será desses trabalhadores rurais? Virão para os centros urbanos atrás de emprego e o que encontrarão? Criminalidade! Bem, acho que o círculo que já nos encontramos fecha-se mais uma vez com uma nova fonte de alimentação, os desempregados exilados nas cidades maiores.

Precisamos acabar com essa cultura de nos vermos encurralados por problemas insolúveis para nos darmos conta de que eles existem. Não é necessário ser vidente para prever o futuro, apenas conhecer o passado, pois a história, a economia e a política são cíclicas.

Olhemos para o passado para entenderemos o presente, só assim construiremos o futuro que desejamos, em vez de aceitar o que nos impõem.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 04/06/2013 em CadaMinuto

 

Luis Vilar por ele mesmo – evitando a zona de conforto

Esta é, com certeza, a mais longa das entrevistas, mas é que o Luis Vilar é alguém que eu conheço e com quem tenho debates diversos com muito entusiasmo. E, justamente por querer que o leitor do Palavras ao Vento tenha um pouco da imagem que tenho, é que resolvi apurar a “conversa” com o blogueiros dessa semana.

Com mais de 10 anos de experiência com o jornalismo, Vilar será o entrevistado de amanhã na rádio CBN Maceió, com o querido Carlos Miranda, a partir das 11h. O blogueiro entrevistado amanhã é um dos pioneiros em Alagoas, com cerca de 6 anos na blogosfera. Blog do Vilar

Confiram porque ele tem chamado a atenção de leitores, jornalistas e autoridades. Vilar procura fugir às regras e ao conforto da estabilidade conquistada. Sua inquietação pode perturbar os mais conformistas, mas inspira novas gerações…

Vilar

Palavras ao Vento: Quem é Vilar?

Luis Vilar: Acho que é a pergunta mais difícil de responder. Tem um quê filosófico aí…risos! Bem, enquanto jornalista o que busco ser é um profissional pautado pela honestidade intelectual na leitura dos fatos, sempre com objetividade extrema. Vejo a imparcialidade como um mito que pode se encontrar a serviço de quem menos se espera. Por esta razão, acabei optando pelo jornalismo opinativo. O blog – no caso – é só uma ferramenta. Poderia ser uma coluna, uma página, enfim… a plataforma é o que menos importa. Meu foco é muito mais no conteúdo que decidi produzir e este lado profissional acabou tomando conta de mim muito mais do que eu imaginaria. Sou um viciado em trabalho, em café e em livros.

Do ponto de vista pessoal, um sujeito de poucos, mas grandes amigos. Que acredita que para abrir a boca é preciso antes escutar e estudar muito. Não é por acaso que estes dois verbos são muito parecidos. Um sujeito que acredita que coragem e ação foram as palavras que formou o vocábulo coração (risos)! Apaixonado pela família. Sou conservador em relação a muitos valores. Não dispenso a ironia na defesa destes e das garantias de liberdade individual e do Estado Democrático de Direito. Seja na profissão de jornalista, seja como cidadão.

Trato meu lar como o templo sagrado, um refúgio. Por vezes, alguém que sempre tenta unir o pessimismo da razão, ao otimismo da vontade. Acho que Gramisc que disse isso. Não lembro agora. O que disse aqui não define muito, mas expõe alguma coisa. No RG sou Luis Alberto Fragoso Vilar e este nome talvez defina menos ainda. Em manias, sou um cara que coleciona relógios e canecas; detesto televisão, mas acabei me apaixonando por futebol e algumas séries americanas. E por falar em futebol, um completo apaixonado pelo Centro Sportivo Alagoano (CSA). E grato pelas forças da natureza terem me encaminhado entre erros e acertos a encontrar a minha mulher e a minha filha nesta jornada. Grato pela família que tive, tanto os que partiram, quanto os que aqui ainda estão.

Por fim, o cara que busca cada vez menos adjetivos e mais argumentos. Que cada vez mais foge do discurso do ódio.

 

PaV: Como vc vê o jornalismo em Alagoas atualmente?

LV: Acredito que o jornalismo alagoano evoluiu bastante desde que entrei no mercado. Nesta lacuna de tempo, no qual faço parte do jornalismo, vi muita coisa da qual me orgulhei por estar no mercado, como tive muitas decepções também. É natural. Ainda temos um jornalismo fortemente influenciado (para não usar um termo pejorativo) por determinados caciques; que sofre com o poderio político e econômico destes grupos. Mas, diante da diversidade que foi imposta pelos sites e pelo poder de contrainformação que alguns blogs ganharam – mesmo em espaço totalmente independente – temos um avanço na discussão que nos permite a pluralidade e o julgamento mais embasado do leitor.

Defendo esta multiplicidade, defendo a plena liberdade, ainda que por conta dela se cometa exagero. Afinal, democracia é processo e jamais produto. Por isso, sou contrário a qualquer tipo de controle de conteúdo. Acho que a pluralidade separa o joio do trigo para quem de fato está em busca do trigo. E hoje, vejo um jornalismo mais liberto de amarras em Alagoas, apesar de ainda precisarmos avançar muito. Uso a terceira pessoal do plural por me incluir também. Eu também preciso avançar muito, sempre ler mais, enfim… o jornalista precisa ter consciência de seu compromisso com os fatos, com a análise intelectualmente honesta (no caso do opinativo).

Temos ainda blogs de aluguel, colunas de aluguel e o jornalismo a serviço. Mas temos muita gente séria já no mercado e entrando no mercado com um sentimento de renovação que trará discussões salutares. Por isto, acredito que o hoje é melhor que ontem. E que o amanhã tem tudo para ser melhor que o hoje. Destaco espaços importantes como as pensatas do CadaMinuto, que é algo bem plural no jornalismo. Destaco o Repórter Alagoas que é uma iniciativa do Odilon Rios pela qual sou apaixonado e que abriu portas para gente que merece e deve expor suas ideias, mesmo que contrárias muitas vezes ao que eu penso, como é o caso do blogueiro Luciano Amorim, que tem trazido discussões importantes, inclusive sobre a própria mídia. Destacou aqui também um garoto do qual sou fã de carteirinha: o Paulo Veras, que tem um dos melhores blogs de jornalismo do Estado e não se encontra em nenhum veículo da chamada “grande mídia”.

Não tínhamos isto. Logo, andamos muito e precisamos – claro! – andar mais.

 

PaV: Como nasceu o blog do Vilar?

LV: Quem me acompanha sabe que eu tenho um mantra que não é feito apenas de palavras, mas de atitude: o tal “fugir da zona de conforto”. Há anos um jornalista chamado Wadson Régis me chamou para compor uma equipe num site de notícias – o Alagoas24Horas. Não existia essa onda de sites e tal. Éramos pioneiros. Lembro que falei com minha esposa e com meu pai sobre o assunto. Vi que olharam desconfiados: largar o impresso para aventurar nessa tal internet? Bem, para mim simbolizava sair da zona de conforto. Eu tinha meu nome posto nos impressos, mas queria mais. Larguei o papel e fui aos sites. Foram apertos, dificuldades financeiras de projeto em início. Mas se consolidou.

Quando estava tudo calmo. Lá vou eu pensar no marasmo e na necessidade do novo. Aí, decidi criar o blog. Ofereci o produto de graça para o Alagoas24Horas e os caras toparam a ideia. Em quatro anos de blog, os acessos justificaram o produto. Chamou a atenção do site CadaMinuto. Resolvi encarar o desafio de não só mudar de casa, passando a valorizar o produto financeiramente, mas também de encarar a salutar concorrência interna com blogueiros de renome e que admiro muito. O Blog do Vilar virou uma realidade. Consegui consolidá-lo no espaço que o CadaMinuto me ofereceu e hoje me sinto em uma família.

Mas, sabe como é? Entrar na zona de conforto? Não! Jamais! Criei o Blog do Vilar Ao Vivo e os malucos da Kuka Estratégia – dois amigos-irmãos, Flavinho Holanda e Laíse Moreira – compraram a ideia e iniciamos um programa ao vivo de uma hora em TV Online. O projeto busca a consolidação. Fechamos o primeiro ano e caminhamos para o segundo. Porém, deixa eu confessar: estou com a sensação de zona de conforto novamente. Então, tem coisa nova vindo por aí…

 

PaV: O que te motivou a desbravar a internet como jornalista?

LV: Como disse anteriormente, sair da zona de conforto que o impresso me fez cair. Mas, quando digo isso, digo por mim. Não quero que fique parecendo que é uma fórmula, nem que estou desconsiderando a importância do impresso. Jamais. Sou apaixonado pela plataforma do impresso. Tanto que aceitei o convite de retornar a ela, quando o A Semana me apareceu como um desafio novo no mercado alagoano.

 

PaV: Como você vê o espaço que inicialmente tinha a conotação de diário particular e que hoje é tomado por profissionais da imprensa? Vê como emancipação do jornalista? Independência, enfim?

É aqui que eu devo decepcionar as pessoas que me escutam ou leem em algumas palestras e entrevistas. Eu sou um analfabeto em relação às plataformas. Talvez nem ligue para elas no sentido de enxergar as técnicas e o mundo das ferramentas. Meu foco é tão grande no conteúdo que vivo quebrando todas as regras impostas para o uso das redes sociais, dos blogs, enfim… não são poucas as vezes que a Kuka Estratégia, com TODA RAZÃO, puxa as minhas orelhas e a bronca é bem dada! Mas, acho sim que o blog deu mais emancipação ao jornalista ao passo que aumentou a responsabilidade porque deu a análise, a afirmação sobre o fato, um rosto. Criou uma identificação maior com o leitor. Independente da plataforma. Há profissionais aí de jornalismo fazendo um trabalho excelente no twitter e no facebook também.

 

PaV: Com uma câmera na mão qualquer um pode ser jornalista?

LV: Bem, eu devolvo com outra pergunta: qualquer pessoa com ovos, manteiga, farinha de trigo e chocolate em pó faz um bom bolo?

 

PaV: Qual a importância do jornalista para a internet? E da internet para o jornalista?

LV: A internet é uma plataforma que permitiu revolucionar o conteúdo de uma forma genial. Ampliou-se a pluralidade. Consequentemente aumentou a responsabilidade de quem quer trabalhar sério e a dificuldade pela busca da credibilidade. A internet para o jornalista abriu mercados e possibilidades. Plataformas novas que proporcionaram uma fuga inevitável da zona de conforto. Mudou a realidade, inclusive, dos impressos, da televisão, enfim… e é um rumo sem volta. O jornalista – atualmente – é obrigado a estudar este novo meio, a lidar minimamente bem com estas plataformas que surgem dentro da internet (e eu peco muito neste quesito, reconheço). A internet também aumentou o desafio da apuração, da busca pela informação precisa, mas é preciso saber lidar com isto. O trabalho do jornalista facilitou pelo excesso de informação, mas dificultou pela necessidade de embasamento para saber separar o joio do trigo. Acho que a internet é muito mais importante para o jornalista, do que o jornalista para ela.

 

PaV: Como o blog influencia os leitores? Acha que influencia?

LV: Não sei avaliar como um blog influencia os leitores. Procuro não me preocupar com isto. Quero que o leitor entenda que o meu maior sinal de respeito para com ele é não pensar nele, nem na quantidade de acessos, ou das vertentes e desdobramentos que uma notícia pode ter. Claro que temos uma noção disto quando escrevemos, mas a minha preocupação principal é de manter a honestidade intelectual, a objetividade e avaliar a relevância do assunto escolhido. E não escrever para outros jornalistas, mas sim para o LEITOR. Tem jornalista que comete este pecado de querer escrever pelo PRÊMIO, pelo MERCADO, pela visão elogiosa de outros JORNALISTAS. Eu tento fugir disso. Não quero aqui avaliar se é o correto ou o errado. Estou dizendo que é o que eu faço. O meu diálogo é com o leitor. Há esta relação de influência, claro. Há leitores que acabam também me influenciando, me desafiando a ser melhor do que eu mesmo, me corrigindo, me ajudando a crescer… enfim! Eu preciso ter sempre um processo de auto-avaliação muito crítico neste sentido. Há comentários no blog sobre o qual passo refletindo uma semana. Enfim, vejo como natural do processo. Mas, não sei avaliar como um blog influencia leitores. Acho até – posso estar enganado – que seria arrogante de minha parte. Acho que me fiz entender.

 

PaV: O que o inspira a escrever?

LV: Saber que o amanhã pode ter um céu mais azul e que podemos enxergar melhor sempre. Às vezes escrever é tirar o céu nublado de dentro de si.

 

 

PaV: Como classifica um assunto em relevante ou não para ser publicado no blog?

LV: São muitos os critérios que busco ter. A interferência do tema na realidade local, o que ele afetaria de fato na vida das pessoas, se é uma discussão que merece ser ‘coletivizada’, o momento em que o tema está inserido por outros veículos também, os interesses já existentes em entrelinhas nos temas tratados, a não personalização de uma questão, a necessidade de revelar bastidores para esclarecer decisões equivocadas ou aparentemente acertadas, a necessidade de se afastar cortinas de fumaça de questões relevantes, e por aí vai… são muitos os critérios. Creio que é necessário que o jornalista sempre faça avaliações sobre o que escreve ou o que busca escrever. O acesso também é um critério, mas no meu caso não é o mais relevante.

Vilar2

PaV: Há um projeto paralelo, um blog chamado Conversas de Quinta, como nasceu e por quê?

LV: Veio justamente desta necessidade de sair da zona de conforto. O Conversas de Quinta nasceu porque às quintas-feiras eram os dias que eu não dava aula. Tinha a noite livre. Casou de resultar em um trocadilho “Conversas de Quinta” (quintas-feiras e quinta categoria). Mas, depois, com as mudanças de horário das aulas e outros compromissos, acabou que as atualizações ocorrem em qualquer dia da semana. O objetivo eram textos que são frutos das leituras filosóficas, literárias, teológicas, das ciências sociais que eu faço. Estas leituras estão presentes sempre de forma indireta nas análises políticas do Blog do Vilar. Mas, eu sentia que eu precisava expor melhor isto para o leitor. Ser mais honesto com ele do ponto de vista dele conhecer mais para dialogar – sobre todo e qualquer texto – comigo em pé de igualdade. Ofertar estas leituras é mostrar outra face deste jornalista que vos fala que completa a face mais aberta ao público. Assim, quem quiser ir ao Conversas de Quinta acaba entendendo melhor como enxergo algumas questões de valores, filosóficas e políticas e sabe porque nascem determinadas visões dentro do Blog do Vilar.

Vejo o Conversas de Quinta e o Blog do Vilar como almas gêmeas que se encontram para um café no fim de tarde. Possuem suas diferenças em função dos objetivos, mas semelhanças em função da complementação. Espero que o leitor enxergue isto. Ao mesmo tempo, quero que sejam completamente independentes. Do tipo: não é preciso conhecer um para entender o que está posto no outro. Ando relapso com o Conversas de Quinta; talvez porque tenho formatado um outro projeto para a internet que chama-se Café Com Pauta (outro trocadilho horrível de café com pão), como foi trocadilho um projeto que não vingou chamado Pauta Livre (trocadilho com Pau tá Livre). Enfim… eu amo trocadilhos inúteis e sem graça… risos. Mas, o Conversas de Quinta é um projeto pelo qual tenho grande paixão apesar de seus poucos acessos.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 03/06/2013 em Blogs na CBN Maceió

 

Tags: , , ,

Palavras ao Vento está aniversariando, obrigada aos leitores!

E hoje é dia de aniversário do Palavras ao Vento… Dois anos que voaram e que muito me ensinaram… nesses últimos anos aprendi a confiar mais em mim, a acreditar mais no outro e a prezar pelo desconhecido.

O tempo passou e amizades nasceram, ressurgiram e muito conhecimento foi adquirido. Vocês, leitores, me ensinam diariamente o que lhes agrada, atrai e cativa…

Por vocês me animo a escrever, por vocês me inspiro… O amanhã nos reserva surpresa, e a minha certeza é que o tempo que passamos juntos nesses dois anos já são inesquecíveis.

Aos blogueiros, companheiros de postagens, desejo muita criatividade e entusiasmo por seus blogs, pois o meio é fantástico para disseminarmos nossas idéias e nossas visões de mundo, é disso que é feita a democracia e cada texto que publicamos contribuímos um pouco com uma sociedade menos conformista e mais disposta a lutar pela realidade que deseja.

Aos leitores peço paciência e compreensão, agradeço-lhes o carinho, a generosidade, a troca de experiências e, principalmente, a atenção…

Entremos no terceiro ano do Palavras ao Vento com muitas histórias, notícias, comentários e opiniões. Em breve teremos mais “Diário de Viagem”, edição 2013. Conto com sua leitura e seu comentário, tenha certeza que é você quem alimenta esse espaço diariamente.

2 anos

 
Deixe um comentário

Publicado por em 31/05/2013 em Variedade

 

Tags:

E se você tivesse a chance de se despedir?

E você?

O que você faria se fosse diagnosticado com uma doença gravíssima?

E se fosse você a se despedir da vida, da família, dos amigos, do mundo?

O que faria com o tempo que lhe resta?

Zachary Sobiech resolveu compor, cantar, gravar, divulgar e incentivar pesquisas para a cura do câncer.

Zach foi diagnosticado com o osteosarcoma aos 14 anos, e começou a compor nessa época. “Clouds” foi a primeira música composta por Zach. Ele escreveu muitas outras depois. Ele foi o personagem central do documentário “My last days: meet Zach Sobiech”.

Confira aqui!

Como será que é viver os últimos dias e não perder a fé no amanhã? Fazer planos para o futuro, desejar casar, ter filhos e um bom emprego?

Não, não é possível imaginar, mas Zach nos deixou uma valorosa lição: “Você não precisa saber quando vai morrer para começar a viver”.

Zach Sobiech morreu, aos 18 anos, na manhã do último dia 20.

E nas nuvens a vista deve ser bem melhor mesmo…

Letra e tradução de “Clouds” Aqui!

 
1 comentário

Publicado por em 30/05/2013 em Documentário, Variedade

 

Tags: , ,

Em um ano a verdade das diversas Comissões

Publicado no Jornal O DIA ALAGOAS (26/05/2013)

Comissão da Verdade

A comissão nacional da verdade foi criada por lei ainda em dezembro de 2011, a ideia é estudar e investigar o submundo da história política do Brasil, englobando desde 1946 até 1988. Em 1964 foi instituído o Regime Militar no Brasil, quando os casos de tortura e perseguição política passaram ser comuns, assim como a resistência armada, capitaneada por militantes comunistas.

Em 1979, o General Figueiredo sancionou a lei que concedia anistia a todos os perseguidos políticos e, também, a todos os agentes do governo que abusaram de suas prerrogativas e violaram direitos humanos. Sob o manto da “abertura lenta, gradual e segura” inaugurada ainda em 1974, pelo General Geisel, o fim da ditadura se deu a passos lentos e como forma de “experimentar” a sociedade.

Pacotes econômicos, políticos e sociais foram implantados aos poucos, abrindo a política brasileira à medida que a pressão da sociedade e de organismos internacionais aumentava. O Brasil não agiu por benevolência e nem por amadurecimento político-administrativo, mas por força da crise econômica e da pressão social em face dos desaparecidos e perseguidos políticos.

A comissão da verdade iniciou seus trabalhos oficialmente em 16 de maio de 2012, há um ano, e esta semana divulgou um relatório dos trabalhos desempenhados. A comissão apresentou acusações gravíssimas à Marinha brasileira e sugeriu que a Lei de Anistia fosse revista. Por ora, a comissão já ouviu 61 depoimentos de ex-agentes da repressão e 220 vítimas e testemunhas do período.

Comissão Nacional da Verdade, um ano depois

A comissão concluiu que a Marinha sabia desde 1972 o paradeiro de 11 desaparecidos políticos e mentiu sobre tais informações em 1993 quando o então presidente Itamar Franco pediu esclarecimentos.

Generais Presidentes

Constatou-se, ainda, que a tortura tornou-se meio corriqueiro de interrogatório desde o início do Regime Militar, em 1964. E que vários eram os tipos de tortura, sendo apontados nove tipos de tortura: pau de arara (barra de ferro atravessada entre os punhos amarrados e a dobra do joelho, pelos quais o torturado é suspenso de ponta-cabeça e cerca de 30 centímetros do solo); afogamento, banho chinês (tipo de afogamento com introdução forçada da cabeça do torturado em um barril de água ou óleo), choque elétrico, churrasquinho (papel retorcido colocado no ânus do torturado), geladeira (o torturado permanece nu em uma sala pequena que o impede de ficar de pé, e a temperatura oscila entre o frio extremo e o calor insuportável), soro da verdade (injeção de drogas psicoativas que reduziam barreiras inibitórias e facilitava revelações em depoimentos), telefone (golpes simultâneos na lateral da cabeça para afetar os tímpanos) e torturas psicológicas.

Google Imagens

Categoricamente a comissão afirma que a cúpula das Forças Armadas e os Ministros Militares sabiam de tudo. A comissão, que tem poder apenas para investigar e esclarecer o período, defende que a Lei de Anistia seja revista e que por se tratar de crimes contra a humanidade, não decaem. “Eles são tão graves que devem ser objeto de julgamento a qualquer momento que forem descobertos”, afirma Rosa Cardoso, coordenadora da comissão da verdade. A comissão anunciou que recomendará a abertura de processos judiciais contra agentes da ditadura acusados de violações de direitos humanos.

Sobre o tema o Supremo Tribunal Federal já se manifestou em 2010, considerando impossível que a Lei da Anistia fosse revista já que sua edição foi fruto de discussões políticas da época e essencial à transição pacífica do período autoritário para a democracia.

Após a polêmica suscitada pela comissão, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que o governo não vai tomar a iniciativa de propor projeto de revisão da Lei da Anistia. “A Comissão da Verdade está cumprindo bem o seu papel. Agora, a sua competência legal não é punitiva”, declarou Cardozo.

Rubens Paiva em família

A Comissão Nacional da Verdade tem conseguido avanços memoráveis, principalmente, quanto à investigações sobre o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva, a correção do atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog e as investigações sobre a morte do ex-presidente João Goulart, a Operação Condor e sobre as violações de direitos cometidas contra os índios durante a ditadura militar.

Comissão da Verdade em Alagoas

Pelo menos 17 estados já possuem Comissão Estadual da Verdade instalada. O objetivo é apurar crimes de tortura e repressão que aconteceram antes, durante e após o fim da ditadura nos estados, entre 1946 e 1988. Vão apurar a violação dos direitos humanos em ações de agentes públicos. Além disso, os sequestros e prisões ilegais durante a ditadura militar também serão apurados. No Rio de Janeiro, por exemplo, um dos objetivos é entender os mecanismos usados na repressão e apurar as informações de que grandes empresários financiaram a tortura.

Muitos estados ainda estão em fase de aprovação, criação e instalação de suas respectivas comissões da verdade. Em Alagoas, a instalação da comissão também enfrenta entraves burocráticos como primeiro e principal entrave. Possui como principal mote também a apuração de violações aos direitos humanos e abusos cometidos pelas autoridades no período de 1946 a 1988, mas adstrito a Alagoas.

De iniciativa do Deputado Judson Cabral, o projeto de criação da comissão que quer expor à sociedade a verdade sobre as vítimas e os algozes deste período da história passou por modificações de iniciativa do governador Teotônio Vilela, operacionalizando “os ajustes imprescindíveis ao adequado e eficiente funcionamento da Comissão Estadual da Memória e Verdade”, passando a se chamar Jayme Miranda, em homenagem ao alagoano morto e torturado pelo regime militar. Jornalista, advogado e ex-diretor do jornal “Voz do Povo”, de Maceió, preso em 1975 no Rio de Janeiro, ao sair de casa.

Jayme Miranda

A comissão será composta por sete integrantes que serão designados pelo governador. A nova redação da lei esclarece ainda que “a participação na Comissão Estadual da Memória e Verdade Jayme Miranda será considerada serviço público relevante, não fazendo jus seus integrantes ao recebimento de remuneração”, o que provocou a insatisfação de Pedro Montenegro, consultor da Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos. “Em todos os Estados que tem a Comissão seus membros são remunerados para poderem se dedicar. Na Comissão Nacional são mais de 40 pessoas remuneradas. Há um volume muito grande de informação e leitura de documentos. Não sei como aqui vai funcionar apenas com voluntariado e sem estrutura”, afirmou.

Com a recente aprovação, o texto da lei que cria a Comissão Estadual da Memória e Verdade Jayme Miranda se encontra em redação final, estima-se que no mês de junho os membros sejam designados e possam, enfim, dar início aos trabalhos que deverão durar no máximo dois anos a partir de sua implantação.

Comissão da Verdade do SindJornal

Google Imagens

O sindicato dos jornalistas profissionais do estado de alagoas (Sindjornal) instalou a comissão da verdade dos jornalistas alagoanos em marco deste ano em solenidade que contou com a participação de Audálio Dantas – jornalista alagoano que preside a comissão da verdade da Federação Nacional dos Jornalistas.

A comissão visa recuperar histórias de jornalistas vítimas da ditadura militar e levantar informações não só dos profissionais, mas, também, as violações contra a liberdade de imprensa, como censura oficial a jornais que tenham representado o cerceamento ao direito à informação.

A comissão deve elaborar um relatório sobre os crimes de violação aos direitos humanos praticados contra jornalistas durante a ditadura militar, por suas ideias e atuação profissional. A Comissão da Verdade do Sindjornal é formada pelos jornalistas Anivaldo Miranda, Edberto Ticianelli, Adelmo dos Santos, Graça Carvalho, Valdice Gomes e Olga Miranda (filha de Jayme Miranda).

de Audálio Dantas

A comissão já ouviu seis testemunhas e vítimas do regime de exceção e já possui outras oitivas agendadas. Um relatório preliminar está em fase de finalização para que a Fenaj acompanhe as ações locais e em agosto o relatório final deve ser remetido para a Fenaj, o objetivo é contribuir para o documento final que está sendo elaborado por jornalistas de todo o país e que será enviado à Comissão Nacional da Verdade.

Comissão da Verdade do DCE/UFAL

O Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal de Alagoas (DCE-UFAL), inspirado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), está em fase de consolidação de sua Comissão da Verdade.

A criação da comissão da verdade do DCE-UFAL foi aprovada no último congresso do DCE, o CONDCE. O objetivo é investigar e apurar casos de perseguição e violência ocorridas dentro da UFAL. Professores e técnicos universitários foram perseguidos e alguns tiveram seus direitos cassados na Universidade, outros foram perseguidos e expulsos.

O estudante de economia Lucas de Barros esclarece que pelo menos três estudantes foram mortos – Manoel Lisboa, Gastone Beltrão e José Dalmo – e que muitos outros casos ainda obscuros precisam ser revelados para a comissão nacional da verdade. Para o estudante, a comissão estudantil pode contribuir com o que for apurado na Universidade. “Devemos conbrar nosso direito à informação e à memória, mas sem esquecer a justiça. Os fascistas têm que ser punidos. Precisamos pressionar as instituições por justiça”, afirmou Lucas.

Comissão da Verdade do Sindicato dos Petroleiros

O Sindicato dos Petroleiros de Alagoas e Sergipe (Sindipetro AL/SE) instituiu a Comissão da Verdade, Memória e Justiça ‘Alan Rodrigues Brandão’, que pretende somar esforços e estabelecer um Termo de Cooperação com a Comissão Nacional da Verdade que será assinado no dia 07/03. No evento, também será indicado os nomes que irão compor a Comissão da Verdade, Memória e Justiça do Sindipetro AL/SE.

“A Comissão da Verdade deve identificar os agentes do Estado que participaram da repressão política, e todos aqueles que os financiaram, e sua responsabilização, orientando ao julgamento e punição exemplar destes criminosos, para que esta violência nunca mais volte a acontecer, nem no Brasil, nem na América Latina. Mas para isso organizações de Direitos Humanos, sindicatos e entidades populares devem continuar lutando por uma verdadeira Comissão da Verdade, que realize uma apuração impecável dos crimes da ditadura”, afirmou Robert Deyvis, diretor do Sindipetro AL/SE.

A comissão da verdade do Sindipetro AL/SE tem realizado estudos e solicitações junto à Comissão Nacional da Verdade a fim de provocá-la a investigar atos de “entreguismo” do petróleo brasileiro ao controle estrangeiro, bem como os inúmeros casos citados de “sumiços” e mortes suspeitas de desbravadores do petróleo em Alagoas.

Críticas à Comissão Nacional da Verdade

Defensores dos direitos humanos alegam que a comissão, sem o direito de punir, não colaborará para que se faça justiça.

Militares e policiais queixam-se de não terem representantes e temem que a comissão não dê o devido peso a crimes cometidos por organizações de esquerda, receando que as ações da comissão reabram feridas e com elas divida o país, trazendo à tona “sequelas deixadas por ambos os lados”.

Analistas afirmam que dois anos são insuficientes e que o baixo número de integrantes não conseguirá realizar um trabalho de investigação e apuração do nível necessário e esperado por quem anseia pela verdade.

Há ainda os que a acusam de ser revanchista, insultuosa e agressiva contra as Forças Armadas, composta por pessoas tomadas por interesses específicos e não consideram o contexto da época do regime militar.

O presidente do Clube Naval, Ricardo Veiga Cabral, criou uma “comissão paralela da verdade” visando blindar militares futuramente convidados a depor na Comissão Nacional da Verdade, inclusive com assessoria jurídica, e apresentar um contraponto a possíveis críticas às Forças Armadas.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 29/05/2013 em O DIA ALAGOAS

 

Tags: , , ,

Perdão de dívidas, prioridades invertidas

Publicado no Portal Cada Minuto

Há algum tempo numa reunião de prefeitos alguém disse: “fazer política com o dinheiro dos outros é muito fácil”. O indignado referia-se à política federal de redução de IPI para incentivar o consumo de determinados produtos pelos próprios brasileiros, o que acabou levando ao atual sofrimento de muitos municípios por conta da diminuição do FPM – Fundo de Participação dos Municípios, a principal fonte de renda de pequenas cidades.

Justificando-se em políticas externas e na importância de manter relações especiais com a África, o governo federal anunciou neste fim de semana – diretamente da África – a anulação de 900 milhões de dólares (cerca de 1,9 bilhões de reais) em dívidas de 12 países africanos. A ideia do governo brasileiro é que como a economia desses países tem se fortalecido, o perdão das dívidas poderá beneficiar o Brasil nas relações comerciais futuras. Aposta legítima, mas aposta.

O Brasil já emprestou dinheiro ao mundo inteiro, só através do FMI (Fundo Mundial Internacional) foram 10 bilhões de dólares (cerca de 21 bilhões de reais). No mesmo ano o Brasil emprestou 5 bilhões de dólares à Argentina.

Já é uma realidade o crédito de mais de 170 milhões de dólares (cerca de 350 milhões de reais) para a reforma e ampliação de aeroportos cubanos, através da Odebrecht (ironicamente a construtora de Norberto Odebrecht, que se tornou forte durante o Regime Militar – o maior carrasco da turma do governo federal –, principalmente por negócios suspeitos feitos com ACM – Antônio Carlos Magalhães – na Bahia). Isso depois de já ter financiado a reforma do aeroporto de Havana e estar em negociações avançadas para a importação de médicos cubanos (hoje a exportação de serviços médicos já rendem para Cuba 6 bilhões de dólares por ano).

Recentemente fontes governamentais reconheceram o “mau negócio” realizado em Pasadena (Texas/EUA), ocasião em que o Brasil desembolsou de mais de 1,1 bilhão de dólares (cerca de 2,3 bilhões de reais) por refinaria de petróleo, mas que acabou se revelando num verdadeiro prejuízo. Outros “maus negócios” já foram feitos pela Petrobrás, como a refinaria de Abreu e Lima (PE/BRA), cujo prejuízo já soma mais de 15 bilhões de dólares, e na verdade está mais para golpe dos “amigos” venezuelanos através da estatal PDVSA.

Números nunca foram meu forte e o governo brasileiro tem dado mostras de que sabe administrar a economia local – pelo menos com a moeda estável e forte –, longe de mim censurar a política externa do PT ou os investimentos que têm sido feito ao longo dos últimos 10 anos. Entretanto, o que me causa desconforto são a benevolência e o olhar tão compreensível dos credores brasileiros para com os devedores estrangeiros, enquanto milhares de sertanejos nordestinos estão correndo risco de perderem tudo – o que é quase nada.

Não é novidade o tamanho das dívidas que pequenos proprietários rurais contraíram com diversos bancos brasileiros, ao longo de algumas décadas, empréstimos estes concedidos com o aval do governo federal. Sabe-se, também, que muitos desses empréstimos não foram concedidos durante o governo atual e nem o anterior, mas estamos falando de pequenos proprietários de terra, produtores rurais, que querem verdadeiramente pagar suas dívidas, mas que não conseguem. Primeiro por causa dos juros estratosféricos; segundo, por conta da seca recorrente.

Emprestar sem capacitar para o enfrentamento da seca foi um erro absurdo dos governos do passado e dos que se seguiram. A atual estiagem já era sabida pelo governo federal desde o início de 2010, e ainda assim medidas eficazes para amainar o problema não foram adotadas.

Só neste ano de 2013 que o primeiro trajeto do canal do sertão foi entregue. Canal este que é cogitado desde as andanças de D. Pedro II pelo sertão nordestino e que muito foi prometido pelos políticos ao longo de tantos anos. Mas a pobreza sertaneja e a dependência desse povo saem muito mais lucrativo aos currais eleitorais.

Hoje os pequenos trabalhadores nordestinos correm o risco de perderem sua pequena e única propriedade por conta de empréstimos antigos e com juros exorbitantes que têm sido executados e que a seca acabou com qualquer possibilidade de pagamento.

A situação é tão incompreensível que, ao passo que o governo se fecha à possibilidade de perdoar essas dívidas, os sertanejos convivem com a ameaça de ver suas propriedades serem arrendadas – ou, simplesmente, tomadas – para que nelas seja cultivado o coco (exatamente, a chegada da água ao sertão pode viabilizar que o coco tome conta da paisagem sertaneja).

Esquecem-se das habilidades do sertanejo, esquecem-se da bacia leiteira, da criação de caprinos e bovinos e da plantação de feijão e de mandioca.

Que o governo federal continue sua política externa como bem entender, mas que não esqueça daqueles que realmente precisam de perdão das dívidas, os sertanejos.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 28/05/2013 em CadaMinuto

 

Tags: , , , ,

O blogueiro que virou comentarista: Marlon Araújo

Ele é policial militar e um apaixonado pelo esporte, já foi secretário de estado e é especializado em gestão do futebol. Blogueiro e comentarista esportivo, Marlon Araújo será o entrevistado desta terça-feira na CBN Maceió, com Carlos Miranda, às 11h.

MA

Como acontece toda segunda, publico uma entrevista bem legal com Marlon Araújo.

Blog Marlon Araújo http://blogmarlonaraujo.blogspot.com.br/

Palavras ao Vento: Por que decidiu escrever um blog? Como nasceu o blog MARLON ARAÚJO?

Marlon Araújo: Tinha deixado o futebol como dirigente e um pouco decepcionado com os bastidores do futebol, quando o Jornalista Alberto Oliveira sugeriu-me escrever um blog e fui tentar, mas emplaquei um furo atrás do outro e aí se tornou uma ferramenta muito boa de comunicação esportiva.

PaV: Por que o tema? De onde vem a paixão pelo futebol? Qual seu time de coração?

MA: Priorizo o futebol, mas o esporte amador também tem vez. O futebol está no sangue da família. Meu avô paterno, Epaminondas Araújo, foi um dos maiores goleiros do futebol alagoano; meu pai também jogou de amadoramente, enfim, fui criado sempre ouvindo e discutindo futebol. Como comentarista existe um tabu de não se revelar o time, mas discordo, pois todos, antes de ser da crônica esportiva, foram torcedores e têm seu clube, sou torcedor do CSA e do Flamengo. Minha geração tinha um time Sul do país e outro no estado, hoje isso tende a modificar, pois a nova geração apenas torce pelo time do seu estado. Vale salientar que o importante é ser coerente na avaliação do que está vendo dentro das quatro linhas.

PaV: Qual a melhor surpresa que o blog lhe proporcionou?

MA: Posso citar duas: ter um post republicado no site GloboEsporte.com, e; ser também referenciado por Waldemir Rodrigues no seu blog por causa um texto escrito por mim.

PaV: Como você classifica um tema como relevante para ser levado ao blog?

MA: Uma das razões é quando se trata de notícia que dificilmente teria destaque em veículos convencionais.

PaV: Qual o melhor momento para escrever?

MA: Gosto do silêncio das madrugadas.

PaV: Com que periodicidade publica?

MA: Semanalmente e às vezes diariamente

PaV: Recebe colaboração de outros escritores?

Sim. Principalmente do meu amigo Jornalista Alberto Oliveira!

PaV: O que te motiva a escrever? O que você pretende com o blog?

MA: O que me motiva é feedback que vem das estatísticas e comentários no blog. O que pretendia já consegui, me tornar comentarista esportivo.

PaV: Que mensagem você deixa aos leitores? E a outros blogueiros?

Aos leitores, que possam um momento seguir o BLOG MARLON ARAÚJO, e ficar por dentro dos bastidores do Futebol. Aos companheiros Blogueiros, desejar boa sorte e bons textos!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 27/05/2013 em Blogs na CBN Maceió

 

Tags: , ,

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 3.488 outros seguidores